sábado, setembro 15, 2007

CRISE DE VALORES NA JUVENTUDE: FALTA DE POLITICAS SOCIAIS OU DEMISSÃO DAS RESPONSABILIDADES DOS PAIS?

Nos dias de hoje ser jovem é um grande desafio. Milhares de pessoas nesta condição enfrentam as agruras de uma vida incompreendida, difícil e sem rumos de desenvolvimento. O dia mundial da juventude é coisa do passado, mas a discussão sobre o rumo da juventude continua permanente e actual.

O cenário angolano pode ser descrito em poucas palavras. Há aqueles jovens que tiveram a sorte de nascer em “berços de ouro” não se esforçando tanto para uma vida realmente de príncipes, no capítulo financeiro.
Há ainda aquela categoria de jovens que por esforço próprio conseguiram espantar o fantasma da pobreza e conhecer formas honestas de sobreviver. Se no capítulo económico é essa a realidade, o mesmo não se pode falar dos valores morais.
Psicólogos e sociólogos falam de categorias: os que mesmo económica estáveis, vivem numa acentuada crise de valores; aqueles que conhecem privações, mas com convicções suficientemente suportadas em princípios de orientação moral. Há ainda aqueles que foram apanhados pela crise moral das sociedades modernas, actuando como diz o povo “como “cata-vento virando-se para onde bate mais o vento”.

O que se passa com os jovens da nossa sociedade? Há demissão das responsabilidades paternas ou haverá falta de referências morais para melhores dias. O consumo exagerando de álcool, a gravidez precoce e a falta de estratégias de ensino, são descritos como alguns dos problemas. Serão as políticas sociais do estado a falharem ou os rumos destes tempos como causas deste estado de coisas?
Há ainda o facto das nossas grandes cidades registarem actos de jovens vândalos a enveredarem pelo crime, talvez a procura da sua realização familiar. A igreja tem exercido um papel importante na consciencialização da juventude. Mas, sabe-se, que volta e meia, confronta – se (a igreja) com uma espécie de “remar contra a maré”, pois a degradação moral da juventude, algumas vezes tem origem na própria família.
Recebemos, todavia, informações de casais separados, com filhos adolescentes desagregados para cuidar ou ainda pais, pressionados pela actual sociedade de consumo, procuram vários expedientes para satisfazer as necessidades matérias das suas famílias.
O que se pode fazer para inverter esta tendência ou infundir, todavia, os valores morais necessário a criação de famílias felizes?

terça-feira, agosto 28, 2007

A carapuça

" Ser fiel aos seus pensamentos é uma posição nobre para quem assume as suas obrigações ".Serve esta frase para responder á um leitor deste blog, desconhecido, que lançou palavras menos amistosas sobre mim e sobre o Orlando.
Não foi respondido, este comentário desabonatório, por limitações de trabalho, viagens, para Joanesburg e Lubango, entre outras coisas. Volta e meia precisamos de tempo para estas actividades.
( O Orlando é para mim um ícone e " bloguista" de primeira linha)
Conforme disse, em tempos um articulista, " compreendo, no entanto, que muitos dos meus colegas sejam voluntariamente obrigados a não cuspir no prato que todos os dias os alimenta. Poderiam contudo, digo eu, deixar trabalhar todos aqueles que quando aplaudem não têm medo de cair da árvore".
Esta é a posição de alguns.... A minha é dar o rosto e olhar para todos. Mesmo para o covarde desconhecido que se esconde na carapuça da escuridão para lançar "farpas" á quem de cabeça erguida assume os seus pensamentos, mesmo com limitações de varias ordem.
PS: Obrigado ao Orlando Castro pela força.

domingo, agosto 26, 2007

Jornalista?

Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.
Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.
OBS: Faço minhas as palavras de Orlando Castro. Texto publicado aqui http://www.altohama.blogspot.com/

Integração regional político e económica: como tornar efectiva esta intenção?

Angola assume-se cada vez mais, como mentora de novas estratégias de segurança regional na comunidade de países da África austral, SADC.

Uma política de boa vizinhança terá sido engendrada. Junto dos dois Congos, por exemplo, a situação está totalmente controlada. Angola também mantém boas relações com a Zâmbia e o Zimbabwe, apesar de politicamente haverem "nuvens negras" a pairarem sobre o relacionamento político- estratégico com a África do sul.
Por outro lado, Angola assumiu recentemente a presidência do órgão responsável pela política, defesa e segurança regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Isto aconteceu numa Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, onde Angola se faz representar pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Se no capitulo da segurança estamos conversados, a integração regional parece conhecer momentos menos bons no âmbito social. O desenvolvimento do países da região é nitidamente feito em "ilhas". Falar do nível de organização social da África do sul, da Namíbia e do Botswana é diferente de Angola e do Zimbabwe.

Uma cimeira sobre a pobreza foi marcada para o próximo ano, mas nos dias que correm, há milhares de jovens que deambulam pelas ruas da amargura a espera de uma oportunidade de trabalho ou ter um pão para levar á boca. Que políticas sociais existem na região? Como fazer crescer as economias regionais de maneira harmoniosa?
Outro olhar vai para a circulação de pessoas e meios pela região. Há alguns anos projectou-se a criação de uma estrada que ligaria o Cabo da boa Esperança, na África do sul ao Cairo no Egipto. Esta via, pomposamente chamada de via Pana- africana ainda continua nos projectos dos seus mentores.

Como fazer, com que os cidadãos circulem livremente pela região, sem grandes restrições, a semelhança da Europa comunitária? Há a possibilidade de supressão de vistos entre os catorze membros da comunidade.
PS: Breve reflexão sobre "Angola na região". Um painel com distintos convidados realizado e emitido na Rádio Ecclesia - emissora católica de Angola com a moderação do autor deste blog.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Moçambique!

" Do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbu" continuam a ser as divisas que marcam saudades que o tempo não apaga. Ademais, pela simplicidade de um povo que mereceu " esquecer" a quentura da guerra, para " esfriar" as feridas numa harmonia que os tempos vão justificar com as suas escritas de ouro.
Por aquelas "bandas", diga-se cada vez mais de passagem, a amizade é o trunfo de todos os dias e dos dias todos. Da experiência bebida de companheiros da classe ficou o sabor de um jornalismo activo, mas em alguns sectores, necessitando de vitalidade. Um desses aspectos são os conteúdos das rádios comunitárias. Mas acredito num futuro radioso, para quem, como nós ousamos tentar sem fugir, ao invés de fugir dos sonhos sem tentar. São algumas das lições de vida das terras das machambas e da marabenta.
E salta á vista a importância para as comunidades o surgimento destas estações de rádio, algumas delas incentivadas pela UNESCO e pelo governo moçambicano. Quem dera que por cá também tal fosse uma realidade...
PS: Texto dedicado aos camaradas de jornada em Maputo, angolanos e moçambicanos. Este é, caros amigos, um dos " tributos que vos devo!

Normal... ou nem por isso

Volta e meia, desagregados ou nem por isso, o " paranormal" atinge a necessidade de acreditar nas nossas convicções para ( depois) triunfar.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Escritos do nada

Volta e meia, um passo. No regresso a pressão para dois a retaguarda. Caminhos torpes, dos modernos tempos intemperados.
Loucura da velocidade dos dias, dificuldades para conter os mensageiros da desgraça! Quais abutres famintos, sempre na confusão de todos os dias e dos dias todos.
Como diria o "blogista" de primeira hora, é sempre a confusão entre " a estrada da beira e a beira da estrada". Vale por isso tentar sem fugir e olhar para os que fogem, sem antes mesmo, tentarem. São os escritos do nada.

quinta-feira, julho 19, 2007

Uma serra em aniversário

Este é o mês em que este blog wwww.serradachela.blogspot apaga a primeira vela.
Uma vela de reflexão e liberdade
Uma vela de sacrifício e coragem
de suporte aos olhares de esgelha
dos guardiões dos tempos de tempos de ditaduras novas,
funestos meninos de sanzala, sem metamorfoses,
quais censores de canetas de sangue!
Pois digo:
VIVA O BLOG!!!!!
" Se é dificil acabar com um pedra,
quanto mais com uma serra"

Swazilândia

Chegamos a fronteira com este pequeno reino montanhoso. Depois da terra de ninguém apenas poucos metros reino á dentro.
Para os moçambicanos vida boa", pois, os dois governos assinaram a supressão de vistos entre os dois paises.
Uma medida que estimula a troca comercial sem burocracia e facilita até os encontros familiares com o pessoal dos dois lados, muitos dos quais com fortes laços de consaguinidade. Isto acontece com todos quantos circundam a terra que vai do Rovuma ao Maputo.
Uma bela iniciativa.

Gorongoza

Moçambique, tal como Angola, tem ainda muito para dar na exploração da sua potencialidade turistica.
Felizmente, para os nossos irmãos do outro lado do continente a guerra terminou em 1992, os temores de tensões sociais são poucos e nada faz com que o eco - turismo não deia centenas de milhares de dolares para os cofres do estado e os aseus agentes.
Igual á Angola, há uma beleza estonteante, tal como o parque nacional da Gorongoza, "lançado" no mais que famoso corredor do Limpopo, cruzando Moçambique, Africa do Sul e "pedaços" do Botswana.
Ainda não tive oportunidade de visitar o parque, mas pelas fotos, anda de mãos dadas a nossa Kissama. Visitei sim, qual turista- ambientalista, na companhia do grupo de colegas as cascatas de Namahacha, a poucos kms de Maputo, nas imediações da fronteira com a Suazilândia.
Um Show.

A caixa!

Que o jornalismo exige de todos os seus ( bons) praticantes uma aprendizagem diária já se sabia, mas desta vez houve um reforço em grande.
A "formação de formadores em midia" decorrida recentemente em Maputo, Moçambique, lançou os escribas na necessidade de se libertarem cada vez mais da sua arrogante " caixa" e abrirem asas para a realidade regional e mundial. Isto tanto para os angolanos e para os moçambicanos.
A cooperação, o companheirismo e a necessida de se establecer um caminho mais digno junto do publico é a grande necessidade.
Como sempre se reafirmou, é o jornalismo a arte liberal encantadora e todos os dias sob crivo do público, que julga ( e muitas vezes bem) o jornalista jornalista e o jornalista, mais ou menos, jornalista que só ai está, muitas vezes, por interesses inconfessos. Que existem, existem!

sexta-feira, junho 29, 2007

TAAG, um mal nunca vem só...

No dia em que a União Europeia (UE), através da sua Comissão Europeia anunciou a intenção de incluir a companhia de bandeira angolana TAAG na "lista negra" de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu por razões de segurança, uma aeronave da TAAG, um Boeing 737-200, despenhou-se quando se fazia à pista de Mbanza Congo, proveniente de Luanda, embatendo num edifício.
Do acidente registaram-se 4 a 6 mortos e vários feridos.Entre as vítimas estão o administrador municipal da primeira capital do antigo Reino do Congo e um padre superior carmelita de ascendência italiana.
Realmente, às vezes um mal nunca vem só.Espera-se que a comissão de emergência já criada consiga perceber as reais causas do acidente – que não seja como em certos países que as comissões de inquérito dão sempre erro humano… – e que a TAAG possa rapidamente voltar aos céus europeus.
Como uma desgraça nunca vem só, já não bastava à Diáspora não se poder recensear, e concomitantemente, votar, para agora nem ao seu País poder ir em aviões de bandeira angolana!
Artigo publicado originalmente aqui http://pululu.blogspot.com/

O avião despenhado 2

O avião despenhado 1

quinta-feira, junho 28, 2007

Huíla e o ( nosso) gado

As autoridades da província de Huíla têm cada vez mais a convicção de que, a problemática do roubo de gado na região não deve ser encarada com leviandade e defendem por isso, e a julgar pelos contornos que a prática vem tomando, o debate do fenómeno no Parlamento.

Na Huíla em particular e na região no geral, multiplicam-se todos os dias as queixas dos criadores tradicionais vítimas dos assaltos que a algum tempo para cá se vêm revelando de grupos devidamente orquestrados.
O Governo local entende que os criadores tradicionais em colaboração com a Polícia Nacional, devem estudar fórmulas de defender as suas posses nomeadamente o gado tido nestas paragens pela população como o símbolo de riqueza, aliás, não é por acaso que denominam o animal como o "Diamante de Quatro Patas" e em simultâneo a Assembleia Nacional legislar o assunto.
(Parte de um texto de Teodoro Albano no Lubango)
NOTA: Pena, digo eu, que as ditas autoridades da Huila só hoje despertem para o problema. Quando no passsado, ainda eu correspondente da imprensa nacional e estrangeira naquela região, denunciava o assunto, volta e meia, os ditos barões do gado e pessoas do seu circulo de interesses movimentavam-se para conter os efeitos das noticias.
Lá vão os anos, mas verdade permanece! Ainda bem.
Mas o interessante é saber que hoje, volvidos alguns anos, muitos dos tais, denunciam esta pratica.

quarta-feira, junho 27, 2007

Humpata

Grupo Etnográfico da Humpata (Huíla/Angola) orostodachuva.blogs.sapo.pt

Kianda do meu ( actual) viver

Luanda da saudade
kianda do meu ( actual) viver
Tinha razão o poeta, que falava do sucesso da “peróla do indico” para despoletar a terna imagem da razão do nosso existir
Duas razões, um ser
Três vontades
Um desejo

Algures para Luanda, o beijo calído que preciso nesta altura
MV Maputo – Mozambique

terça-feira, junho 26, 2007

Terra linda

Foto: zona proxima da SERRA DA LEBA entre o Lubango e o Namibe.

"SERRA DA LEBA" EM ANIVERSÁRIO

Dentro de dias, este blog atinge o primeiro ano de vida. Corridas e recuos marcam estes primeiros 360 dias dum canto de liberdade pessoal e colectiva, sem pressões dos patrões ou dos politicamente insatisfeitos e recalcados. Um blog é um blog, uma conquista. O compromisso mantêm-se. O futuro é a meta.
Estas palavras são para aqueles mais "diplomatas" que aflitos com os textos dos primeiros dias logo aconselharam a parar. Ledo engano. Com os dias a denúncia e o retracto da vida dos angolanos e dos huilanos vão ter mais suporte no SERRA DA CHELA.
Aos leitores quase fidelizados uma palavra de alento. Sempre a "Serrar" para o melhor de Angola

segunda-feira, junho 25, 2007

Luanda - Maputo, um breve olhar

(MAPUTO - antiga av. Augusto Castilho in mocambique.blogs.sapo.pt)

A primeira imagem que salta á vista é o que pode comparar com Luanda. Há pouca sujidade, Luanda é o que é. Não há tantos mendigos, nem meninos de rua. De Luanda nem falar.

Há uma espécie consciência ambiental, locais próprios para lixo e quejandos. Nisto Luanda fica atrás. Assim vai Maputo...

Coragem amigo Eurico!

A partir de hoje Moçambique tem mais um jornal diário, denominado "O Observador". É o filho mais novo da Nação moçambicana que, também hoje, comemora mais um aniversário da sua independência.
É com orgulho que o Notícias Lusófonas se associa a este evento que, cremos, marcará o Jornalismo do país. Orgulho porque o Director do Jornal é o nosso colega Jorge Eurico e, ainda, porque no primeiro número também escrevem os nossos colaboradores Eugénio Costa Almeida (“Ricos na pobreza, pobres na riqueza”) e Orlando Castro (“Em memória de Carlos Cardoso”).

A garantia de que de Moçambique fica a ganhar com este novo Jornal é, para nós, algo de já adquirido. Porquê? Porque de há muito que conhecemos a capacidade profissional do Jorge Eurico.

Jornalista 24 horas por dia, o Jorge Eurico vai dar um sério contributo para que a Imprensa moçambicana em particular, e lusófona em geral, some pontos e mostre que tem tudo para se impor.
O lançamento de “O Observador” coincide com os festejos do 32º aniversário da Independência, um evento marcado por comícios, homenagens aos heróis e realizações culturais mas, igualmente, pelo boicote da oposição e pela presença em peso da força do partido no poder, FRELIMO.
NOTA: Tendo o conhecimento que tenho de Maputo e sabendo das capacidades de Eurico em proprocionar um jornalismo acutilante, " O Observador" será uma voz activa nesta sociedade. Aqui em Maputo muito se fala deste novo jornal.

quinta-feira, junho 21, 2007

Quem é a avestruz?

Sob o olhar dos outros

Maputo. Imagem da net

Maputo in a heart

Numa manhã sem sol, quinta-feira, o grupo de potenciais formadores, compôs-se quase por completo com a missão de explorar um outro lado da sua formação. O destino tinha sido traçado para a Rádio Moçambique, a estacão primeira da terra da Marrabenta, e o jornal Noticias, um diário que se mostra como o de maior circulação no país.
Ansiosos, os jornalistas, potenciais formadores, quase se acotovelavam para entrar no autocarro. Um veículo com desenhos escolares, semblante infantil, que por pouco fazia considerar o grupo como meros “rapazes de colégio”. Numa viagem rápida, lá estávamos nós na Rádio Moçambique. Passavam poucos minutos das nove.
Sem burocracia, um cidadão corpulento, que se identificou como director da escola da Rádio, recebeu o grupo de jornalistas de Angola e Moçambique, para as primeiras impressões. Logo, aquele jornalista assumiu as rédeas da visita de constatação da realidade actual da rádio Moçambique, proporcionando informações diversas.
Numa sala de escola da rádio, chamou a atenção dos jornalistas/ formadores a composição do conselho de administração da Rádio Moçambique; a dependência ou não do poder e a possibilidade que há em os profissionais, militantes dos partidos da oposição, reunirem-se nas instalações deste gigante da comunicação social local.
Um museu, que remonta aos anos 30, altura em que a emissora dava os primeiros passos, denominada Rádio Clube de Moçambique, foi apresentado ao grupo. Microfones do passado, maquinaria ultrapassada, fotografias dos momentos altos do estacão estão lá exibidos.
As Redacções de programas, desportiva, central de informação, do jornal da manha e a Emissora provincial de Maputo, foram visitadas.
A dada altura houve uma troca de guia - anfitrião, entrando em cena o delegado do emissor provincial de Maputo. As despedidas foram cordiais com promessas de novas visitas.
O diário NOTICIAS foi a seguir, ultima etapa da visita. A demora na recepção do grupo não retirou a expectativa e a boa disposição da turma. Anedotas foram contadas para animar o grupo.
Um jovem jornalista, redactor da redacção cultural, foi o guia. Rápido nas respostas, não se coibiu em dizer que um melhor salário seria bom para o desempenho dos 32 jornalistas que compõem a casa que carrega a história do país, com mais de 80 anos informando Moçambique. Numa redacção com computadores desalinhados, ligeiramente ultrapassados pelas novas tecnologias, o anfitrião foi descrevendo o dia a dia de funcionamento do Jornal Noticias.
Um olhar rápido á sala de paginação, seguido de uma visita á gráfica, foram os outros caminhos que finalizaram a nossa visita ao jornal. Referência ao assessor técnico do jornal que trabalha na gráfica metade do tempo de vida do NOTICIAS. Como VISÃO o homem do jornal espera pelo recurso ás novas tecnológicas para cada vez mais concorrência no mercado.
Um regresso ao hotel, sem morosidade, mas aproveitado para um turismo “ocasional” onde o destaque foi a imagem de um dos maiores prédios da Africa Austral com 33 andares, na baixa de Maputo.
Uma viagem, dois órgãos da comunicação social que acompanham todos os dias o pulsar de um país.

( Um trabalho escrito e apresentado por MV no curso de formadores em Midia- Maputo)

quarta-feira, junho 20, 2007

Lubango com mais um site

Quo vadis?

Do Rovuma á Maputo

Maputo, midia e aprendizagem ( I )

Em Maputo é salutar ouvir a diversidade de emissoras de rádio existentes. Passam de dez, estando ainda outras a procura do seu lugar ao sol, com a possibilidade de mais frequências serem atribuidas. Encontramos de tudo um pouco, desde as publicas, ás privadas, passando pelas comercias, comunitárias e religiosas.
Quem dera que em Angola também assim fosse!
De emissoras de TV, também há um grande passo, com todas elas em sinal aberto, dando a entender uma diversidade de conteúdos, abordagens e concorrência.
Quem dera que em Angola também fosse assim!
No interior, segundo apuramos, o número de meios também tende a subir. A lei de imprensa, apesar de conter algumas armadilhas, ainda serve para o contexto, dizem os jornalistas locais. Salutar é ouvir e ver o despique entre as duas mariores redes de TV, a STV e a TVM.
A concorrência passa pelo dominio da publicidade, os grandes acontecimentos e até a música. Alguns temas politicos, como por exemplo o figurino do organismo que gere a proxima ida as urnas, são tratados sem grandes paixões ou complexos. Os debates sào constantes e abertos, pelo menos mais do que em Luanda.
No entanto, é voz corrente que os jornalistas aqui devem aprimorar a sua aprendizagem. É mais ou menos isso que está a acontecer com a troca de experiencias entre jornalistas locais e angolanos, numa actividade que decorre desde segunda feira, 18 de Junho.

terça-feira, junho 19, 2007

Joanesburgo, Lubango e Maputo.Frio de rachar!

Para quem já vistou o Lubango, nada teme se lhe disserem que o frio em Maio, Junho e Julho é de "rachar". Realmente é ! Nada exagerado. Junho constitui-se assim no tempo mais frio, onde cobras e passáros deixam de se passear, sob pena de morrerem na primeira escquina. Também é pura verdade, quando muitos dizem temer ir ao Lubango nesta época.
Mas, nesta vinda a Maputo, descobri, por momentos, no aeroporto de Joanesburgo que muitas vezes quando recorriamos ao bolentim metereologico desta cidade sul africana para depois comparar com o Lubango, estavamos abslutamente certos. Está, ai também, um frio de rachar.
Para surpresa maior, chego a Maputo e nunca mais me separei dos aguasalhos. Ao primeiro zungeiro ( aqui também assim se chamam, igualzinho aos que pululam por luanda) que enconterei solicitei um forte casaco jeans. Eis tudo ilgualzinho.
Nestas três cidades, da nossa querida Africa Austral, está um frio de rachar.
{foto de Maputo}

Tropelias

"Será que ninguem ainda pensou numa forma de acabar com as tropelias do filho de um dos nossos "muatas"que bate e todo o mundo, sem motivo aparente?", pergunta um homem de Maputo, calcorreando um rua apressado para chegar ao seu jornal. Motava-se que é um home informado.
"..... Hum?" resposta do angolano, por sinal também jornalista.

Maputo!

Eis-me nas terras de Mondlane, nas terras banhadas pelo Índico e atravessada pelo Zambeze. Terra de gente, á primeira vista simpatica! As terras lusofonas da costa oriental Africana.
Desde domingo, finalmente, depois de sucessivos adiamentos, o trabalho me trás a Maputo e o dever me obriga a estar com os meus leitores.
É esta, pois, caros leitores, a terra que vou tentar narrar nos proximos dias.
Já posso dizer " Maninge nice, Mozambique!!!! "

terça-feira, junho 12, 2007

Entre a obra prima do mestre e a prima do mestre de obras....

Café... hoje
Este hoje tem qualquer coisa como 32 anos. Por cá o café tem sido amargo. Mesmo assim, a Carta a Garcia está cada vez mais perto do destinatário. Pelo caminho foi preciso derrotar os que me aconselhavam a deitar a carta na primeira valeta.
É claro que, no meio desses, apareceram alguns que me ajudaram a tirar pedras do caminho, a desminar promessas e a adoçar o café. Reconheço, contudo, que também essas vicissitudes foram úteis. Ajudaram-me a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitiram entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras.Infelizmente muitos de nós (já para não falar de muitos dos outros) continuam a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira.
Entre dias sem pão (e foram muitos) e pão sem dias (foram mais ainda) cá cheguei. E cheguei continuando, no essencial, a acreditar no (im)possível. Para mim, como se comprova neste desabafo alentado com a perspectiva de um saboroso e revitalizante café, o amanhã começa ontem. E é isso que (pelo menos comigo) vai acontecendo.

Continuo a tentar (maldita deformação genética!) o impossível (o possível faço eu todos os dias) para ajudar a construir as tais páginas da História de Lusofonia. Não sei se terei engenho e arte para tal, mas de uma coisa tenho a certeza: não há comparação entre o que perde por fracassar e o que se perde por não tentar.E tentar é coisa a que estamos todos habituados. Por isso...

NOTA: Caro Orlando, as suas letras cabem como luvas, nas mãos de alguém cujos dedos, algo calejados, ainda prima por discernir o que é ser jornalista, não vergando a coluna vertebral para os abrutres travestidos em homens, ocasionalmente. Bem haja. ( desculpa ter tirado, penso eu, o sentido da sátira)

Publicado aqui www.altohama.blogspot.com

Lubango, tempos de antanho

Ao fundo uma parte da serra da Chela, com a senhora do monte como cartão de visitas. Em primeiro plano, a sé catedral do Lubango.
O local do amor, qual desamor putrificado
andança dos sublimes momentos
a raiva contida, desejos descarnados
a logica muito sem nexo
o valor do momento
O local do amor
o monte sinai
o ecologicamente perfeito
na soul music que o coração te obrigou a lançar
qual floresta devastada nos encantos inventados
recantos do belo
as curvas olhadas sem temor
O local do amor
a epopeia certa
o centro do mundo que é eterno
o sinai
Já lá vão seis anos. Sabes o que sinto...

Um sinal do sul

quinta-feira, junho 07, 2007

Relaxe....

Adeus à hora da largada*

...somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos ....
* AGOSTINHO NETO
NOTA: Eis a minha homenagem aos homens que enfrentam a vida acreditando nos seus ideais. São homens de fibra, não se vergando pelos acenos dos que reluzem de gordura, corrupção de mentes e corpos, quais famintos abutres transvestidos em humanos, ocasionalmente....

Lubango aos 84 anos

O 31 de Maio do longínquo ano de 1923, fica marcado como a data em que a vila do Lubango ascendia à categoria de cidade, depois de estar por longos anos sob a administração portuguesa, na então Sá da Bandeira. Volvidos 84 anos, apesar de se ter desenvolvido do ponto de vista de autonomia administrativa do então colono, Lubango está longe de atingir o verdadeiro desenvolvimento sócio económico dos seus habitantes, na sua maioria gente que fugiu das suas zonas de origem devido à guerra.
A elevada degradação das principais ruas, a construção anárquica e o crescimento desordenado da cidade, sobretudo da periferia, fruto do acentuado nível de pobreza das suas populações marcam a antiga Sá da Bandeira.
A extensão do município confunde-se com o crescimento da cidade que figura entre as mais pequenas do país. Nos últimos dez anos, o Lubango não viu um único edifício de raiz a ser erguido como símbolo de aposta da governação no desenvolvimento da circunscrição em termos de infra-estruturas de vulto.
O existente até ao momento não passa de reabilitações de velhas estruturas para fins meramente comerciais, existindo na sede da administração do Lubango, um ambicioso projecto, o denominado «plano director da cidade do Lubango» que prevê o alargamento da urbe com infra-estruturas de impacto económico e social, no entanto, sem pernas para andar devido à falta de dinheiro.
Numa altura em que a cidade se prepara para albergar uma das fases finais do Campeonato Africano de basquetebol, debate-se com um velho senão crónico problema que se repete quase todos os meses: à falta de corrente eléctrica, uma situação que as autoridades não conseguem disfarçar, pois se arrasta há longos anos.
Oitenta e quatro anos depois, Lubango é das poucas cidades que pouco sofreu o impacto directo da guerra, mas aguarda por grandes empreendimentos, sabendo-se que no âmbito do acordo entre Angola e China está previsto para breve a construção de cinco mil casas no chamado bairro do Nambambe no norte do município.
( Teodoro Albano)

RELAXE......

Mais casas deitadas á baixo no Lubango !

Mais de 30 famílias foram desalojadas no Lubango, porque, alegadamente, o local vai servir para a construção de uma estrutura de apoio ao campeonato africano de basquetebol e ao Campeonato africano de futebol.
Esta, como sempre, é a versão oficial e mais uma vez, infelizmente, a mídia publica ( se por habito ou excesso de zelo) optou por esconder o facto do resto da sociedade.
Tudo aconteceu no mês passado, mas as sequelas para centenas de pessoas continuam. Há pessoas que de proprietárias de residências, mesmo modestas, passaram á indigentes, sem nada. È ponto assente que sem casa há pouca dignidade. O “ martelo demolidor” das autoridades da Huila entrou em acção, mesmo com o clamor das famílias, pedindo mais tempo para poderem ter acesso a outros locais para habitar. Debalde!. O martelo entrou mesmo em acção.
E como acontece normalmente nestas ocasiões em Angola, grupos de defesa dos direitos humanos optaram por defender essas pessoas o que faz com que nos próximos dias poderão surgir noticias em que o Governo Provincial ou a Administração Municipal poderão sentar-se no banco dos réus sob a acusação de ter expropriado terras sem cumprir com algo básico e (calculo eu ) desconhecido do de alguns “camaradas” mesmo com os seus aparentemente vastos conhecimentos jurídicos : Uma competente indemnização ou o realojamento em outros locais.

segunda-feira, junho 04, 2007

As palavras do Kundy

Durante muito tempo fui perguntando para mim mesmo e para Deus se alguma coisa pode acontecer sem que ele queira, encontrei na sua palavra a resposta: até uma folha de uma árvore sem que Ele permita.
Ok, e agora me encontro em Luanda, numa terra de ninguém pela natureza justificada pelo viver das pessoas, será que até dessa babilónia o Senhor é Rei? Clro disse-me Ele um dia, eu sou Rei dos que me entronizam na terra e a esses eu dirijo ainda que andem no vale da sombra e da morte. Virá luta, fome, perseguição, solidão, saudades.... mas diz o Rei_ Eu nunca te abandonarei nem te desampararei.
Filho meu, quer estejas na Babilónica cidade de Luanda quer estejas na cidade de Belém desta angola (Lubango) eu sempre serei contigo. Kota creia que não estamos em Luanda fora do controle do Rei ainda que nós não sintamos em todos os momentos isso, mas eu creio que um dia Ele vai revelar-nos que nunca nos abandonou e arquitetou o nosso futuro.
A proxima escrevo mais. Deus te abençoe.
Sempre o seu aluno José Kundy

quinta-feira, maio 24, 2007

Afrobasquet " abate" o verde!

Mais um crime ambiental! Devido a realização do afrobasquet e a construção do pavilhão "multi- uso" para a competição, as autoridades não se coíbiram em deitar para baixo dezenas de eucalípitos na Nossa senhora do monte.
A versão é da JUVENTUDE ECOLOGICA DE ANGOLA. Ainda não se sabe de um novo plantio de arvóres.
PS: Aconteceu no Lubango, ou tinham receios que não fosse. Lamento!

AINDA A MAYONESE NA TUNDAVALA

A propósito do que escreveu, comentando, o amigo Pedro sobre as toneladas de produtos que uma certa empresa gigante na venda de alimentos, há a necessidade de se falar mais sobre o assunto.
Que é um crime ambiental estamos conversados. Que isto só foi possível com o recurso ao alguém na administração municipal do Lubango, é uma suspeita. Que o Lubango necessita de um aterro é algo que reafirmo. Caro Pedro é interessante debater consigo e acho que ganho com isto, mas fique a saber, que em nenhum momento citei o nome do administrador. Um abraço MV Luanda

terça-feira, maio 15, 2007

"Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa."

Eu pensava que não conhecer a Tundavala era um sacrilégio. E até prometi a mim mesmo lá ir brevemente. É evidente que utilizei a palavra sacrilégio em contraponto com o pecado que cometo quando vou a Roma e não visito Sua Santidade. Se por acaso não estiver de férias em Castelgandolfo. Eu sei que exagerei ao falar em sacrilégio.
O mesmo aconteceria se dissesse heresia. A verdade é que não conheço a Tundavala. Mas tenho pena. E lá indo ponho a menina dos olhos em riste de modo a não perder pitada do que me indicam: Vila Arriaga, a Missão Católica, a Mahita, a represa, o terreiro, a cantina e o mais que conseguir. Até prometo ir às rolas. Ah! Se eu tivesse ainda a 22 longo com óculo! Era tiro e queda como eu fazia no Gimba, à coca debaixo do imbondeiro, com o Toninho Ferreira. Que não se me enevoe a vista e não me trema o dedo no gatilho.
Deixa comigo!
Mas o que eu verdadeiramente não esperava era ter recebido tantos recados com o que escrevi. Houve quem me dissesse que para conseguir olhar o belo da Tundavala eu "preciso de ter simplicidade no coração, ter ouvidos para ouvir o cantar dos pássaros, sentir o cheiro do verde, captar as vibrações que estão no ar... porque às vezes a vida que levamos bloqueia-nos os sentidos....". Houve até quem me aconselhasse a releitura de Chico Buarque "... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...". E não é que me lembrei então de um velho provérbio Africano: o tronco da árvore pode ficar muito tempo na água mas jamais será um crocodilo.
Pois é. Deixa comigo!
Do que eu preciso mesmo é de visitar o velho Liceu e sentado na sala de desenho do Ezequiel fechar os olhos e viajar, viajar, viajar... para ter a garantida certeza que o vazio de gente ao nosso lado não passa de uma circunstância. Ainda estou a tempo. Deixa comigo!
NOTA: È pena meu caro, que alguns huilanos sintam mais a terra quando estão longe dela. Isso é cada mais evidente na medida medida em que nos afastamos dela por razões profissionais. E tem razão. " Ir á Huíla sem ver a Tundavala ( equipara-se, digo eu), em ir a Roma sem ver o Papa, se não estiver de férias........

Mais um sinal do sul

Sinais do sul

Jovem pastora, mais um sinal do sul dos nossos amores. Foto tirada daqui http://ndele-ndele.blogs.sapo.pt/

CRIME AMBIENTAL

A denúncia vem estampada nas páginas do Semanário Angolense. Alguém na administração municipal do Lubango ordenou que cargas de produtos alimentares prestes a expirar fossem depositados, sem hesitações, na fenda da Tundavala.
Não admira nada, pois, há alguns anos atrás no Lubango ( 1999- 2000) quando realiza e apresentava o programa " ECOLOGIA E SUAS VERTENTES" na Rádio 2000, muitas vezes denúnciavamos crimes ambientais indênticos.
Numa dessas denúncias, uma empresa ( por acaso era uma das maiores clientes da Rádio em publicidade e espaços comprados) optou por lançar ao ar livre centenas de toneladas de feijão e arroz a apodrecer na zona da Nduva, a poucos kms da cidade. Ao ar livre, repito! Mas é caro que a faminta população foi desbravar o terreno. Boa parte do produto foi parar ao mercado paralelo. Esta foi apenas uma das varias denuncias que apesentamos aos ouvintes.
A polícia económica entrou em acção e por pouco eu perdia o emprego! Resistimos e continuamos. O programa " ousadamente ambiental" foi encerrado meses depois da minha auto demissão da rádio sob a alegação de se vender o espaço.
Voltando, então , ao nosso " deligente" funciónario. Nota-se desconhecedor das normas ambientais, decidiu que a policia economica, em copmpanhia de uma empresa que comercializa produtos alimentares, depositasse toneladas e toneladas de Mayonese, medicamentos expirados e até cds e videos piradas na maravlihosa fenda da Tundavala, a 14 kms da cidade. No Lubango há hectares e mais hectares de terreno baldio, mas a admistração ainda não pensa num aterro sanitário com grandes dimensões.
No interior da fenda, sabe-se, há vida. Há milhares de animais vivos ( macacos, lagartos, aves, insectos, serpentes e muito mais).
Verdade é que num passado tenebros, a tenda foi utilizada para fazer desaparecer pessoas! Na fenda nasce um regato que vai até a Bibala, abastecendo com água fresca os populares deste munícipio. Acredito que neste momento, essas comunidades que vivem do outro lado da fenda, estão a lutar contra diarreiras, vómitos e dores de barriga. Doenças motivadas por um crime ambiental cometido no Lubango.
FOTO: A Fenda da Tundavala. Um crime ambiental que não pode ficar impune. Ao fundo, no meio da Fenda municipio da Bibala, Namibe.

Nas terras do leste (II)

Estátua Lunda

Uma equipa!

Uma das mais gratas oportunidades profissionais, para mim, é abandonar por uns tempos a redacção, local do labor de todos os dias e, diga-se, dos dias todos.
"Ir para fora cá dentro, poeira nos olhos e cabelos ao vento". Ser enviado á Angola profunda, aquela que fica longe dos olhares de Luanda, mas com uma palavra a dizer sobre o país real.
Nessas ocasiões, só ou em equipa o sentido profissional, para mim, sobe. A alegria de ser profissional, contribuir mas para o direito á informação surge como um sinal mais para dar a este povo um direito fundamental, mas manietado pelos interesses de quem manipula e baralha as " cartas da vida" para (não) fazer de Angola, um país.
NOTA: Fiz equipa com o pessoal de imprensa que comigo veio á Lunda Norte, onde apesar das adversidades comuns no interior estabelecemos uma especie de centro de imprensa na cobertura do 1º seminário sobre empreendedorismo na Lunda Norte.
DUNDO

domingo, maio 13, 2007

Neocolonialismo português soma pontos em Luanda

A TVI, uma das televisões privadas de Portugal, apresentou ontem, com o rótulo de grande reportagem, um trabalho sobre os portugueses em Angola. O assunto merece, pelo menos, duas considerações. Uma revela que a noção do que é Angola é muito limitada ali para as bandas da estação dirigida por José Eduardo Moniz. Limitou-se a falar de Luanda. A outra mostra, aí com alguma perspicácia jornalística, o neocolonialismo de alguns portugueses.
Tal como não aceito que se faça uma reportagem sobre Portugal mostrando apenas Lisboa, não me parece justo para os portugueses que vivem em Angola apresentá-los da forma como a TVI o fez. Se aquilo são os portugueses em Angola, então os angolanos que se ponham seriamente a pau. Com amigos daqueles ninguém precisa de inimigos. Explico. Os portugueses ouvidos pela TVI fizeram gala em dizer que estavam em Luanda porque ganhavam muito, mas muito, mais do que em Portugal; que tinham excelentes moradias e não sei quantos (cinco num dos casos) empregados domésticos.
É o neocolonialismo na sua mais lídima expressão. Tal como na época do outro colonialismo lusitano, os empregados domésticos apareciam a dizer que a senhora era como uma mãe. E enquanto os filhos desses portugueses (havia apenas uma excepção) frequentam a Escola Portuguesa, os dos angolanos estudam (os que estudam) na escola pública.
E então onde ficou o resto de Angola, o resto dos portugueses? Será que Angola é só Luanda? Será que só há portugueses em Luanda’? Não. De maneira alguma. Angola é muito mais, é sobretudo o que não está na capital nem no Roque Santeiro.
É as terras do fim do mundo onde, como sempre, também vivem portugueses. Portugueses que são angolanos, ao contrário dos portugueses que a TVI mostrou e que só estão em Angola para sacar.

O apagão continua. Huíla mais escura!

A Huíla continua mergulhada numa profunda crise no fornecimento de energia. As últimas informações, que apuramos, dão conta de um "apagão" que já leva quase um mês.
E ainda dizem que a crise é conjuntural!
A barragem da Matala, apesar da propaganda oficial remar contra a maré, continua incapaz de fornecer energia. As restrições prejudicam o zé povinho, enquanto os marajás ( perdoem-me a comparação) deleitam-se com o pouco que as turbinas reconstruidas as pressas conseguem produzir ou pelos seus potentes geradores, comprados com recurso a engenharias financeiras, nem sempre explicadas.
E ainda falam em densevolvimento!
A pequena industria de empreendedores locais vai minguado devido aos elevados custos do combustivel paa suportar os geradores.
E ainda dizem que a Huíla é o segundo maior parque industrial do país!
O apagão já vai longo. E ainda dizem que devemos aceitar e esperar. O rol de consequências vai longe.
E ainda dizem...

O Silêncio Da Razão

A Razão resistindo, a sairda ponta da caneta, do tinteiro,guardada pelos anos, em silêncio,clausurando erudições,inibindo erupções...A Razão, sempre A Razão,aquela que nos disse não,sempre em silêncio, calada,mordendo-nos a alma por nada,em tudo o que o fogo urgia...Oh! mas se a vida se faziacom vozes e fogo se ardiadeixando sozinha falandolá dentro a Razão ignorando......com gosto Ela se calava- e satisfeita se calou,por todos anos em que amouenquanto quieta ficava!...

Novamente no leste de Angola

Depois de recebida a confirmação, fiz apressadamente a mala ( a verdade é que é uma mochila, ligeiramente carcomida pelo tempo, mas testemunha de inúmeras " aventuras" profissionais), gravador, maquina digital para os " bonecos" da praxe e todo o material de apoio á um envado especial. Uma " odisseia" para saber mais sobre o místico leste de Angola.
Depois de ter visitado demoradamente o Luena e Saurimo, desta vez é Dundo, a capital da provincia diamantifera da Lunda Norte. Mais uma vez o dever profissional chama.
O drama começa no aeroporto de Luanda, onde um camarada de trabalho por pouco seria detido pelo simples facto de estar a fotografar o grupo de jornalistas que deve cobrir aqui no Dundo o primeiro seminário sobre empreendedores angolanos.
Dois faribundos e zelosos agentes da ordem, intimidam o escriba sob a alegação de ter de pedir autorização para poder tirar fotos aos seus colegas! Se calhar só podia acontecer em Angola. Travada a discussão, necessaria, lá viemos em paz, não sem antes um dos agentes ter solicitado, diligentemente, o rolo da máquina. mesmo sabendo sem saber ser digital. Santa ignorância!
Dundo, uma cidade erguida aos poucos nos últimos dez anos, não é tao diferente de outras da zona leste, profundamente vitimizadas pela excessiva litoralização da economia. São poucos os projectos que as autoridades aqui densevolvem, ou se tentam, muita coisa esbarra nas estrátegias politicas gizadas nos cómodos gabinetes de Luanda. E a terra cá vai sosobrando! Há zonas visitosas, mas muitas apenas servem para inglês ( neste caso o incauto visitante) ver.
Pelo menos a energia electrica é oferecida 24 horas por dias até ao mais comum dos cidadãos. Até vimos um aterro sanitário na zona onde será construido a futura cidade, pois, segundo nos disseram, a actua está longe de satisfazer a demanda. Já quanto a água potavel é tudo diferente. A que jorra é para poucos.
Nesta segunda feira, governantes e sociedade civil falam do empreendedorismo na versão angolana. Vamos ouvir e reportar na esperança de que algo de substâncial venha a ser dito e feito para trazer densevolvimento as históricamente fabulosas terras do leste deste portentoso país.
DUNDO - LUNDA NORTE
13.MAIO.O7

OBRAS NA ESTRADA DO KM/40 PERTO DO FIM

À beira da pista as coisas passam rapidamente pelos olhares apressados dos cidadãos obrigados a fazer todos os dias o mesmo caminho. Montes de areias em cores variadas, britas, caminhos de terra, marcas de rodas do chão, são imagens que poucas pessoas se interessam em registar e muito menos profissionais de construção civil, na verdade são eles os autores de obras de arte. Uma das principais obras rodoviárias na província da Huíla decorre no trecho que liga a cidade do Lubango, ao quilómetros 40, e que liga a capital huilana ao norte e leste da província pelos municípios de Quipungo e Matala, assim como Cacula e Quilengues. O director-geral da PLANASUL, empresa que executa as obras, Hernâni Silva garantiu que está a se cumprir com o plano de obras previamente elaborado, não obstante aos condicionalismos causados pelas chuvas. Assegurou que até Agosto deste ano, o percurso com cerca de 45 quilómetros será entregue e completamente recuperado. “A estrada Lubango / KM 40 terá uma largura de 8 metros em relação aos seis anteriores, ma espessura de 4 cm ”, realçando que será um percurso que vai responder as expectativas de desenvolvimento económico, assim como no aumento do tráfico rodoviário, tendo em conta a intensidade de desenvolvimento que o país observa. As obras de recomposição de pequenos trechos, sinalização horizontal, vertical e recuperação de pontes deverão estar concluídas até o fim do primeiro semestre deste ano. Iniciadas em Setembro de 2006, depois do processo de recargas de solos, abertura de valas de drenagem, começou o processo d colocação do pavimento asfáltico. O melhoramento das estradas é um sonho regional, tanto do lado dos huilanos, como dos habitantes das províncias vizinhas. Este sonho está se tornando realidade e o programa do governo que emprega investimentos de biliões de Kwanzas, prevê nos próximos anos na construção de estradas, pontes, na região leste e norte da província, com o objectivo principal de integrar mercados, tanto nacional como internacionalmente. As dificuldades de transporte e as chuvas têm sido apontadas como uma das principais razões para o atraso na execução das obras, mas o desejo dos empreiteiros de enfrentar o desafio de usar estas estradas como alavanca para um desenvolvimento, fala mais alto, por isso o trabalho não pára. A PLANASUL, é uma empresa que faz parte do grupo SOCOLIL, existe há três anos e cem por cento angolana. Surgiu para enfrentar os desafios que o Estado angolano traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país. Para de forma segura e competente desenvolver e executar as obras que a si foram confiadas a Empresa investiu nos últimos três anos 25 milhões de Dólares americanos no seu apetrechamento, segundo fez constar o seu director-geral, Hernâni Silva.
Estes investimentos, assegurou, recaíram para área técnica e administrativa e surgem da necessidade de enfrentar os desafios que o Estado traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país. “ (…) é nesta base que a Planasul organizou-se e apetrechou-se administrativa e tecnicamente de forma a cumprir com este objectivos traçados pelo Estado e estamos preparados para enfrentar qualquer desafio, o impasse é que o equipamento adquirido é moderno e vai de encontro as inovações tecnológicas”, referiu.
Hernâni Silva mostra-se, por outro lado, preocupado com a manutenção do mesmo, uma vez haver poucos técnicos no país para a manutenção de máquinas pesadas. Como solução, notou, a Planasul está a contratar técnicos estrangeiros, com a obrigatoriedade destes formarem angolanos nesta vertente.
Actualmente esta empresa, de cem por cento de direito angolano, trabalha nas obras de reabilitação das estradas, Cacula/Caconda, Quilómetro 40 / Matala com 132 quilómetros . Empresa do grupo SOCOLIL, existe há três anos, emprega 570 trabalhadores dos quais 30 expatriados de origem brasileira.
Por: Morais Silva

MCK: Um mestre sem cerimónias!!!

Alguém tinha reparado no som do MCK? ….eu, na minha pródiga ignorância ainda não! MC….para quem não sabe é acrónimo de Mestre de Cerimónias….ora cerimónia é coisa que este irmão não faz….não tem nada de timidez o primeiro album deste tipo! Nada daquela atitude “desculpem-lá-eu-quero-entra-nesta-cena-fazer-discos-e-portanto-vou-começar-sem-grandes-invenções” …a abrir a carreira um album cheio de sumo, cheio de som….cheio de africanidade. O video do single promocional tá absolutamente fantástico….podem vê-lo aqui. …a musica chama-se “Atrás do prejuizo” e narra o dia de um jovem angolano, é um conjunto de rimas discursivas….numa dicção clara e não repetitiva….o refrão é cantado por um clássico do Semba Angolano e a conjungação dos dois estilos está….simplesmente….FA-BU-LO-SA!!! …aliás todo o album aproveita a inspiração africana tradicional….e o mais incrivél é que às páginas tantas tás a ouvir um puto altamente criativo a rimar power atrás de power sobre a corrupção e banditismo, sobre a miséria e a degradação e na estrofe seguinte…..uma voz femenina a swingar uma ginga subtil em kimbundo….coisa mágica brother! coisa….mágica! transportamos santanás com os fatos e as gravatas luxuosos e negamos deus com actos ….é uma das coisas mais interessantes que o K(apa) manda logo na introdução do album. Adaptado de http://pedromoraiscardoso.wordpress.com/

De volta!!!

Depois de muito tempo sem colocar os ditos e os pensamentos neste " canto", eis-me de volta para " serrar" com a Chela no coração! Computadores e outras parafernalias a atrapalhar. Trabalho e muito stress, para variar, marcaram esta ausência. De volta estou e, portanto, de pedra e cal. Cá vamos nós!!!!!

terça-feira, abril 24, 2007

Palavras finais ao Luís

Mais um companheiro se foi. O Luís Pascoal, da TPA-Huíla, foi assassinado por desconhecidos, nesta segunda feira, na (agora violenta, demais) cidade do Lubango. Jornalista de imagem há 25 anos o Luís não resistiu aos ferimentos provocados pelos seus algozes, sem causa aparente. Alias, não há causa que justifica uma morte. Apesar das privações por que passava e não escondia isso, o Luís nunca virou a cara á luta.
Os encómios nesta altura não falham. O governo da província da Huíla foi o primeiro lamentando a morte do operador de câmara. Numa mensagem, o director provincial da Comunicação Social, João de Castro, afirmou ter sido com profunda consternação que as autoridades locais tomaram conhecimento da morte do repórter, endereçando à família enlutada e à TPA, profundos sentimentos de pesar.
Segundo a ANGOP, a polícia ainda não se pronunciou sobre o caso, uma vez estarem a decorrer as investigações.

sábado, abril 21, 2007

Aproveitamento dos quadros nacionais e estrangeiros – uma questão de origem, competência ou complexo?

Durante muito tempo, os angolanos foram habituados à reflexão segundo a qual o recurso mais importante de uma nação são os homens, os seus quadros. Com o nascer da primeira república, em 1975 milhares de angolanos foram enviados para vários países. Cuba, a então URSS, as antigas Jugoslávia e Checoslováquia entre outros , receberam os potenciais quadros angolanos. A estes juntam-se outros cidadãos que durante o período colonial foram para Portugal formar-se em varias áreas. Como resultado desta política, tanto do estado como de instituições privadas, Angola recebeu engenheiros em várias áreas; biólogos, professores; médicos, jornalistas entre outros. Se durante o período de partido único a inserção era feita de maneira rápida com os famosos encaminhamentos para os locais de trabalho, com a abertura do país à economia de mercado as dificuldades começaram. Para alguns a questão era de se deslocarem aos locais de origem, mas para outros a questão era procurarem zonas tidas como mais atractivas. A falta de incentivos no interior do país fez com que muitos quadros e bem formados optassem por viver em Luanda, onde teoricamente a vida seria mais facilitada. Outros, regressados ao país com muitas expectativas viram-se relegados a segundo plano. Aqueles que os haviam enviado já não garantiam emprego. E como se isso não bastasse, assistem impotentes a uma espécie de discriminação, segundo a qual se dá precedência aos expatriados. Como são aproveitados estes quadros nos dias que correm? È real a informação segundo a qual há muitos doutores e outras pessoas formadas superiormente recorrendo ao mercado paralelo para sobreviverem? – como de resto diz um ouvinte nosso no indicativo deste espaço- depois do estado ter investido milhares de dólares com o INABE, para a formação destas pessoas, como encontrar políticas consentâneas para a inserção destes quadros no mercado de trabalho?

sexta-feira, abril 20, 2007

IMAGENS DE LUANDA

A ferocidade da vida caminha a passos largos com a pobreza. São visíveis a olho nu, nas ruas de Luanda, nas paragens de candongueiros, nos autocarros e nas longas filas de marchantes imagens que nos lembram filas intermináveis de contratados e escravos do sertão ao embarcadouro.
Escravos sim. Duma vida que vê degradados os seus valores mais elementares como o humanismo, a solidariedade e o amor ao próximo. Apenas de forma isolada nos “surpreendemos” com gestos amistosos de quem deixa a cadeira para um idoso, a uma mulher grávida ou com criança ao colo, ou ainda o apaziguamento de uma contenda.
Acabei de ver um sujeito das FAA a esmurrar em plena luz e sem causa aparente um jovem que por sinal até se dirigia à oficina em que trabalhava. Motivo: Escorregou na lama que encobria o asfalto e tocou-lhe na farda.
Desumanamente todos passamos. Ninguém socorreu o jovem que sangrava nas narinas. Também ninguém repreendeu o sargento.

O poder das ideias, acima das ideias do poder!

“ O poder das ideias, acima das ideias do poder” eis a divisa de alguns que julgam, certamente, que o melhor é estar com a mente perfeitamente definida sem vender da alma para depois “ reclamar o sol”. Que não haja, mais uma, GERAÇÃO DA UTOPIA.