terça-feira, outubro 09, 2007

Um tribunal atrás do prejuízo ….

Numa corrida, talvez contra o tempo e as pressões nacionais e internacionais, eis que surge da cartola um Juiz Presidente do Tribunal Provincial de Luanda a pretender reavaliar todo o processo que conduziu Graça Campos á cadeia.

O “ escriba” já está a sete dias atrás das grades na “ remodelada” Cadeia Central de Luanda, onde a lotação começa a ficar esgotada, tal é o número de detidos que todos os dias lá chegam.
O tribunal, dizia eu, segundo fonte insuspeita, iniciou a reavaliação do processo depois de ter constatado gritantes falhas do meritíssimo que julgou o jornalista.

“ A sentença do juiz de causa, Pedro Viana, está a ser reapreciada, no sentido de se dar liberdade ao jornalista através de uma caução” segundo o Director adjunto do Semanário Angolense, Silva Candembo, que espera ainda que “ a libertação de Graça Campos venha corrigir um erro da justiça do país” diz o profissional de imprensa.

Graça Campos, vai ficar a saber se em seguida a sentença subirá ao supremo para o recurso, ou a sua consequente soltura. Silva Candembo, não arriscou a data da soltura do Director geral do semanário Angolense.

MISA -ANGOLA lança campanha por Graça Campos*

MISA-Angola lançou, em todo o território nacional, uma campanha de recolha de assinatura com o mesmo objectivo. Dezenas de jornalistas já assinaram o documento, posto a circular inicialmente em Luanda.

«A bem da informação de interesse público, manifestemos solidariedade ao colega Graça Campos», reza o manifesto do ramo angolana do Instituto de Média para a África Austral, sedeado em Windhoek. A notícia da detenção do “ escriba” corre o mundo e espanta os defensores da democracia.
De Paris, a organização “Reporters Sans Frontières (RSF)” exprimiu o seu «espanto» perante a medida de que foi alvo o jornalista angolano.
«O carácter desmedido da pena é um primeiro motivo de inquietação. E o facto de que, em Angola, um jornalista esteja condenado à prisão acentua a nossa preocupação. O país distinguiu-se nos últimos anos pela falta de prisão dos jornalistas radicada em delitos de imprensa.
Infelizmente, este período parece encerrado uma vez que temos que recordar às autoridades angolanas que, em casos deste, a cadeia não é absolutamente uma resposta», acrescentou o comunicado de RSF divulgado no último fim-de-semana.

Felisberto da Graça Campos, está a sete dias na Comarca de Viana, condenado pelo crime de difamação e injúria contra o antigo ministro da Justiça, Paulo Tchipilica. Ao jornalista é ainda exigida uma indemnização de 250 mil dólares. * Com Apostolado

segunda-feira, outubro 08, 2007

Liberdade já !!!

Eis a questão: Quem será o próximo?

Uma lista muito negra!

Neste Outubro chega ao fim o prazo de três longos meses de punição a transportadora aérea nacional de sobrevoar ou pousar no solo Europeu.

Na altura ouviram-se vozes contra, protestos de retaliação e o estudo de vias alternativas para minimizar esta medida tida como negativa para um país soberano, dono de si e conhecedor das leis e normas internacionais.

A inclusão da TAAG na lista de companhias proibidas de voar no espaço aéreo europeu foi adoptada pela Comissão Europeia.

Na altura a Comissão Europeia anunciou que recebeu um parecer favorável, por unanimidade, do seu Comité de Segurança Aérea à quarta actualização da lista do executivo de companhias proibidas de voar no espaço aéreo europeu, por razões de segurança.

Pelo que se sabe, foi a França que, pela primeira vez, detectou anomalias graves a nível da segurança dos aviões desta companhia. Acompanharam a TAAG companhias de outros países com Indonésia, Nigéria, Congo democrático entre outros.
Por azar dos pecados, no dia em que a União Europeia, através da sua Comissão Europeia anunciou a intenção de incluir a companhia de bandeira angolana TAAG na lista negra de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu por razões de segurança, uma aeronave da TAAG, um Boeing 737-200, despenhou-se quando se fazia à pista de Mbanza Congo, proveniente de Luanda, embatendo num edifício.

Este foi apenas o ultimo de uma série de acidentes de aviação que Angola conheceu. Os antonovs, aviões de carga russos, despenharam-se pelo país. Dezenas de pessoas morreram e a assunção da culpa não veio á publico. Quem assume a culpa?

Há gente que exige a cabeça do ministro dos transportes, André Luís Brandão. Entre a multidão que exige a sua exoneração ou demissão está um dos mais renomados deputados do MPLA, Mendes de Carvalho.

Recentemente, talvez num truque de mestre – para antecipar a nova decisão da União Europeia - o governo de Angola aprovou o projecto de lei da aviação civil, tendo em vista a regulação das actividades do sector no espaço aéreo nacional e internacional sob jurisdição angolana. O diploma aprovado pelo Conselho de Ministros procura incorporar na ordem interna normas e práticas recomendadas pela Organização da Aviação Civil Internacional, mediante um mecanismo denominado "Normativos Técnicos Aeronáuticos".

Surgiram notícias de companhias sem cintos de segurança em condições, sem manuais de bordo, sem a possibilidade de acomodar os passageiros. Á boca pequena diz-se que o sistema de manutenção técnica de aeronaves de algumas companhias não tem sido o melhor, devido a insatisfação salarial de alguns operacionais.

Como pode um cidadão confiar a sua segurança á uma empresa de aviação que tem essas debilidades?

As nossas estradas

É um assunto que se impõe: a segurança nas estradas do país, a condição dos veículos e dos seus condutores.
Sente-se que nos últimos tempos são cada vez mais aparatosos os acidentes de viação nas grandes estradas do país.
Acidentes que, diga-se de passagem, aumentam de intensidade na medida em que as estradas são reparadas, melhoraras e reconstruídas. Para ilustrar basta a deslocação do Sumbe á Luanda e vice-versa, com incidência para os fins-de-semana.
Nota-se também que em grande parte dos acidentes estão envolvidos jovens na casa dos 20 ou 30 anos, circulando em viaturas de alta cilindrada, ceifando vidas e acabando com os sonhos de futuro que as vitimas acalentam. Várias famílias são enlutadas a cada fim-de-semana. Serão as estradas, a imperícia dos automobilistas ou a condição técnica dos veículos? O que dizer das escolas de condução e o seu ensino?
Outro sim, vozes se levantam contra a inspecção de viaturas, uma atribuição da corporação policial especializada no assunto. O estado técnico de viaturas importadas especialmente da Europa, volta e meia deixa muito a desejar.
Viaturas há, que se afiguram quase sucatas (permita me a palavra) mas que são autorizadas a circular pela cidade em pé de igualdade com outros em melhores condições. Será que a fiscalização ou inspecção poderia que algum modo atenuar a situação actual?
Os automobilistas para encararem de frente a segurança rodoviária olham para as estradas. A reabilitação das vias em Luanda e no interior do país tem sido uma realidade, apesar de se notarem sinais lentos para o fim destes projectos, cinco anos depois de alcançada a paz.
É sabido por demais, que as estradas são uma espécie de Veias que transportam o sangue do desenvolvimento. Muitos países conseguiram fazer a sua distribuição geográfica, graças a um plano de expansão de rodovias inovador. Cá entre nós será que existe? Estarão as brigadas a trabalhar, segundo o princípio da grande necessidade do país, ou apenas seguindo país, ou apenas seguindo princípios eleitoralistas?

terça-feira, outubro 02, 2007

A descontração dos jornalistas... Uma pausa no tempo para " ficar" por dentro.

. Um dos momentos da saudade, mas que o tempo não apaga. " Picanha do arraso" Dezembro/ 2006. Rádio de confiança- Luanda

Angola rural

Em zonas rurais de Angola, uma motorizada é uma grande oportunidade de ter rendimentos financeiros. A motorizada é o " taxi" usual.

Motim na cadeia de Luanda

Tumultos na Cadeia central de Luanda terminam com dois reclusos mortos e outros cinco gravemente feridos. Um guarda prisional sofreu, igualmente, ferimentos.

Tudo terá começado as 21 horas desta segunda feira, quando um grupo de reclusos tentou forçar a saída para uma fuga.

Segundo apurou a imprensa, durante a noite e madrugada a intervenção das forças policiais, entre elas, a PIR e a “ brigada auto” contiveram os tumultos. Fontes no terreno avançaram a Ecclésia que bairros como, Nguanha, Porto Pesqueiro e Campismo, limítrofes a Cadeia Central de Luanda estiveram a ser fortemente vigiados por efectivos da polícia.

O porta-voz da polícia nacional em Luanda, Intendente Divaldo Martins, disse que há informações que indicam que os reclusos estão insatisfeitos com as condições no interior do estabelecimento prisional.

Por outro lado, o porta-voz da polícia nacional Divaldo Martins, avança que o motim está contido. A revolta dos reclusos da Cadeia central de Luanda (CCL) deu-se com grande incidência na ala masculina da prisão.

Na CCL estão alojados mais de três mil reclusos e é a par da cadeia de Viana uma das maiores de Luanda.

E a coordenadora do projecto de reforma penal da Associação Justiça, Paz e Democracia, Lúcia Silveira, apela ao governo a rever as condições internas nas cadeias do país.
E o psicólogo social Carlinhos Zassala, expressou a sua preocupação perante a falta de psicólogos e sociólogos nas unidades prisionais do país. Segundo afirma, pode ser o acumulo de conflitos não resolvidos que motivaram a situação de segunda-feira.

Mais um blog sobre Angola e o Brasil

Sara Manera, brasileira e amiga, jornalista e estudante de comunicação social tem este blog para todos nós. Nasceu e estuda em Salvador e nutre uma grande simpatia por Angola.
Destaque Luanda e a sua vida nesta movimentada cidade. A Sara está em Angola para investigar " O trabalho das rádios em Angola" com destaque para 3 delas: Ecclésia, LAC e RNA.
Boa leitura
FOTO: Sara e uma amiginha angolana no bairro em que vive em Luanda.

sábado, setembro 15, 2007

ANGOLANO

Ser angolano é meu fado, é meu castigo Branco eu sou e pois já não consigo mudar jamais de cor ou condição.

Mas, será que tem cor o coração?Ser africano não é questão de coré sentimento, vocação, talvez amor.Não é questão nem mesmo de bandeirasde língua, de costumes ou maneiras.

A questão é de dentro, é sentimentoe nas parecenças de outras terraslonge das disputas e das guerrasencontro na distância esquecimento!

de Neves e Sousa (Pintor e Poeta Angolano)

CRISE DE VALORES NA JUVENTUDE: FALTA DE POLITICAS SOCIAIS OU DEMISSÃO DAS RESPONSABILIDADES DOS PAIS?

Nos dias de hoje ser jovem é um grande desafio. Milhares de pessoas nesta condição enfrentam as agruras de uma vida incompreendida, difícil e sem rumos de desenvolvimento. O dia mundial da juventude é coisa do passado, mas a discussão sobre o rumo da juventude continua permanente e actual.

O cenário angolano pode ser descrito em poucas palavras. Há aqueles jovens que tiveram a sorte de nascer em “berços de ouro” não se esforçando tanto para uma vida realmente de príncipes, no capítulo financeiro.
Há ainda aquela categoria de jovens que por esforço próprio conseguiram espantar o fantasma da pobreza e conhecer formas honestas de sobreviver. Se no capítulo económico é essa a realidade, o mesmo não se pode falar dos valores morais.
Psicólogos e sociólogos falam de categorias: os que mesmo económica estáveis, vivem numa acentuada crise de valores; aqueles que conhecem privações, mas com convicções suficientemente suportadas em princípios de orientação moral. Há ainda aqueles que foram apanhados pela crise moral das sociedades modernas, actuando como diz o povo “como “cata-vento virando-se para onde bate mais o vento”.

O que se passa com os jovens da nossa sociedade? Há demissão das responsabilidades paternas ou haverá falta de referências morais para melhores dias. O consumo exagerando de álcool, a gravidez precoce e a falta de estratégias de ensino, são descritos como alguns dos problemas. Serão as políticas sociais do estado a falharem ou os rumos destes tempos como causas deste estado de coisas?
Há ainda o facto das nossas grandes cidades registarem actos de jovens vândalos a enveredarem pelo crime, talvez a procura da sua realização familiar. A igreja tem exercido um papel importante na consciencialização da juventude. Mas, sabe-se, que volta e meia, confronta – se (a igreja) com uma espécie de “remar contra a maré”, pois a degradação moral da juventude, algumas vezes tem origem na própria família.
Recebemos, todavia, informações de casais separados, com filhos adolescentes desagregados para cuidar ou ainda pais, pressionados pela actual sociedade de consumo, procuram vários expedientes para satisfazer as necessidades matérias das suas famílias.
O que se pode fazer para inverter esta tendência ou infundir, todavia, os valores morais necessário a criação de famílias felizes?

terça-feira, agosto 28, 2007

A carapuça

" Ser fiel aos seus pensamentos é uma posição nobre para quem assume as suas obrigações ".Serve esta frase para responder á um leitor deste blog, desconhecido, que lançou palavras menos amistosas sobre mim e sobre o Orlando.
Não foi respondido, este comentário desabonatório, por limitações de trabalho, viagens, para Joanesburg e Lubango, entre outras coisas. Volta e meia precisamos de tempo para estas actividades.
( O Orlando é para mim um ícone e " bloguista" de primeira linha)
Conforme disse, em tempos um articulista, " compreendo, no entanto, que muitos dos meus colegas sejam voluntariamente obrigados a não cuspir no prato que todos os dias os alimenta. Poderiam contudo, digo eu, deixar trabalhar todos aqueles que quando aplaudem não têm medo de cair da árvore".
Esta é a posição de alguns.... A minha é dar o rosto e olhar para todos. Mesmo para o covarde desconhecido que se esconde na carapuça da escuridão para lançar "farpas" á quem de cabeça erguida assume os seus pensamentos, mesmo com limitações de varias ordem.
PS: Obrigado ao Orlando Castro pela força.

domingo, agosto 26, 2007

Jornalista?

Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.
Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.
OBS: Faço minhas as palavras de Orlando Castro. Texto publicado aqui http://www.altohama.blogspot.com/

Integração regional político e económica: como tornar efectiva esta intenção?

Angola assume-se cada vez mais, como mentora de novas estratégias de segurança regional na comunidade de países da África austral, SADC.

Uma política de boa vizinhança terá sido engendrada. Junto dos dois Congos, por exemplo, a situação está totalmente controlada. Angola também mantém boas relações com a Zâmbia e o Zimbabwe, apesar de politicamente haverem "nuvens negras" a pairarem sobre o relacionamento político- estratégico com a África do sul.
Por outro lado, Angola assumiu recentemente a presidência do órgão responsável pela política, defesa e segurança regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Isto aconteceu numa Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, onde Angola se faz representar pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Se no capitulo da segurança estamos conversados, a integração regional parece conhecer momentos menos bons no âmbito social. O desenvolvimento do países da região é nitidamente feito em "ilhas". Falar do nível de organização social da África do sul, da Namíbia e do Botswana é diferente de Angola e do Zimbabwe.

Uma cimeira sobre a pobreza foi marcada para o próximo ano, mas nos dias que correm, há milhares de jovens que deambulam pelas ruas da amargura a espera de uma oportunidade de trabalho ou ter um pão para levar á boca. Que políticas sociais existem na região? Como fazer crescer as economias regionais de maneira harmoniosa?
Outro olhar vai para a circulação de pessoas e meios pela região. Há alguns anos projectou-se a criação de uma estrada que ligaria o Cabo da boa Esperança, na África do sul ao Cairo no Egipto. Esta via, pomposamente chamada de via Pana- africana ainda continua nos projectos dos seus mentores.

Como fazer, com que os cidadãos circulem livremente pela região, sem grandes restrições, a semelhança da Europa comunitária? Há a possibilidade de supressão de vistos entre os catorze membros da comunidade.
PS: Breve reflexão sobre "Angola na região". Um painel com distintos convidados realizado e emitido na Rádio Ecclesia - emissora católica de Angola com a moderação do autor deste blog.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Moçambique!

" Do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbu" continuam a ser as divisas que marcam saudades que o tempo não apaga. Ademais, pela simplicidade de um povo que mereceu " esquecer" a quentura da guerra, para " esfriar" as feridas numa harmonia que os tempos vão justificar com as suas escritas de ouro.
Por aquelas "bandas", diga-se cada vez mais de passagem, a amizade é o trunfo de todos os dias e dos dias todos. Da experiência bebida de companheiros da classe ficou o sabor de um jornalismo activo, mas em alguns sectores, necessitando de vitalidade. Um desses aspectos são os conteúdos das rádios comunitárias. Mas acredito num futuro radioso, para quem, como nós ousamos tentar sem fugir, ao invés de fugir dos sonhos sem tentar. São algumas das lições de vida das terras das machambas e da marabenta.
E salta á vista a importância para as comunidades o surgimento destas estações de rádio, algumas delas incentivadas pela UNESCO e pelo governo moçambicano. Quem dera que por cá também tal fosse uma realidade...
PS: Texto dedicado aos camaradas de jornada em Maputo, angolanos e moçambicanos. Este é, caros amigos, um dos " tributos que vos devo!

Normal... ou nem por isso

Volta e meia, desagregados ou nem por isso, o " paranormal" atinge a necessidade de acreditar nas nossas convicções para ( depois) triunfar.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Escritos do nada

Volta e meia, um passo. No regresso a pressão para dois a retaguarda. Caminhos torpes, dos modernos tempos intemperados.
Loucura da velocidade dos dias, dificuldades para conter os mensageiros da desgraça! Quais abutres famintos, sempre na confusão de todos os dias e dos dias todos.
Como diria o "blogista" de primeira hora, é sempre a confusão entre " a estrada da beira e a beira da estrada". Vale por isso tentar sem fugir e olhar para os que fogem, sem antes mesmo, tentarem. São os escritos do nada.

quinta-feira, julho 19, 2007

Uma serra em aniversário

Este é o mês em que este blog wwww.serradachela.blogspot apaga a primeira vela.
Uma vela de reflexão e liberdade
Uma vela de sacrifício e coragem
de suporte aos olhares de esgelha
dos guardiões dos tempos de tempos de ditaduras novas,
funestos meninos de sanzala, sem metamorfoses,
quais censores de canetas de sangue!
Pois digo:
VIVA O BLOG!!!!!
" Se é dificil acabar com um pedra,
quanto mais com uma serra"

Swazilândia

Chegamos a fronteira com este pequeno reino montanhoso. Depois da terra de ninguém apenas poucos metros reino á dentro.
Para os moçambicanos vida boa", pois, os dois governos assinaram a supressão de vistos entre os dois paises.
Uma medida que estimula a troca comercial sem burocracia e facilita até os encontros familiares com o pessoal dos dois lados, muitos dos quais com fortes laços de consaguinidade. Isto acontece com todos quantos circundam a terra que vai do Rovuma ao Maputo.
Uma bela iniciativa.

Gorongoza

Moçambique, tal como Angola, tem ainda muito para dar na exploração da sua potencialidade turistica.
Felizmente, para os nossos irmãos do outro lado do continente a guerra terminou em 1992, os temores de tensões sociais são poucos e nada faz com que o eco - turismo não deia centenas de milhares de dolares para os cofres do estado e os aseus agentes.
Igual á Angola, há uma beleza estonteante, tal como o parque nacional da Gorongoza, "lançado" no mais que famoso corredor do Limpopo, cruzando Moçambique, Africa do Sul e "pedaços" do Botswana.
Ainda não tive oportunidade de visitar o parque, mas pelas fotos, anda de mãos dadas a nossa Kissama. Visitei sim, qual turista- ambientalista, na companhia do grupo de colegas as cascatas de Namahacha, a poucos kms de Maputo, nas imediações da fronteira com a Suazilândia.
Um Show.

A caixa!

Que o jornalismo exige de todos os seus ( bons) praticantes uma aprendizagem diária já se sabia, mas desta vez houve um reforço em grande.
A "formação de formadores em midia" decorrida recentemente em Maputo, Moçambique, lançou os escribas na necessidade de se libertarem cada vez mais da sua arrogante " caixa" e abrirem asas para a realidade regional e mundial. Isto tanto para os angolanos e para os moçambicanos.
A cooperação, o companheirismo e a necessida de se establecer um caminho mais digno junto do publico é a grande necessidade.
Como sempre se reafirmou, é o jornalismo a arte liberal encantadora e todos os dias sob crivo do público, que julga ( e muitas vezes bem) o jornalista jornalista e o jornalista, mais ou menos, jornalista que só ai está, muitas vezes, por interesses inconfessos. Que existem, existem!

sexta-feira, junho 29, 2007

TAAG, um mal nunca vem só...

No dia em que a União Europeia (UE), através da sua Comissão Europeia anunciou a intenção de incluir a companhia de bandeira angolana TAAG na "lista negra" de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu por razões de segurança, uma aeronave da TAAG, um Boeing 737-200, despenhou-se quando se fazia à pista de Mbanza Congo, proveniente de Luanda, embatendo num edifício.
Do acidente registaram-se 4 a 6 mortos e vários feridos.Entre as vítimas estão o administrador municipal da primeira capital do antigo Reino do Congo e um padre superior carmelita de ascendência italiana.
Realmente, às vezes um mal nunca vem só.Espera-se que a comissão de emergência já criada consiga perceber as reais causas do acidente – que não seja como em certos países que as comissões de inquérito dão sempre erro humano… – e que a TAAG possa rapidamente voltar aos céus europeus.
Como uma desgraça nunca vem só, já não bastava à Diáspora não se poder recensear, e concomitantemente, votar, para agora nem ao seu País poder ir em aviões de bandeira angolana!
Artigo publicado originalmente aqui http://pululu.blogspot.com/

O avião despenhado 2

O avião despenhado 1

quinta-feira, junho 28, 2007

Huíla e o ( nosso) gado

As autoridades da província de Huíla têm cada vez mais a convicção de que, a problemática do roubo de gado na região não deve ser encarada com leviandade e defendem por isso, e a julgar pelos contornos que a prática vem tomando, o debate do fenómeno no Parlamento.

Na Huíla em particular e na região no geral, multiplicam-se todos os dias as queixas dos criadores tradicionais vítimas dos assaltos que a algum tempo para cá se vêm revelando de grupos devidamente orquestrados.
O Governo local entende que os criadores tradicionais em colaboração com a Polícia Nacional, devem estudar fórmulas de defender as suas posses nomeadamente o gado tido nestas paragens pela população como o símbolo de riqueza, aliás, não é por acaso que denominam o animal como o "Diamante de Quatro Patas" e em simultâneo a Assembleia Nacional legislar o assunto.
(Parte de um texto de Teodoro Albano no Lubango)
NOTA: Pena, digo eu, que as ditas autoridades da Huila só hoje despertem para o problema. Quando no passsado, ainda eu correspondente da imprensa nacional e estrangeira naquela região, denunciava o assunto, volta e meia, os ditos barões do gado e pessoas do seu circulo de interesses movimentavam-se para conter os efeitos das noticias.
Lá vão os anos, mas verdade permanece! Ainda bem.
Mas o interessante é saber que hoje, volvidos alguns anos, muitos dos tais, denunciam esta pratica.

quarta-feira, junho 27, 2007

Humpata

Grupo Etnográfico da Humpata (Huíla/Angola) orostodachuva.blogs.sapo.pt

Kianda do meu ( actual) viver

Luanda da saudade
kianda do meu ( actual) viver
Tinha razão o poeta, que falava do sucesso da “peróla do indico” para despoletar a terna imagem da razão do nosso existir
Duas razões, um ser
Três vontades
Um desejo

Algures para Luanda, o beijo calído que preciso nesta altura
MV Maputo – Mozambique

terça-feira, junho 26, 2007

Terra linda

Foto: zona proxima da SERRA DA LEBA entre o Lubango e o Namibe.

"SERRA DA LEBA" EM ANIVERSÁRIO

Dentro de dias, este blog atinge o primeiro ano de vida. Corridas e recuos marcam estes primeiros 360 dias dum canto de liberdade pessoal e colectiva, sem pressões dos patrões ou dos politicamente insatisfeitos e recalcados. Um blog é um blog, uma conquista. O compromisso mantêm-se. O futuro é a meta.
Estas palavras são para aqueles mais "diplomatas" que aflitos com os textos dos primeiros dias logo aconselharam a parar. Ledo engano. Com os dias a denúncia e o retracto da vida dos angolanos e dos huilanos vão ter mais suporte no SERRA DA CHELA.
Aos leitores quase fidelizados uma palavra de alento. Sempre a "Serrar" para o melhor de Angola

segunda-feira, junho 25, 2007

Luanda - Maputo, um breve olhar

(MAPUTO - antiga av. Augusto Castilho in mocambique.blogs.sapo.pt)

A primeira imagem que salta á vista é o que pode comparar com Luanda. Há pouca sujidade, Luanda é o que é. Não há tantos mendigos, nem meninos de rua. De Luanda nem falar.

Há uma espécie consciência ambiental, locais próprios para lixo e quejandos. Nisto Luanda fica atrás. Assim vai Maputo...

Coragem amigo Eurico!

A partir de hoje Moçambique tem mais um jornal diário, denominado "O Observador". É o filho mais novo da Nação moçambicana que, também hoje, comemora mais um aniversário da sua independência.
É com orgulho que o Notícias Lusófonas se associa a este evento que, cremos, marcará o Jornalismo do país. Orgulho porque o Director do Jornal é o nosso colega Jorge Eurico e, ainda, porque no primeiro número também escrevem os nossos colaboradores Eugénio Costa Almeida (“Ricos na pobreza, pobres na riqueza”) e Orlando Castro (“Em memória de Carlos Cardoso”).

A garantia de que de Moçambique fica a ganhar com este novo Jornal é, para nós, algo de já adquirido. Porquê? Porque de há muito que conhecemos a capacidade profissional do Jorge Eurico.

Jornalista 24 horas por dia, o Jorge Eurico vai dar um sério contributo para que a Imprensa moçambicana em particular, e lusófona em geral, some pontos e mostre que tem tudo para se impor.
O lançamento de “O Observador” coincide com os festejos do 32º aniversário da Independência, um evento marcado por comícios, homenagens aos heróis e realizações culturais mas, igualmente, pelo boicote da oposição e pela presença em peso da força do partido no poder, FRELIMO.
NOTA: Tendo o conhecimento que tenho de Maputo e sabendo das capacidades de Eurico em proprocionar um jornalismo acutilante, " O Observador" será uma voz activa nesta sociedade. Aqui em Maputo muito se fala deste novo jornal.

quinta-feira, junho 21, 2007

Quem é a avestruz?

Sob o olhar dos outros

Maputo. Imagem da net

Maputo in a heart

Numa manhã sem sol, quinta-feira, o grupo de potenciais formadores, compôs-se quase por completo com a missão de explorar um outro lado da sua formação. O destino tinha sido traçado para a Rádio Moçambique, a estacão primeira da terra da Marrabenta, e o jornal Noticias, um diário que se mostra como o de maior circulação no país.
Ansiosos, os jornalistas, potenciais formadores, quase se acotovelavam para entrar no autocarro. Um veículo com desenhos escolares, semblante infantil, que por pouco fazia considerar o grupo como meros “rapazes de colégio”. Numa viagem rápida, lá estávamos nós na Rádio Moçambique. Passavam poucos minutos das nove.
Sem burocracia, um cidadão corpulento, que se identificou como director da escola da Rádio, recebeu o grupo de jornalistas de Angola e Moçambique, para as primeiras impressões. Logo, aquele jornalista assumiu as rédeas da visita de constatação da realidade actual da rádio Moçambique, proporcionando informações diversas.
Numa sala de escola da rádio, chamou a atenção dos jornalistas/ formadores a composição do conselho de administração da Rádio Moçambique; a dependência ou não do poder e a possibilidade que há em os profissionais, militantes dos partidos da oposição, reunirem-se nas instalações deste gigante da comunicação social local.
Um museu, que remonta aos anos 30, altura em que a emissora dava os primeiros passos, denominada Rádio Clube de Moçambique, foi apresentado ao grupo. Microfones do passado, maquinaria ultrapassada, fotografias dos momentos altos do estacão estão lá exibidos.
As Redacções de programas, desportiva, central de informação, do jornal da manha e a Emissora provincial de Maputo, foram visitadas.
A dada altura houve uma troca de guia - anfitrião, entrando em cena o delegado do emissor provincial de Maputo. As despedidas foram cordiais com promessas de novas visitas.
O diário NOTICIAS foi a seguir, ultima etapa da visita. A demora na recepção do grupo não retirou a expectativa e a boa disposição da turma. Anedotas foram contadas para animar o grupo.
Um jovem jornalista, redactor da redacção cultural, foi o guia. Rápido nas respostas, não se coibiu em dizer que um melhor salário seria bom para o desempenho dos 32 jornalistas que compõem a casa que carrega a história do país, com mais de 80 anos informando Moçambique. Numa redacção com computadores desalinhados, ligeiramente ultrapassados pelas novas tecnologias, o anfitrião foi descrevendo o dia a dia de funcionamento do Jornal Noticias.
Um olhar rápido á sala de paginação, seguido de uma visita á gráfica, foram os outros caminhos que finalizaram a nossa visita ao jornal. Referência ao assessor técnico do jornal que trabalha na gráfica metade do tempo de vida do NOTICIAS. Como VISÃO o homem do jornal espera pelo recurso ás novas tecnológicas para cada vez mais concorrência no mercado.
Um regresso ao hotel, sem morosidade, mas aproveitado para um turismo “ocasional” onde o destaque foi a imagem de um dos maiores prédios da Africa Austral com 33 andares, na baixa de Maputo.
Uma viagem, dois órgãos da comunicação social que acompanham todos os dias o pulsar de um país.

( Um trabalho escrito e apresentado por MV no curso de formadores em Midia- Maputo)

quarta-feira, junho 20, 2007

Lubango com mais um site

Quo vadis?

Do Rovuma á Maputo

Maputo, midia e aprendizagem ( I )

Em Maputo é salutar ouvir a diversidade de emissoras de rádio existentes. Passam de dez, estando ainda outras a procura do seu lugar ao sol, com a possibilidade de mais frequências serem atribuidas. Encontramos de tudo um pouco, desde as publicas, ás privadas, passando pelas comercias, comunitárias e religiosas.
Quem dera que em Angola também assim fosse!
De emissoras de TV, também há um grande passo, com todas elas em sinal aberto, dando a entender uma diversidade de conteúdos, abordagens e concorrência.
Quem dera que em Angola também fosse assim!
No interior, segundo apuramos, o número de meios também tende a subir. A lei de imprensa, apesar de conter algumas armadilhas, ainda serve para o contexto, dizem os jornalistas locais. Salutar é ouvir e ver o despique entre as duas mariores redes de TV, a STV e a TVM.
A concorrência passa pelo dominio da publicidade, os grandes acontecimentos e até a música. Alguns temas politicos, como por exemplo o figurino do organismo que gere a proxima ida as urnas, são tratados sem grandes paixões ou complexos. Os debates sào constantes e abertos, pelo menos mais do que em Luanda.
No entanto, é voz corrente que os jornalistas aqui devem aprimorar a sua aprendizagem. É mais ou menos isso que está a acontecer com a troca de experiencias entre jornalistas locais e angolanos, numa actividade que decorre desde segunda feira, 18 de Junho.

terça-feira, junho 19, 2007

Joanesburgo, Lubango e Maputo.Frio de rachar!

Para quem já vistou o Lubango, nada teme se lhe disserem que o frio em Maio, Junho e Julho é de "rachar". Realmente é ! Nada exagerado. Junho constitui-se assim no tempo mais frio, onde cobras e passáros deixam de se passear, sob pena de morrerem na primeira escquina. Também é pura verdade, quando muitos dizem temer ir ao Lubango nesta época.
Mas, nesta vinda a Maputo, descobri, por momentos, no aeroporto de Joanesburgo que muitas vezes quando recorriamos ao bolentim metereologico desta cidade sul africana para depois comparar com o Lubango, estavamos abslutamente certos. Está, ai também, um frio de rachar.
Para surpresa maior, chego a Maputo e nunca mais me separei dos aguasalhos. Ao primeiro zungeiro ( aqui também assim se chamam, igualzinho aos que pululam por luanda) que enconterei solicitei um forte casaco jeans. Eis tudo ilgualzinho.
Nestas três cidades, da nossa querida Africa Austral, está um frio de rachar.
{foto de Maputo}

Tropelias

"Será que ninguem ainda pensou numa forma de acabar com as tropelias do filho de um dos nossos "muatas"que bate e todo o mundo, sem motivo aparente?", pergunta um homem de Maputo, calcorreando um rua apressado para chegar ao seu jornal. Motava-se que é um home informado.
"..... Hum?" resposta do angolano, por sinal também jornalista.

Maputo!

Eis-me nas terras de Mondlane, nas terras banhadas pelo Índico e atravessada pelo Zambeze. Terra de gente, á primeira vista simpatica! As terras lusofonas da costa oriental Africana.
Desde domingo, finalmente, depois de sucessivos adiamentos, o trabalho me trás a Maputo e o dever me obriga a estar com os meus leitores.
É esta, pois, caros leitores, a terra que vou tentar narrar nos proximos dias.
Já posso dizer " Maninge nice, Mozambique!!!! "

terça-feira, junho 12, 2007

Entre a obra prima do mestre e a prima do mestre de obras....

Café... hoje
Este hoje tem qualquer coisa como 32 anos. Por cá o café tem sido amargo. Mesmo assim, a Carta a Garcia está cada vez mais perto do destinatário. Pelo caminho foi preciso derrotar os que me aconselhavam a deitar a carta na primeira valeta.
É claro que, no meio desses, apareceram alguns que me ajudaram a tirar pedras do caminho, a desminar promessas e a adoçar o café. Reconheço, contudo, que também essas vicissitudes foram úteis. Ajudaram-me a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitiram entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras.Infelizmente muitos de nós (já para não falar de muitos dos outros) continuam a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira.
Entre dias sem pão (e foram muitos) e pão sem dias (foram mais ainda) cá cheguei. E cheguei continuando, no essencial, a acreditar no (im)possível. Para mim, como se comprova neste desabafo alentado com a perspectiva de um saboroso e revitalizante café, o amanhã começa ontem. E é isso que (pelo menos comigo) vai acontecendo.

Continuo a tentar (maldita deformação genética!) o impossível (o possível faço eu todos os dias) para ajudar a construir as tais páginas da História de Lusofonia. Não sei se terei engenho e arte para tal, mas de uma coisa tenho a certeza: não há comparação entre o que perde por fracassar e o que se perde por não tentar.E tentar é coisa a que estamos todos habituados. Por isso...

NOTA: Caro Orlando, as suas letras cabem como luvas, nas mãos de alguém cujos dedos, algo calejados, ainda prima por discernir o que é ser jornalista, não vergando a coluna vertebral para os abrutres travestidos em homens, ocasionalmente. Bem haja. ( desculpa ter tirado, penso eu, o sentido da sátira)

Publicado aqui www.altohama.blogspot.com

Lubango, tempos de antanho

Ao fundo uma parte da serra da Chela, com a senhora do monte como cartão de visitas. Em primeiro plano, a sé catedral do Lubango.
O local do amor, qual desamor putrificado
andança dos sublimes momentos
a raiva contida, desejos descarnados
a logica muito sem nexo
o valor do momento
O local do amor
o monte sinai
o ecologicamente perfeito
na soul music que o coração te obrigou a lançar
qual floresta devastada nos encantos inventados
recantos do belo
as curvas olhadas sem temor
O local do amor
a epopeia certa
o centro do mundo que é eterno
o sinai
Já lá vão seis anos. Sabes o que sinto...

Um sinal do sul

quinta-feira, junho 07, 2007

Relaxe....

Adeus à hora da largada*

...somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos ....
* AGOSTINHO NETO
NOTA: Eis a minha homenagem aos homens que enfrentam a vida acreditando nos seus ideais. São homens de fibra, não se vergando pelos acenos dos que reluzem de gordura, corrupção de mentes e corpos, quais famintos abutres transvestidos em humanos, ocasionalmente....

Lubango aos 84 anos

O 31 de Maio do longínquo ano de 1923, fica marcado como a data em que a vila do Lubango ascendia à categoria de cidade, depois de estar por longos anos sob a administração portuguesa, na então Sá da Bandeira. Volvidos 84 anos, apesar de se ter desenvolvido do ponto de vista de autonomia administrativa do então colono, Lubango está longe de atingir o verdadeiro desenvolvimento sócio económico dos seus habitantes, na sua maioria gente que fugiu das suas zonas de origem devido à guerra.
A elevada degradação das principais ruas, a construção anárquica e o crescimento desordenado da cidade, sobretudo da periferia, fruto do acentuado nível de pobreza das suas populações marcam a antiga Sá da Bandeira.
A extensão do município confunde-se com o crescimento da cidade que figura entre as mais pequenas do país. Nos últimos dez anos, o Lubango não viu um único edifício de raiz a ser erguido como símbolo de aposta da governação no desenvolvimento da circunscrição em termos de infra-estruturas de vulto.
O existente até ao momento não passa de reabilitações de velhas estruturas para fins meramente comerciais, existindo na sede da administração do Lubango, um ambicioso projecto, o denominado «plano director da cidade do Lubango» que prevê o alargamento da urbe com infra-estruturas de impacto económico e social, no entanto, sem pernas para andar devido à falta de dinheiro.
Numa altura em que a cidade se prepara para albergar uma das fases finais do Campeonato Africano de basquetebol, debate-se com um velho senão crónico problema que se repete quase todos os meses: à falta de corrente eléctrica, uma situação que as autoridades não conseguem disfarçar, pois se arrasta há longos anos.
Oitenta e quatro anos depois, Lubango é das poucas cidades que pouco sofreu o impacto directo da guerra, mas aguarda por grandes empreendimentos, sabendo-se que no âmbito do acordo entre Angola e China está previsto para breve a construção de cinco mil casas no chamado bairro do Nambambe no norte do município.
( Teodoro Albano)

RELAXE......

Mais casas deitadas á baixo no Lubango !

Mais de 30 famílias foram desalojadas no Lubango, porque, alegadamente, o local vai servir para a construção de uma estrutura de apoio ao campeonato africano de basquetebol e ao Campeonato africano de futebol.
Esta, como sempre, é a versão oficial e mais uma vez, infelizmente, a mídia publica ( se por habito ou excesso de zelo) optou por esconder o facto do resto da sociedade.
Tudo aconteceu no mês passado, mas as sequelas para centenas de pessoas continuam. Há pessoas que de proprietárias de residências, mesmo modestas, passaram á indigentes, sem nada. È ponto assente que sem casa há pouca dignidade. O “ martelo demolidor” das autoridades da Huila entrou em acção, mesmo com o clamor das famílias, pedindo mais tempo para poderem ter acesso a outros locais para habitar. Debalde!. O martelo entrou mesmo em acção.
E como acontece normalmente nestas ocasiões em Angola, grupos de defesa dos direitos humanos optaram por defender essas pessoas o que faz com que nos próximos dias poderão surgir noticias em que o Governo Provincial ou a Administração Municipal poderão sentar-se no banco dos réus sob a acusação de ter expropriado terras sem cumprir com algo básico e (calculo eu ) desconhecido do de alguns “camaradas” mesmo com os seus aparentemente vastos conhecimentos jurídicos : Uma competente indemnização ou o realojamento em outros locais.

segunda-feira, junho 04, 2007

As palavras do Kundy

Durante muito tempo fui perguntando para mim mesmo e para Deus se alguma coisa pode acontecer sem que ele queira, encontrei na sua palavra a resposta: até uma folha de uma árvore sem que Ele permita.
Ok, e agora me encontro em Luanda, numa terra de ninguém pela natureza justificada pelo viver das pessoas, será que até dessa babilónia o Senhor é Rei? Clro disse-me Ele um dia, eu sou Rei dos que me entronizam na terra e a esses eu dirijo ainda que andem no vale da sombra e da morte. Virá luta, fome, perseguição, solidão, saudades.... mas diz o Rei_ Eu nunca te abandonarei nem te desampararei.
Filho meu, quer estejas na Babilónica cidade de Luanda quer estejas na cidade de Belém desta angola (Lubango) eu sempre serei contigo. Kota creia que não estamos em Luanda fora do controle do Rei ainda que nós não sintamos em todos os momentos isso, mas eu creio que um dia Ele vai revelar-nos que nunca nos abandonou e arquitetou o nosso futuro.
A proxima escrevo mais. Deus te abençoe.
Sempre o seu aluno José Kundy