sábado, março 15, 2008

Á LUZ DAS CONQUISTAS DO DESPORTO: COMO INCENTIVAR E VALORIZAR TÉCNICOS NACIONAIS E OS PRATICANTES DE VARIAS MODALIDADES?

O desporto, tal como outras áreas da vida nacional, tem trazido aos angolanos aquilo que muitos músicos optaram por chamar de “ pintar com as cores brancas da paz” os caminhos do desenvolvimento de Angola. O país “despiu” a guerra para “vestir “ a paz, e o desporto, também, acompanha esta nova marcha.

Gente com têmpera, com sentimentos nacionais acima de tudo vão ás quadras, aos estádios e os ringues lutar com a força física, a técnica e a táctica para engrandecer o nome deste admirável país.

Se por um lado, há o desenvolvimento nos últimos tempos do desporto nacional com sucessos atrás de sucessos a valorização dos homens e mulheres que trabalham para estes feitos vem ao de cima.

É ponto assente que os técnicos nacionais e os praticamente das varias modalidades, necessitam de incentivos, ao mais alto nível e mesmo nas bases de apoio directo, clubes e federações. Como tem sido este apoio?

Falar de apoios aos quadros desportivos nacionais parece recorrente, pois num passado recente esteve em alta na imprensa questões como as disparidades salariais entre nacionais e estrangeiros especialmente nos ramos petrolífero e diamantífero.
Os estrangeiros, segundo as informações, levavam para casa e para os seus países milhares e milhares de dólares ano, quando os nacionais (muitas vezes com experiência e competência comprovadas) se contentam com migalhas salariais. Muita gente, não se coibia em dizer que os estrangeiros quando franqueavam as portas de Angola tinham a certeza de que a riqueza estava a vista. Será o mesmo para o desporto?

No andebol, um técnico angolano trouxe recentemente alegria. No futebol, os feitos são por demais conhecidos: Oliveira Gonçalves foi alvo de muitas manifestações de apoio depois da passagem de Angola aos quartos de final do último CAN.

O técnico angolano foi o primeiro a levar os sub 20 ao mundial realizado no sul de América há alguns anos. No basquetebol o trabalho de continuidade faz de Angola o papão em África.

Mas, são os homens e mulheres do desporto suficientemente acarinhados e valorizados?

Sem descorar o apoio de quadros estrangeiros urge a necessidade de se olhar os fazedores do nosso desporto. Tem o estado em vista, por exemplo a constituição de um fundo de reforma para os atletas? O que se faz com os jogadores que terminam de maneira abrupta as suas carreiras devido a lesões, por exemplo?
Entre os escalões de formação e a alta competição: tem havido preocupação para a formação das bases que poderão garantir mais qualidade as varias modalidades?

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Anos!

O dia de anos! O olhar ao passado, mas firme nos dias todos e todos os dias. Que nunca passe pela cabeça confundir "a estrada da beira com a beira da estrada" como diria o bloguista de primeira hora.
Um dia, mais um ano. Um ponto, um marco. Um desejo, um passo. E a festa rija...

sábado, fevereiro 09, 2008

O meu Lubango, pois claro!

Normalmente é incondicional o nosso amor a terra que nos viu nascer. talvez por isso, e as vezes remando contra a maré da vida, procuramos saber de tudo e de todos que se referem, bem ou mal, ao tal local de nascença.
Pode parecer tardio, mais é com essa, rápida, justificação que declaro que neste blog a Huíla, terra linda, terá sempre um lugar. Vamos, neste espaço, cogitar, reflectir, questionar, procurar obter mais informação ou noticias sobre esta província do sul do país, que dá pelo nome de Huíla.
A Huíla, com os seus 14 municípios um sem numero de comunas e centenas de povoações remotas e escondidas.

A Huíla, com os seus encantos - que bem aproveitamos para conhecer e apreciar- as suas desgraças, os seus mitos, as tradições e a governação. Um espaço de intervenção, quiçá debate sobre os " huilanos de gema".

Um espaço de homenagem à aqueles que com o seu vigor, as suas ideias, longe do compadrio, erguem a Huíla e lutam todos os dias para que seja um bom lugar para se viver.

Intervenha, pois a Huíla, o Lubango e não só, precisa de nós.

Tundavala,mais uma vez!

Angola, Tundavala!
É como voar sem tirar os pés do chão. É uma vertigem e uma emoção. É esmagador, mete medo. É o fim do Mundo. Para se chegar ao abismo da Tundavala, é preciso fazer cerca de 15 quilómetros por estradas de terra batida desde a cidade do Lubango. Acho que não há quem não os faça. Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa.
Só lá estive uma vez, em 1986. Fui ao Lubango com o Paulo Dentinho. Lá fizemos parte de três episódios da série “Os Que Não Voltaram”, que a RTP exibiu no ano seguinte, se a memória não me falha. Naquele tempo, viajar em Angola era uma aventura. A guerra retalhou o país e viajava-se como se Angola fosse um arquipélago. Cada cidade, uma ilha.
Para ir de ilha em ilha, só de avião ou integrado em colunas militares. Essa viagem foi feita, como já antes expliquei aqui, sob escuta e escolta de diligentes funcionários públicos angolanos. De modo que, quando fomos levados à Tundavala por um dos portugueses que viviam no Lubango (um dos tais que não voltaram), ele chamou-nos a atenção, disfarçadamente, para o chão.
Era um terreno arenoso, de areia clara. Enterrou a biqueira do sapato e, lentamente, trouxe à superfície uma cápsula de bala de kalashnikov. Durante o resto do tempo que passámos ali, eu e o Paulo dedicámo-nos a desenterrar mais cápsulas, disfarçadamente. Eram muitas. Eram a evidência dos fuzilamentos que se fizeram ali, à beira daquele precipício. Já nos tinham dito que, lá em baixo, no fundo da ravina com mais de mil metros, estavam muitos corpos de vítimas da violência política. Tínhamos duvidado mas, a partir daquele dia, passámos a acreditar.
Por Carlos Narciso

Seca em Angola

A Seca afecta Benguela, Huíla, Namibe, Kwanza-Sul, Cunene e Kuando Kubango. Há notícias de que a O Uige também vê as culturas de mandioca afectadas. As actuais colheitas estão integralmente, ou quase, comprometidas.

Essas noticias, divulgadas nas ultimas semanas pela imprensa nacional, levaram os cidadãos á reflexão sobre a segurança alimentar em Angola, á prática da agricultura de subsistência – base da sobrevivência rural em Angola – as formas de melhorar a vida no campo e consequentemente a alimentação dos milhões de populares que vivem fora dos centros urbanos, em princípio, e depois abastecer as cidades.

A estiagem teve os primeiros sinais lançados no segundo semestre do ano passado, logo no reinício da época de chuvas no país. Culturas de milho, massango, massambala e outros cereais ficaram prejudicadas tanto no seu cultivo, como no seu crescimento.

Em outras áreas ficaram perdidas quase na totalidade, entre outras, as culturas de milho, feijão, massango, batata e algumas frutas.
O clima de fome pairava no ar e a vida das comunidades era enevoada de incertezas. Infelizmente esta incerteza tornou-se um dos problemas actuais de protecção civil dos angolanos.

Na procura de soluções algumas Organizações Não-Governamentais, por exemplo, apelam ao governo a trabalhar no sector da segurança alimentar nas províncias afectadas pela seca. Será uma acção em coordenação com as autoridades locais ou estabelecidas a partir de Luanda? As comissões ad hoc, inter provinciais e o serviço de abastecimento de bens essenciais as populações não poderiam se converter numa frente para levar ás populações a ajuda de que precisam hoje?
O governo foi alertado inclusive para que crie com urgência um programa de ajuda alimentar para fazer face ao cenário de crise em curso. Será isso possível? São necessários os perfis de organizações não governamentais para levar ao interior o calor a quem sofre?

O apelo das ONG insere ainda um alerta relacionado com o perigo de as famílias camponesas usarem como alimento, em desespero, as sementes distribuídas pelo governo para serem tentadas novas colheitas caso venha a chover normalmente no país.

Tal como, advertem as ONG, pode estar comprometida a subsistência alimentar de milhares de camponeses se não houver uma alteração significativa das condições actuais.
Para alem de olharmos para as causas da estiagem em certas zonas do país e a prevenção das suas eventuais consequências é importante olhar para as formas de se ultrapassar as notáveis consequências que a falta de chuvas trouxe para a vida dos angolanos.
Mas ressaltemos, que nas últimas horas em algumas localidades a chuva deu o ar da sua graça……

LUANDA

Luanda comemorou mais um aniversário. A capital está cada vez mais velha, percorrendo agora os seus 432 anos de existência, desde que o explorador português Paulo Dias de Novais a baptizou de São Paulo de Loanda.
No seu aniversario, dirigido a uma reflexão séria sobre a sua existência, os discursos oficiais e a voz popular, mais uma vez coincidiram, urge a necessidade de se pensar e implementar um " plano director condigno" para a modernização urbana da cidade, preservando, também o valor arquitectónico que alguns edifícios, especialmente na baixa, conservam.

Em que pé anda o plano de requalificação urbana de municípios, como o Sambizanga, que é marcado por musseques, alguns dos quais com mais de trinta anos de existência. Tal como no resto de Luanda, em alguns casos se vê o musseque, do bairro, e imponentes residências a beira-mar que custam milhares e milhares de dólares, construídas em betão, afectando o ambiente, alterando o eco sistema marinho nas praias, especialmente a sul de Luanda.
É desejoso observar uma cidade em condições, melhor para se viver, com arruamentos definidos, espaços verdes e de lazer junto das habitações, onde o trânsito caótico seja desafogado, por vias alternativas, sem sarjetas ou amontoados de lixo a impedirem a livre movimentação de pessoas e meios.
Mas a realidade é outra. No consolado do ora exonerado governador Job Capapinha, nunca se viram tantas demolições! O combate ao lixo foi uma das suas batalhas. A ideia de dar condições condignas a população não passou de promessa e a batalha visivelmente não foi vencida. Capapinha deixa a gestão de Luanda quase igual a que a encontrou, ou, talvez, ligeiramente mais degradada.
Será que com uma governadora interina e uma espécie de reforçada comissão de gestão para esta estratégica província e lançado um sinal de esperança renovada para os seus habitantes? Será uma comissão ou gabinete de intervenção a estrutura acertada para gerir Luanda?
No recente aniversário de Luanda, passou também pela cabeça das pessoas as constantes demolições, sendo que as famílias realojadas nem sempre encontram condições condignas para viver nas zonas de acolhimento.
Foi assim com o pessoal retirado da Chicala, que localizados agora algures por Viana e Kilamba Kiaxi, vivem dias negros. Sem luz, sem escolas muitas vezes próximas para as crianças, sem acesso rápido á saúde pública, resta a essas famílias uma espécie de " clamor no deserto " da difícil vida por que passam.
Áreas como Kambamba I e II, Bonde Xape, Iraque, Nova Vida, zona verde e kms trinta ou 44 em Viana entre outras, passam sempre nos noticiários das rádios privadas e na boca dos populares, pois há muito entraram para o complicado "mapa" das demolições em Luanda.
Recentemente foi na zona da Boavista, numa acção que resultou num incidente em que militares da Unidade de Guarda Presidencial, mandatados para o local, recorreram as suas armas para reter, mais uma vez, jornalistas da Ecclesia que por sua vez foram ao terreno ouvir os clamores dos populares, que viram os seus " casebres " deitados abaixo. Se por um lado, há a necessidade de se modernizar a cidade, por outro lado, como está a ser feito realojamento das famílias. O que dizer das condições de acolhimento em áreas remotas como Panguila e Zango.

Como levar a essas zonas condições básicas para o cidadão viver. Daqui para a frente, as expropriações por interesse público serão seguidas de indemnizações justas ou realojamentos em condições.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Jornalistas made in Angola ou nem por isso? Interessante....

Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.

Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Recupero o texto da "lavra" de Orlando Castro que, entre os maiores, é seguramente o melhor bloguista, pois se recusa a curvar a coluna vertebral perante a vassalagem aos poderes reais dos tempos que correm.

KAPUSCINSKI, o livro

Recomenda-se um livro como este para ler, pois, entender Angola é sentir o pulsar de um povo sofredor, mas que sorri, apesar dos dias negros por que passa.

UM ANO DEPOIS, RECORDO KAPUSCINSKI

Kapuscinski, um estranho polaco que contou África como poucos.
Ryszard Kapuscinski escreveu coisas espantosas sobre os africanos, durante décadas.

Correu o continente de lés a lés, sempre atrás das revoluções, golpes de estado e guerras sem fim. Escrevia notícias e escrevia livros. Os relatos de Kapuscinski levaram-me para o jornalismo e, talvez, para África.

A notícia da sua morte só podia recebê-la de outro africano, realmente. Todos nós, africanos, acabamos de perder alguém que admirávamos.

Durante décadas, Kapuscinski escreveu sobre o que viu e sentiu: a exaltação das independências africanas, a esperança no futuro, as desilusões, a amargura das guerras, o tribalismo e o racismo de que os africanos são vítimas e prevaricadores.
Contava histórias de gente simples, do quotidiano das aldeias, de “uma África que não existe”, tal como ele disse.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

Serve isto para dizer, os detractores de todos os dias, que a caminhada do SERRA DA CHELA vai continuar, mesmo com os narizes torcidos de quem se julga dono da coutada que se transformou a minha tão amada Huíla.

Esses, mensageiros de mau agoiro, fecham ficam á porta, para que não se saiba das consequências das acções dos supostos mentores. De mentores não têm nada, apenas a sorte de ainda não caírem arvore abaixo.

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

O compromisso, mesmo subjectivo, em levar á minha amada Huíla ao conhecimento do mundo, continua aqui vincado.

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO;
Muitos seguem, enquanto outros ficam electrificados mentalmente na escuridão do momento. Muitos, profundamente lamentam as amarras em que estão subjugados, mas preferem a escuridão do que a luz da liberdade. Vamos acender, pelo menos, uma vela, do que andarmos todos os dias maldizendo a escuridão de todos os dias.
MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

Associação dos amigos e naturais da Huíla?

Três jovens huilanos, hoje, díspares nas suas opções de vida, criaram uma oportunidade de estabelecer uma amena cavaqueira.

Os “ três dedos de conversa” que trocamos, “povoados” com um leitão à Bairrada, tiveram o condão que estabelecer a conveniência de um momento a ser repetido quando os dias nos lançarem essas oportunidades.

Apesar de uma fuga, diga-se, de frente, ficou a idade de estabelecermos uma espécie de lugar comum de encontro de huilanos em Luanda, de forma a diversificar as ideias e um dia, quem sabe, criar uma comissão instaladora dos jovens huilanos na grande “ diáspora” de São Paulo de Loanda.

Uma nova dimensão

Olhar para as dimensões da nossa vida, volta e meia, leva-nos para discussão sobre o contexto geral da existência humana, dos projectos, das oportunidades e do olhar para um futuro que se quer risonho.

A nova dimensão, ou a dimensão nova, do contexto que vivemos remete-nos sempre ao passado. Um olhar é imposto ao passado.

Longe das críticas a uma caminhada, deve-se sempre ( diga-se ) falar sobre o que fomos, o que somos e as apostas para o passado.

sábado, janeiro 19, 2008

DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO CIVIL. QUE MEDIDAS DEVEM SER ACCIONADAS PARA A ENTREGA OU RECOLHA DAS ARMAS;

Não existem estatísticas fiáveis sobre o número de armas na posse de cidadãos civis. A única certeza é que Angola deverá ser o país em que mais armas estão fora do controlo da polícia e das forças armadas Angolanas.
16 anos depois da realização das primeiras eleições, eis que o assunto começa a ser abordado com alguma intensidade. O país precisa se reconciliar e encontrar uma saída para as milhares de armas que estão nas mãos de pessoas, que algumas vezes se manifestam com alguma irresponsabilidade.
Num sinal preocupante, ouvimos quase que diariamente, pelos informes da polícia, as mortes provocadas por disparos de armas de fogo, na maior parte dos casos em zonas periféricas, ou então, devido aos assaltas a mão armada que se registam nas principais cidades do país.

Nesta etapa crucial da nossa história, em que se necessita a realização de eleições sem violência, a quem cabe a reorganização da sociedade, para que haja mais segurança entre a população? Como voltar a depositar confiança nos cidadãos que esperam viver num país que seja de paz e de harmonia?
Recentemente, uma alta patente das Forças Armadas Angolanas considerou quea Polícia Nacional e as Forças Armadas de Angola vão iniciar um programa de recolha de armamento de guerra na posse de civis e de empresas de segurança.
A operação de recolha ainda não tem prazos mas surge na sequência de um claro alerta do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na sua mensagem de fim de ano, em que exortou a polícia ser o garante da tranquilidade na campanha eleitoral das legislativas previstas para 5 e 6 de Setembro próximo.Sem dúvidas que se trata de um exercício importante.
Mas como fazer esta recolha? Através de métodos compulsivos? Seguindo padrões já existentes em países que viveram situações semelhantes? Para muitos dos angolanos que se refugiam na força das armas como defesa da delinquência, que mensagem deve ser passada.

Cultura

A assunção da nossa forma de ser, como povo bantu, africano e com características históricas e étnicas próprias volta a ser referencia.
Na percepção individual ou colectiva da identidade, a cultura exerce um papel principal para delimitar as diversas personalidades, os padrões de conduta e ainda as características próprias de cada grupo humano.O ser humano comum, imerso em sua própria cultura, tende a encarar seus padrões culturais como os mais racionais e mais ajustados a uma boa vida.
Sem embarcarmos no capítulo académico do tema, devemos dizer que, o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Sintetizando, simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença.
Em sociologia não existem culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural, isto é a cultura do Brasil não é igual à cultura angolana, por exemplo: diferem na maneira de se vestirem, na maneira de agirem, têm crenças, valores e normas diferentes... Entende-se que o que permite uma percepção cultural mais intensa é o contacto com outras culturas.
Angola e o mundo assumem-se cada vez mais como estando a trilhar os caminhos da globalização. O país caminha naquele que se convencionou chamar “ Aldeia global”, em que apesar de alguns pontos mantidos sem influência de terceiros, a grande maioria alinha nos ditames de vários países.
A televisão, pela sua força atractiva, é tida como um dos meios mais importantes para a importação de hábitos culturais alheios ao ser Angola. Contudo temos a musica e a sua influência como outra forma de invasão cultural. As formas actuais de falar, de vestir e de nos mostrar á sociedade não serão uma influência de outras culturas?
Será o sistema de ensino suficientemente bem dotado para travar a invasão na juventude, do brasileirismo, do americanismo e outras tendências actuais culturais?
O que pensar da tese dos africanistas, segundo as quais deve-se ter mais afinidade com as línguas bantu, nas escolas por exemplo, ao invés de se ministrar em grandes doses a influência para com outras línguas, outras formas de ser? Como ficam os angolanos na sua inserção no mundo?

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Lubango, o picadeiro.

Um ângulo da Rua ex. Pinheiro Chagas, picadeiro.

Can sem Mantorras

Desta vez Oliveira Gonçalves não chamou o Mantorras, que para nós do Benfica" resolve". O Pedro Manuel fica de fora do Can 2008, que arranca dentro de dias . Que razões? Mas que merecia, merecia....
Se até o Camacho está nessa.... Gostaria de ver o Mantorras no Gana.

MINHA AMADA ANGOLA

Um passo, um regresso.
As ideias fluem, mas a grandiosidade dos mecanismos locais são tremendamente enraizados que os caminhos surgem torpes, profundamente espinhosos.
Mesmo na procura do sucesso, como mandam os cânones da arte do bem informar (sendo 'bem' sinónimo de brio, ética e dar voz aos que bradam errantes á procura do seu eu e pão) e a opulência urdida a coberto de noites secretas em cabalas draconianas, de preferência regadas com os "néctares" de Baco.
Uns vão á cadeia pela verdade. Outros ficam fora das grades pela mentira. “ É a lógica da vida” dizem alguns. Outros, digo eu, olham para os sinais dos tempos. Angola é a minha amada.

P.S: Para o SC, um abraço. Este é um artigo descrito na série “ Escritos do nada”. Pensamentos errantes, na escolha de palavras normais, mesmo na anormalidade dos tempos. Pois a alma é cerrada de sentimentos contraditórios, mas pela língua e dedos á fora, urge lança-los como os nossos escritos.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Maputo

Foto tirada pelo autor na deslocação á Ilha de Catembe. Ao fundo ao Prédio de 33 andares, depois da marginal de Maputo. Grande terra!

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Angola e o jornalista

Uma das mais gratas oportunidades profissionais, para mim, é abandonar por uns tempos a redacção, local do labor de todos os dias e, diga-se, dos dias todos.

"Ir para fora cá dentro, poeira nos olhos e cabelos ao vento". Ser enviado á Angola profunda, aquela que fica longe dos olhares de Luanda, mas com uma palavra a dizer sobre o país real.
Nessas ocasiões, só ou em equipa o sentido profissional, para mim, sobe.
A alegria de ser profissional, contribuir mas para o direito á informação surge como um sinal mais para dar a este povo um direito fundamental, mas manietado pelos interesses de quem manipula e baralha as " cartas da vida" para (não) fazer de Angola, um país.
( imagem tirada em meados do ano passado no Dundo - Lunda Norte )

terça-feira, janeiro 08, 2008

Wind of change?

Volta e meia, um passo. No regresso á pressão, dois a retaguarda. Caminhos torpes, dos modernos tempos intemperados.

Loucura da velocidade dos dias, dificuldades para conter os mensageiros da desgraça! Quais abutres famintos, sempre na confusão de todos os dias e dos dias todos.

Como diria o "bloguista" de primeira hora, é sempre a confusão entre " a estrada da beira e a beira da estrada". Vale por isso tentar sem fugir e olhar para os que fogem, sem antes mesmo, tentarem.
São os escritos do nada.
PS: Entendi o recado ...

Angola e os "bloguistas"

" Ser fiel aos seus pensamentos é uma posição nobre para quem assume as suas obrigações ".

Conforme disse, em tempos um articulista, " compreendo, no entanto, que muitos dos meus colegas sejam voluntariamente obrigados a não cuspir no prato que todos os dias os alimenta.
Poderiam contudo, digo eu, deixar trabalhar todos aqueles que quando aplaudem não têm medo de cair da árvore".

Esta é a posição de alguns....
A minha, é dar o rosto e olhar para todos. Mesmo para o covarde desconhecido que se esconde na carapuça da escuridão para lançar "farpas" á quem de cabeça erguida assume os seus pensamentos, mesmo com limitações de varias ordem.

sábado, janeiro 05, 2008

Moçambique: A maravilha das cascatas de Namaacha.

Foto tirada no ano passado, em Moçambique, no decurso de um curso sobre jornalismo

Abre a Rádio Lubango. A Transmundial fica de fora?

Ponto Prévio: Este texto foi publicado pela primeira vez em Dezembro de 2006.
Mais de um ano depois há o anuncio da administração do Lubango (porque a administração?) em como pelo menos uma destas rádios já tem meio caminho andado para a sua abertura. A Rádio Transmundial, apesar de ter também equipamentos fica de fora.
A bem da democracia que ( a Rádio Lubango) seja uma estação livre, sem as “ amarras” de quem dirige a província.
“ Duas novas rádios privadas prontas a emitir em frequência modulada na cidade do Lubango aguardam pelas respectivas licenças para começarem com a actividade de radiodifusão na província da Huíla. Trata-se das rádios Chela e Transmundial.

A Multipress apurou que a primeira será de cunho comercial, enquanto a segunda estará virada para a vertente religiosa, uma vez pertencer às igrejas evangélicas sem afastar, entretanto, o lado informativo.
Tudo quanto foi possível apurar, as respectivas rádios já dispõe de instalações e estúdios para a emissão, faltando apenas a autorização necessária dos órgãos competentes.
O responsável pela instalação da Rádio Transmundial no Lubango, reverendo Dinis Marcolino, disse acreditar não serem motivações políticas que estarão por detrás do impedimento na abertura de mais rádios.
Para ele, existirá vontade política de quem dirige para o surgimento de mais rádios e estações televisivas, mas o excesso de burocracia que se assiste no país e os aspectos complementares à nova Lei de Imprensa, afiguram-se como os principais obstáculos.
O reverendo Dinis Marcolino advoga que já é tempo de Angola abrir-se mais para a diversidade de informação e cita como exemplo a República Democrática do Congo que nesse capítulo, apesar das conturbações políticas que tem vivido, deu passos importantes.
Na Huíla funcionam apenas duas rádios a emissora local da Rádio Nacional de Angola e a Rádio 2000, instituições que segundo algumas vozes críticas da região, se mostram incapazes de responder às necessidades de informação que se exige cada vez mais isenta e transparente de qualquer interesse político."

BLOGGUISMO ANGOLANO: AMADORISMO OU JORNALISMO?

" Consultando o blogguer encontramos cerca de 1200 blogs domiciliados em Angola, de angolanos no estrangeiro e doutros que se apresentam como tal.
Vasculhados um a um notamos que o número não é tão grande assim. E se procurarmos por nomes conhecidos vemos que são pouquíssimos os detentores de páginas na web. Raríssimos ainda aqueles que escrevem coisas.
O movimento bloggista que na Europa e América até estremece as vendas de grandes jornais, dado o seu carácter digital, rápido e sem preço (há os que já publicitam), é em Angola algo muito novo.
O Cibernauta atento encontra páginas como a do Manuel Vieira, que escreve o www.serradachela.blogspot.com, onde se publica um pouco de tudo, como sejam, ensaios, actualidade informativa, reflexões, etc.Temos as páginas do Soberano Canhanga www.olhoatento.blogspot.com, onde escreve a título de exemplo
NUVEM DE ESTRELAS
Por "compaixão" da Manú, cansada, talvez, de me ver a vegetar pelos corredores do alojamento , fui ao Luari (5/08/07) para a primeira edição em Saurimo da "Nuvem de estrelas". Com certeza que o nome é muito mais atraente. "Chuva de estrelas", concurso cujo vencedor tem direito à participação noutro concurso de índole nacional, organizado pela LAC e TPA. Matias Damasio, Yolas, Beto Dias, Bruna Tatiana Lawilka, entre outros nomes da nossa e doutras praças musicais foram bem ou mal imitados. Casada com a feia esteve a moda cujo destaque foi mesmo a passagem de uma menorzinha nos seus 6 anos" Publicado em www.olhoatento.blogspot .com ou
www.mesumajikuka.blogspot.com.

Nota: Pois é, a humildade manda dizer apenas, um obrigado pela “ força”, caro companheiro ( das lides jornalísticas e do bloguismo). Nota-se, compreendo por isso este ensaio do companheiro Soberano, que o universo dos bloguistas ainda é diminuto em Angola.

Numa terra onde as amarras de quem manda, volta e meia, actuam na firme ideia de formatar os pensamentos dos seres que deviam ser livres. O acesso rápido á Internet é outro constrangimento.
Divulgar ideias através deste meio ainda é uma experiência nova, até mesmo para alguns ditos “fazedores de opinião”. Acredito que dentro de alguns anos o cenário mude e nos equiparemos a outras paragens.
Nós na Serra da Chela vamos continuar, mesmo se estivermos a clamar no deserto...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Rádio Lubango

A administração municipal do Lubango vai criar em 2008 uma rádio comercial em cuja gestão do empreendimento estará entregue as próprias autoridades administrativas da cidade capital da província da Huíla, anunciou no Lubango o administrador municipal.

Vigílio Tyova, que falava por ocasião dos cumprimentos de fim de ano, anunciou ainda como medidas que visam a injecção de nova dinâmica na estrutura de funcionamento do município em 2008, algumas mexidas na estrutura governativa do Lubango, fazendo recurso ao novo estatuto da cidade já publicado em Diário da República.
Referindo-se à abertura no próximo ano daquela que se irá designar Rádio Lubango, o administrador municipal, disse encontrar-se já na cidade todo o equipamento de suporte da emissora estando em curso a criação das respectivas instalações. «Também ainda no próximo ano teremos portanto a inauguração de uma rádio cidade designada Rádio Lubango para a qual estamos a preparar as instalações pois os equipamentos já estão disponibilizados pelo Ministério da Comunicação Social».

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Luanda

A cidade dos contrastes da vida. Da opulência e da miséria. È Luanda nos dias de hoje, em que milhões vivem na esperança e outros vivem na esperança de mais milhões para engordar os abarrotados cofres, quais o homens que acumulam o capital primitivamente.
Que venha 2008....

Feliz ano novo !!!

Muita saúde, muita paz, muito coração e claro.... algum dinheiro. Feliz ano novo

segunda-feira, dezembro 17, 2007

MCK de regresso!

O rapper angolano de intervenção social, MCK, abriu uma campanha de solidariedade para com os moradores de rua de Benguela, vítimas de abuso do poder.
A manifestação organizada por um grupo de jovens de rua do Lobito, com o apoio do projecto Omunga, visa chamar a atenção das autoridades ao nível local e nacional, sobre a necessidade de definição de políticas concretas para a inserção social das pessoas viventes na rua.
O coordenador do projecto Omunga, José Patrocínio, disse à Voz da América que na rua existe uma multidão composta por crianças, jovens, antigos combatentes entre outros que clamam por um espaço de reintegração social e que são um produto da inexistência de políticas locais para a solução da pobreza.

COMUNICAÇÃO SOCIAL ANGOLANA ENTRE ESPERANÇAS E TEMORES

Os meios que temos estão muito aquém de dar uma resposta satisfatória aos cidadãos sobre o direito a informação consagrada por lei no nosso país. Os jornais privados no país datam pouco mais de uma década e servem apenas Luanda e ainda assim com grande sacrifício.

Como se não bastasse, a maioria dos angolanos é analfabeta, segundo dados estatísticos recentes. Uns não compram jornal porque não sabem ler, outros não o fazem porque custa muito caro preferindo guardar o cem kz para o pão nosso de cada dia e o copo que muitos não dispensam.

A televisão é vista por poucos no país, primeiro devido ao factor pobreza da maioria que vê no aparelho de TV um bem para ricos. Outros chegam a comprá-lo, porém tem pouco proveito porque os consequentes cortes de energia frustra a vida, outros ainda porque o momento em que deveriam acompanhar algum programa informativo logo de manhã a televisão não apresenta nada porque só abre mais tarde.
Por causa de tudo isso, a rádio lidera os meios de comunicação e tanto cegos como iletrados conseguem acompanhar o desenvolvimento da vida do país, caso o cidadão se encontre numa capital provincial. O mesmo já não se pode dizer para o caso dos angolanos das zonas do interior, onde apelos a consolidação da paz ou chegarão distorcidos ou então numa única vertente. Que fazer no sentido de se reverter este quadro?
Frei JP, Luanda

Tundavala, na banda

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Um tributo ao Custódio “ Santa Rita”

Um jornalista abnegado. Afazeres mil, para alma empolgada no pulsar da noticia. Na crónica redigida num imaginário lançado a dois tempos.

O “Santa” dos pseudónimos mil, para distrair os abutres que (ainda) mostram as garras afinadas, o cronista de primeira linha, o amigo dos tempos que o tempo não apaga. Desde as famosas e pomposas formas de “ quebrar” o stress, aos diálogos intermináveis apimentados com as memorias que ficaram por se publicar.
Amigo, a morte é trágica. Roubou-te quanto ainda tinhas mais um projecto. As minhas linhas são poucas para descrever a grandeza da tua alma que jornalismo moldou, mas não tolheu. Aguçou, mas te manteve firme no ideal de uma informação plural, arejada e que tivesse o interior mais espaço nos grandes meios cá do sítio.
Um ode ao jornalista Víctor Custodio falecido recentemente em Luanda.....
FOTO: Santa Rita está em primeiro plano, o mais velho do conjunto.

Leba: Entre a maravilha da natureza e a criatividade do homem!

Serra da Leba, entre o Lubango e o Namibe. A estrada serpenteia por entre a montanha e rios!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Rádio Ecclesia apaga mais uma vela

Escreveu a Voz da America em www.multipress.info
Sob o signo da confiança a Rádio Ecclésia comemora este sábado 52 anos da sua existência. Apesar de todos os constrangimentos impostos pela actual conjuntura do país, a Emissora Católica de Angola afirma-se disposta a enfrentar os desafios do futuro, pautando por um jornalismo responsável e moderno.
O editor nacional da Ecclésia, Manuel Vieira, afirmou que o aniversário daquela emissora de rádio está a ser marcado por uma reflexão sobre o jornalismo em tempo de eleições.
«Isto porque no próximo ano os jornalistas em particular e a sociedade no geral serão confrontados com o desafio da realização de eleições legislativas. Daí que a Rádio Ecclésia com o seu pessoal e com os seus convidados pretender reflectir sobre quais devem ser as normas de actuação dos jornalistas. No último processo eleitoral de 1992 os jornalistas contribuíram para a realização das eleições e para aquele cenário que se viveu. Daí que é desejo nosso fazer um jornalismo claro, plural e acima de tudo harmonioso.»
Por imperativos legais, a Emissora Católica não está permitida a emitir em ondas curtas como acontecia até à década de setenta.
Manuel Vieira remete a solução do problema às autoridades de direito, mas sustenta que com os meios disponíveis será possível evidenciar a marca da democracia informativa, para além da evangelização que constitui o objectivo supremo.
A primeira emissão da Rádio Ecclésia foi para o ar a 8 de Dezembro de 1955. Suspensa em 1978, a Emissora Católica de Angola foi reaberta em Março de 1997 com a permissão de emitir apenas em frequência modulada.