terça-feira, dezembro 09, 2008

Gambos: Entre a fome e a exploração

O Padre Jacinto Pio Wakussanga, na frontalidade que lhe é conhecida, criticou mais uma vez o “ paradoxo da abundância e a pobreza extrema das populações dos Gambos”.

Este município do sul da Huíla vive momentos particulares que exigem uma intervenção urgente, sob pena da situação caminhar para uma crise humanitária de que não há memoria. Há fome, seca, crise alimentar, doenças e falta de hospitais ou centros de saúde para alem do Chiange, a sede municipal.
Segundo o sacerdote em declarações a Ecclesia “ a população não vê um Cuanza da exploração de granito negro, mármore e outros minerais de grande valia, exportados para a Ásia e Europa” mas, acrescenta “ a população vive numa penúria jamais vista”.
Empresas como a ANGOSTONE e EMANHA continua a explorar, destruindo montanhas, destruído florestas de maneira impune e pouco regulada, sem cumprirem com a sua responsabilidade social junto das populações. Nos Gambos há imponentes fazendas e gado de corte para os grandes “ investidores” oriundos de Luanda e Lubango, mas a população vive da sua fatal agricultura de subsistência e a criação do gado familiar. O gado miúdo.
O Padre Pio, pós graduado em resolução de conflitos numa universidade do Reino Unido, é uma das poucas vozes do “ sul” falando sobre as populações locais. O resto anda mudo e sabe-se bem porquê…

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Agricultores pobres podem perder terras no Namibe

O governador do Namibe, Álvaro de Boavida Neto, disse, recentemente que quem tem terras e não as rentabiliza corre o risco de os perder.
Boavida Neto, antigo líder da JMPLA, não teve receio de dizer que estas terras serão entregues aos investidores no ramo. Isto é seguramente o mesmo que dizer que as terras serão entregues aos novos novos-ricos que surgem em Angola, aqueles que comem tudo e não deixam nada.
Boavida Neto, o mesmo que na campanha dizia que MPLA está a lutar contra a pobreza e não deixava outros partidos recolher assinaturas (FPD, por exemplo) disse que o processo de expropriação compulsiva de terras está á caminho.

Certamente alguns dos homens que têm acesso a varias formas de ter mais riqueza já estão no terreno a procura de zonas para iniciar o investimento, sob protecção do poder local.

Boavida Neto, sem rebuços aponta como solução, não o acesso a micro créditos por parte dos agricultores, mas retirar as terras.

Extensos hectares de terras tornaram-se improdutivos no Namibe, zona desértica, devido a falta de imputs agrícolas, apoio a irrigação artificial e acima de tudo devido a falta de dinheiro. Grandes extensões de terras, com culturas variadas, foram destruídas a cerca de dois/ três pelas águas que desciam do planalto da Huíla, fruto de fortes chuvas que se abatiam na região das Serras da Chela e do Bimbe.

sábado, dezembro 06, 2008

Caçadores furtivos do Lubango entre os homens que abatem animais no Yona, Namibe

Os gestores do Parque nacional do Yona, manifestaram recentemente uma recorrente preocupação, em como homens de muita posse, conotados com o poder na Huíla, estão implicados no abate indiscriminado de animais naquela reserva. Falam-se inclusive de animais quase em extinção naquela região.

Alguns desses animais têm conhecido um novo habitat na sua fuga para outras zonas devido a acção dos caçadores furtivos. A fuga tem sido á sul para um rigoroso deserto. A impunidade que grassa Angola coloca os gestores do parque numa calar impotência.
Os caçadores, oriundos do Lubango, são descritos como estando a mudar de local de caça aberta, depois de o terem feito de maneira impune no parque nacional do Bicuar na Huíla, localizado entre a prospera zona da Matala e dos Gambos.
Este último é um cobiçado município, que alberga uma Tunda propicia a criação de gabo bovino (riqueza da região) e a prática agrícola, com irrigação artificial.
No Bicuar, os caçadores furtivos do Lubango utilizavam armas de guerra (AKM e PKM) para atingir animais de grande porte.
O serviço de segurança e florestal foi reforçado nos últimos anos com a inclusão de antigos soldados da defesa civil nesta actividade.
Foto: BOAVIDA NETO, GOVERNADOR DO NAMIBE

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Novos rostos no governo da Huíla

Está a caminho uma exoneração colectiva de directores provinciais e alguns quadros de sectores – chave do Governo provincial da Huila. Fontes do “ Serra da Chela” revelam que nos últimos dias os sinais destas exonerações têm sido muito evidentes. As exonerações e nomeações poderão acontecer em Janeiro, segundo as nossas fontes.

O novo governador, engenheiro agrónomo Isaac Maria dos Anjos têm no seu gabinete um conjunto de nomes prontos a serem indicados para alguns dos cargos em que se propõem exonerações.

Segundo as nossas fontes, um desses sectores, descrito como sensível é a direcção de planeamento e estatística, cujo responsável Fernando Fontes Pereira ocupa o cargo há cerca de dez anos.

Pereira, natural de Chicomba, leste da província, sobreviveu aos consulados de Dumilde Rangel, Kundi Pahama e Ramos da Cruz. Um novo nome também é apontado para o sector da educação, cultura e ciência e tecnologia, pois a sua anterior titular, Paula Inês NDala Fernando, ascendeu para vice ministra da educação. Paula Inês é descrita como uma pessoa de confiança no seu partido, MPLA.

Na direcção provincial de comunicação social espera-se também por um novo clima. O actual governador, num discurso recentemente no Lubango disse não querer a continuação de uma alegada “ lei da rolha” na província.

O discurso foi entendido como recado aos gestores dos órgãos de comunicação social públicos (TPA, Rádio Huila, Jornal de Angola e ANGOP) e privado (Rádio 2000, comercial e generalista, mas com forte conotação ao MPLA) para mais “ arejamento” na difusão de noticias, mesmo não agradando o regime. Um sinal neste sentido foi dado pela Rádio Huila, que segundo o Jornal Regional “ Chela Press” divulgou sem rebuços excessos policiais no bairro Lalula.

O governador desafiou a população, usando as rádios locais, para servir de barómetro para o governo. João Rodrigues de Castro, licenciado em História pelo ISCED do Lubango é o director da comunicação social.

Recentemente, segundo fontes do governo terá visto o seu “poder” reduzido ao não ser considerado porta-voz do governo, depois de uma importante reunião do elenco administrativo local. Não se sabe ainda se poderá ser também exonerado.

VISÃO JORNALÍSTICA: “ Os incentivos públicos à média privada (I)”

Razões de ordem legal, económica, política e universal advogam a concessão dos incentivos do Estado à média privada.
A tese conforta o parecer, a nosso ver lúcido, da VI Comissão da Assembleia Nacional, após o exame, no seu foro, do projecto do OGE para 2009.
Em carta aos deputados, um observatório, integrado por figuras respeitáveis de perícia e experiência na comunicação social, havia sustentado, o inverso, infelizmente.
A sua argumentação não foi tão profunda. Daí, esta crónica que pode refrescar a memória de um debate recorrente. No passado, o debate culminou, felizmente, na consagração legal do princípio dos apoios públicos à média privada. Não para reduzir a sua autonomia, mas, justamente, para assegurar a independência do jornalismo, num ambiente ruim de negócios sãos.
O princípio dos incentivos do Estado à média privada corporiza o artigo 15º da Nova Lei de Imprensa. Falta-lhe, somente, a regulamentação. E, neste particular, preconizamos o recurso a um processo mais expedito do que a morosidade habitual para assuntos que os órgãos oficiais ou partidários menosprezam.
O parecer da VI Comissão, se for aprovado na plenária, será razão de sobra para o executivo apressar esta tarefa, tão idosa quanto a duração do actual elenco no topo do pelouro.
Economicamente, os subsídios públicos vão aliviar as provações excessivas dos empreendedores que confiaram investir no ramo. O próprio público beneficiaria com este gesto legal, uma vez que tais verbas funcionarão como subsídio indirecto ao custo de produção cada vez mais elevado do jornal.
No plano político, o Estado, como pessoa de bem, ganha em autoridade preocupada em atender as expectativas do cidadão. A concessão desses subsídios será concomitante, naturalmente, com uma exigência de boa gestão. Clamará pela organização da contabilidade, funcionamento administrativo em sintonia com os trâmites legais, regularidade fiscal, etc.
Sendo pantanoso, este terreno, o Estado, velará somente pelo rigoroso respeito da liberdade de imprensa e da propriedade privada, que são valores consagrados constitucionalmente. Velará, na mesma esteira, de respeitar o corolário, que é a independência editorial.
Um contracto regulador deste subsídio, pode evitar qualquer tipo de abuso, intromissões ou manipulações que lesem ou ponham em perigo os pontos salientados. Terá que ser assinado este contracto pontualmente, caso por caso. Agindo assim, se evitaria o risco de se recuar ou perder os trunfos já alcançados no domínio.
Para que se esfume qualquer intenção matreira ou desconfianças, a regulamentação geral, esperada, deve trazer o paradigma do referido contracto.
Deverá, além disso, afastar o assalto dos embusteiros, tentados em reeditar, no campo da média, o que se passou com a praga de partidos políticos, surgidos como cogumelos, da noite para o dia. Uma boa base de órgãos aos quais se pode começar são os que já se afirmaram no mercado, saindo regularmente.
A idoneidade dos empreendedores atrás de cada iniciativa é outro requisito óbvio, para se evitar, num domínio altamente sensível, a entrada de aventureiros.
Neste capítulo, o executivo também deve exibir-se à altura da ética, não incentivando operadores duvidosos. O universo da média normal precisa de agentes comprometidos com a ética e a deontologia do jornalismo, com transparência.
A regulamentação deve socorrer-se da experiência de outros países. Pois, a prática é bastante universal. Só para citar um exemplo, os Estados Unidos da América ainda concedem subsídios públicos à sua média privada. E trata-se de um país de economia de mercado consolidado e alto poder de compra dos cidadãos.
Angola, onde as necessidades da informação se equiparam às vitais, só ganharia com esta prática, na emancipação rápida das suas populações de tantas taras herdadas.
Hoje, é por todos sabido que não há desenvolvimento sem informação séria, pontual e abrangente. A informação ocupa, nesta era da globalização, lugar privilegiado – confirmando este facto a rápida e estonteante mutação das suas tecnologias.
A nossa convicção, estamos certos, vai ao encontro da ânsia geral dos Angolanos pelo desenvolvimento.
O Papa Paulo VI, profeta dos tempos modernos, vincou e sublimou este valor na sua Encíclica Populorum Progressio, de 26 de Março de 1967.
Nela, afirmou que «o desenvolvimento é o novo nome da paz.»

Voltaremos ao assunto, proximamente. Por: SIONA CASIMIRO

quarta-feira, dezembro 03, 2008

" Quem não vive para servir, não serve para viver"

Esta tirada, de um velho companheiro pelas liberdades de opinião e diferença real de pensamento, pode á partida parecer medonha, mas carrega no seu seio um aviso profundo aos " supostos, como chamo os actuais " controladores de vidas alheias". Sim é para esses que escrevo!

A maxima ditada por este velho amigo, que as milhas oceanicas ainda separa, é um apelo forte contra o cinismo de uma solidariedade covarde. Um grito contra o sorriso maroto quando alguem tropeça nos pedragulhos que propositadamente se colocam no caminho daqueles que não se vergam em dar a voz a quem não a tem.
É esta solidariedade cinica que deve ser denunciada, a favor de um companheirismo samaritano que hoje foi atirado aos abutres devido ao materislismo e ambição cega de alguns homens.

Amigo é aquele que remove as pedras do caminho antes mesmo de nós nos fazermos a ele. A estes agradeço, mas rio dos " supostos que se esqueçeram que para viver melhor é preciso saber servir!

terça-feira, dezembro 02, 2008

Matala e o futuro da Huíla (I)

Um dos catorze municípios da Huíla, a Matala, conhece nos últimos dias movimentações descritas como fazendo parte dos planos do governo central e provincial para fazer da zona um “pólo de desenvolvimento”, um dos únicos na região sul do país.

A Matala ganha vantagem perante outros municípios da província e mesmo da região devido a factores estratégicos que começaram a ser reunidos desde o tempo colonial, alguns dos quais relançados na segunda metade da década de noventa, depois de anos de abandono devido a guerra nas cercanias.
Eis alguns dos pontos que lançam Matala numa posição de vantagem:
- Numa foi ocupada pela guerrilha, tendo inclusive servido de posto avançado do comando da Região sul das Forças Armadas Angolanas. Ai estava colocado do COP – Huíla, o comando operacional, tendo uma base logística própria com estruturas, transportes, pessoal e linha de orientação;

- Possui um dos melhores aeródromos no interior da região (Namibe, Huíla, Cunene e Kuando Kubango – aqui perdendo apelas para Mavinga, Cuito Cuanavale e Jamba;
- Tem um clima propício a produção de varias especiais agrícolas, com destaque para cereais e citrinos. Teve durante muitos anos uma indústria transformadora de tomate para conservas deste produto. Zonas como Capelongo e “ Castanheira de Pêra” continuam a ser importantes áreas de produção agrícola.

- Possui um dos maiores e mais cobiçados (por fazendeiros com conexões do poder) caudais de irrigação de Angola (vários kms);

- Possui a estratégica barragem da “ Matala” que fornece energia a Huíla e Namibe, apesar de nos últimos tempos ser irregular o abastecimento. A sua estrutura de apoio incluiu expatriados de varias origem, com destaque para brasileiros, russos e portugueses, animando a economia local. Muitos dos expatriados vivem na zona anos a fio sem se deslocarem para as suas zonas de origem;

- Foi criada a cerca de 4 anos uma estrutura orgânica própria para a gestão do município, em paralelo a própria frágil administração municipal. A SODEMAT (Sociedade de Desenvolvimento da Matala) teve como gestor Sabino Ferraz, um economista que já foi assessor do presidente da república. Terá sido por sua sugestão que em 2001, no auge do conflito armando em Angola, o chefe de estado reunião o conselho de ministros na Matala, naquilo que se chamou na de “Presidência Aberta”. Foi uma das raras vezes que o conselho de ministro se reuniu fora de Luanda.

- A gestão da SODIMAT está agora entregue, parcialmente, á um engenheiro agrónomo huilano, Luís Arsénio Salvaterra dos Santos, que durante vários anos ocupou o cargo de director da agricultura e desenvolvimento rural, nos consulados de Dumilde Rangel, Kundi Pahama e Ramos da Cruz, que deixou a Huíla depois das eleições para ocupar o cargo de deputado pelo MPLA. Salvaterra é o actual presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Matala.
Numa pouco comum conferência de imprensa, foi apresentado recentemente na Matala o programa de desenvolvimento para o quadriénio 2009/2013. Salta á vista a promessa de fazer da Matala um centro de produção regional e evitar, assim, paulatinamente a importação de produtos alimentares.

Jornalismo de investigação em Angola?

" ...Há grandes dificuldades para se investigar assuntos. Alguns dos jornalistas que partiram para a investigação não conseguiram chegar até ao fim.
Alguns tiveram maus momentos como pressão psicológica, perda de emprego sem justificação e mesmo morte (Ricardo de Melo).
A investigação jornalística continua a ser uma aventura em Angola, devido aos interesses corporativos das empresas jornalísticas, a linha editorial de alguns, a falta de verbas, a fraca disponibilidade dos profissionais embarcarem para iniciativa independente, as dificuldades na assunção plena de uma liberdade de imprensa (Angola está no lugar 116, de uma lista publicada recentemente pela organização RSF – repórteres sem fronteiras), a débil formação dos jornalistas e ainda as conexões próximas do poder que rondam os órgãos de comunicação social e por último uma certa cultura do medo enraizada no seio de varias camadas sociais.
Estas, colegas, são algumas das causas da falta de um rigoroso jornalismo de investigação no nosso país. O caso do colega da Nigéria, claro, é diferente de nós. O contexto é diferente e a historia nacional também é diferente...)
Extracto de um trabalho apresentado recentemente em Joanesburgo, Africa do Sul, por Manuel Vieira, na Universidade Wits numa conferência sobre "Jornalismo Investigativo" na cimeira anual do FAIR - Forum African for Investigative reporters , de que é membro efectiivo. Mais informações em http://www.fairreporters.org/

quinta-feira, novembro 27, 2008

Uff!!!! Por pouco, a queda total do Desportivo da Huíla

O Desportivo da Huíla conheceu hoje um dos maiores “rombos” no seu “casco”, de suporte a máquina que, ainda, sustenta um dos clubes com maior representação na região sul de Angola.
O técnico Agostinho Tramagal, decidiu voltar a Luanda para continuar com os seus estudos, na especialidade de nutricidade humana, deixando para trás obra, novos talentos e acima de tudo a permanência do clube na primeira divisão. A permanência no “Girabola” campeonato nacional da primeira divisão para alem de ter sido arrancada a “ ferro”, terá sido um tonificante para aquela região do país. No Lubango, boa gente não acreditava!
O Desportivo a Huíla, é um dos clubes que representa um pouco do futebol que (ainda) se faz nas terras altas da Chela. Outra equipa é o Benfica do Lubango, que ficou pelo caminho apesar das figuras e investimentos da Sonangol nos últimos dias. A Águia do sul desceu de divisão….
Mas, o desportivo (dai a espécie de milagre, que raramente acontecem no futebol) continua na fina-flor do futebol. Desde de que o clube deixou de estar sob a sombra protectora do General Francisco Furtado, então comandante da Frente sul, que as contas são sempre pela negativa. Depois de Furtado, hoje em Luanda – homem forte das FAA- entrou Apolo Felino Wakuvela, antigo operacional sénior das ex-FALA.
A inerência de funções (comandante da frente – presidente do clube) deve ser repensada. Mas sempre Generais? Parece que há quem terá acordado a tempo de salvar a descida total da “ malta do sul”.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Só agora sabem ?

Por fim, depois de um bom par de dezenas de anos, alguém reconhece que o Lubango “vive” com 70 por cento da sua população sem água canalizada e energia eléctrica.
Quando, volta e meia, protestamos contra a lei da rolha na Huíla, os “ grandes” homens do templo, por pouco exigiam a guilhotina! Verdade mais verdadeira, o investimento é apenas para Inglês ver …. Se é que ainda tem como ver, fruto das manipulações dos dias de hoje.

sábado, setembro 13, 2008

Lubango, pois claro!

VISÃO JORNALÍSTICA: A sentença do soberano primário!

O soberano primário sentenciou. Por Luanda e todo o país, palpitam os corações regozijados de uns e ouvem-se as lamúrias de outros, consoante a fortuna da classificação.
O veredicto deu uma maioria tão qualificada ao MPLA que soa a uma recorrência do partido único. E o seu principal adversário, a UNITA, caiu de cabeça para baixo, tanto que se, se tratasse de uma pessoa física real, nenhum médico recuaria em receitar a pronta consulta prévia de fisioterapia. Para já, todavia, vénia à sua aceitação antecipada dos resultados, para além das reclamações que lhe cabe manifestar, enquanto sujeito descomplexado de direito! De se estender a mesma apreciação ao aceno, também, antecipado por parte da FNLA.
Esta postura dos opositores históricos indicia o fortalecimento de alguma viragem do passado, que merece ser enaltecida, pela exemplaridade de os três poderem competir, doravante, sem dramas de maior para o conjunto do país, que libertaram de armas na mão.
Esta recordação trilógica não passa de mera referência temporal, longe da sua perenidade no presente, que seria, aliás, negar uma realidade hodierna como o despontar consistente de uma força política como o PRS. Em síntese das teses que se afrontaram no pleito, a continuidade venceu a mudança. Porquê, em concreto?
Um diagnóstico profundo, radical e sereno impõe-se a todas as forças, incluindo a laureada, como prioridade, até face ao calendário político do horizonte imediato, balizado. Isto é, as perspectivas das eleições presidenciais apontadas para 2009 e, depois, as primeiras autárquicas ansiadas para o mais breve possível. Em horas de euforia, o vencedor padece facilmente do autismo, planeando no ar qual anjinho que se pensa impoluto de pecados mesmo reais. Oxalá, o MPLA mantenha a lucidez e exorcize o ditado segundo o qual, no exuberante caldo da poeira, das festas nas nossas aldeias, amiúde se rasga a pele tensa que serve de tampa acústica ao cilindro do batuque.
Seria de mau agoiro, para a propalada guinada para a normalidade, por exemplo, não responsabilizar os autores das falhas organizativas verificadas pelos observadores e vividas por milhares de eleitores, nem corrigir os dados mais deficitários em termos de credibilidade democrática. Essas falhas legitimaram, aliás, a reserva dos observadores de peso em qualificar de “livres, justas e transparentes” as eleições que acabam de decorrer, frustrando a expectativa daqueles que se empenharam nessa tarefa com sinceridade e abnegação. Para os infortunados na classificação, tem sido frequente, neste ambiente cinzento, a tentação de desviar as atenções para os factores exógenos. Esta propensão conduz, via de regra, à impossibilidade, à incapacidade de corrigir o tiro, à gangrena da incúria.
Importará, sim, voltar-se mais para os elementos endógenos, sem prejuízo, é claro, do impacto dos condicionalismos externos. Mas, ensina a ciência de Hipócrates, a medicina, que não há patologia que paralise um membro qualquer sem encontrar, no mesmo, o ambiente propício para se instalar e a infecção progredir à vontade.
Alegra, o vento que traz, qual andorinha de outra estação, a notícia do projecto de demissão do presidente do PRD, em virtude do desaire eleitoral desta formação, após 16 anos de liderança. Para além da listagem que a urna ditou, os desafios da Nação elevam-se imponentes diante de todos. Tais desafios levam a pensar, sobremaneira, na continuação dos sinais de crescimento rumo ao desenvolvimento, tendo em conta o indicador do trunfo decisivo do partido vencedor, cujo projecto, em teoria, parece desgastado.
Há, também, a democracia a aprofundar, aduzindo-se da presença da Oposição estruturalmente mantida, pese embora o naufrágio do “Titanic” que representou a queda do líder, a UNITA, e o recuo espantoso dos demais opositores, em geral. O recuo geral, excepto o PRS, traduziu a incapacidade de mesmo as terceiras forças recuperarem os danos dos cabecilhas. David malogrou surpreender Golias. O quadro político resultante das urnas torna-se, sem dúvidas, um bicudo desafio à consolidação da democracia.
Enfim, o discurso da estabilidade, o partido achado melhor da paz ganhou uma batalha. Em democracia, entretanto, e à medida que esta se enraíza, felizmente, há batalha e há luta. Esta não finda com aquela. Pelo contrário, aquela, aos bons jogadores, fecunda o melhor saber e a arte de saber fazer melhor. E, é na interacção contínua entre poder e oposição, ambos, ora frescamente sufragados e desenhados pelo voto, que está a peça mestra da dinâmica de progresso do país.
É o que a Mensagem Pastoral do Lubango, inspirada por santa meditação Paulina, alvitrou. Citámo-la, para finalizar:
«Governo e oposição têm uma missão comum: construir uma sociedade baseada nos princípios fundamentais da justiça, da liberdade e da igualdade.»
Pelo saldo positivo do processo em conjunto até aqui, sobra o louvor ao amor divino que tem acompanhado o país. Pois, como reza o salmo com o qual a mesma mensagem rematou o seu texto, “se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores”.
Bem haja Angola! ( SC)

sábado, agosto 23, 2008

Lubango, em festa

Começaram no 1º de Agosto e ainda decorrem, mesmo sem o brilho do passado. Festas de Nossa Senhora do Monte em mais uma edição. Agosto, turismo, sol e férias....

O crime Chinês *

Fixe o seu olhar sobre a imagem. O animal que se tenta esconder num saco de ráfia é uma jovem tartaruga marinha, capturada na costa de Luanda ou noutra próxima da capital.
A viatura em que seguiam um cidadão nacional e um chinês foi vista parada na estrada Deolinda Rodrigues, junto ao mercado dos congoleses, na tarde do dia 14 de Agosto de 2008.

Perante a aflição, o animal ainda conseguiu rebentar o saco e evadir-se da carrinha. Mas o chinês e o seu ajudante angolano, que ia ao volante, lá pararam para comprar outros sacos, a fim de poderem esconder a tartaruga dos olhos dos patriotas angolanos.
Apenas duas frases se puderam captar do ajudante do chinês que não quis se identificar: que o animal não era dele e que não sabia qual o destino certo da tartaruga, se o estômago dos chineses ou a China. O angolano disse ainda que era a segundo animal do género que transportava, a pedido dos chineses ao serviço da GNR e com instalações em Viana.
Casos como esses não devem ser isolados por toda Angola. Abate de animais em risco de extinção, delapidação de minerais preciosos, entre outros bens dos angolanos. Populares que vêm do Ebo, província do Kuanza-Sul, contam que determinadas zonas cujo acesso era, desde o tempo colonial, proibido aos autóctones, são hoje as predilectas dos chineses que mergulham com sacos trazendo areias das profundezas do rio.
Será esse o “preço adicional da reconstrução”, ou enquanto dormimos os chineses vêem-se com tudo, até para devorarem as nossas tartarugas?
Por: Soberano Canhanga
*adaptado de http://mesumajikuka.blogspot.com/

Correcção de falhas ‘versus’ incúria

A observação de duas ilustres ONG’s denunciou os perigos que, a seu ver, potenciam o risco de não se qualificar o pleito, convocado para 05 de Setembro próximo, de justo e livre. O reparo é da tutela da “Human Rights Watch (HRW)” e da “Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD)”.
As reacções variaram. A oposição cessante aplaudiu de chofre, num regozijo, cuja consistência a posteridade confirmará melhor se mantido na eventual posição do poder. Do lado da maioria cessante, o feedback navegou entre a serenidade mostrada por alguns e a alergia xenófoba, que outros exalaram com o conhecido chavão da ingerência estrangeira. Em factualidade e concisão, marcas que têm prestigiado a acutilante intervenção das duas entidades, a HRW e a AJPD, não se registou a menor refutação dos dados.
A veracidade dos factos apontados alvitra uma comedida postura de Estado, mais eivada de responsabilidade que leviandade, correcção de falhas ‘versus’ incúria, na constante busca da consolidação da jovem democracia, que tem como suportes principais o respeito das liberdades e direitos fundamentais dos cidadãos. A credibilidade do processo em curso e, acima de tudo, o essencial da sua aposta (que consiste na viragem da presente anormalidade para a normalidade democrática), passa por aí.
Pois, nos dias sucessivos, os resultados proclamados colocarão todos perante as respectivas responsabilidades e compromissos: de governação e de oposição - um par de dignidade inerente ao quadro democrático almejado por todos, como alavanca decisiva do desenvolvimento do país. É o que a mensagem pastoral da CEAST sobre as eleições frisou, ao alertar que:
«Quem vencer as eleições assuma a responsabilidade de cumprir o que prometeu e mesmo de fazer mais e melhor do que prometeu, e quem as não vencer, aceite o exercício da oposição como um serviço insubstituível em todo o regime democrático. Sem partidos de oposição não há democracia. Governo e oposição têm uma missão comum: construir uma sociedade baseada nos princípios fundamentais da justiça, da liberdade e da igualdade.»
Este trecho é tanto mais oportuno nesta fase em que a campanha eleitoral ultrapassou a fase inicial, marcada por queixumes, nervosismo e incerteza. A batalha aflora os agora graus da ebulição. Os contendores disparam as primeiras salvas da artilharia pesada. Assim, se captou o alerta da UNITA sobre os incidentes de Quipeio, Galaga e Andulo, províncias de Huambo e Bié, respectivamente.
Foi de mau agoiro, também, a retórica de um dos actores declarando «guerra verbal» a outro, que lhe subtraiu adeptos, e a promessa pública de se dispensar a Polícia, confiando, doravante, no condenável fazer justiça por mãos próprias.
De lamentar, neste período, o atraso da Polícia em dar informações fidedignas sobre os incidentes, virando costas à sua competência, que é urgente, da sua parte, credibilizar pela prontidão e isenção. Esta instituição desprestigia-se, também, com as frequentes derrotas em tribunal como sucedeu, de novo, no caso da detenção desastrosa dos elementos do PADEPA que, uma vez transitados em julgamento sumário, foram soltos logo por culpa mal formada. Na mesma linha, é deplorável a omissão dos incidentes na onerosa média pública, que parece teimar na linha de tomar o povo, seu amo verdadeiro, em menor de idade.
Oxalá se possa ouvir, nas próximas circunstâncias, o rápido depoimento equidistante dos observadores já activos e desdobrados pelos quatro cantos do território nacional. Consolou a presença notória da instituição policial em todos os palcos da campanha eleitoral. Consolou, também, o balanço positivo da ordem até aqui verificada, em geral, por parte da instituição policial, não fossem os incidentes mencionados.
Sem dúvida, o bemol de maior sossego tocou em Benguela, com a avaliação ouvida do presidente da república e do MPLA. É neste ambiente cromático, que vão palpitando os corações dos angolanos, que rogaram a “Mama” Muxima, no último fim-de-semana, interceder pela graça divina até à saída do túnel e, não só.
(SC)

A velha "maka" da energia no Lubango

Lubango precisa de mais de 100 megawatts de energia. A cidade tem disponíveis apenas 20. A necessidade de consumo aumenta, a central hidroeléctrica da Matala é incapaz de sozinha alimentar a cidade.
Entre os esforços de melhoramento, para além da reabilitação das infra-estruturas do Lubango, consta a necessária distribuição de energia. Os apagões vão persistir, alerta o director do gabinete do plano. Em contraste com os sinais de um Lubango, cosmopolita.
Com novas estradas, uma periferia em crescimento e um parque automóvel considerável. A energia continua a ser a dor de cabeça para as autoridades da Huíla. O director do plano da Huíla, avança outras obras de impacto na região.
A futura Universidade Pública do Lubango é a menina do olho das autoridades locais. O antigo Liceu Diogo Cão, ex-escola Mandume passa a albergar a estrutura universitária. Este mês de Agosto acontece a inauguração.
A instituição deve albergar mais de mil estudantes. As faculdades de economia, direito e edução são as primeiras a serem abertas ao público.
Energia eléctrica ensombra o crescimento da Huíla. As autoridades da província falam em subida dos índices de consumo e apontam planos futuros para a normalização do problema.

sexta-feira, agosto 15, 2008

No redemoinho dos acertos e desacertos

A campanha eleitoral está a meio caminho desde que arrancou no passado 5 de Agosto.

Os actores entraram em cena sem surpresa de maior. Uns com o espectáculo de cores e sons à medida dos seus meios; outros modestamente, num cenário em que parece ser prematuro antecipar a vitória de Golias ou de David.
Na retórica de estreia, ouvida dos actores de destaque - a maioria cessante e a oposição cessante -, os valores ordeiros da tolerância, paz e contenção soaram mais alto.
O ambiente coaduna-se com a fluidez da conjuntura, os subtis desafios, e os cautelosos e legítimos anseios.
A mensagem de circunstância do Chefe de Estado à Nação teve o condão de traduzir este complexo de traços, gerando expectativa sobre a efectivação dos seus oportunos alvitres de ponderação. A réplica do líder da Oposição cessante inscreveu-se na mesma esteira, ainda que tivesse vincado, naturalmente, em democracia basilar, a identidade do seu projecto da alternância ao “status quo”.
Consoante o seu pendor, os demais competidores têm vindo a dar o ar da sua graça, com pronunciamentos oscilando entre as acrobacias do alcunhado ‘situacionismo’, a via intermédia oposta à bipolarização e a mudança.
As forças da ordem assinalaram o esquema de desdobramento que se impõe no momento para a segurança de todos.
Partidos, correntes ideológicas e figuras, que o Tribunal Constitucional marginalizou, também, se realinham ao sabor dos respectivos interesses, pressões tácticas e perspectivas estratégicas. Pois, assim vai a política, cuja ciência e arte recomenda aos seus agentes o saber equacionar, também, o aleatório. Os observadores internacionais começam a afluir, a contar pelos primeiros correspondentes da imprensa mundial.
No redemoinho, contudo, já se registaram desacertos, como: - A demorada libertação das subvenções públicas de direito para os concorrentes;
- A falta dos mesmos para a média privada e a sociedade civil, uma falha chocante ao pensar-se nos gastos ocasionados pela fresca abertura do canal internacional da TV pública em Lisboa;
- A desproporcionada propaganda das obras de um governo entrado na prova dos nove;
- E, ainda, o espectro medonho dos rescaldos psicológicos daquele massacre de oito jovens, na zona da Frescura, no Sambizanga, em Luanda, que a Polícia não esclareceu até ao presente.
- As denúncias trazidas à estampa ontem, em Nova Iorque, por ‘Human Watch Rights’, cuja precisão recomenda uma reacção mais responsável do que o emotivo subjectivismo ferido.
Os jornalistas, por seu lado, meditaram sobre a ética e a deontologia articulada ao tempo. Foi um exercício salutar no qual, como profissionais de confissão católica, participamos intensamente, animados pela recente mensagem pastoral sobre a bicuda temática, sempre útil a lembrar:
«Dada a importância crucial que os meios de comunicação social assumem neste contexto eleitoral, rogamos aos seus Agentes que informem com imparcialidade, equilíbrio, verdade e isenção de pressão político-partidária, a fim de ajudar os cidadãos a votar com liberdade.
Rogamos de igual modo que durante a fase da pré-campanha eleitoral haja equidade no espaço da comunicação social cedido aos diversos partidos. Além disso, abstenham-se de quaisquer discursos inflamatórios de ódios e de todo o tipo de violência».
Oxalá, até 05 de Setembro e mesmo depois, a graça divina acompanhe sempre os angolanos, para que consigam navegar direito entre os acertos e os desacertos, que a estreia exibiu!
Por Siona Casimiro

segunda-feira, agosto 11, 2008

Cascata da Hungueria Huila

Supostos !

Um passo. A generalidade dos supostos corre, volta e meia, errante, para um destino em que o sol parece brilhar profundamente.
Mas, sabemos que algum deste fervor, pode ser de pouca dura. O toque, dos que parecem pensar, vem mais tarde!
Um passo. Mas a generalidade dos supostos faz melhor...

Uma carta, um bloguista! Obrigado pelo kandandu....

Sou um "portuga" como dizem aí em Angola, mas também sou um admirador de ÀFRICA, não apenas dos ditos países de expressão portuguesa, mas, sim, de toda a África. Sou um amante da literatura africana, fundamentalmente a que usa a língua portuguesa.
Foi professor na Guiné - Bissau e Angola em períodos muitos difíceis destes países, penso que fiz um trabalho meritório como professor na Escola Agrária de HUAMBO "HOJI YA HENDA" e gostava de ter alguns contactos com os meus antigos alunos dessa escola. Será que podia alimentar esta esperança? Sei que é difícil...
Sou também conservador do registo predial, comercial e dos automóveis, mantenho uma página na net em http://reginot.no.sapo.pt/ e gostava de conhecer sites ou blogues angolanos na área da justiça, nomeadamente no âmbito dos registos e notariado... Será possível que me dê a conhecer alguns?

Também sou um bloguista, por isso cato o que a este nível se passa em ANGOLA. Lei com assiduidade e sempre que posso o Vosso blogue, e sinceramente, gostei. Continue ... Saudações José Carlos Pacheco Alves

Recomendo......

Internauta antigo, companheiro das lides da palavra no eter da Angola de todos, mas bloguista novo. O homem continua a ser marcado com um bom sentido de analise!
Eu recomendo!