quinta-feira, setembro 21, 2006

Radio 2000: um caso (ainda) sem solução!

O Tribunal Provincial da Huíla ainda não se pronunciou sobre o processo de conciliação remetido pelos advogados dos jornalistas despedidos da «Rádio 2000» no começo deste ano. Segundo uma fonte familiarizada com o processo, contactada pela Voz da América, o prazo razoável para que se produza um pronunciamento para casos do género é de 30 dias e este tempo já venceu há bastante tempo. Um braço de ferro entre um grupo de trabalhadores daquela estacão emissora privada instalou-se desde a manhã do dia 5 de Janeiro, quando jornalistas e outro pessoal de serviço decidiram paralisar a sua actividade, por 24 horas, alegadamente para forçar a direcção da rádio a satisfazer reclamações apresentadas num caderno reivindicativo havia já dois meses. Entre estas reclamações constavam aumentos dos salários dos trabalhadores, a melhoria das condições técnicas de trabalho e ainda uma mudança do quadro social do pessoal da única rádio privada da província da Huíla. Face à insensibilidade da direcção perante as reivindicações apresentadas, os funcionarios concluíram que não havia uma boa condição relacional entre patronato e trabalhadores pelo propuseram ainda a substituição da direcção, encabeçada então por Horácio Reis, da «Rádio 2000», como ponto fulcral para o sanar da crise de direcção e comunicação que se vivia. Apesar da intervenção de influentes membros do grupo GEFI, gestora do império económico do MPLA, com acções na rádio, a situação não veio a conhecer melhorias substanciais, pelo que a crise continuou até que uma nova paralisação foi decretada dois dias depois em solidariedade com os colegas suspensos pela nova direcção encabeçada já por Manuel Bartolomeu. A suspensão recaíra sobre os jornalistas Teodoro Albano, Mário Silva e Cláudio Dias que depois foram intimados a comparecer na Polícia de Investigação Criminal local para prestar declarações, alegadamente porque teriam sabotado e destruído meios da estação emissora. O novo director também havia dado mostras de que recorreria a funcionários da emissora provincial local para garantir a emissões da radio 2000, facto que preocupou e levou a intervenção da representação local do Sindicato dos Jornalistas Angolanos. (Eugénio Mateus)

sábado, setembro 16, 2006

jornalimo do futuro

O «New York Times» noticiou que o organismo responsável pela medição das audiências nos Estados Unidos, o Audit Bureau of Circulations, decidiu juntar os números da leitura dos jornais na Internet à audiência das vendas em banca. Na primeira fase, estes novos dados de audiência – que resultam da soma do tráfego na Web com a leitura das edições em papel – vão ser disponibilizados apenas aos títulos especializados na área do negócio. O sistema tem de ser afinado, para evitar que o mesmo leitor seja contabilizado duas vezes: uma por ter comprado a publicação na banca, outra por ter consultado o site da mesma na Internet. Embora essa dupla acção não deixe de, na realidade, contar como um índice de audiência real. O certo é que estamos perante mais um sinal da importância crescente dos jornais e revistas na rede. Ao ponto destes já contarem para os níveis de audiência dos títulos. O que de resto já devia estar a acontecer há muito. Miguel Martins Editor de Multimédia do EXPRESSO

WORLD TRADE CENTER

World Trade Center de Oliver Stone com Maria Bello, Connor Paolo, Anthony Piccininni, Alexa Gerasimovich, Morgan Flynn, Michael Pena, Armando Riesco, Jay C. Flippen, Nicolas Cage e Michael Pena (Estados Unidos 2006) Dias depois do atentado de 11 de Setembro de 2001, no "Ground Zero" os bombeiros ainda esperam resgatar sobreviventes. Presos nos escombros estão dois agentes da Autoridade Portuária. Mas as coisas correm de mal a pior. Sem papas na língua, como é seu hábito, Oliver Stone narra bem à sua maneira o maior atentado terrorista perpetrado em solo americano.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Dos Não-Tão-Modernos-Como-Isso

O mais que puderes E se não conseguires fazer da tua vida o que queres, então pelo menos tenta, o mais que puderes; não a menosprezes no contacto abundante com o mundo, nas muitas acções e palavras. Não a menosprezes no vaivém frequente, expondo-a à estupidez diária de relações e amizades até que se torne um fardo estranho. Konstandinos Kavafis, 1905. Tradução de Carla Hilário Quevedo. (Traduzi este poema pela primeira vez em 1996, em Atenas. Esta é a quarta versão e não será a última.)

O repórter com que o editor sonha

CRONICA PUBLICADA A DOIS ANOS PELO JORNAL DE ANGOLA, MAS SEMPRE ACTUAL Prólogo: Erva daninha atrofia as flores e compromete a qualidade do mel! A primeira vez que entrou para uma redacção, saiu de lá decepcionado. Eram 16 horas e a porta principal abria e fechava-se constantemente. Um jornalista chegou com o rosto e a roupa cobertos de poeira. Parecia louco! Entrou em passo de corrida, procurou uma máquina, sentou-se, desfolhou um bloco de notas e começou a escrever. Mal havia começado, foi logo interrompido pelo colega do lado. Pela roupa e autoridade de um e pela sujeira e humildade do outro não teve dúvidas: um era chefe e o outro, subordinado. A decepção surgiu, contudo, quando constatou existir discrepância entre o que lia nas páginas do Jornal e o que ouvira durante a sua curta permanência naquele lugar “caótico”. Pensou então: “Não é possível. Afinal, jornalista pensa como nós!!!” Só mais tarde entendeu: 1º - Um era editor e o outro, repórter. 2º- Repórter não escreve o que pensa, mas narra factos ocorridos. Assim nasceu a sua paixão pelo jornalismo. Foi amor à primeira vista! Se hoje lhe perguntassem o que era o jornalismo, responderia: “é um pântano; quanto mais nos mexemos, mais nos entranhamos nele. Felizmente, a gente nunca está só!” A produção da notícia implica um trabalho de equipa, onde se envolvem todos, desde o pauteiro, motoristas, repórteres, fotógrafos, câmaras, paginadores, a arte e revisores, etc. A cumplicidade entre editores e repórteres permite um planeamento afinado da estratégia de ataque! Um carreto mal engrenado é um problema para o funcionamento da cadeia. Nessa cadeia salientam-se três etapas cruciais: a pauta, a apuração e a edição. “Tudo o que vem antes não é notícia; tudo o que vem depois não é jornalismo em sentido estrito, pois é gráfica e distribuição”(BASILE, 2002, pág. 95). Sendo assim, a qualidade da notícia a divulgar começa na capacidade imaginativa e criativa de quem vai elaborar a pauta ou o roteiro que contém uma série de hipóteses (boatos, denúncias, versão de uma notícia, telefonemas de leitores, ouvintes ou telespectadores, etc.), a confirmar ou não pelo repórter. Este deve orientar-se pela preocupação de levantar enfoques diferenciados sobre os temas, buscar ângulos novos de abordagem e mostrar agilidade na identificação de novas tendências. Através de leituras e pesquisas, o órgão de informação pode mesmo antecipar a abordagem de um acontecimento. A etapa seguinte é a de apuração: é aqui que entra em campo o “garimpeiro da informação”, o repórter. O repórter é o rosto visível dos jornais, rádios e televisões, pois é com ele que o público e as fontes têm contacto. O sonho de todo o jornalista é ser repórter, pois é esta a ocupação mais “prestigiante” nos meios de comunicação. (Dizem que quem chega a editor está perto da idade de reforma). Os repórteres, contrariamente aos editores, fazem sucesso junto da audiência e têm uma cadeia de fãs e um bloquinho com contactos telefónicos de fontes, desde a kínguila a ministros, generais eminentes, empresários, artistas famosos! Fazem inveja a qualquer um! Como soldado de um exército em derradeira ofensiva, eles envolvem-se na batalha pela notícia. Deles depende, em grande parte, o sucesso ou insucesso de uma edição. Por isso, é compreensível que todo o editor queira reunir em seu torno os melhores repórteres que a redacção possui. Mas isso é um sonho, difícil de concretizar, sobretudo em África, onde a imprensa ainda não é normalmente um negócio rentável. Raríssimos são os empresários que investem no ramo da comunicação. Como consequência, as dificuldades acumulam-se nas redacções do continente: os salários não são atractivos, há falta de estímulos, de transporte, de computadores e de escolas conceituadas de jornalismo, para além do preço elevado do papel, da impressão e das ligações telefónicas, acesso difícil ao crédito bancário e às fontes. Tudo isto afugenta os melhores profissionais, que buscam áreas circunvizinhas do jornalismo, como a assessoria de imprensa, ou então optam pela diáspora. A tendência do jornalismo, herdada do séc. XX, é a especialização, sobretudo, com a crescente segmentação da informação. Aliás, quem está habituado a ler jornais em Angola da primeira à última página, entraria em pânico quando comprasse o Washington Post ou O Globo, cada um deles com mais de 70 páginas, com matérias atractivas e devidamente estruturadas. Os consumidores de informação lêem, ouvem e vêem aquilo que lhes interessa. Quem gosta de desporto vai primeiro canalizar a sua atenção para esse espaço e só depois procura dar uma espreitadela em outras áreas. Por isso, é imperioso o aprofundamento no tratamento das notícias a divulgar em cada editoria que compõe a redacção, para atender a essa crescente segmentação. A vinculação do repórter a uma editoria é caminho aberto para a especialização. A especialização é definida como o resultado da divisão de trabalho. “Trata-se do conhecimento específico de determinado indivíduo sobre determinada área. No Jornalismo, para que se consiga precisão e aprofundamento, a especialização é requisito importante. Contudo, é preciso estar atento, pois, em princípio, o texto jornalístico não deve distanciar-se do leitor, mas, ao contrário, deve ser claro o suficiente para ser entendido pelo leigo, e profundo o bastante para ser útil ao especialista” (Manual escolar de redacção, 1994, 69). É claro que todo o jornalista tem a obrigação de saber redigir um texto, anunciando o vencedor de uma partida de voleibol, mesmo sem saber as regras do jogo. Mas não se escreve sobre buracos na estrada do mesmo jeito que se redige uma informação sobre macroeconomia, por exemplo. O repórter de que os editores gostam é inteligente, curioso, comunicativo e corajoso. Na posse da pauta, ele procura munir-se do máximo de informação sobre o assunto a abordar. Caso tenha ainda algum tempo, fala com o editor e com colegas de outras áreas, testa o equipamento(gravador etc). A Internet é um instrumento importante para pesquisa. Só depois vai atrás da confirmação das hipóteses levantadas. Mas não se detém apenas na pauta. Busca por iniciativa própria outras abordagens interessantes que tenham surgido ao longo da apuração. Tem faro para a notícia e descobre o gancho noticioso em factos ou discursos aparentemente banais. É obcecado pela verdade e por isso, duvida de tudo e de todos e sabe questionar! Quando sai à rua, o editor está descansado, pois “vem sempre coisa boa”. Mesmo numa conferência de imprensa, ele consegue ter um ângulo diferente e com valor mais noticioso. Tem porte físico e saúde para as correrias e embates. É incansável! Não fica todo o tempo a choramingar: “Não consegui, porque o ministro não quis falar...” Entretanto, o bom profissional diz: “ O ministro X não falou, mas falei com Y e a notícia está aqui”. É gente que faz. Aquele tem lágrimas, este tem alternativas. Não tem medo de perguntar. Está sempre atento e raramente é desmentido. Está no lugar certo, na hora certa. Lê jornais, livros e revistas, ouve emissões das rádios e vê a programação de estações de televisão. Está informado e o seu bom nível de cultura geral não o deixa cair. Álcool em horário de trabalho, nem pensar! Age com serenidade e tem tacto no relacionamento com a fonte. Sabe escrever bem e não mistura texto informativo com opinião, um erro frequente na imprensa angolana. Escreve com simplicidade e clareza. Não escreve “O gigante adormecido anda paralisado...”! Não “afina”, o que entende aliás como ofensa, sobretudo num país com mais de 70% da população analfabeta. Redige tudo sobre o que viu e ouviu, sem medo de não agradar o editor. Sabe pegar o ângulo mais importante do facto e apresenta mesmo ao editor sugestão de pauta para novas abordagens. O repórter com espírito de equipa cria, durante a reportagem, bom ambiente de trabalho. Incentiva fotógrafos e câmaras a procurar boas imagens e melhores ângulos. Investe em equipamento e na sua formação (línguas, informática, etc). Não vê isso como desperdício, mas como investimento. Que editor não adoraria ter um repórter assim? Os tempos estão maus, mas como diz Luiz António Mello, autor do Livro Sobrevivência na Selva do Jornalismo, “Sonhar é um direito assegurado pela Constituição”(MELLO, 1998, 48). Por isso, se ainda não tem, sonhe em comprar um telemóvel, um computador pessoal, ainda que usado, e compre um carro, um Toyota Starlet já dá jeito! Uma máquina fotográfica, digital seria ideal. Mande elaborar cartões de visita, pois são de grande utilidade. Se não tem carta de condução, matricule-se já. Com todos estes meios, o repórter estará mais tranquilo, pois é facilmente localizado e pode pontualmente estar em qualquer lugar, quando chamado de urgência. É na cumplicidade entre editores e repórteres que repousa, em parte, a longevidade e o prestígio de muitos órgãos de comunicação! Não esqueça de actualizar o passaporte e boa viagem! Estou a vir, ainda! * Augusto Alfredo, Licenciado em Comunicação Social, é Editor de Economia do “Jornal de Angola”, E-mail: augustoalfredo@hotmail.com Bibliografia: 1- BASILE, Sidnei. Elementos de Jornalismo Económico. RJ. Campus, 2002. 2-MELLO, Luiz António. Manual de Sobrevivência na Selva de Jornalismo. 2ª Edição. Niterói, RJ: Casa Jorge Editorial, 1996. 3- Manual escolar de redacção da Folha de S.Paulo. S.Paulo: Ática,1994.

AS LAGRIMAS DE TETA

Teta Lagrimas, um dos músicos angolanos com um carreira incólume e solida, veio á terreiro, nos últimos dias, denunciar o que praticamente já não passava na cabeça do grande publico: CENSURA. Teta, reclamava como que com lagrimas a escorrem pelo seu rosto, a existência de censura musical no país, ainda que encapotada. Censura, dizia ele na radio pública e na generalidade do seu gigantesco grupo. Em causa, segundo o musico, está apenas uma faixa do seu ultimo disco. A obra tem o interessante titulo GENUINAMENTE, marcando o seu regresso a ribalta. A canção da alegada censura é genuína, actual e mais uma daquelas criticas sociais em falta no pais, para a reflexão profunda sobre o que queremos da Angola do futuro com a exclusão social, o enriquecimento ilícito, a voracidade de alguns e o sofrimento da grande maioria das pessoas que hoje vegetam nos arredores das grandes cidades. Sem oportunidades. Com a miséria a servir de companheira fiel nos dias negros por que passam. Alguém diria isto é Angola.... Mas, Teta, diz mais. É profundamente incisivo neste trecho censurado. Na musica “Quero ser político” ele é lapidar. Começa com a historia de mais um deserdado, um “ demolido”. Não só a sua habitação é lançada para o chão pelo martelo demolidor, mas também as esperanças de ser alguém caem por terra. O homem tenta de tudo por voltar a ser alguém. As oportunidades lhe são fechadas. Ele se questiona “ trabalho, por que te quero!” Vira marginal, mas a policia corta-lhe os passos. Sobrevive de coisas arrojadas, mas o caminho é “ movediço” demais para ele. E por fim, fica a triste constatação de que “ esta não é a independência que sonhou”. No fundo mais uma constatação de um antigo combatente de uma geração que acreditou na utopia de igualdade social, sem exclusão e sem o roubo descarado do que é publico, depois da conquista da liberdade facilitada pela fuga dos colonialistas Lusos. Vendo as portas da vida fechadas, o homem da musica, genialmente retractado no semba de Teta, tem apenas um sonho, legitimo. A solução, encontrada no calor da desilusão, é ser político. Afinal, diz ele, ser político é que está a bater. “ Os políticos têm de tudo um pouco. até exibem o que conseguiram”, diz o musico, para completar que muitas vezes recorrendo as mais capciosas praticas. Estas são algumas das lagrimas de Teta. Lagrimas censuradas, mas, no reverso da moeda, publicitadas, porque agora, qual fruto proibido, mais gente procura ouvir o semba da geração da utopia e claro dos políticos.

O CAN DO OPTIMISMO

Minutos depois de Angola ser indicada para acolher do CAN 2010, um muito optimista amigo meu, mandava mais uma vez s.m.s., reflectindo, assim, a sua incontida alegria. Este amigo meu, por sinal jornalista, volta e meia, manda mensagens pelo telemóvel, sempre que há vitorias nossas no desporto. Ele é de um optimismo contangiante. E naquela segunda feira, 4 de Setembro, mais uma vez não fugiu a regra. Dizia ele que “ Angola só ganha. O que teremos feito para essas bênçãos. Será a paz. Viva Angola”, rematava. Acredito que como eu, umas milhares de pessoas ficaram felizes com a escolha do nosso pais. Mas, infelizmente, a pratica quotidiana, ensinou-me a ter uma felicidade moderada. Falam-se de obras monumentais a serem erguidas, mas ainda não foi anunciada a possibilidade de concursos públicos para sua realização. Quem vai erguer os hotéis, melhorar as estradas, facilitar as comunicações, tratar do credenciamento dos jornalistas e delegações, a higiene dos estadias, a segurança alternativa á policia nacional , a manutenção física destas infra estruturas depois do seu acabamento, o transporte de delegações para Angola e pelas cidades que vão acolher, a criação de de bilhetes, o cartering, a energia eléctrica alternativa, a criação de mascote, a venda de brindes nos estádios e fora deles, etc., etc.???? Temo, pela pratica quotidiana, que muitos já estão a constituir empresas para gerir alguns desses serviços. Temo também que a pratica do trafico de influências não será desprezada, pois está aberto o filão e ainda estamos a quatro anos do CAN. Será que já se pensa na realização de concursos públicos para a prestação dos serviços aqui referidos??? Enquanto a pratica não muda, prefiro ter um optimismo moderado, contrariando ligeiramente as palavras calorosas e contagiantes do meu velho amigo jornalista, colocado no interior do pais. Que a onda de triunfalismo não nos faca esquecer o básico, que resumo em organização com transparência para que de facto, “ viva Angola”, com diz o Teodoro.

Luanda revisitada. Baía cloaca

Em 1997 fiquei um mês e tal alojado no Hotel Meridien Presidente, em Luanda. É o edifício mais alto de Luanda, mesmo em frente ao porto, com vistas sobre a baía, o mar e a cidade que seriam deslumbrantes se aquilo fosse bonito de se ver. Só que não é… para além dos musseques, do pó no ar, a baía de Luanda está tão poluída e maltratada que olhar para aquilo mete nojo. Nesse ano, lembro-me de uma tarde em que estava no bar do hotel e escutei uma conversa entre dois tipos que negociavam um “esquema” de ambos ganharem dinheiro. Um era angolano e o outro estrangeiro, branco, com sotaque de inglês. O branco tinha navios velhos para vender ao preço de quase novos, o preto ia encarregar-se de falcatruar as papeladas e encontrar quem comprasse os navios. Acabei por não perceber de que tipo de navios falavam eles, se seriam barcos de pesca ou cargueiros, graneleiros ou porta-contentores, mas para o caso pouco importa. Agora, nestas férias que fiz em Luanda, dei uma volta de barco pela baía… e, lá estavam eles, os navios acabados vendidos ao bom preço de quase novos. Uns afundados, outros semi-submersos, outros tombados de bordo, outros comidos pela ferrugem, todos sem préstimo nem valor. São dezenas de navios que alguém pagou e pouco usou. Imagino que tenha sido o estado angolano… porque não acredito que algum privado tivesse embarcado naquilo. Mas aposto que todos aqueles navios pertencem a empresas estatais, empresas governadas por corruptos amealhadores de comissões e pouco interessados no bem comum. Luanda liquefaz-se na baía. As escorrências da cidade descem, lenta mas livremente, e desaguam ali. Os líquidos pútridos misturam-se com os óleos e a ferrugem dos naufrágios... branco e imaculado, só o yacht presidencial amarrado na base naval. Ah!, mas cuidado! Não podes fotografar!, avisaram-me. A água da baía de Luanda é escura e viscosa. Doentia. Por Carlos Narciso ( www.blogda-se.blogspot.com )

quinta-feira, setembro 07, 2006

O DIA DO BLOG

Você sabia que existe o “dia do blog”? Já existe um dia do ano para comemorar os “blogs”. A data será comemorada no próximo 31 de agosto e foi escolhida pois 3108 lembra a palavra blog. Durante o “BlogDay” blogueiros de todo o mundo farão um post para recomendar a visita a novos blogs, de preferência, blogs de cultura, pontos de vista ou atitude diferentes do seu próprio blog. Nesse dia, os leitores de blogs poderão navegar e descobrir blogs desconhecidos, celebrando a descoberta de novas pessoas e novos bloggers.

sábado, setembro 02, 2006

O GENERAL QUE RECUOU

O mês de Maio de 2002, no Lubango, anunciava um rigoroso cacimbo. Com paz nova, esperanças renovadas. Isto apesar de algumas dessas esperanças serem profundamente idosas, tal como cantou um dos mais célebres músicos angolanos. Era moda os campos de aquartelamento, comissões mistas, viagens aos locais onde estava o pessoal daquele lado e tentativas de integração total dos milhares de homens que andavam errantes pelo país, qual guardiões de uma causa que apenas poucos conheciam a génese, a essência. Como acontecia com frequência, tanto depois da paz, assinada, ou mesmo nos últimos 4 anos de conflito entre irmãos desavindos, o comando local das FAA elegia repórteres para a cobertura de eventos estratégicos. Parecia que a norma era, quanto mais longe ia a mensagem melhor era para o generalato da frente militar sul. Homens, estes, enclausurados nas redomas das suas constelações ostensivamente ombreadas para soldados e para os soldados da caneta. A meio do quinto mês , no ano que devolveu a paz para a maioria o território nacional, mais uma vez fomos convocados. Trabalhava como correspondente para a Radio Ecclesia e Voz da América, colaborador no pequeno jornal local SANAPRESS e efectivo na Radio Comercial 2000. Solicitado para ir, melhor para mim. Antes já tinha andado com os mesmos militares em varias frentes avançadas de guerra. ( Exemplo Chipindo 2001, de que escrevo em próximas memórias..... ) No Lubango, as comissões das FAA e das FALA reuniram por cinco horas. O encontro foi nos descrito como cordial. A meio da tarde as delegações decidem partir, sem jornalistas, para um campo de aquartelamento localizado no Chipindo. Mesmo com os protestos de alguns jornalistas presentes, o helicóptero levou apenas militares de alta patente e dois repórteres de imagem, um cameraman e um fotografo. Horas depois, eis o regresso e a conferencia de imprensa com a revelação mais bombástica daquele tempo. O poderoso general da região revelava aos microfones de vários jornalistas que morrem 5 homens do galo negro por dia e na data já 45 tinham perecido. Pela gravidade do assunto, ao cair da tarde revelo a Ecclesia e Radio 2000 os acontecimentos. O eco parece grande na tal sexta feira. Sou solicitado para mais dados sábado. A informação volta a carga a Voz da América, segunda feira. Porem, terça feira, a direcção provincial de investigação criminal manda um oficio para que, por crimes contra a segurança do estado e difamação ,responda. Dai é um passo. Investigador intimidatorio, AKM na sala de interrogatório, revolver no colder, perguntas que indiciavam manipulação dos dados por parte do escriba e a inépcia do homem que vergava um garboso fato azul, mas, contudo, incoerente até com o mais comum dos verbos legados por um Camões distante na historia desta magica língua. O “ tac tac” da velha maquina de escrever do escritório policial era a única coisa que quebrava ritmo acelerado do meu coração. Mas contudo, nada de solidariedade por parte dos outros homens de imprensa, até mesmo para a comercial onde dava o litro. O interrogatório foi moroso. Cansativo mesmo. Foram horas. Hora de volta para frente e outras de vai, mais para trás. Fui mandado em “ paz” , depois de assinar as minhas declarações. Antes fui advertido que, a qualquer momento, poderia ser chamado para novos dados. Gelei ao ver que o homem, apesar de ser de má catadura, nada inventara. Assinei, preparado para falar aos amigos desta aventura que se transformou rapidamente em noticia no país. Volto ao local de trabalho efectivo ( Radio 2000 ) e avanço, em privado, os meandros da investigação. Nada de solidariedade.... Foi depois do almoço que me ocorre recorrer ao ultimo recurso quando o cerco de um escriba, honesto consigo próprio, se aperta. Recorri a arma da denuncia, qual naufrago a busca de uma ultima tábua, bóia de salvação. Ligo para Luanda para a redacção central da católica. Anuncio o processo, número e tudo. Concordo em fazer uma entrevista. Para alem do processo, concordo em repassar o registo magnético com as declarações da polémica. Felizmente estavam guardadas copias em locais seguros. O diabo poderia tece- las. O impacto foi inesperado. Surgiram telefonemas com a solidariedade de poder contar com advogados. Organizações de defesa dos jornalistas ficam preocupadas com o assunto( ver relatório “reporteres sem fronteiras 2002”) Como era lógico, a católica fez alarde informativo com a entrevista e as palavras do “todo poderoso” eram lapidares, directas e profundamente lógicas para a peça jornalística produzida. A investigação criminal convoca-me novamente, mas antes solicita, por escrito, a cedência da gravação com as declarações da polemica. Com a autorização da direcção da comercial, entrego o registo em K7. Assim que chego ao temeroso gabinete dos crimes selectivos e contra a segurança do estado, o investigador era de todo sorrisos, dizendo, palavra mesmos palavra, que " com jornalistas parece não se brincar" . Incrédulo, perguntava aos meus botões o que e que se passava. Antes mesmo de poder reorganizar os pensamentos, o homem diz sem rodeios: " Pode ir em paz, bom trabalho. Temos ouvido os teus noticiários" . Olhei para o funcionário do estado, sem entender. E ele em segundos foi lapidar: " O general retirou a queixa... "

LUBANGO: " SAUDADES DE QUEM TE AMA...."

Lembrei dum trecho de um poema de Vinícius de Morais para “taxar” (?) , com palavras, mais uma leve presença no meu Lubango natal. Saudades, porque ao chegar há a expectativa e ao sair daquela urbe começa a saudade com a expectativa de ao voltar, sei lá quando, encontrar a zona mudada, sempre para melhor, espero. Desta vez, longe da minha iniciativa, fiz mais uma vez gosto ao microfone na comercial local, apresentando o magazine central local. Mesmo mudada, a Radio 2000 continua a mesma... Apesar dos rótulos que os pouco resolutos lançam a quem ousa ter ideias diferentes, tal como as minhas. Sei que acontece o mesmo quando se tenta brilhar num meio onde há ideias tacanhas. Houve quem aproveitasse para dizer que este pobre escriba tinha ideias estranhas no seu regresso a cidade jardim de Angola.... Coisas para esquecer!!!! Estive com a familia do peito.Senti um aperto no coração ao ver moldadas as "fisionomias" das rendondezas... Convivi com jornalistas, num curso, digo de passagem, que fez com que o passado voltasse a minha memória. Eram tempos de debate e conversa. Desta vez não voltei ao Cristo rei no cimo da SERRA DA CHELA, mas a objectiva da minha Kodak digital trouxe o redentor aos meus olhos. A Tundavala ficou longe do meu roteiro, mas a imagem foi avivada com o serpentear das montanhas observadas na mais cintilante cordilheira de que tenho memória, guardada bem fundo. Passei pouco pelos arredores do Lubango, mas deu para andar por trilhos pedregosos no Sofrio, um dos bairros mais próximos da Chela. Não cobri as corridas de automóveis , como era meu desejo, mas observei a abertura da Feira do Gado e da Expo Comercial e industrial. ( Soube depois que as corridas- como chamamos - foram fatalmente más, por mais pessoas terem sido mortas no domingo do meu regresso a selva urbana) Vi gente ida de Luanda pavonear se no alto do seu poder económico. Na sua maioria eram titulares de cargos públicos ou seus parentes. Notei, também, a humildade que faz o povo da Huíla trabalhador. Observei mumuilas indiferentes as festas de Senhora do Monte, lembrando apenas que precisam do seu ganha pão de todos os dias, vendendo e trocando produtos agro pecuários. Viajei, de avião, com turistas de ocasião. Câmaras digitais no peito, procurando os recantos que a guerra, felizmente, não ousou apagar no Lubango e arredores. Gente de Portugal, Argentina, África do Sul e de mais longe ainda. Quando ao avião voltei a subir em direcção a Luanda, senti que as saudades já tinham começado. Foi ai que senti o impacto das palavras eternizadas no poema do celebre Vinícius. Ele diz” Pátria minha/ saudades de quem te ama” . E eu com a devida vénia digo. “ Lubango meu, saudades de quem te ama......”

sexta-feira, setembro 01, 2006

A verdade de todos os dias

Todas as noites as estrelas me ensinam que a seguir a amanhã e depois de amanhã elas continuarão no seu lugar" Luís XIV, O Nascer do Sol, I vol. (2005, Ed. Bertrand) por Jean Pierre Dufreigne (pg. 51)

Um invulgar exemplo de invulgar coragem e coerência

Orlando Castro, jornalista angolano ao serviço do Jornal de Notícias desde 1991 e colaborador de luxo, digo eu, do Notícias Lusófonas desde a primeira hora, vai lançar, dia 23 de Setembro, na Casa de Angola, em Lisboa, o seu quinto livro, com o título “Alto Hama – Crónicas (diz) traídas”. Editada pela Papiro e com o prestimoso e incondicional concurso da Casa de Angola de Lisboa, “Alto Hama – Crónicas (diz) traídas” é a reunião dos comentários de Orlando Castro que temos tido o grato e honroso prazer de publicar (e, permitam-me a imodéstia, disso sou testemunha) ao longo da existência do Notícias Lusófonas. «Algemas da Minha Traição» (1975), «Açores – Realidades Vulcânicas» 1995), «Ontem, Hoje... e Amanhã?» (1997), «Memórias da Memória» (2001, com prefácio de Arlindo Cunha, são outros títulos da autoria de Orlando Castro, cuja relação com o jornalismo começou muito antes da independência do País no jornal “A Voz dos Mais Novos”, órgão de informação do Liceu Nacional General Norton de Matos de Nova Lisboa. Orlando Castro, quer cá (Portugal) como lá (Angola), é dos poucos que merece o título de Mestre desta profissão e que elegeu o Jornalismo por acreditar religiosamente que com a caneta pode-se lutar por dias de Sol mais quentes, dias melhores e melhores dias, por mais pão, amor, liberdade e democracia. Pena é que os néscios que (des) mandam em Angola, quais aprendizes de políticos e pessoas que a todo custo querem ser gente, julguem (quem lhes conferiu esse direito?) o Orlando pelo simples facto de assumir (trata-se, pois, de um acto de invulgar coragem e coerência) que o seu presidente foi (é) aquele que no mês de Setembro de 1992 prometeu “Calças Novas” sem sequer falar do feitio. Será isso, nos tempos que correm, crime em Angola? É segura e garantidamente, digo eu por minha conta e risco, para todos aqueles que ainda confundem a obra-prima do Mestre com a prima do mestre-de-obras ou a beira da estrada com a estrada da Beira. Fonte: O arauto, Jorge Eurico

China em baixa, em Angola

9 mil milhões de dólares depois, começa a surgir nos jornais de fim-de-semana um verdadeiro bombardeamento aos chineses e à forma como estão a decorrer as obras por eles encetadas no último biénio. É um grande conjunto de acusações fortes que deixam antever uma clara inversão de tendência não daqui a muito tempo. Desde já parece que se negoceia um novo financiamento de 2 mil milhões de dólares com os Emirados Árabes Unidos. Alguém terá ficado surpreendido com isto? ( com a devida venia, Miguel)

terça-feira, agosto 29, 2006

SENHORA DO MONTe: entre a festa e o luto

Dois mortos e trinta e cinco feridos, alguns deles com alguma gravidade, é o balanço oficial do acidente de viação que neste domingo paralisou os tradicionais duzentos quilómetros da Huíla, no Lubango. O acidente aconteceu no complexo da Nossa Senhora do Monte, quando uma viatura de marca Porsche que participava na prova automobilística rompeu as barreiras de protecção do traçado e foi contra a multidão que se deslocara ao local para assistir aquela que marcava o encerramento das tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte. Foram momentos de agitação e pânico que se seguiram. Duas pessoas morreram imediatamente. Outras fontes indicam para a morte de quatro pessoas entre os quais dois jovens, uma criança e um agente da Polícia, enquanto os feridos eram transportados para o hospital central do Lubango. Num ápice, o hospital Dr. António Agostinho Neto encheu-se de gente entre familiares e curiosos ávidos em saber da sorte dos sinistrados, só impedidos pela presença policial que tentava travar a ânsia dos primeiros provocando um motim que resultou no ferimento de um agente da Polícia. Perante a avalanche de pacientes o hospital revelou-se incapaz e se viu apenas aliviado do problema com o concurso de instituições públicas e privadas que responderam aos apelos de ajuda em meios materiais e humanos. O director provincial da saúde, Óscar Isalino, único a pronunciar-se sobre o estado das vítimas deu conta da situação,«Também deram entrada entre os 35 duas crianças que chegaram ao hospital mortas, neste momento os feridos estão a merecer toda a atenção da equipa médica para que se possa tranquilizar as famílias tudo está a ser feito para podermos resolver a situação clínica desses doentes». Coincidência ou não o infausto acontecimento deu-se no complexo da Nossa Senhora do Monte, o mesmo local que há um ano testemunhava o brutal acidente de um camião que fizera 21 mortos e mais de 70 feridos depois de ter perdido os travões e irromper contra a multidão que desfilava para o carnaval. Os feridos continuam a receber assistência médica e medicamentosa e nas próximas horas poderão ser dadas novas informações relativamente a evolução sanitária dos mesmos. (Teodoro Albano)

quinta-feira, agosto 17, 2006

O leilão

Mais uma vez a saúde financeira dos nossos governantes levou - me à admiração, por e simples. A primeira impressão é de que o vil metal acompanha os nossos titulares de cargos públicos, deixando rastos de dinheiro em qualquer ponto onde ponham os pés, sugerindo que a nossa casta governativa não olha à meios quando se trata de gastar, até o que é publico, remetendo ao seu kafokolo o que vão amealhando de salários e comissões que ganham, ornamentando assim os seus desde já recheados bolsos. Dia 15 de Agosto, na nossa senhora do monte, no âmbito da famosa feira do gado, mais um leilão foi realizado. Os vips fizeram-se presentes mais uma vez e em força. Dirigentes locais e do chamado governo central. A ocasião é propicia para mais uma manifestação de dinheiro. Um dos mais conhecidos ganadeiros do país, o homem que dirige o leilão, habilmente, aproveita para incentivar os quatro membros do governo central presentes a participarem, dando início ao primeiro lance. Alegres com a ocasião, a luta é tenaz entre os gestores de cargos públicos, ministros, para levar para casa ou para as fazendas, uma enorme vaca holandesa nos seus quase 500 kilos. Depois de minutos a luta pelo espécime bovino termina. A vitória a recai ao mais velho dos ministros presentes, não só porque entende do ramo, mas porque desembolsa 6000 mil dólares norte americanos. Fica por se saber se a vaca holandesa vai à fazenda ou ao prato. Uma lição... tem dinheiro.

POR AQUI TUDO SE FALA .....

Numa dessas noites, no Lubango, procurava no selector de frequências do meu rádio digital e dou de ouvidos com um espaço aberto para questionamentos e criticas de ouvintes dirigidos a quem quer que seja. O programa é da Rádio Huila, apresentado, soube depois, por uma antiga companheira minha quando trilhávamos os primeiros passos do Rádio jornalismo. Voz amena, cordial e algumas palavras sabias, bem colocadas. Classifiquei assim a jovem locutora. Fiquei surpreendido, pois num passado recente iniciativas do género no interior do país eram por e simplesmente retiradas do ar depois de pressões das autoridades. No Lubango, tal também aconteceu. Depois de 16 meses longe da terra, o programa chamou-me atenção. As autoridades não foram poupadas. Perguntava-se de tudo. A crónica falha no sistema eléctrico que lança escuridão quase total a cidade, a reabilitação de estradas, a falta de água, o crime, entre outras coisas. O sistema do espaço, onde mais jovens ligam, era de perguntas simples, mas a maioria como se pode notar ficavam sem respostas, atiradas talvez para as “ calendas gregas” da Huila. E o programa decorria, qual fórum Ecclesia na versão huilana, com alguns ouvintes talvez mais esclarecidos e destemidos que outros a serem profundamente ríspidos para os que mandam. Esta é uma oportunidade, acredito, de se medir a popularidade dos que governam a província. Até que ponto conseguem satisfazer a expectativa do cidadão, numa localidade onde num passado recente as criticas eram feitas a boca pequena para se evitar severas punições. E para isso, apenas alguns destemidos jornalistas, contados pelos dedos de uma só mão, passavam criticam nas suas emissões. Verdade. Encontrar este programa na rádio pública pareceu-me vislumbrar um oásis depois de se atravessar um rigoroso deserto. Mas é uma pena que o mesmo esteja atirado para depois das 21 horas de uma sexta – feira. Com este horário são retiradas as possibilidade de adultos, estudantes universitários e mesmo a gesta intelectual local participe. É pena. Mas mesmo assim, espero que o programa continue, já é bom no formato actual. Espero voltar a ouvir quando regressar ao meu querido Lubango. Mas não nos esqueçamos que quem fala o que quer, habilita se a ouvir o que não quer...

EXPO HUILA

Arrancou a mais esperada feira comercial e industrial da região. Ocasião para provar que não só Luanda detêm o exclusivo na realização de acções do género, tal como a Gigante FILDA. Mais a edição 20 da EXPO HUILA abriu com reclamações: Com o crescimento da economia local, o espaço tornou se pequeno demais para agrupar as empresas que pretendem mostrar os seus produtos. Algumas de grande porte ficaram mesmo de fora. Outra reclamação tem a ver com a falta de apoio na importação de produtos. Uma velha questão que mais uma vez a associação comercial local trás a liça, com discussões frequentes sobre o assunto. Discursos contundentes, mas ao que parece com ouvidos moucos de quem manda. Os cinco dias da feira, habilmente preparados, dão a impressão de estarmos realmente numa feira cosmopolita. Os homens que detêm o capital no Lubango aí estão concentrados, observando, expondo e fazendo contactos de negócios. Com a já notada falta de espaços, alguém teve a ideia de transferir esta bolsa de negócios para longe da senhora do Monte, para lá do Lubango. A sugestão era Humpata, no cimo da serra da Chela. Mas alguém, parece que esqueceu-se que esta feira dá brilho das festas de nossa senhora do monte, que são do Lubango e são realizadas, a mais de vinte anos, num dos maiores complexos turísticos e desportivos de Angola.

sexta-feira, agosto 11, 2006

A GREVE E O JORNALISTA PRESSIONADO

A noticia soava preocupante. Os homens da seringa, enfermeiros, querem partir para uma greve. Os apelos dos pacientes para eram lacinantes, afinal uma greve tem sempre consequencias para o zé povinho. Os enfermeiros assim pensam porque estao sem salarios a 3 meses. O jornalista, reporter de radio olha para isso como uma oportunidade informativa. Noticia colhida, facto divulgado. Todos os elementos da noticia sao difundidos. Mas o facto dura pouco. O gestor da pasta de saude pressiona o director do meio e este, claro, ordena o concelamento puro e simples da noticia, pois pode provocar perigosos danos a provincia. O homem, preocupado, pede conselhos, mas a sua preocupacao continua. Pode ser expulso por divulgar um facto verdadeiro. Uma greve iminente, por uma causa justa. Com o rabo entre as pernas, o nosso colega nem sequer tem a coragem de recorrer a arma da denuncia de algo que é absolutamente verdadeiro, aqui a censura deixou de ser encapotada. Anda a luz do dia, acompanhado os incansaveis reportes que todos os dia fazem algo para manter o povo do Lubango, relativamente informado.

OS BURACOS E ALGUNS JORNALISTAS DO LUBANGO

16 meses depois da ultima estada, procurei voltar ao Lubango, beber das aguas da Chela. Voltar para continuar em paz com a consciencia, reconhecer os amigos e conversar, conversar muito. Esperava ver mais. Tinha a expectativa de ver menos buracos nas estradas, ver investimento. Mas as ideias iniciais, fugiam da mente quando do taxi que me tirou do aeroporto da Munkanka para a casa, olha a cidade do cristo rei. Apesar de engalanada para o turismo, sol e ferias de todos os Agostos, a muito se fazer. Dá um aperto no peito, saber que os meses passam e a cidade fica sem energia. Os buracos, que limpava da minha consciencia, afinal existem. Alguns podem virar crateras dentro em breve se os que mandam na municipalidade nada fizerem. Pelo andar da carruagem suspeito que dentro de meses quando regressar vou reconhecer as crateras nos mesmos lugares, aqueles que para eles olhei com magoa. Como ambientalista fui espreitar a senhora do monte e descobri os efeitos do desmantamento. Também, é obovio, ninguem fala. Reconheci os amigos, conhecei outros caramarads jornalistas. Senti que o sentido critico está a crescer, mas lentamente. As amarras da auto censura em alguns meios ainda faz morada. Falamos da falta de ousadia em mostrar a quem manda, o mais que poderia ser feito. Debalde. Alguns pensam que ser taxado, rotulado, é muito grave num meio com este. Entendi que, afinal , por cá há quem prefira ter a imprensa manietada para daí retirar as conhecidas vantagens....