sexta-feira, outubro 12, 2007

O vazio de informação na Huíla

Um dos grandes desequilíbrios por mim sentidos, na recente visita que efectuei ao Lubango, foi a gritante falta de informação. Uma falta sentida por um cidadão médio da capital da Huíla no dia a dia.
O desencanto era menor, no entanto, porque decidi nestas ferias desligar-me das notícias e concentrar-me em trabalhos de investigação histórica sobre Caconda, a vila onde nasci. Mas o vazio informativo, mesmo assim, não foi ultrapassado.
Os meios de comunicação social estatais ao que parece estão num “ocaso latente”. Os jornais privados chegam em número bastante inferior, isto quando chegam. A rádio alternativa, a comercial, ainda precisa de uma “terapia de choque” para encontrar o seu norte, depois da sangria que sofreu, levando sarjeta abaixo os laivos da “ independência” da informação e engenhosidade dos fazedores de opinião da altura. Ora, a denúncia, o cruzamento da informação, a opinião de actores sociais diversificados são coisas do passado. Hoje o privilégio vai para o “ politicamente correcto”.
Nesta análise, tentei me colocar no lugar do mais comum dos cidadãos. Aquele, que por força destas circunstancias, já não participa nos grandes acontecimentos da sua terra. A imensa Angola é retractada apenas num sentido, o oficial.
A Huíla, é opinião unânime de quem a conhecei entre 1995 a 2005, regrediu alguns passos no que toca a liberdade de informação. Estes dez anos foram, amiúde, descritos como os tempos áureos para o fomento da imprensa regional. Mesmo com poucos incentivos, a “carolice” de alguns escribas satisfazia as necessidades de informação do grande público.
A crítica, velada ou aberta, era uma constante. A submissão era rejeitada. Claro que não estávamos perante realidades tão distantes como aquelas transmitidas pelo jornal local OMUKANDA, do falecido Miguel, o Kassana ou o César André, mas a informação na Huíla era válida.
O ocaso que se regista hoje é, no entanto, ligeiramente sacudido por uma publicação local nova, conhecida como REVISTA “ LUBANGO”. O magazine tem qualidade, com altos custos. Redacção local, impressão no estrangeiro e toda colorida. Um exemplar me foi oferecido, por um dos jornalistas percursores da iniciativa.

Fui informado que devia ser de âmbito municipal, retractando apenas o Lubango, mas depois foi “ abocalhada” pelo governo provincial. Nada mau. O fomento da imprensa regional volta a ganhar fôlego, mas como se nota só informação oficial pode ai parar.

A revista tem qualidade, bons jornalistas, mas (ainda) não satisfaz a necessidade de informação na Huíla. Bem-haja a iniciativa e que viva muito tempo a revista Lubango.

NOTA: Assim era num passado recente. Hoje, infelizmente, nada mudou. Até quando?

quinta-feira, outubro 11, 2007

Memórias de guerra ( II )

Na visão estratégica da altura a tomada de assalto deste município era um ponto muito importante. Chipindo, no extremo leste da Huila, dá acesso rápido ao Kuando Kubango, ao Huambo e a ao Bié.

É um dos três municípios que constituíam o chamado “ corredor do leste”, um conjunto de três localidades que facilitavam ampliar o "esforço de guerra" tanto para sul, como para os planaltos da zona central de Angola. Com Chicomba e Jamba Mineira, Chipindo é composto de longos carreiros, profundas e inesperadas picadas em planícies e zonas inóspitas que facilitam a vida de uma guerrilha. Estes são pontos trazidos á lume numa série de reportagens, que li e acompanhei pela net, pela pena do jornalista de guerra Stefan Smith escrevendo na altura para um jornal Português.

E neste dia do longínquo ano de 2001, testemunhava, eu próprio, as imagens idílicas na altura trazidas ao publico por este experimentando escriba que descrevia minuciosamente tudo o que observava na região, com a diferença de que via as coisas do lado dos guerrilheiros.

Chipindo era, pois, a sombra de si mesmo. Ao sobrevoar a vila naquela manhã, pudemos observar rios e regatos, bem como, a destruição das pequenas infra estruturas que o colono deixou no terreno. Até as portas foram arrancadas para aquecer as fogueiras dos soldados! Com o escurecer um cenário fantasmagórico tomava conta da zona. O capim fazia parte do cenário. A mendicidade também.
Quase no fim do dia, do poente avistamos os gigantes do ar de regresso. Os últimos minutos nesta “frente de guerra” serviram para memorizar todo um cenário! O regresso ao Lubango estava previsto para as 17, mas a viagem de volta a cidade só aconteceu as 18 horas.

Os 500 kms foram feitos em cerca de uma hora. Os helicópteros iam cheios. Á comitiva inicial foi acrescentado mais um grupo de crianças. Os petizes iriam para um centro de acolhimento. Parentes de oficiais também seguiam e claro o resto dos dois bois semi – gordos que serviram para o nosso almoço serviriam para outros no Lubango, qual espólio de uma guerra que (ainda) não tinha data para ser sucedida pela paz…
(Fotos Internet)

Memórias de guerra ( I )

... Os dois helicópteros levantavam. Rumavam para oeste de volta ao Lubango depois de terem, no Chipindo, deixado a comitiva de militares e policias - de alta patente e sua segurança - e jornalistas numa das mais temidas frentes de guerra de toda a região sul.
Corria o ano de 2001 e a guerrilha do “ galo negro” tinha sido desalojada deste extremo nordeste faziam dez dias. Era cacimbo (tempo seco) e o frio apertava. Os guerrilheiros apossaram-se de Chipindo durante treze longos anos.
A população depauperada, vivia como podia. Longe das trocas comerciais com os grandes centros urbanos, a (sobre) vivência só era possível pela versatilidade dos angolanos. A intenção dos “homens de armas” em levar os jornalistas ao terreno, era para constatar “ in loco” o alargamento do cordão defensivo do exercito governamental, naquele tempo em que estava no auge a lógica de “ fazer a guerra para acabar com ela”.
Os doze jornalistas, em que me incluo, foram autorizados a falar com os capturados da guerrilha, com os comandantes locais da polícia e das FAA e depois com o chefe da missão. Os “ escribas” eram do Lubango e de Luanda. Conhecedor da região (afinal era a minha província e ai residia) e falando o umbundu tive relativa vantagem sobre os demais.
Escolhi, para entrevistar, em entre vários, um senhor de meia-idade. Maltrapilho, olhos assustados, esfomeado. O homem, descalço (suspeito que nunca usou botas militares na vida...), representava apenas um remoto exemplar de um guerrilheiro a moda africana! Falou-me num umbundu vernácular sobre as suas façanhas da guerra! Temia ser preso por muito tempo, fruto da sua captura em terreno de guerra agora ocupado pelo inimigo figadal daquele tempo.
Contou-me que os seus companheiros estavam a menos de dez kms, dados depois não confirmados pelas FAA. Depois deste, ouvi outros tantos. O meu dia mais longo numa frente de guerra ia passando, ora ouvindo as estórias e historias de guerra contadas pelos oficias governamentais, ora rabiscando qualquer coisa no meu bloco de notas. As horas passavam. Mesmo em terreno hostil um agradável almoço foi servido e regado com vinho levado do Lubango. Dois bois semi- gordos foram abatidos para a numerosa refeição. Fiquei curioso em saber se o gado foi capturado dos guerrilheiros ou apascentado nas cercanias.
O que era, quase, impossível numa frente de guerra.....

NOTA: Texto publicado em Setembro e 2006, neste blog, no cojunto de escritos sobre intutulados " Na frente de guerra". A coberura, possivel, do autor de alguns momentos do famigerado conflito armado angolano.

Fotos daqui http://www.blogda-se.blogspot.com/

quarta-feira, outubro 10, 2007

Uma cor muito garrida!

Garrido, um dos ícones do moderno jornalismo huilano aproveitou, com aliás sempre o faz nas suas constantes passagens por Luanda, trocar um dedo de conversa com “ emigrados” jornalistas da Huíla radicados nesta “selva urbana” que se transformou a capital.
O realizador de TV, diz que o Lubango está bem melhor, que está mais limpa e continua a ser aquele destino turístico que os angolanos e expatriados conhecem.

O “homem de mil e um ofícios”, como não se coibiu de dizer, olha com olhos optimistas para o desenvolvimento económico da nossa terra, fazendo com que nos próximos tempos possa ombrear com províncias do litoral visivelmente com meio caminho andando no importante percurso para um desenvolvimento multiforme da sociedade.

O realizador tem as suas impressões digitais no programa “ Nós e a Noite”, um dos símbolos televisivos dos huilanos na grelha nacional, onde o turismo tem sido a tónica dominante.
Diz ele que “ Caconda, Chicomba, Caluquembe e outros municípios do interior despontam para o turismo, agora em tempo de paz”. Salienta que “ hoje por hoje já não é só Cristo Rei, para visitar ou Tundavala para olhar, mas outros locais. E pela localização estratégia no mapa de Angola, a Huíla pode facilitar o turismo de escalada, o chamado turismo radical e mesmo o de praia” realçando este ultimo aspecto pelo facto de rapidamente poder-se escalar o Namibe e duas horas depois poder-se voltar ao Lubango para dormir. Ena pá!
Luís Garrido, com créditos firmados no jornalismo e no sindicalismo, disse lamentar, pessoalmente, a “desgraça” que literalmente se abateu sobre as dezenas de jornalistas da Rádio 2000 despedidos, sem indemnização, em Dezembro de 2005.
Notou, e com razão, que hoje a informação decresceu de qualidade na cidade e o grande prejudicado continua a ser o grande público, privado da mínima notícia indepedente e que não agrade o poder local … ou a quem gere a estação.

terça-feira, outubro 09, 2007

Lubango: Meu cristal do sul!

Lubango. Numa das calídas noites de Agosto, onde há turismo e muito mais.
( Foto: Internet)

Um tribunal atrás do prejuízo ….

Numa corrida, talvez contra o tempo e as pressões nacionais e internacionais, eis que surge da cartola um Juiz Presidente do Tribunal Provincial de Luanda a pretender reavaliar todo o processo que conduziu Graça Campos á cadeia.

O “ escriba” já está a sete dias atrás das grades na “ remodelada” Cadeia Central de Luanda, onde a lotação começa a ficar esgotada, tal é o número de detidos que todos os dias lá chegam.
O tribunal, dizia eu, segundo fonte insuspeita, iniciou a reavaliação do processo depois de ter constatado gritantes falhas do meritíssimo que julgou o jornalista.

“ A sentença do juiz de causa, Pedro Viana, está a ser reapreciada, no sentido de se dar liberdade ao jornalista através de uma caução” segundo o Director adjunto do Semanário Angolense, Silva Candembo, que espera ainda que “ a libertação de Graça Campos venha corrigir um erro da justiça do país” diz o profissional de imprensa.

Graça Campos, vai ficar a saber se em seguida a sentença subirá ao supremo para o recurso, ou a sua consequente soltura. Silva Candembo, não arriscou a data da soltura do Director geral do semanário Angolense.

MISA -ANGOLA lança campanha por Graça Campos*

MISA-Angola lançou, em todo o território nacional, uma campanha de recolha de assinatura com o mesmo objectivo. Dezenas de jornalistas já assinaram o documento, posto a circular inicialmente em Luanda.

«A bem da informação de interesse público, manifestemos solidariedade ao colega Graça Campos», reza o manifesto do ramo angolana do Instituto de Média para a África Austral, sedeado em Windhoek. A notícia da detenção do “ escriba” corre o mundo e espanta os defensores da democracia.
De Paris, a organização “Reporters Sans Frontières (RSF)” exprimiu o seu «espanto» perante a medida de que foi alvo o jornalista angolano.
«O carácter desmedido da pena é um primeiro motivo de inquietação. E o facto de que, em Angola, um jornalista esteja condenado à prisão acentua a nossa preocupação. O país distinguiu-se nos últimos anos pela falta de prisão dos jornalistas radicada em delitos de imprensa.
Infelizmente, este período parece encerrado uma vez que temos que recordar às autoridades angolanas que, em casos deste, a cadeia não é absolutamente uma resposta», acrescentou o comunicado de RSF divulgado no último fim-de-semana.

Felisberto da Graça Campos, está a sete dias na Comarca de Viana, condenado pelo crime de difamação e injúria contra o antigo ministro da Justiça, Paulo Tchipilica. Ao jornalista é ainda exigida uma indemnização de 250 mil dólares. * Com Apostolado

segunda-feira, outubro 08, 2007

Liberdade já !!!

Eis a questão: Quem será o próximo?

Uma lista muito negra!

Neste Outubro chega ao fim o prazo de três longos meses de punição a transportadora aérea nacional de sobrevoar ou pousar no solo Europeu.

Na altura ouviram-se vozes contra, protestos de retaliação e o estudo de vias alternativas para minimizar esta medida tida como negativa para um país soberano, dono de si e conhecedor das leis e normas internacionais.

A inclusão da TAAG na lista de companhias proibidas de voar no espaço aéreo europeu foi adoptada pela Comissão Europeia.

Na altura a Comissão Europeia anunciou que recebeu um parecer favorável, por unanimidade, do seu Comité de Segurança Aérea à quarta actualização da lista do executivo de companhias proibidas de voar no espaço aéreo europeu, por razões de segurança.

Pelo que se sabe, foi a França que, pela primeira vez, detectou anomalias graves a nível da segurança dos aviões desta companhia. Acompanharam a TAAG companhias de outros países com Indonésia, Nigéria, Congo democrático entre outros.
Por azar dos pecados, no dia em que a União Europeia, através da sua Comissão Europeia anunciou a intenção de incluir a companhia de bandeira angolana TAAG na lista negra de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu por razões de segurança, uma aeronave da TAAG, um Boeing 737-200, despenhou-se quando se fazia à pista de Mbanza Congo, proveniente de Luanda, embatendo num edifício.

Este foi apenas o ultimo de uma série de acidentes de aviação que Angola conheceu. Os antonovs, aviões de carga russos, despenharam-se pelo país. Dezenas de pessoas morreram e a assunção da culpa não veio á publico. Quem assume a culpa?

Há gente que exige a cabeça do ministro dos transportes, André Luís Brandão. Entre a multidão que exige a sua exoneração ou demissão está um dos mais renomados deputados do MPLA, Mendes de Carvalho.

Recentemente, talvez num truque de mestre – para antecipar a nova decisão da União Europeia - o governo de Angola aprovou o projecto de lei da aviação civil, tendo em vista a regulação das actividades do sector no espaço aéreo nacional e internacional sob jurisdição angolana. O diploma aprovado pelo Conselho de Ministros procura incorporar na ordem interna normas e práticas recomendadas pela Organização da Aviação Civil Internacional, mediante um mecanismo denominado "Normativos Técnicos Aeronáuticos".

Surgiram notícias de companhias sem cintos de segurança em condições, sem manuais de bordo, sem a possibilidade de acomodar os passageiros. Á boca pequena diz-se que o sistema de manutenção técnica de aeronaves de algumas companhias não tem sido o melhor, devido a insatisfação salarial de alguns operacionais.

Como pode um cidadão confiar a sua segurança á uma empresa de aviação que tem essas debilidades?

As nossas estradas

É um assunto que se impõe: a segurança nas estradas do país, a condição dos veículos e dos seus condutores.
Sente-se que nos últimos tempos são cada vez mais aparatosos os acidentes de viação nas grandes estradas do país.
Acidentes que, diga-se de passagem, aumentam de intensidade na medida em que as estradas são reparadas, melhoraras e reconstruídas. Para ilustrar basta a deslocação do Sumbe á Luanda e vice-versa, com incidência para os fins-de-semana.
Nota-se também que em grande parte dos acidentes estão envolvidos jovens na casa dos 20 ou 30 anos, circulando em viaturas de alta cilindrada, ceifando vidas e acabando com os sonhos de futuro que as vitimas acalentam. Várias famílias são enlutadas a cada fim-de-semana. Serão as estradas, a imperícia dos automobilistas ou a condição técnica dos veículos? O que dizer das escolas de condução e o seu ensino?
Outro sim, vozes se levantam contra a inspecção de viaturas, uma atribuição da corporação policial especializada no assunto. O estado técnico de viaturas importadas especialmente da Europa, volta e meia deixa muito a desejar.
Viaturas há, que se afiguram quase sucatas (permita me a palavra) mas que são autorizadas a circular pela cidade em pé de igualdade com outros em melhores condições. Será que a fiscalização ou inspecção poderia que algum modo atenuar a situação actual?
Os automobilistas para encararem de frente a segurança rodoviária olham para as estradas. A reabilitação das vias em Luanda e no interior do país tem sido uma realidade, apesar de se notarem sinais lentos para o fim destes projectos, cinco anos depois de alcançada a paz.
É sabido por demais, que as estradas são uma espécie de Veias que transportam o sangue do desenvolvimento. Muitos países conseguiram fazer a sua distribuição geográfica, graças a um plano de expansão de rodovias inovador. Cá entre nós será que existe? Estarão as brigadas a trabalhar, segundo o princípio da grande necessidade do país, ou apenas seguindo país, ou apenas seguindo princípios eleitoralistas?

terça-feira, outubro 02, 2007

A descontração dos jornalistas... Uma pausa no tempo para " ficar" por dentro.

. Um dos momentos da saudade, mas que o tempo não apaga. " Picanha do arraso" Dezembro/ 2006. Rádio de confiança- Luanda

Angola rural

Em zonas rurais de Angola, uma motorizada é uma grande oportunidade de ter rendimentos financeiros. A motorizada é o " taxi" usual.

Motim na cadeia de Luanda

Tumultos na Cadeia central de Luanda terminam com dois reclusos mortos e outros cinco gravemente feridos. Um guarda prisional sofreu, igualmente, ferimentos.

Tudo terá começado as 21 horas desta segunda feira, quando um grupo de reclusos tentou forçar a saída para uma fuga.

Segundo apurou a imprensa, durante a noite e madrugada a intervenção das forças policiais, entre elas, a PIR e a “ brigada auto” contiveram os tumultos. Fontes no terreno avançaram a Ecclésia que bairros como, Nguanha, Porto Pesqueiro e Campismo, limítrofes a Cadeia Central de Luanda estiveram a ser fortemente vigiados por efectivos da polícia.

O porta-voz da polícia nacional em Luanda, Intendente Divaldo Martins, disse que há informações que indicam que os reclusos estão insatisfeitos com as condições no interior do estabelecimento prisional.

Por outro lado, o porta-voz da polícia nacional Divaldo Martins, avança que o motim está contido. A revolta dos reclusos da Cadeia central de Luanda (CCL) deu-se com grande incidência na ala masculina da prisão.

Na CCL estão alojados mais de três mil reclusos e é a par da cadeia de Viana uma das maiores de Luanda.

E a coordenadora do projecto de reforma penal da Associação Justiça, Paz e Democracia, Lúcia Silveira, apela ao governo a rever as condições internas nas cadeias do país.
E o psicólogo social Carlinhos Zassala, expressou a sua preocupação perante a falta de psicólogos e sociólogos nas unidades prisionais do país. Segundo afirma, pode ser o acumulo de conflitos não resolvidos que motivaram a situação de segunda-feira.

Mais um blog sobre Angola e o Brasil

Sara Manera, brasileira e amiga, jornalista e estudante de comunicação social tem este blog para todos nós. Nasceu e estuda em Salvador e nutre uma grande simpatia por Angola.
Destaque Luanda e a sua vida nesta movimentada cidade. A Sara está em Angola para investigar " O trabalho das rádios em Angola" com destaque para 3 delas: Ecclésia, LAC e RNA.
Boa leitura
FOTO: Sara e uma amiginha angolana no bairro em que vive em Luanda.

sábado, setembro 15, 2007

ANGOLANO

Ser angolano é meu fado, é meu castigo Branco eu sou e pois já não consigo mudar jamais de cor ou condição.

Mas, será que tem cor o coração?Ser africano não é questão de coré sentimento, vocação, talvez amor.Não é questão nem mesmo de bandeirasde língua, de costumes ou maneiras.

A questão é de dentro, é sentimentoe nas parecenças de outras terraslonge das disputas e das guerrasencontro na distância esquecimento!

de Neves e Sousa (Pintor e Poeta Angolano)

CRISE DE VALORES NA JUVENTUDE: FALTA DE POLITICAS SOCIAIS OU DEMISSÃO DAS RESPONSABILIDADES DOS PAIS?

Nos dias de hoje ser jovem é um grande desafio. Milhares de pessoas nesta condição enfrentam as agruras de uma vida incompreendida, difícil e sem rumos de desenvolvimento. O dia mundial da juventude é coisa do passado, mas a discussão sobre o rumo da juventude continua permanente e actual.

O cenário angolano pode ser descrito em poucas palavras. Há aqueles jovens que tiveram a sorte de nascer em “berços de ouro” não se esforçando tanto para uma vida realmente de príncipes, no capítulo financeiro.
Há ainda aquela categoria de jovens que por esforço próprio conseguiram espantar o fantasma da pobreza e conhecer formas honestas de sobreviver. Se no capítulo económico é essa a realidade, o mesmo não se pode falar dos valores morais.
Psicólogos e sociólogos falam de categorias: os que mesmo económica estáveis, vivem numa acentuada crise de valores; aqueles que conhecem privações, mas com convicções suficientemente suportadas em princípios de orientação moral. Há ainda aqueles que foram apanhados pela crise moral das sociedades modernas, actuando como diz o povo “como “cata-vento virando-se para onde bate mais o vento”.

O que se passa com os jovens da nossa sociedade? Há demissão das responsabilidades paternas ou haverá falta de referências morais para melhores dias. O consumo exagerando de álcool, a gravidez precoce e a falta de estratégias de ensino, são descritos como alguns dos problemas. Serão as políticas sociais do estado a falharem ou os rumos destes tempos como causas deste estado de coisas?
Há ainda o facto das nossas grandes cidades registarem actos de jovens vândalos a enveredarem pelo crime, talvez a procura da sua realização familiar. A igreja tem exercido um papel importante na consciencialização da juventude. Mas, sabe-se, que volta e meia, confronta – se (a igreja) com uma espécie de “remar contra a maré”, pois a degradação moral da juventude, algumas vezes tem origem na própria família.
Recebemos, todavia, informações de casais separados, com filhos adolescentes desagregados para cuidar ou ainda pais, pressionados pela actual sociedade de consumo, procuram vários expedientes para satisfazer as necessidades matérias das suas famílias.
O que se pode fazer para inverter esta tendência ou infundir, todavia, os valores morais necessário a criação de famílias felizes?

terça-feira, agosto 28, 2007

A carapuça

" Ser fiel aos seus pensamentos é uma posição nobre para quem assume as suas obrigações ".Serve esta frase para responder á um leitor deste blog, desconhecido, que lançou palavras menos amistosas sobre mim e sobre o Orlando.
Não foi respondido, este comentário desabonatório, por limitações de trabalho, viagens, para Joanesburg e Lubango, entre outras coisas. Volta e meia precisamos de tempo para estas actividades.
( O Orlando é para mim um ícone e " bloguista" de primeira linha)
Conforme disse, em tempos um articulista, " compreendo, no entanto, que muitos dos meus colegas sejam voluntariamente obrigados a não cuspir no prato que todos os dias os alimenta. Poderiam contudo, digo eu, deixar trabalhar todos aqueles que quando aplaudem não têm medo de cair da árvore".
Esta é a posição de alguns.... A minha é dar o rosto e olhar para todos. Mesmo para o covarde desconhecido que se esconde na carapuça da escuridão para lançar "farpas" á quem de cabeça erguida assume os seus pensamentos, mesmo com limitações de varias ordem.
PS: Obrigado ao Orlando Castro pela força.

domingo, agosto 26, 2007

Jornalista?

Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.
Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.
OBS: Faço minhas as palavras de Orlando Castro. Texto publicado aqui http://www.altohama.blogspot.com/

Integração regional político e económica: como tornar efectiva esta intenção?

Angola assume-se cada vez mais, como mentora de novas estratégias de segurança regional na comunidade de países da África austral, SADC.

Uma política de boa vizinhança terá sido engendrada. Junto dos dois Congos, por exemplo, a situação está totalmente controlada. Angola também mantém boas relações com a Zâmbia e o Zimbabwe, apesar de politicamente haverem "nuvens negras" a pairarem sobre o relacionamento político- estratégico com a África do sul.
Por outro lado, Angola assumiu recentemente a presidência do órgão responsável pela política, defesa e segurança regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Isto aconteceu numa Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, onde Angola se faz representar pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Se no capitulo da segurança estamos conversados, a integração regional parece conhecer momentos menos bons no âmbito social. O desenvolvimento do países da região é nitidamente feito em "ilhas". Falar do nível de organização social da África do sul, da Namíbia e do Botswana é diferente de Angola e do Zimbabwe.

Uma cimeira sobre a pobreza foi marcada para o próximo ano, mas nos dias que correm, há milhares de jovens que deambulam pelas ruas da amargura a espera de uma oportunidade de trabalho ou ter um pão para levar á boca. Que políticas sociais existem na região? Como fazer crescer as economias regionais de maneira harmoniosa?
Outro olhar vai para a circulação de pessoas e meios pela região. Há alguns anos projectou-se a criação de uma estrada que ligaria o Cabo da boa Esperança, na África do sul ao Cairo no Egipto. Esta via, pomposamente chamada de via Pana- africana ainda continua nos projectos dos seus mentores.

Como fazer, com que os cidadãos circulem livremente pela região, sem grandes restrições, a semelhança da Europa comunitária? Há a possibilidade de supressão de vistos entre os catorze membros da comunidade.
PS: Breve reflexão sobre "Angola na região". Um painel com distintos convidados realizado e emitido na Rádio Ecclesia - emissora católica de Angola com a moderação do autor deste blog.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Moçambique!

" Do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbu" continuam a ser as divisas que marcam saudades que o tempo não apaga. Ademais, pela simplicidade de um povo que mereceu " esquecer" a quentura da guerra, para " esfriar" as feridas numa harmonia que os tempos vão justificar com as suas escritas de ouro.
Por aquelas "bandas", diga-se cada vez mais de passagem, a amizade é o trunfo de todos os dias e dos dias todos. Da experiência bebida de companheiros da classe ficou o sabor de um jornalismo activo, mas em alguns sectores, necessitando de vitalidade. Um desses aspectos são os conteúdos das rádios comunitárias. Mas acredito num futuro radioso, para quem, como nós ousamos tentar sem fugir, ao invés de fugir dos sonhos sem tentar. São algumas das lições de vida das terras das machambas e da marabenta.
E salta á vista a importância para as comunidades o surgimento destas estações de rádio, algumas delas incentivadas pela UNESCO e pelo governo moçambicano. Quem dera que por cá também tal fosse uma realidade...
PS: Texto dedicado aos camaradas de jornada em Maputo, angolanos e moçambicanos. Este é, caros amigos, um dos " tributos que vos devo!