terça-feira, fevereiro 27, 2007

ANTIGOS REFUGIADOS "COMEM" O PÃO QUE O DIABO NÃO TEVE TEMPO DE AMASSAR ...

O centro de refugiados “4 de fevereiro” é apenas um dos três que existem no Luena, a capital do Moxico. È uma província localizada no extremo leste do país, histórica( por ter testemunhado o início da guerra e o seu fim) e parada no tempo( porque 30 anos depois da saída do colono faltam sinais, capazes de dignificar uma capital de província). Mas, mesmo assim, é lá que 600 angolanos, homens, mulheres e crianças, estabeleceram moradia temporária - visitei os cidadãos ( ???) recentemente numa missão de trabalho ao Luena e arredores. São os últimos populares ( quais cidadãos de segunda) chegados pela ponte aérea estabelecida para pelo alto comissariado para os refugiados e o governo angolano para o regresso de refugiados, que saíram do país no tempo da guerra para procurar refúgio do outro lado da fronteira, Republica Democrática do Congo e Zâmbia. Estes, chegaram no dia 16 de Janeiro de avião para o Luena. Em Donla, Zâmbia deixaram tudo: casas, panelas, escolas, enxadas. Reconstruir a vida e os sonhos em Angola, sua terra natal é o grande objectivo. Debalde. A primeira vista só dificuldades. Das promessas efectuadas, nomeadamente para a cedência de instrumentos de trabalho agrícola ainda não se vê a pratica. Alexandre Luis, é um ancião na casa dos 70 anos. Usa o seu tempo cultivando cereais e controlado os seus compatriotas que chegaram consigo ao país, constituido ás pressas coordenador do centro d antigos refugiados. O local escolhido para centro de acolhimento de refugiados é espaçoso. Situado a cerca de 7 Kms do centro do Luena é composto por dezenas de tendas, todas elas com letras garrafais azuis do alto comissariado das nações unidas para os refugiados. Juntam-se no mesmo local homens, mulheres e crianças, dormindo nas mesmas tendas. De postos médicos nem falar. A comunicação é feita Chokwe, Luvale e Inglês; Alberto Elias, um jovem de 27 anos, regressado também no início do ano á Angola de onde saiu ainda criança. Tal como outros jovens o português foi na sua totalidade esquecido. Para este centro de acolhimento, os alimentos são distribuídos a cerca de 5 kms de distância onde os homens vão levantar a comida. Faltam latrinas, fazendo com os dejectos sejam depositados ao ar livre. A volta do centro vêm-se plantações de milho e demais cereais. Também há feijão e muito capim.. Das pequenas lavras saem alguns mantimentos que revezam a comida constante cedida pelo UCNUR; Uma das principais preocupações nesta altura é a falta de escolas para as crianças. A lista de necessidades aumenta com dos dias, pois faltam bilhetes de identidade, chapas, sementes e dinheiro para fazer face a muitas dificuldades sociais Os angolanos recém regressados da Zâmbia dizem que não podem deixar as tendas, pois faltam indícios para a sua transferencia para zonas vigência definitiva. Neste momento, com as chuvas constantes, o seu sofrimento é ainda maior, pois nestas moradias improvisadas residem varias famílias amontoadas. A diarreia em crianças e o paludismo em todos os habitantes do centro “4 de Fevereiro” constituem nas doenças mãos frequentes. Mais de um mês depois da sua transferencia apenas uma vez uma brigada de saúde ai esteve. Estes populares disseram que estão totalmente abandonadoS, depois de "alicientes promessas". Recordo que recentemente o MINARS anunciou o fim do processo de repatriamento organizado de refugiados, alegando estar o país já em fase de desenvolvimento depois do período de emergência. É um processo iniciado em 2002.

Um comentário:

Benedito Joaquim disse...

Pois é pena que tudo isso ainda esteja a acontecer no país. Devemos dar tempo ao tempo.

repare que é lá onde começou a guerra de libertação e também foi no leste em que terminou a guerra. Depois da morte de Savimbi no Lukusse, foi no Luena, tudo no Moxico, onde foi assinado o memorando de entendimento que até vigora. Foi há quase cinco anos. 4 de Abril de 2002. ~

Benedito Joaquim
Kapala Kayela