quarta-feira, março 19, 2008

Rádio Ecclesia, uma rádio de confiança

Publico a nota da redacção Ecclesia pelos 11 anos da "segunda vida" da Emissora da igreja catolica em Angola assinalados neste dia 19 de Março:

" 11 Anos depois, o caminho editorial e a missão social desta estação, pontos definidos pela conferência episcopal de Angola e São Tomé continuam a nortear a acção e função dos jornalistas e colaboradores da emissora católica de Angola.

Depois de um intenso trabalho de pressão e negociação, a Radio Ecclesia ressurgia num dia como este para dar voz aos que não têm voz, cumprir com a sua missão de evangelização e marcar um ponto de viragem na forma de fazer comunicação social, até então em vigor, salvo algumas diferenças.
Reza a história que a Rádio Ecclesia foi extinta oficialmente a 24 de Janeiro de 1978, por ordem do poder popular, o regime de partido único da altura. Os seus bens, emissores e outros meios eram confiscados pelo estado. Na altura toda angola acompanhava a emissão desta rádio.
11 anos depois, olhamos com orgulho para os ganhos da sociedade angolana, em mudança constante com os seus conhecidos desafios.
11 anos depois, olhamos para as dificuldades com serenidade, vemos as oportunidades com fundamentais para manter acesa a "chama" de confiança, e nos desafios do país as melhores formas de ajudar angola a ser, de facto, um país bom para se viver. Mantemos a nossa fé na extensão do sinal da Rádio Ecclesia para o interior, tão aguardada pelos angolanos amantes da diversidade de informação.
11 anos depois, a radio Ecclesia, como emissora católica de Angola renova o seu compromisso com a verdade, a justiça social e a harmonia.
O desafio da cobertura eleitoral, o acompanhamento da mudança constante dos fenómenos sociais em Angola e no mundo, a solidariedade e o conforto para com os “que não têm voz”, o respeito e compreensão de todos os angolanos continuam a ser compromissos.
Reafirmamos, 11 anos depois de voltarmos a comunicar e a dar voz a todos os angolanos, o nosso compromisso no mosaico social angolano. Saudamos em primeiro lugar os fieis ouvintes da radio de confiança e quem está ou esteve directa ou indirectamente no erguer diário das emissões da Rádio Ecclesia".

segunda-feira, março 17, 2008

QUE PROGRAMAS PROPÕEM OS PARTIDOS POLÍTICOS PARA ANGOLA QUANDO SE APELA AO VOTO DE QUALIDADE?

Da qualidade do voto depende a escolha, a nível central e local, dos órgãos do estado, de pessoas, partidos e programas melhor indicados para a boa governação, a realização da justiça e a consolidação da paz e da autêntica reconciliação nacional. Este extracto faz parte da mensagem Pastoral dos Bispos da CEAST. Em face desta apresentação.

Está na agenda politica do país, a realização das eleições legislativas em Setembro próximo. O país como se diz, está a aquecer. Os partidos políticos aquecem os seus “motores” afim de conquistarem o eleitorado. Do outro lado estão os cidadãos, os contribuintes, os eleitores. Que mensagem tem estado a passar para estes? Com a actual situação Sócio Económica no país, onde sinais de descontentamento pairam no ar, quais são as propostas dos políticos para o povo?
Na nova Angola que está a nascer, fala-se de esperança e bem-estar. Mas também se fala de falta de atenção para com os principais problemas que a população atravessa. As pessoas pretendem equilibrar as suas vidas, querem confiar mais nos políticos, cuja imagem nos tempos que correm parece desgastada; buscam um amanhã, onde haja oportunidades para todos, onde haja trabalho e salário justo para sustentarem as suas famílias.
Na sua última mensagem pastoral, dizem os Bispos, que para votar de forma consciente e responsável, os eleitores têm o direito de conhecer as pessoas e sobretudo os programas de governação dos partidos políticos que se candidatam às eleições. Não deixa de ser um ponto importante para o futuro. Mas em que canais os angolanos podem conhecer os seus candidatos e os seus programas?
Terão apenas que aguardar pelo tempo de antena no momento de campanha? Que tipo de discussão pode ser feita neste momento?
Os meios de comunicação, são incontornáveis no momento. Necessita-se de uma informação diversificada, plural e suficiente. Dizem os bispos na carta pastoral que a sociedade tem o direito a uma informação fundada sobre a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade e que promova o bem comum, servindo todos os sectores da sociedade.
O medo de perder ensombra o céu dos políticos. Perder o poder, perder as mordomias e outros privilégios não faz parte da agenda de muitos políticos. Diz-se que o projecto do país ainda está em construção.
É sabido que quem ganha, quer tudo, pior ainda, humilha os vencidos e muitas vezes não respeita os seus programas. Nesta viragem de página, que esperar dos partidos políticos, assustadoramente numerosos em Angola?
JP

sábado, março 15, 2008

O passado...

Senhora do Monte. Sim!

O local da aventura, da graça e da descoberta .....

Luto no Lubango, mais um ícone partiu...

O empresário Fernando Borges, um dos maiores empreendedores do ramo agro-pecuário em Angola, morreu quinta-feira, na cidade do Lubango, província da Huíla, vítima de doença.
Fernando Borges, que faleceu no hospital Cristo Rei, no Lubango, com mais de 80 anos de idade, foi membro fundador da Associação agro-pecuária, Comercial e Industrial da Huíla e proprietário das fábricas de leite e das águas da Chela.
Em declarações à imprensa o presidente da Associação Industrial Angolana, José Severino, lamentou a morte e considerou como uma perda irreparável.

CÓDIGO DE CONDUTA ELEITORAL: COMO PASSAR DA TEORIA A PRÁTICA?

A maior parte dos angolanos está a pensar seriamente na realização condigna das eleições em Angola este ano de 2008. todas as pessoas, esperam que o pleito para escolha do parlamento venha a ser seguro e sem ameaças. Tranquilo e digno dos cidadãos que pretendem votar.

Entretanto surgem no caminho alguns receios. Os cidadãos pretendem que os políticos façam a sua parte e que não incendeiem as mentes de quem estará a receber as mensagens para votar.

O código de Conduta Eleitoral tem por finalidade regular os procedimentos a serem adoptados na altura da campanha eleitoral para que se possa coibir os candidatos a manipularem a seu bel prazer as mentes dos eleitores.
Cá entre nós, o presente código de conduta eleitoral estabelece os princípios e as regras de conduta dos agentes eleitorais. Sendo assim os agentes eleitorais devem observar os princípios de respeito pela diferença, liberdade de escolha, direito de reunião e manifestação, legalidade, tranquilidade, imparcialidade, transparência, isenção, civismo e responsabilidade.

Esses são detalhes que resguardam a realização de eleições livres e justas. Sendo assim, o que é que tem sido feito para salvaguardar tais valores na sociedade actual? O que é que os agentes têm feito para a divulgação do código de conduta eleitoral?

Na recém terminada Assembleia dos Bispos de Angola, os prelados foram peremptórios em tratar da questão das eleições com muita responsabilidade, pedindo o que chamaram o voto de qualidade, pedindo igualmente a necessidade de haver muito mais informação para o interior de Angola.

No código angolano, pede-se a garantia Constitucional e legal de liberdade e respeito do direito dos cidadãos. Será que são respeitados? Solicita-se um ambiente conducente a realização de eleições livres, justas, transparentes, pacíficas e democráticas. O que é que está a ser feito para criar tal Clima?
Pede-se a existência de cadernos eleitorais actualizados e acessíveis aos eleitores, na divulgação oportuna da data das eleições, financiamento transparente e com base nos limites estabelecidos por lei, a localização de Assembleias de voto em espaços neutros e tantos outros.

O nosso objectivo é buscar contribuições, para que se encontrem vários caminhos para os angolanos desfrutarem das eleições de maneira sadia e sem problemas. É ou não necessária a divulgação diária do código de Conduta eleitoral?
JPINTO

Á LUZ DAS CONQUISTAS DO DESPORTO: COMO INCENTIVAR E VALORIZAR TÉCNICOS NACIONAIS E OS PRATICANTES DE VARIAS MODALIDADES?

O desporto, tal como outras áreas da vida nacional, tem trazido aos angolanos aquilo que muitos músicos optaram por chamar de “ pintar com as cores brancas da paz” os caminhos do desenvolvimento de Angola. O país “despiu” a guerra para “vestir “ a paz, e o desporto, também, acompanha esta nova marcha.

Gente com têmpera, com sentimentos nacionais acima de tudo vão ás quadras, aos estádios e os ringues lutar com a força física, a técnica e a táctica para engrandecer o nome deste admirável país.

Se por um lado, há o desenvolvimento nos últimos tempos do desporto nacional com sucessos atrás de sucessos a valorização dos homens e mulheres que trabalham para estes feitos vem ao de cima.

É ponto assente que os técnicos nacionais e os praticamente das varias modalidades, necessitam de incentivos, ao mais alto nível e mesmo nas bases de apoio directo, clubes e federações. Como tem sido este apoio?

Falar de apoios aos quadros desportivos nacionais parece recorrente, pois num passado recente esteve em alta na imprensa questões como as disparidades salariais entre nacionais e estrangeiros especialmente nos ramos petrolífero e diamantífero.
Os estrangeiros, segundo as informações, levavam para casa e para os seus países milhares e milhares de dólares ano, quando os nacionais (muitas vezes com experiência e competência comprovadas) se contentam com migalhas salariais. Muita gente, não se coibia em dizer que os estrangeiros quando franqueavam as portas de Angola tinham a certeza de que a riqueza estava a vista. Será o mesmo para o desporto?

No andebol, um técnico angolano trouxe recentemente alegria. No futebol, os feitos são por demais conhecidos: Oliveira Gonçalves foi alvo de muitas manifestações de apoio depois da passagem de Angola aos quartos de final do último CAN.

O técnico angolano foi o primeiro a levar os sub 20 ao mundial realizado no sul de América há alguns anos. No basquetebol o trabalho de continuidade faz de Angola o papão em África.

Mas, são os homens e mulheres do desporto suficientemente acarinhados e valorizados?

Sem descorar o apoio de quadros estrangeiros urge a necessidade de se olhar os fazedores do nosso desporto. Tem o estado em vista, por exemplo a constituição de um fundo de reforma para os atletas? O que se faz com os jogadores que terminam de maneira abrupta as suas carreiras devido a lesões, por exemplo?
Entre os escalões de formação e a alta competição: tem havido preocupação para a formação das bases que poderão garantir mais qualidade as varias modalidades?

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Anos!

O dia de anos! O olhar ao passado, mas firme nos dias todos e todos os dias. Que nunca passe pela cabeça confundir "a estrada da beira com a beira da estrada" como diria o bloguista de primeira hora.
Um dia, mais um ano. Um ponto, um marco. Um desejo, um passo. E a festa rija...

sábado, fevereiro 09, 2008

O meu Lubango, pois claro!

Normalmente é incondicional o nosso amor a terra que nos viu nascer. talvez por isso, e as vezes remando contra a maré da vida, procuramos saber de tudo e de todos que se referem, bem ou mal, ao tal local de nascença.
Pode parecer tardio, mais é com essa, rápida, justificação que declaro que neste blog a Huíla, terra linda, terá sempre um lugar. Vamos, neste espaço, cogitar, reflectir, questionar, procurar obter mais informação ou noticias sobre esta província do sul do país, que dá pelo nome de Huíla.
A Huíla, com os seus 14 municípios um sem numero de comunas e centenas de povoações remotas e escondidas.

A Huíla, com os seus encantos - que bem aproveitamos para conhecer e apreciar- as suas desgraças, os seus mitos, as tradições e a governação. Um espaço de intervenção, quiçá debate sobre os " huilanos de gema".

Um espaço de homenagem à aqueles que com o seu vigor, as suas ideias, longe do compadrio, erguem a Huíla e lutam todos os dias para que seja um bom lugar para se viver.

Intervenha, pois a Huíla, o Lubango e não só, precisa de nós.

Tundavala,mais uma vez!

Angola, Tundavala!
É como voar sem tirar os pés do chão. É uma vertigem e uma emoção. É esmagador, mete medo. É o fim do Mundo. Para se chegar ao abismo da Tundavala, é preciso fazer cerca de 15 quilómetros por estradas de terra batida desde a cidade do Lubango. Acho que não há quem não os faça. Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa.
Só lá estive uma vez, em 1986. Fui ao Lubango com o Paulo Dentinho. Lá fizemos parte de três episódios da série “Os Que Não Voltaram”, que a RTP exibiu no ano seguinte, se a memória não me falha. Naquele tempo, viajar em Angola era uma aventura. A guerra retalhou o país e viajava-se como se Angola fosse um arquipélago. Cada cidade, uma ilha.
Para ir de ilha em ilha, só de avião ou integrado em colunas militares. Essa viagem foi feita, como já antes expliquei aqui, sob escuta e escolta de diligentes funcionários públicos angolanos. De modo que, quando fomos levados à Tundavala por um dos portugueses que viviam no Lubango (um dos tais que não voltaram), ele chamou-nos a atenção, disfarçadamente, para o chão.
Era um terreno arenoso, de areia clara. Enterrou a biqueira do sapato e, lentamente, trouxe à superfície uma cápsula de bala de kalashnikov. Durante o resto do tempo que passámos ali, eu e o Paulo dedicámo-nos a desenterrar mais cápsulas, disfarçadamente. Eram muitas. Eram a evidência dos fuzilamentos que se fizeram ali, à beira daquele precipício. Já nos tinham dito que, lá em baixo, no fundo da ravina com mais de mil metros, estavam muitos corpos de vítimas da violência política. Tínhamos duvidado mas, a partir daquele dia, passámos a acreditar.
Por Carlos Narciso

Seca em Angola

A Seca afecta Benguela, Huíla, Namibe, Kwanza-Sul, Cunene e Kuando Kubango. Há notícias de que a O Uige também vê as culturas de mandioca afectadas. As actuais colheitas estão integralmente, ou quase, comprometidas.

Essas noticias, divulgadas nas ultimas semanas pela imprensa nacional, levaram os cidadãos á reflexão sobre a segurança alimentar em Angola, á prática da agricultura de subsistência – base da sobrevivência rural em Angola – as formas de melhorar a vida no campo e consequentemente a alimentação dos milhões de populares que vivem fora dos centros urbanos, em princípio, e depois abastecer as cidades.

A estiagem teve os primeiros sinais lançados no segundo semestre do ano passado, logo no reinício da época de chuvas no país. Culturas de milho, massango, massambala e outros cereais ficaram prejudicadas tanto no seu cultivo, como no seu crescimento.

Em outras áreas ficaram perdidas quase na totalidade, entre outras, as culturas de milho, feijão, massango, batata e algumas frutas.
O clima de fome pairava no ar e a vida das comunidades era enevoada de incertezas. Infelizmente esta incerteza tornou-se um dos problemas actuais de protecção civil dos angolanos.

Na procura de soluções algumas Organizações Não-Governamentais, por exemplo, apelam ao governo a trabalhar no sector da segurança alimentar nas províncias afectadas pela seca. Será uma acção em coordenação com as autoridades locais ou estabelecidas a partir de Luanda? As comissões ad hoc, inter provinciais e o serviço de abastecimento de bens essenciais as populações não poderiam se converter numa frente para levar ás populações a ajuda de que precisam hoje?
O governo foi alertado inclusive para que crie com urgência um programa de ajuda alimentar para fazer face ao cenário de crise em curso. Será isso possível? São necessários os perfis de organizações não governamentais para levar ao interior o calor a quem sofre?

O apelo das ONG insere ainda um alerta relacionado com o perigo de as famílias camponesas usarem como alimento, em desespero, as sementes distribuídas pelo governo para serem tentadas novas colheitas caso venha a chover normalmente no país.

Tal como, advertem as ONG, pode estar comprometida a subsistência alimentar de milhares de camponeses se não houver uma alteração significativa das condições actuais.
Para alem de olharmos para as causas da estiagem em certas zonas do país e a prevenção das suas eventuais consequências é importante olhar para as formas de se ultrapassar as notáveis consequências que a falta de chuvas trouxe para a vida dos angolanos.
Mas ressaltemos, que nas últimas horas em algumas localidades a chuva deu o ar da sua graça……

LUANDA

Luanda comemorou mais um aniversário. A capital está cada vez mais velha, percorrendo agora os seus 432 anos de existência, desde que o explorador português Paulo Dias de Novais a baptizou de São Paulo de Loanda.
No seu aniversario, dirigido a uma reflexão séria sobre a sua existência, os discursos oficiais e a voz popular, mais uma vez coincidiram, urge a necessidade de se pensar e implementar um " plano director condigno" para a modernização urbana da cidade, preservando, também o valor arquitectónico que alguns edifícios, especialmente na baixa, conservam.

Em que pé anda o plano de requalificação urbana de municípios, como o Sambizanga, que é marcado por musseques, alguns dos quais com mais de trinta anos de existência. Tal como no resto de Luanda, em alguns casos se vê o musseque, do bairro, e imponentes residências a beira-mar que custam milhares e milhares de dólares, construídas em betão, afectando o ambiente, alterando o eco sistema marinho nas praias, especialmente a sul de Luanda.
É desejoso observar uma cidade em condições, melhor para se viver, com arruamentos definidos, espaços verdes e de lazer junto das habitações, onde o trânsito caótico seja desafogado, por vias alternativas, sem sarjetas ou amontoados de lixo a impedirem a livre movimentação de pessoas e meios.
Mas a realidade é outra. No consolado do ora exonerado governador Job Capapinha, nunca se viram tantas demolições! O combate ao lixo foi uma das suas batalhas. A ideia de dar condições condignas a população não passou de promessa e a batalha visivelmente não foi vencida. Capapinha deixa a gestão de Luanda quase igual a que a encontrou, ou, talvez, ligeiramente mais degradada.
Será que com uma governadora interina e uma espécie de reforçada comissão de gestão para esta estratégica província e lançado um sinal de esperança renovada para os seus habitantes? Será uma comissão ou gabinete de intervenção a estrutura acertada para gerir Luanda?
No recente aniversário de Luanda, passou também pela cabeça das pessoas as constantes demolições, sendo que as famílias realojadas nem sempre encontram condições condignas para viver nas zonas de acolhimento.
Foi assim com o pessoal retirado da Chicala, que localizados agora algures por Viana e Kilamba Kiaxi, vivem dias negros. Sem luz, sem escolas muitas vezes próximas para as crianças, sem acesso rápido á saúde pública, resta a essas famílias uma espécie de " clamor no deserto " da difícil vida por que passam.
Áreas como Kambamba I e II, Bonde Xape, Iraque, Nova Vida, zona verde e kms trinta ou 44 em Viana entre outras, passam sempre nos noticiários das rádios privadas e na boca dos populares, pois há muito entraram para o complicado "mapa" das demolições em Luanda.
Recentemente foi na zona da Boavista, numa acção que resultou num incidente em que militares da Unidade de Guarda Presidencial, mandatados para o local, recorreram as suas armas para reter, mais uma vez, jornalistas da Ecclesia que por sua vez foram ao terreno ouvir os clamores dos populares, que viram os seus " casebres " deitados abaixo. Se por um lado, há a necessidade de se modernizar a cidade, por outro lado, como está a ser feito realojamento das famílias. O que dizer das condições de acolhimento em áreas remotas como Panguila e Zango.

Como levar a essas zonas condições básicas para o cidadão viver. Daqui para a frente, as expropriações por interesse público serão seguidas de indemnizações justas ou realojamentos em condições.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Jornalistas made in Angola ou nem por isso? Interessante....

Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.

Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Recupero o texto da "lavra" de Orlando Castro que, entre os maiores, é seguramente o melhor bloguista, pois se recusa a curvar a coluna vertebral perante a vassalagem aos poderes reais dos tempos que correm.

KAPUSCINSKI, o livro

Recomenda-se um livro como este para ler, pois, entender Angola é sentir o pulsar de um povo sofredor, mas que sorri, apesar dos dias negros por que passa.

UM ANO DEPOIS, RECORDO KAPUSCINSKI

Kapuscinski, um estranho polaco que contou África como poucos.
Ryszard Kapuscinski escreveu coisas espantosas sobre os africanos, durante décadas.

Correu o continente de lés a lés, sempre atrás das revoluções, golpes de estado e guerras sem fim. Escrevia notícias e escrevia livros. Os relatos de Kapuscinski levaram-me para o jornalismo e, talvez, para África.

A notícia da sua morte só podia recebê-la de outro africano, realmente. Todos nós, africanos, acabamos de perder alguém que admirávamos.

Durante décadas, Kapuscinski escreveu sobre o que viu e sentiu: a exaltação das independências africanas, a esperança no futuro, as desilusões, a amargura das guerras, o tribalismo e o racismo de que os africanos são vítimas e prevaricadores.
Contava histórias de gente simples, do quotidiano das aldeias, de “uma África que não existe”, tal como ele disse.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

Serve isto para dizer, os detractores de todos os dias, que a caminhada do SERRA DA CHELA vai continuar, mesmo com os narizes torcidos de quem se julga dono da coutada que se transformou a minha tão amada Huíla.

Esses, mensageiros de mau agoiro, fecham ficam á porta, para que não se saiba das consequências das acções dos supostos mentores. De mentores não têm nada, apenas a sorte de ainda não caírem arvore abaixo.

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

O compromisso, mesmo subjectivo, em levar á minha amada Huíla ao conhecimento do mundo, continua aqui vincado.

MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO;
Muitos seguem, enquanto outros ficam electrificados mentalmente na escuridão do momento. Muitos, profundamente lamentam as amarras em que estão subjugados, mas preferem a escuridão do que a luz da liberdade. Vamos acender, pelo menos, uma vela, do que andarmos todos os dias maldizendo a escuridão de todos os dias.
MAIS VALE ACENDER UMA VELA, DO QUE MALDIZER A ESCURIDÃO

Associação dos amigos e naturais da Huíla?

Três jovens huilanos, hoje, díspares nas suas opções de vida, criaram uma oportunidade de estabelecer uma amena cavaqueira.

Os “ três dedos de conversa” que trocamos, “povoados” com um leitão à Bairrada, tiveram o condão que estabelecer a conveniência de um momento a ser repetido quando os dias nos lançarem essas oportunidades.

Apesar de uma fuga, diga-se, de frente, ficou a idade de estabelecermos uma espécie de lugar comum de encontro de huilanos em Luanda, de forma a diversificar as ideias e um dia, quem sabe, criar uma comissão instaladora dos jovens huilanos na grande “ diáspora” de São Paulo de Loanda.

Uma nova dimensão

Olhar para as dimensões da nossa vida, volta e meia, leva-nos para discussão sobre o contexto geral da existência humana, dos projectos, das oportunidades e do olhar para um futuro que se quer risonho.

A nova dimensão, ou a dimensão nova, do contexto que vivemos remete-nos sempre ao passado. Um olhar é imposto ao passado.

Longe das críticas a uma caminhada, deve-se sempre ( diga-se ) falar sobre o que fomos, o que somos e as apostas para o passado.

sábado, janeiro 19, 2008

DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO CIVIL. QUE MEDIDAS DEVEM SER ACCIONADAS PARA A ENTREGA OU RECOLHA DAS ARMAS;

Não existem estatísticas fiáveis sobre o número de armas na posse de cidadãos civis. A única certeza é que Angola deverá ser o país em que mais armas estão fora do controlo da polícia e das forças armadas Angolanas.
16 anos depois da realização das primeiras eleições, eis que o assunto começa a ser abordado com alguma intensidade. O país precisa se reconciliar e encontrar uma saída para as milhares de armas que estão nas mãos de pessoas, que algumas vezes se manifestam com alguma irresponsabilidade.
Num sinal preocupante, ouvimos quase que diariamente, pelos informes da polícia, as mortes provocadas por disparos de armas de fogo, na maior parte dos casos em zonas periféricas, ou então, devido aos assaltas a mão armada que se registam nas principais cidades do país.

Nesta etapa crucial da nossa história, em que se necessita a realização de eleições sem violência, a quem cabe a reorganização da sociedade, para que haja mais segurança entre a população? Como voltar a depositar confiança nos cidadãos que esperam viver num país que seja de paz e de harmonia?
Recentemente, uma alta patente das Forças Armadas Angolanas considerou quea Polícia Nacional e as Forças Armadas de Angola vão iniciar um programa de recolha de armamento de guerra na posse de civis e de empresas de segurança.
A operação de recolha ainda não tem prazos mas surge na sequência de um claro alerta do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na sua mensagem de fim de ano, em que exortou a polícia ser o garante da tranquilidade na campanha eleitoral das legislativas previstas para 5 e 6 de Setembro próximo.Sem dúvidas que se trata de um exercício importante.
Mas como fazer esta recolha? Através de métodos compulsivos? Seguindo padrões já existentes em países que viveram situações semelhantes? Para muitos dos angolanos que se refugiam na força das armas como defesa da delinquência, que mensagem deve ser passada.

Cultura

A assunção da nossa forma de ser, como povo bantu, africano e com características históricas e étnicas próprias volta a ser referencia.
Na percepção individual ou colectiva da identidade, a cultura exerce um papel principal para delimitar as diversas personalidades, os padrões de conduta e ainda as características próprias de cada grupo humano.O ser humano comum, imerso em sua própria cultura, tende a encarar seus padrões culturais como os mais racionais e mais ajustados a uma boa vida.
Sem embarcarmos no capítulo académico do tema, devemos dizer que, o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Sintetizando, simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença.
Em sociologia não existem culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural, isto é a cultura do Brasil não é igual à cultura angolana, por exemplo: diferem na maneira de se vestirem, na maneira de agirem, têm crenças, valores e normas diferentes... Entende-se que o que permite uma percepção cultural mais intensa é o contacto com outras culturas.
Angola e o mundo assumem-se cada vez mais como estando a trilhar os caminhos da globalização. O país caminha naquele que se convencionou chamar “ Aldeia global”, em que apesar de alguns pontos mantidos sem influência de terceiros, a grande maioria alinha nos ditames de vários países.
A televisão, pela sua força atractiva, é tida como um dos meios mais importantes para a importação de hábitos culturais alheios ao ser Angola. Contudo temos a musica e a sua influência como outra forma de invasão cultural. As formas actuais de falar, de vestir e de nos mostrar á sociedade não serão uma influência de outras culturas?
Será o sistema de ensino suficientemente bem dotado para travar a invasão na juventude, do brasileirismo, do americanismo e outras tendências actuais culturais?
O que pensar da tese dos africanistas, segundo as quais deve-se ter mais afinidade com as línguas bantu, nas escolas por exemplo, ao invés de se ministrar em grandes doses a influência para com outras línguas, outras formas de ser? Como ficam os angolanos na sua inserção no mundo?