quarta-feira, junho 20, 2007
Maputo, midia e aprendizagem ( I )
Em Maputo é salutar ouvir a diversidade de emissoras de rádio existentes. Passam de dez, estando ainda outras a procura do seu lugar ao sol, com a possibilidade de mais frequências serem atribuidas. Encontramos de tudo um pouco, desde as publicas, ás privadas, passando pelas comercias, comunitárias e religiosas.
Quem dera que em Angola também assim fosse!
De emissoras de TV, também há um grande passo, com todas elas em sinal aberto, dando a entender uma diversidade de conteúdos, abordagens e concorrência.
Quem dera que em Angola também fosse assim!
No interior, segundo apuramos, o número de meios também tende a subir. A lei de imprensa, apesar de conter algumas armadilhas, ainda serve para o contexto, dizem os jornalistas locais. Salutar é ouvir e ver o despique entre as duas mariores redes de TV, a STV e a TVM.
A concorrência passa pelo dominio da publicidade, os grandes acontecimentos e até a música. Alguns temas politicos, como por exemplo o figurino do organismo que gere a proxima ida as urnas, são tratados sem grandes paixões ou complexos. Os debates sào constantes e abertos, pelo menos mais do que em Luanda.
No entanto, é voz corrente que os jornalistas aqui devem aprimorar a sua aprendizagem. É mais ou menos isso que está a acontecer com a troca de experiencias entre jornalistas locais e angolanos, numa actividade que decorre desde segunda feira, 18 de Junho.
terça-feira, junho 19, 2007
Joanesburgo, Lubango e Maputo.Frio de rachar!
Para quem já vistou o Lubango, nada teme se lhe disserem que o frio em Maio, Junho e Julho é de "rachar". Realmente é ! Nada exagerado. Junho constitui-se assim no tempo mais frio, onde cobras e passáros deixam de se passear, sob pena de morrerem na primeira escquina. Também é pura verdade, quando muitos dizem temer ir ao Lubango nesta época.
Mas, nesta vinda a Maputo, descobri, por momentos, no aeroporto de Joanesburgo que muitas vezes quando recorriamos ao bolentim metereologico desta cidade sul africana para depois comparar com o Lubango, estavamos abslutamente certos. Está, ai também, um frio de rachar.
Para surpresa maior, chego a Maputo e nunca mais me separei dos aguasalhos. Ao primeiro zungeiro ( aqui também assim se chamam, igualzinho aos que pululam por luanda) que enconterei solicitei um forte casaco jeans. Eis tudo ilgualzinho.
Nestas três cidades, da nossa querida Africa Austral, está um frio de rachar.
{foto de Maputo}
Tropelias
"Será que ninguem ainda pensou numa forma de acabar com as tropelias do filho de um dos nossos "muatas"que bate e todo o mundo, sem motivo aparente?", pergunta um homem de Maputo, calcorreando um rua apressado para chegar ao seu jornal. Motava-se que é um home informado.
"..... Hum?" resposta do angolano, por sinal também jornalista.
Maputo!
Eis-me nas terras de Mondlane, nas terras banhadas pelo Índico e atravessada pelo Zambeze. Terra de gente, á primeira vista simpatica! As terras lusofonas da costa oriental Africana.
Desde domingo, finalmente, depois de sucessivos adiamentos, o trabalho me trás a Maputo e o dever me obriga a estar com os meus leitores.
É esta, pois, caros leitores, a terra que vou tentar narrar nos proximos dias.
Já posso dizer " Maninge nice, Mozambique!!!! "
terça-feira, junho 12, 2007
Entre a obra prima do mestre e a prima do mestre de obras....
Café... hoje
Este hoje tem qualquer coisa como 32 anos. Por cá o café tem sido amargo. Mesmo assim, a Carta a Garcia está cada vez mais perto do destinatário. Pelo caminho foi preciso derrotar os que me aconselhavam a deitar a carta na primeira valeta.
É claro que, no meio desses, apareceram alguns que me ajudaram a tirar pedras do caminho, a desminar promessas e a adoçar o café. Reconheço, contudo, que também essas vicissitudes foram úteis. Ajudaram-me a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitiram entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras.Infelizmente muitos de nós (já para não falar de muitos dos outros) continuam a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira.
Entre dias sem pão (e foram muitos) e pão sem dias (foram mais ainda) cá cheguei. E cheguei continuando, no essencial, a acreditar no (im)possível. Para mim, como se comprova neste desabafo alentado com a perspectiva de um saboroso e revitalizante café, o amanhã começa ontem. E é isso que (pelo menos comigo) vai acontecendo.
Continuo a tentar (maldita deformação genética!) o impossível (o possível faço eu todos os dias) para ajudar a construir as tais páginas da História de Lusofonia. Não sei se terei engenho e arte para tal, mas de uma coisa tenho a certeza: não há comparação entre o que perde por fracassar e o que se perde por não tentar.E tentar é coisa a que estamos todos habituados. Por isso...
NOTA: Caro Orlando, as suas letras cabem como luvas, nas mãos de alguém cujos dedos, algo calejados, ainda prima por discernir o que é ser jornalista, não vergando a coluna vertebral para os abrutres travestidos em homens, ocasionalmente. Bem haja. ( desculpa ter tirado, penso eu, o sentido da sátira)
Publicado aqui www.altohama.blogspot.com
Lubango, tempos de antanho
Ao fundo uma parte da serra da Chela, com a senhora do monte como cartão de visitas. Em primeiro plano, a sé catedral do Lubango.
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sob o olhar dos outros
O local do amor, qual desamor putrificado
andança dos sublimes momentos
a raiva contida, desejos descarnados
a logica muito sem nexo
o valor do momento
O local do amor
o monte sinai
o ecologicamente perfeito
na soul music que o coração te obrigou a lançar
qual floresta devastada nos encantos inventados
recantos do belo
as curvas olhadas sem temor
O local do amor
a epopeia certa
o centro do mundo que é eterno
o sinai
Já lá vão seis anos. Sabes o que sinto...
quinta-feira, junho 07, 2007
Adeus à hora da largada*
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos ....
* AGOSTINHO NETO
NOTA: Eis a minha homenagem aos homens que enfrentam a vida acreditando nos seus ideais. São homens de fibra, não se vergando pelos acenos dos que reluzem de gordura, corrupção de mentes e corpos, quais famintos abutres transvestidos em humanos, ocasionalmente....
Lubango aos 84 anos
O 31 de Maio do longínquo ano de 1923, fica marcado como a data em que a vila do Lubango ascendia à categoria de cidade, depois de estar por longos anos sob a administração portuguesa, na então Sá da Bandeira. Volvidos 84 anos, apesar de se ter desenvolvido do ponto de vista de autonomia administrativa do então colono, Lubango está longe de atingir o verdadeiro desenvolvimento sócio económico dos seus habitantes, na sua maioria gente que fugiu das suas zonas de origem devido à guerra.
A elevada degradação das principais ruas, a construção anárquica e o crescimento desordenado da cidade, sobretudo da periferia, fruto do acentuado nível de pobreza das suas populações marcam a antiga Sá da Bandeira.
A extensão do município confunde-se com o crescimento da cidade que figura entre as mais pequenas do país. Nos últimos dez anos, o Lubango não viu um único edifício de raiz a ser erguido como símbolo de aposta da governação no desenvolvimento da circunscrição em termos de infra-estruturas de vulto.
O existente até ao momento não passa de reabilitações de velhas estruturas para fins meramente comerciais, existindo na sede da administração do Lubango, um ambicioso projecto, o denominado «plano director da cidade do Lubango» que prevê o alargamento da urbe com infra-estruturas de impacto económico e social, no entanto, sem pernas para andar devido à falta de dinheiro.
Numa altura em que a cidade se prepara para albergar uma das fases finais do Campeonato Africano de basquetebol, debate-se com um velho senão crónico problema que se repete quase todos os meses: à falta de corrente eléctrica, uma situação que as autoridades não conseguem disfarçar, pois se arrasta há longos anos.
Oitenta e quatro anos depois, Lubango é das poucas cidades que pouco sofreu o impacto directo da guerra, mas aguarda por grandes empreendimentos, sabendo-se que no âmbito do acordo entre Angola e China está previsto para breve a construção de cinco mil casas no chamado bairro do Nambambe no norte do município.
( Teodoro Albano)
Mais casas deitadas á baixo no Lubango !
Mais de 30 famílias foram desalojadas no Lubango, porque, alegadamente, o local vai servir para a construção de uma estrutura de apoio ao campeonato africano de basquetebol e ao Campeonato africano de futebol.
Esta, como sempre, é a versão oficial e mais uma vez, infelizmente, a mídia publica ( se por habito ou excesso de zelo) optou por esconder o facto do resto da sociedade.
Tudo aconteceu no mês passado, mas as sequelas para centenas de pessoas continuam. Há pessoas que de proprietárias de residências, mesmo modestas, passaram á indigentes, sem nada. È ponto assente que sem casa há pouca dignidade. O “ martelo demolidor” das autoridades da Huila entrou em acção, mesmo com o clamor das famílias, pedindo mais tempo para poderem ter acesso a outros locais para habitar. Debalde!. O martelo entrou mesmo em acção.
E como acontece normalmente nestas ocasiões em Angola, grupos de defesa dos direitos humanos optaram por defender essas pessoas o que faz com que nos próximos dias poderão surgir noticias em que o Governo Provincial ou a Administração Municipal poderão sentar-se no banco dos réus sob a acusação de ter expropriado terras sem cumprir com algo básico e (calculo eu ) desconhecido do de alguns “camaradas” mesmo com os seus aparentemente vastos conhecimentos jurídicos : Uma competente indemnização ou o realojamento em outros locais.
segunda-feira, junho 04, 2007
As palavras do Kundy
Durante muito tempo fui perguntando para mim mesmo e para Deus se alguma coisa pode acontecer sem que ele queira, encontrei na sua palavra a resposta: até uma folha de uma árvore sem que Ele permita.
Ok, e agora me encontro em Luanda, numa terra de ninguém pela natureza justificada pelo viver das pessoas, será que até dessa babilónia o Senhor é Rei? Clro disse-me Ele um dia, eu sou Rei dos que me entronizam na terra e a esses eu dirijo ainda que andem no vale da sombra e da morte. Virá luta, fome, perseguição, solidão, saudades.... mas diz o Rei_ Eu nunca te abandonarei nem te desampararei.
Filho meu, quer estejas na Babilónica cidade de Luanda quer estejas na cidade de Belém desta angola (Lubango) eu sempre serei contigo. Kota creia que não estamos em Luanda fora do controle do Rei ainda que nós não sintamos em todos os momentos isso, mas eu creio que um dia Ele vai revelar-nos que nunca nos abandonou e arquitetou o nosso futuro.
A proxima escrevo mais. Deus te abençoe.
Sempre o seu aluno José Kundy
quinta-feira, maio 24, 2007
Afrobasquet " abate" o verde!
Mais um crime ambiental! Devido a realização do afrobasquet e a construção do pavilhão "multi- uso" para a competição, as autoridades não se coíbiram em deitar para baixo dezenas de eucalípitos na Nossa senhora do monte.
A versão é da JUVENTUDE ECOLOGICA DE ANGOLA. Ainda não se sabe de um novo plantio de arvóres.
PS: Aconteceu no Lubango, ou tinham receios que não fosse. Lamento!
AINDA A MAYONESE NA TUNDAVALA
A propósito do que escreveu, comentando, o amigo Pedro sobre as toneladas de produtos que uma certa empresa gigante na venda de alimentos, há a necessidade de se falar mais sobre o assunto.
Que é um crime ambiental estamos conversados. Que isto só foi possível com o recurso ao alguém na administração municipal do Lubango, é uma suspeita. Que o Lubango necessita de um aterro é algo que reafirmo. Caro Pedro é interessante debater consigo e acho que ganho com isto, mas fique a saber, que em nenhum momento citei o nome do administrador. Um abraço
MV Luanda
terça-feira, maio 15, 2007
"Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa."
Eu pensava que não conhecer a Tundavala era um sacrilégio. E até prometi a mim mesmo lá ir brevemente. É evidente que utilizei a palavra sacrilégio em contraponto com o pecado que cometo quando vou a Roma e não visito Sua Santidade. Se por acaso não estiver de férias em Castelgandolfo. Eu sei que exagerei ao falar em sacrilégio.
O mesmo aconteceria se dissesse heresia. A verdade é que não conheço a Tundavala. Mas tenho pena. E lá indo ponho a menina dos olhos em riste de modo a não perder pitada do que me indicam: Vila Arriaga, a Missão Católica, a Mahita, a represa, o terreiro, a cantina e o mais que conseguir. Até prometo ir às rolas. Ah! Se eu tivesse ainda a 22 longo com óculo! Era tiro e queda como eu fazia no Gimba, à coca debaixo do imbondeiro, com o Toninho Ferreira. Que não se me enevoe a vista e não me trema o dedo no gatilho.
Deixa comigo!
Mas o que eu verdadeiramente não esperava era ter recebido tantos recados com o que escrevi. Houve quem me dissesse que para conseguir olhar o belo da Tundavala eu "preciso de ter simplicidade no coração, ter ouvidos para ouvir o cantar dos pássaros, sentir o cheiro do verde, captar as vibrações que estão no ar... porque às vezes a vida que levamos bloqueia-nos os sentidos....". Houve até quem me aconselhasse a releitura de Chico Buarque "... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...". E não é que me lembrei então de um velho provérbio Africano: o tronco da árvore pode ficar muito tempo na água mas jamais será um crocodilo.
Pois é. Deixa comigo!
Do que eu preciso mesmo é de visitar o velho Liceu e sentado na sala de desenho do Ezequiel fechar os olhos e viajar, viajar, viajar... para ter a garantida certeza que o vazio de gente ao nosso lado não passa de uma circunstância.
Ainda estou a tempo. Deixa comigo!
ADAPTADO DE http://praiadasmiragens.blogspot.com/
NOTA: È pena meu caro, que alguns huilanos sintam mais a terra quando estão longe dela. Isso é cada mais evidente na medida medida em que nos afastamos dela por razões profissionais. E tem razão. " Ir á Huíla sem ver a Tundavala ( equipara-se, digo eu), em ir a Roma sem ver o Papa, se não estiver de férias........
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sob o olhar dos outros
Sinais do sul
Jovem pastora, mais um sinal do sul dos nossos amores. Foto tirada daqui http://ndele-ndele.blogs.sapo.pt/
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CRIME AMBIENTAL
A denúncia vem estampada nas páginas do Semanário Angolense. Alguém na administração municipal do Lubango ordenou que cargas de produtos alimentares prestes a expirar fossem depositados, sem hesitações, na fenda da Tundavala.
Não admira nada, pois, há alguns anos atrás no Lubango ( 1999- 2000) quando realiza e apresentava o programa " ECOLOGIA E SUAS VERTENTES" na Rádio 2000, muitas vezes denúnciavamos crimes ambientais indênticos.
Numa dessas denúncias, uma empresa ( por acaso era uma das maiores clientes da Rádio em publicidade e espaços comprados) optou por lançar ao ar livre centenas de toneladas de feijão e arroz a apodrecer na zona da Nduva, a poucos kms da cidade. Ao ar livre, repito! Mas é caro que a faminta população foi desbravar o terreno. Boa parte do produto foi parar ao mercado paralelo. Esta foi apenas uma das varias denuncias que apesentamos aos ouvintes.
A polícia económica entrou em acção e por pouco eu perdia o emprego! Resistimos e continuamos. O programa " ousadamente ambiental" foi encerrado meses depois da minha auto demissão da rádio sob a alegação de se vender o espaço.
Voltando, então , ao nosso " deligente" funciónario. Nota-se desconhecedor das normas ambientais, decidiu que a policia economica, em copmpanhia de uma empresa que comercializa produtos alimentares, depositasse toneladas e toneladas de Mayonese, medicamentos expirados e até cds e videos piradas na maravlihosa fenda da Tundavala, a 14 kms da cidade. No Lubango há hectares e mais hectares de terreno baldio, mas a admistração ainda não pensa num aterro sanitário com grandes dimensões.
No interior da fenda, sabe-se, há vida. Há milhares de animais vivos ( macacos, lagartos, aves, insectos, serpentes e muito mais).
Verdade é que num passado tenebros, a tenda foi utilizada para fazer desaparecer pessoas! Na fenda nasce um regato que vai até a Bibala, abastecendo com água fresca os populares deste munícipio. Acredito que neste momento, essas comunidades que vivem do outro lado da fenda, estão a lutar contra diarreiras, vómitos e dores de barriga. Doenças motivadas por um crime ambiental cometido no Lubango.
FOTO: A Fenda da Tundavala. Um crime ambiental que não pode ficar impune. Ao fundo, no meio da Fenda municipio da Bibala, Namibe.
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sociedade civil huila
Uma equipa!
Uma das mais gratas oportunidades profissionais, para mim, é abandonar por uns tempos a redacção, local do labor de todos os dias e, diga-se, dos dias todos.
"Ir para fora cá dentro, poeira nos olhos e cabelos ao vento". Ser enviado á Angola profunda, aquela que fica longe dos olhares de Luanda, mas com uma palavra a dizer sobre o país real.
Nessas ocasiões, só ou em equipa o sentido profissional, para mim, sobe. A alegria de ser profissional, contribuir mas para o direito á informação surge como um sinal mais para dar a este povo um direito fundamental, mas manietado pelos interesses de quem manipula e baralha as " cartas da vida" para (não) fazer de Angola, um país.
NOTA: Fiz equipa com o pessoal de imprensa que comigo veio á Lunda Norte, onde apesar das adversidades comuns no interior estabelecemos uma especie de centro de imprensa na cobertura do 1º seminário sobre empreendedorismo na Lunda Norte.
DUNDO
domingo, maio 13, 2007
Neocolonialismo português soma pontos em Luanda
A TVI, uma das televisões privadas de Portugal, apresentou ontem, com o rótulo de grande reportagem, um trabalho sobre os portugueses em Angola. O assunto merece, pelo menos, duas considerações. Uma revela que a noção do que é Angola é muito limitada ali para as bandas da estação dirigida por José Eduardo Moniz. Limitou-se a falar de Luanda. A outra mostra, aí com alguma perspicácia jornalística, o neocolonialismo de alguns portugueses.
Tal como não aceito que se faça uma reportagem sobre Portugal mostrando apenas Lisboa, não me parece justo para os portugueses que vivem em Angola apresentá-los da forma como a TVI o fez. Se aquilo são os portugueses em Angola, então os angolanos que se ponham seriamente a pau. Com amigos daqueles ninguém precisa de inimigos. Explico. Os portugueses ouvidos pela TVI fizeram gala em dizer que estavam em Luanda porque ganhavam muito, mas muito, mais do que em Portugal; que tinham excelentes moradias e não sei quantos (cinco num dos casos) empregados domésticos.
É o neocolonialismo na sua mais lídima expressão. Tal como na época do outro colonialismo lusitano, os empregados domésticos apareciam a dizer que a senhora era como uma mãe. E enquanto os filhos desses portugueses (havia apenas uma excepção) frequentam a Escola Portuguesa, os dos angolanos estudam (os que estudam) na escola pública.
E então onde ficou o resto de Angola, o resto dos portugueses? Será que Angola é só Luanda? Será que só há portugueses em Luanda’? Não. De maneira alguma. Angola é muito mais, é sobretudo o que não está na capital nem no Roque Santeiro.
É as terras do fim do mundo onde, como sempre, também vivem portugueses. Portugueses que são angolanos, ao contrário dos portugueses que a TVI mostrou e que só estão em Angola para sacar.
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O apagão continua. Huíla mais escura!
A Huíla continua mergulhada numa profunda crise no fornecimento de energia. As últimas informações, que apuramos, dão conta de um "apagão" que já leva quase um mês.
E ainda dizem que a crise é conjuntural!
A barragem da Matala, apesar da propaganda oficial remar contra a maré, continua incapaz de fornecer energia. As restrições prejudicam o zé povinho, enquanto os marajás ( perdoem-me a comparação) deleitam-se com o pouco que as turbinas reconstruidas as pressas conseguem produzir ou pelos seus potentes geradores, comprados com recurso a engenharias financeiras, nem sempre explicadas.
E ainda falam em densevolvimento!
A pequena industria de empreendedores locais vai minguado devido aos elevados custos do combustivel paa suportar os geradores.
E ainda dizem que a Huíla é o segundo maior parque industrial do país!
O apagão já vai longo. E ainda dizem que devemos aceitar e esperar. O rol de consequências vai longe.
E ainda dizem...
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O Silêncio Da Razão
A Razão resistindo, a sairda ponta da caneta, do tinteiro,guardada pelos anos, em silêncio,clausurando erudições,inibindo erupções...A Razão, sempre A Razão,aquela que nos disse não,sempre em silêncio, calada,mordendo-nos a alma por nada,em tudo o que o fogo urgia...Oh! mas se a vida se faziacom vozes e fogo se ardiadeixando sozinha falandolá dentro a Razão ignorando......com gosto Ela se calava- e satisfeita se calou,por todos anos em que amouenquanto quieta ficava!...
" Garimpado" de: http://ndele-ndele.blogs.sapo.pt/
Novamente no leste de Angola
Depois de recebida a confirmação, fiz apressadamente a mala ( a verdade é que é uma mochila, ligeiramente carcomida pelo tempo, mas testemunha de inúmeras " aventuras" profissionais), gravador, maquina digital para os " bonecos" da praxe e todo o material de apoio á um envado especial. Uma " odisseia" para saber mais sobre o místico leste de Angola.
Depois de ter visitado demoradamente o Luena e Saurimo, desta vez é Dundo, a capital da provincia diamantifera da Lunda Norte. Mais uma vez o dever profissional chama.
O drama começa no aeroporto de Luanda, onde um camarada de trabalho por pouco seria detido pelo simples facto de estar a fotografar o grupo de jornalistas que deve cobrir aqui no Dundo o primeiro seminário sobre empreendedores angolanos.
Dois faribundos e zelosos agentes da ordem, intimidam o escriba sob a alegação de ter de pedir autorização para poder tirar fotos aos seus colegas! Se calhar só podia acontecer em Angola. Travada a discussão, necessaria, lá viemos em paz, não sem antes um dos agentes ter solicitado, diligentemente, o rolo da máquina. mesmo sabendo sem saber ser digital. Santa ignorância!
Dundo, uma cidade erguida aos poucos nos últimos dez anos, não é tao diferente de outras da zona leste, profundamente vitimizadas pela excessiva litoralização da economia. São poucos os projectos que as autoridades aqui densevolvem, ou se tentam, muita coisa esbarra nas estrátegias politicas gizadas nos cómodos gabinetes de Luanda. E a terra cá vai sosobrando! Há zonas visitosas, mas muitas apenas servem para inglês ( neste caso o incauto visitante) ver.
Pelo menos a energia electrica é oferecida 24 horas por dias até ao mais comum dos cidadãos. Até vimos um aterro sanitário na zona onde será construido a futura cidade, pois, segundo nos disseram, a actua está longe de satisfazer a demanda. Já quanto a água potavel é tudo diferente. A que jorra é para poucos.
Nesta segunda feira, governantes e sociedade civil falam do empreendedorismo na versão angolana. Vamos ouvir e reportar na esperança de que algo de substâncial venha a ser dito e feito para trazer densevolvimento as históricamente fabulosas terras do leste deste portentoso país.
DUNDO - LUNDA NORTE
13.MAIO.O7
OBRAS NA ESTRADA DO KM/40 PERTO DO FIM
À beira da pista as coisas passam rapidamente pelos olhares apressados dos cidadãos obrigados a fazer todos os dias o mesmo caminho. Montes de areias em cores variadas, britas, caminhos de terra, marcas de rodas do chão, são imagens que poucas pessoas se interessam em registar e muito menos profissionais de construção civil, na verdade são eles os autores de obras de arte.
Uma das principais obras rodoviárias na província da Huíla decorre no trecho que liga a cidade do Lubango, ao quilómetros 40, e que liga a capital huilana ao norte e leste da província pelos municípios de Quipungo e Matala, assim como Cacula e Quilengues.
O director-geral da PLANASUL, empresa que executa as obras, Hernâni Silva garantiu que está a se cumprir com o plano de obras previamente elaborado, não obstante aos condicionalismos causados pelas chuvas.
Assegurou que até Agosto deste ano, o percurso com cerca de 45 quilómetros será entregue e completamente recuperado. “A estrada Lubango / KM 40 terá uma largura de 8 metros em relação aos seis anteriores, ma espessura de 4 cm ”, realçando que será um percurso que vai responder as expectativas de desenvolvimento económico, assim como no aumento do tráfico rodoviário, tendo em conta a intensidade de desenvolvimento que o país observa.
As obras de recomposição de pequenos trechos, sinalização horizontal, vertical e recuperação de pontes deverão estar concluídas até o fim do primeiro semestre deste ano. Iniciadas em Setembro de 2006, depois do processo de recargas de solos, abertura de valas de drenagem, começou o processo d colocação do pavimento asfáltico.
O melhoramento das estradas é um sonho regional, tanto do lado dos huilanos, como dos habitantes das províncias vizinhas. Este sonho está se tornando realidade e o programa do governo que emprega investimentos de biliões de Kwanzas, prevê nos próximos anos na construção de estradas, pontes, na região leste e norte da província, com o objectivo principal de integrar mercados, tanto nacional como internacionalmente.
As dificuldades de transporte e as chuvas têm sido apontadas como uma das principais razões para o atraso na execução das obras, mas o desejo dos empreiteiros de enfrentar o desafio de usar estas estradas como alavanca para um desenvolvimento, fala mais alto, por isso o trabalho não pára.
A PLANASUL, é uma empresa que faz parte do grupo SOCOLIL, existe há três anos e cem por cento angolana. Surgiu para enfrentar os desafios que o Estado angolano traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país.
Para de forma segura e competente desenvolver e executar as obras que a si foram confiadas a Empresa investiu nos últimos três anos 25 milhões de Dólares americanos no seu apetrechamento, segundo fez constar o seu director-geral, Hernâni Silva.
Estes investimentos, assegurou, recaíram para área técnica e administrativa e surgem da necessidade de enfrentar os desafios que o Estado traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país.
“ (…) é nesta base que a Planasul organizou-se e apetrechou-se administrativa e tecnicamente de forma a cumprir com este objectivos traçados pelo Estado e estamos preparados para enfrentar qualquer desafio, o impasse é que o equipamento adquirido é moderno e vai de encontro as inovações tecnológicas”, referiu.
Hernâni Silva mostra-se, por outro lado, preocupado com a manutenção do mesmo, uma vez haver poucos técnicos no país para a manutenção de máquinas pesadas. Como solução, notou, a Planasul está a contratar técnicos estrangeiros, com a obrigatoriedade destes formarem angolanos nesta vertente.
Actualmente esta empresa, de cem por cento de direito angolano, trabalha nas obras de reabilitação das estradas, Cacula/Caconda, Quilómetro 40 / Matala com 132 quilómetros . Empresa do grupo SOCOLIL, existe há três anos, emprega 570 trabalhadores dos quais 30 expatriados de origem brasileira.
Por: Morais Silva
MCK: Um mestre sem cerimónias!!!
Alguém tinha reparado no som do MCK?
….eu, na minha pródiga ignorância ainda não!
MC….para quem não sabe é acrónimo de Mestre de Cerimónias….ora cerimónia é coisa que este irmão não faz….não tem nada de timidez o primeiro album deste tipo! Nada daquela atitude “desculpem-lá-eu-quero-entra-nesta-cena-fazer-discos-e-portanto-vou-começar-sem-grandes-invenções” …a abrir a carreira um album cheio de sumo, cheio de som….cheio de africanidade.
O video do single promocional tá absolutamente fantástico….podem vê-lo aqui.
…a musica chama-se “Atrás do prejuizo” e narra o dia de um jovem angolano, é um conjunto de rimas discursivas….numa dicção clara e não repetitiva….o refrão é cantado por um clássico do Semba Angolano e a conjungação dos dois estilos está….simplesmente….FA-BU-LO-SA!!!
…aliás todo o album aproveita a inspiração africana tradicional….e o mais incrivél é que às páginas tantas tás a ouvir um puto altamente criativo a rimar power atrás de power sobre a corrupção e banditismo, sobre a miséria e a degradação e na estrofe seguinte…..uma voz femenina a swingar uma ginga subtil em kimbundo….coisa mágica brother! coisa….mágica!
transportamos santanás com os fatos e as gravatas luxuosos e negamos deus com actos
….é uma das coisas mais interessantes que o K(apa) manda logo na introdução do album.
Adaptado de http://pedromoraiscardoso.wordpress.com/
De volta!!!
Depois de muito tempo sem colocar os ditos e os pensamentos neste " canto", eis-me de volta para " serrar" com a Chela no coração! Computadores e outras parafernalias a atrapalhar. Trabalho e muito stress, para variar, marcaram esta ausência. De volta estou e, portanto, de pedra e cal. Cá vamos nós!!!!!
terça-feira, abril 24, 2007
Palavras finais ao Luís
Mais um companheiro se foi. O Luís Pascoal, da TPA-Huíla, foi assassinado por desconhecidos, nesta segunda feira, na (agora violenta, demais) cidade do Lubango.
Jornalista de imagem há 25 anos o Luís não resistiu aos ferimentos provocados pelos seus algozes, sem causa aparente. Alias, não há causa que justifica uma morte. Apesar das privações por que passava e não escondia isso, o Luís nunca virou a cara á luta.
Os encómios nesta altura não falham. O governo da província da Huíla foi o primeiro lamentando a morte do operador de câmara. Numa mensagem, o director provincial da Comunicação Social, João de Castro, afirmou ter sido com profunda consternação que as autoridades locais tomaram conhecimento da morte do repórter, endereçando à família enlutada e à TPA, profundos sentimentos de pesar.
Segundo a ANGOP, a polícia ainda não se pronunciou sobre o caso, uma vez estarem a decorrer as investigações.
sábado, abril 21, 2007
Aproveitamento dos quadros nacionais e estrangeiros – uma questão de origem, competência ou complexo?
Durante muito tempo, os angolanos foram habituados à reflexão segundo a qual o recurso mais importante de uma nação são os homens, os seus quadros. Com o nascer da primeira república, em 1975 milhares de angolanos foram enviados para vários países. Cuba, a então URSS, as antigas Jugoslávia e Checoslováquia entre outros , receberam os potenciais quadros angolanos.
A estes juntam-se outros cidadãos que durante o período colonial foram para Portugal formar-se em varias áreas. Como resultado desta política, tanto do estado como de instituições privadas, Angola recebeu engenheiros em várias áreas; biólogos, professores; médicos, jornalistas entre outros. Se durante o período de partido único a inserção era feita de maneira rápida com os famosos encaminhamentos para os locais de trabalho, com a abertura do país à economia de mercado as dificuldades começaram.
Para alguns a questão era de se deslocarem aos locais de origem, mas para outros a questão era procurarem zonas tidas como mais atractivas.
A falta de incentivos no interior do país fez com que muitos quadros e bem formados optassem por viver em Luanda, onde teoricamente a vida seria mais facilitada. Outros, regressados ao país com muitas expectativas viram-se relegados a segundo plano. Aqueles que os haviam enviado já não garantiam emprego. E como se isso não bastasse, assistem impotentes a uma espécie de discriminação, segundo a qual se dá precedência aos expatriados.
Como são aproveitados estes quadros nos dias que correm? È real a informação segundo a qual há muitos doutores e outras pessoas formadas superiormente recorrendo ao mercado paralelo para sobreviverem? – como de resto diz um ouvinte nosso no indicativo deste espaço- depois do estado ter investido milhares de dólares com o INABE, para a formação destas pessoas, como encontrar políticas consentâneas para a inserção destes quadros no mercado de trabalho?
sexta-feira, abril 20, 2007
IMAGENS DE LUANDA
A ferocidade da vida caminha a passos largos com a pobreza. São visíveis a olho nu, nas ruas de Luanda, nas paragens de candongueiros, nos autocarros e nas longas filas de marchantes imagens que nos lembram filas intermináveis de contratados e escravos do sertão ao embarcadouro.
Escravos sim. Duma vida que vê degradados os seus valores mais elementares como o humanismo, a solidariedade e o amor ao próximo. Apenas de forma isolada nos “surpreendemos” com gestos amistosos de quem deixa a cadeira para um idoso, a uma mulher grávida ou com criança ao colo, ou ainda o apaziguamento de uma contenda.
Acabei de ver um sujeito das FAA a esmurrar em plena luz e sem causa aparente um jovem que por sinal até se dirigia à oficina em que trabalhava. Motivo: Escorregou na lama que encobria o asfalto e tocou-lhe na farda.
Desumanamente todos passamos. Ninguém socorreu o jovem que sangrava nas narinas. Também ninguém repreendeu o sargento.
Soberano Canhanga in http://www.olhoatento.blogspot.com/
quarta-feira, abril 18, 2007
O Quanto o Mercado te Deve!
Durante as Férias no Lubango fui à Rádio 2000. Foi lá onde pela primeira vez sentei-me numa redacção de notícias de rádio para trabalhar. Também, foi naquela rádio contentorizada em que pela primeira vez realizei e apresentei um programa: o «Estão dos Novos».
Na verdade era uma co-realização e apresentação com o Valentino Mateus e Técnica de Mário Pereira. Um programa que até hoje é uma referência na história do entretenimento radiofónio local. Durou três anos, não foi tempo curto, mas sim o suficiente para não mais sair da memória de quem ouviu, ainda que tivesse sido apenas uma única edição.
O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Também foi lá onde aprendemos a ser «pau para toda obra», ao lado de nomes como, Manuel (Pedro ) Vieira, Celestino (Manuel ) Gonçalves, Fernando dos Santos (Sambingo), Nara Roque, Regina Reis, Cláudio Dias, Gabriel Niva, Nádia (de Deus) Camate, Francisco Gonçalves, Valentino Mateus (Jambela) e outros. Alguns ainda estão no activo. É caso de Celestino Gonçalves, Editor da Rádio Huíla ( do grupo RNA), Manuel (Pedro) Vieira, Editor Chefe da Rádio Ecclesia (RE), Nádia Camate, realizadora dos programa Auto Estrada e Educar para a Saúde, bem como apresentadora do jornal as 18h:30' da RE, Gabriel Niva, apresentador programa Kais FM da RE, Valentino Mateus, correspondente da RE na Huíla. Mas a vida dá muitas voltas e nessas voltas a vida das pessoas vai sofrendo metamorfoses, algumas das quais radicais.
Fernando dos Santos, Ex-Editor da Rádio 2000, agora é oficial de informação do Comité Inter Ecclesial para a Paz em Angola (COIEPA), aqui em Luanda, na Nara Roque trabalha agora para Angola Telecom no Lubango, a Regina Reis agora é funcionária de um prestigiado banco, no Lubango, Cláudio Dias dedica-se a criação e produção de publicidade numa agência da qual é sócio, no Lubango e Francisco Gonçalves a trabalhar para ONG americana, aqui em Luanda. Na 2000 fazíamos tudo mais alguma coisa. Se calhar seja por isso que onde cada um está conseguiu e consegue adaptar-se.
2000, O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Da 2000 toda essa gente tem boa memória dela, por tudo que passaram ( coisas boas e más). É o caso de Alves da Silva, João (Manuel Osvaldo) Pinto, António de Sousa (Simbo), Joaquim Gonçalves, Manuel Esperança (Simbandambi), a Horvanda Andrade, Horácio (de Sousa dos) Reis, agora também na sua agencia de publicidade a «Alfa Publicidade».
O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Ah, o Horário de Sousa é sócio da Rádio... Mas seja como for já não trabalha directamente na comercial. Nessas férias encontrei-me também com o pessoal do Jornal de Angola, no Lubango, o Morais Canâmua, quis tanto encontrar-me com Estanislau (João da) Costa, mas não consegui. Mas falamos ao telefone.
BENEDITO JOAQUIM ( http://comunicador.blog.com/)
Um abraço ao Orlando Castro!
Para mim é um dos “bloguistas” de primeira hora. Luso- angolano, com grandes referencias para as terras de Epalanga, Mutu e Katyavala. Li e reli os seus textos, inflamados de verdade, volta e meia, transportando alegria, mas cáusticos para com o “ sistema de coisas” que observamos estar a fazer morada entre nós!
Eis o abraço ao Orlando Castro!
O senhor, algures pelo norte de Portugal, nunca virou a casaca, uma das coisas que me faz admirar o “escriba”, antes do homem. A meu ver, a treta (entenda-se como fronteira) entre o escriba e o homem é ténue. Em Angola ainda é maior, pois, os “ poucos que têm muito tentam até comer as cabeças e barrigas dos muitos que nada têm. Grande pena! Ainda bem que onde haver uma verdade, tentem os “ opressores”, a verdade permanecerá.
Eis o abraço ao Orlando Castro!
Em tempos, numa dessas noites estive a conversa com um dos mais destemidos jornalistas angolanos. Questionei-lhe sobre o Orlando Castro. Falamos e falamos. Por pouco comprometiamos o horario que estabeleceu com um confrade meu na Rádio Ecclésia, onde trabalho, para uma resenha crítica sobre a actualidade africana.
Acredite, pois, meu caro Orlando, este foi o mote para vários minutos de amena cavaqueira sobre o jornalismo. Algumas dessas notas lançadas no (muito) visitado www.altohama.blogspot.com .
O nosso “ dedo de conversas” ( e ele sabe, o meu intercolutor, que devia ecrever sobre isso) foi sobre reviravoltas do nosso jornalismo, quedas, contra - quedas e a necessidade de sermos firmes, mesmo com a “ pena” prestes a ser devorada por um leão faminto….
Eis o abraço ao Orlando Castro!
Morreu um padre dedicado ao sul de Angola
Morreu no domingo passado o padre Serafim Lourenço, vítima de morte repentina.
O sacerdote que tinha mais de 80 anos, de nacionalidade portuguesa, trabalhava na missão do Munhino, na arquidiocese do Lubango, província da Huíla.
O malogrado missionário desenvolveu a maior parte da sua missão nas terras do Sul do país. O seu enterro aconteceu na segunda-feira, depois da missa de corpo presente, no cemitério da missão da Huíla.
(Humildemente inclino-me a sua memória. Um dos seus livros tem sido, amiúde, usados na série “ 1ponto de história", particularmente sobre Caconda, de que o padre Lourenço tanto falava)
sábado, abril 14, 2007
Delinquência Juvenil – um mal social
Nos últimos tempos a sociedade angolana despertou e mobiliza-se contra um dos fenómenos que mais preocupa os cidadãos da capital e demais províncias: a criminalidade.
O fenómeno social da delinquência juvenil ganha, assim também, uma importância capital na analise a situação.
Volta e meia, damos de caras com jovens de tenra idade, que deviam estar na escola, empunhando armas de fogo ou brancas para ferir ou mesmo matar pessoas sem dó nem piedade, em caso de resistência. Nas grandes cidades, como é o caso de Luanda, os assaltos multiplicam-se todos os dias. Já não se assalta com a cumplicidade da noite mas à luz do dia.
Em algumas zonas, bandidos e salteadores tomam residências ou ruas impondo restrições na livre movimentação de pessoas e meios. Especialistas estudam o fenómeno, a policia faz a sua parte, mas ao que tudo indica as soluções tardam. O que está por detrás deste fenómeno? O que leva as pessoas ao crime desenfreado? Serão causas económicas, desintegração das famílias ou problemas mais profundos?
Propomos, pois a discussão do tema da delinquência juvenil olhando para as possíveis causas do fenómeno: Cinco anos depois da paz, como se encontram algumas crianças angolanas? - Crianças totalmente abandonadas à
sua sorte; crianças de rua e na rua; crianças expulsas de suas casas, pelos familiares, acusadas de feiticeiras. E quais os possíveis motivos? - Irresponsabilidade paternal, salários baixos dos progenitores ou encarregados de educação, a corrupção no sistema educativo, baixa ou inexistente assistência social, etc. O que se espera de uma criança nestas condições? Que futuro se pode prognosticar para essas crianças?
Com a idade não será o crime a única saída para concretização de sonhos aos quais todos têm direito? As sociedades pagam sempre caro pelos seus desleixos. Virar costas a crianças hoje, é negar-lhes um futuro decente amanhã. E isto cobra-se e paga-se caro…
quinta-feira, abril 05, 2007
quarta-feira, abril 04, 2007
Serra da chela (3) - 1 pedaço de história
Na Huíla, a serra da CHELA domina tudo. Propriamente esta serra fica entre os concelhos de Lubango e Bibala, ou seja, entre Sá da Bandeira, Humpata e Vila Arriaga.
Há várias serras - e de Sá da Bandeira podem avistar-se as de CARNEQUE, NEGOMBE, MUCOTO e CANGOLA; mas desde a CHIBIA a VILA ARRIAGA, Sul de QUILENGUES, HOQUE, HUMPATA, CUROCA NORTE, com a altitude máxima de 2350 metros , tudo é conhecido genericamente por CORDILHEIRA da CHELA.
A povoação mais alta de Angola, é a VILA NOVA, no distrito do Huambo, com 1852 metros de altitude em relação às águas do mar.
Ele chama " Guerra dos mundos"
Uma linda imagem de Luanda . Uma foto extraída do de um dos blogs que mais visito: http://sdblog.wordpress.com/
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SERRA DA CHELA ( 1)
“ A 15 quilômetros de Lubango, capital da província de Huíla, um condomínio turístico está fazendo grande sucesso entre as pessoas que desejam passar alguns dias ou um fim-de-semana em total contato com a natureza, mas dispondo de uma infra-estrutura de alojamento com todo o conforto da vida urbana moderna. É o Complexo N. S. do Monte, encravado na Serra de Chela, a 2 mil metros de altitude. ~
O passeio pode terminar no alto da Serra da Chela, onde fica a cidade de Humpata, também cheia de atracções, como o histórico Cemitério dos Boers, a barragem das Neves, o mirante e a Estação Zootécnica.”
http://www.fesa.org.br/Imprensa/AngolaHoje/2004/Mai-Jun/pag27.htm
terça-feira, março 27, 2007
AS FALHAS DA GESTÃO DE LUANDA
Há sinais contraditórios sobre o desenvolvimento de Luanda, a complicada e de gestão deficiente capital de Angola.
Se, por um lado, há pomposas inaugurações de condomínios, shoppings centres, grades superfícies comerciais, por outro lado constata-se todos os dias as degradação da vida do cidadão comum com estradas esburacadas, pequenas crateras a crescerem a olhos vistos, assaltos constantes e desgraças provocadas pelas chuvas que insistem em cair sobre Luanda.
Há muito que a governação mostra dificuldades e manter a capital melhor equipada com serviços sociais básicos e fluidez no trânsito. Mas quase todas as ideias falharam. Sair de Viana para o centro da cidade continua a ser um martírio diário.
Pessoas há que ficam nos engarrafamentos cerca de três horas, numa viagem diária. Outros sofridos luandenses circulam kms e kms á pé. Tanto a ida como a volta aumentando o stress diário que desgasta quem já não desfruta das riquezas do seu país.
Falar de zonas como a 21 de Janeiro, com o asfalto carcomido ou olhar para a Comandante Bula ao São Paulo é o mesmo que dizer que a gestão de Luanda falhou.
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segunda-feira, março 26, 2007
Missão parlamentar da SADC, que terminou visita a Angola no passado sábado, deixa recomendações sobre a gestão do processo de registo eleitoral em Angola.
Na declaração do fim da visita a Angola, a missão de observação reconhece que o Ministério da Administração do Território trabalha em parceria com a Comissão Interministerial para o processo eleitoral, o que faz com que estes órgãos estejam duplicados ao nível das províncias e dos municípios.
Ao notar que dos 11 membros da comissão nacional, 8 são indicados por partidos políticos, a missão questionou se a CNE poderá gerir o processo eleitoral de maneira imparcial e no caso, o registo eleitoral.
Em relação ao calendário para as eleições, a missão da SADC revela que ao contrário de alguns países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde as eleições são fixadas, Angola encontra-se ainda num grupo de países onde as datas para as eleições são anunciadas pelo Chefe de Estado em tempo oportuno, isto não está em conformidade com as normas e padrões do fórum para as eleições na região da SADC, remata a declaração.
Na mesma declaração, os membros da observação acrescentam que manter as datas para as eleições em segredo não é boa prática porque causa desvantagens aos partidos políticos da oposição.
Finalmente a Missão da SADC deixa uma série de recomendações nas quais adverte ao governo para que nos futuros registos eleitorais e eleições se deve considerar seriamente a utilização de um órgão de gestão único, independente para evitar confusão e reforçar transparência e credibilidade como o aplicado nos moldes actuais onde ambos; o Ministério da Administração do Território e a CNE estão envolvidos no processo.
quarta-feira, março 21, 2007
INCENTIVO AOS BLOGS
Qualquer cidadão que se encontre fora de Angola, encontra uma grande dificuldade em ter mais informação sobre o país.
Na maior parte dos sítios que se visita para se ter mais informação sobre o país, as notícias são repetidas. Única excepção é a Voz da América , que passa informação alternativa, daquela totalmente estatizada, diga-se, governatizada.
Mesmo o Apostolado, não tem uma actualização regular, e os outros, como Angonoticias, têm perdido alguma qualidade. Dai me ter surgido a ideia, de se incentivar mais os Blogs. Na maior parte dos casos, no país esse instrumento está nas mãos dos jornalistas, sendo por isso uma vais valia.
Desafio todos aqueles que lerem este post a visitarem os sites que falam sobre angola. Até parece uma encomenda. há que se fazer mais pelos angolanos. JP
FONTE: www.tundavala-mumuila.blogspot.com
terça-feira, março 20, 2007
VIOLÊNCIA DE GRAÇA
Assim,
(quando) contemplo a vida humana (ainda que) superficialmente o relacionamento entre estes seres, da mesma espécie (humana) apesar das diferenças culturais, financeiras e até da cor da pele, reparo que nuns e noutros houve sempre a folha branca, o tempo e o espaço caracterizado, por um, quase total, estado de selvajaria do homo.
Decifrar naqueles instantes, quem era quem, na apregoada civilização dos mais fortes que um tal de Darwin um dia jurou de pés juntos que as espécies menos evoluídas foram arrasadas pelas mais bens constituídas física e inteligentemente(sem nunca provar como é que o macaco existe e o dinossauro ficou num pretérito distante, sobrando apenas fosseis para provar que existiram, (ossos, nada mais do que isso), sinal de que a batalha de David e Golias não ficou apenas nas páginas da bíblia, continuam a existir vários golias, tais como os macacos que se riem dos dinossauros inexistentes. Mais dizia, era difícil naqueles tempos, saber quem é quem, na medida em que o que se praticava era totalmente contra- humanista.POR MANUEL JOSÉ
Hiroshimas reduzidas a cinzas, carne humana assada em fornos de alta definição tecnológica, animais vadios e abutres em festa diante do banquete servido frio, ao som de obuses e outros materiais aplaudidos pelo mundo científico, alguns com NOBEL e tudo, mas com um, único objectivo- reduzir a pó, os que tentam, os que vivem com dias contados, gente que vai buscar água ao rio e não sabe se vai voltar- quantos desejaram uma bala cravada na cabeça desfazendo o miolo, como quem deseja um gelado numa tarde quente de calor!
Só violência.
Se não tens es duramente violentado. Palavras que ferem mais que garrafas afiadas por alguém de grupo. Buatala, voconho, isso e aquilotro relativamente a pouca sorte na vida, só não te passam a espada do demónio no orifício onde um médico qualquer procura a próstata com o dedo, como quem procura o ovo no... da galinha porque o tal médico também está havido de meter o dedo, graças a Deus a penetração é com luva, do contrário a violência do corpo estranho seria muito mais sentida, mas azar do médico se o paciente semanalmente decidisse que tinha de ser observado por meio do toque.
Se é violentado quando se tem nada, mas quando e tem o suficiente para vegetar, por que viver é poder ir ao México sem ser numa missão jornalística, dizia quando se tem o suficiente também se é violentado.
Mesmo no pouco e a roncar fome ou a dormir numa sala ainda que de luxo e fingir que se tem um sono tranquilo, quer dizer há sempre um abutre- alguém habituado a carne putrificada- para sugar o tutano, lamber os dedos e com uma tanga afiada, bater as nádegas numa estranha dança só reconhecida pelos noctívagos habituados a voos de vassoura, com um céu nublado e anublado dependendo do lugar de pouso, sem engarrafamento e sem polícias esfomeados e com cede crónica de coisas doces, dai cravarem sempre uma gasosa a alguém sem rosto, como se fossem bebés ambulantes.
Só violência. Estão a cortar às mãos!
É incrível como a violência tomou conta do homem mais inteligente que este globo(terrestre) já viu. Usam-se palavras que ferem mais que espada, que queimam mais que o fogo do inferno, mais fundas que o buraco da sepultura.
Autênticos camões longe da pátria continental Lusa que está a aborrecer um João Jardim zangado com as socadas de Sócrates(não é o grego), mas dizem que tem lá a sua lábia e que não leva um batalhão de especialistas ou assessores para o defenderem no parlamento, e que não leva papeis nem e perde ao dar respostas aos deputados mais rabugentos ou sem curso superior de deputagem como os inclinos de 92 na casa com o maior número de leis.
Tugas à parte. Dizia que estão aos milhões, camões que entendem de tudo(são especialistas) de vida familiar em Angola ou no Brasil, de gestão de uma banheira de micates ou de um exército capaz de meter ordem no médio oriente, sabem e entendem mesmo de tudo. Confesso que gosto mais destes camões do que o que só escrevia poemas.
Estes são tão bons que conseguem diagnosticar doenças e passar um atestado médico para um infeliz qualquer ou auto intitular-se como os únicos sadios(até a abrir a boca), capazes de executar serviços públicos, com ou sem ajuda de outrém (não têm tuberculose).
Mas o que me preocupa nesta onda de camões paridos no Séc.XXI, não é só isso. É o facto de serem tão bons médicos que até furam os olhos de quem os convida a comerem do prato sagrado e a cortarem as unhas dos mortos de uma pirâmide qualquer e dar-lhes uma outra aparência e voltarem a ser enterrados como pessoas, mesmo a este convidador eles questionam a sua sanidade, pelo que fazem e dizem nas costas e se o mesmo não precisará do toque da próstata. Confesso que a minha preocupação é legitima!
Outra inquietação prende-se com uma máquina inventada em Cabúl. A tecnologia mais moderna que um dia o mundo já viu. Patrocinada por “Bin Laden pai” e desenvolvida por “George Bush filho”. Mas estes camões que andam por ai, merecem também o seu mérito apoteótico nesta invenção secular.
A máquina, METAMORFOSE, é eficiente, rápida, segura e potente(desculpem a publicidade barata), usada com muita mestria por estes luis... a máquina já não é propriedade exclusiva de invertebrados, alguns animais já bem evoluídos(crescidinhos) estão a usar a metamorfose com muita eficiência que até vou despensar alguns programas da NATIONAL GEOGRAPHIC, só que como se diz o anão tem pernas curtas e uma cirurgia não serviria, talvez digam cada macaco no seu galho(mas nem todos são ágeis, seja no embondeiro seja numa figueira, com ou sem otchinhelo).
Mas isso não vem ao caso, e nem vou falar da violencia contra os quatro órfãos da zungueira alheia, nem dos excessos da farda azul nesta selva urbana.
Talvez um dia haja um aborto colectivo, onde Wahienga Xito não será um feto escritor abortado ao lado de Camões, Pessoa ou Éça de Queirós!
Mas quem sou eu para relacionar violência, Portugas e angolanos? Nada, se não o resto, talvez um aborto em miniatura ao lado de PEPETELA- Vêm como é que a violência começa mesmo antes do nascimento!? Madiês da lata, infelizes e arrastando para o mesmo buraco tantos outros.
Só há uma coisa a dizer, falta muita aréa no camião. Hipocrisia também é sinónimo de infernoéééééééééééééé!!! Ponto final.
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segunda-feira, março 19, 2007
EMISSÃO ECCLESIA NA INTERNET
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MInisterio fala da Ecclésia
Ministério da Comunicação Social angolano reconhece o trabalho informativo prestado pela Rádio Ecclesia depois da sua reabertura, a 19 de Março de 1997. Numa mensagem de felicitações do ministério orientado por Manuel Rabelais, se pode ler que «em dez anos, constatamos um melhoramento significativo na compreensão e abordagem das questões de natureza pública por parte dessa Rádio».
Segundo ainda o documento, o ministério de tutela augura «que as normas que as normas e princípios que regem a actividade informativa continuem a ser observadas com rigor, para que a paz social e desenvolvimento do país que almejamos sema alcançados».
Neste aniversário de reinício da emissão Rádio Ecclesia, o ministério da Comunicação Social «saúda a Direcção, os trabalhadores e ouvintes da Rádio Ecclesia» e manifesta «a sua pré disposição em continuar a prestar a sua colaboração que estiver ao seu alcance», fim de citação.
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