domingo, maio 13, 2007

OBRAS NA ESTRADA DO KM/40 PERTO DO FIM

À beira da pista as coisas passam rapidamente pelos olhares apressados dos cidadãos obrigados a fazer todos os dias o mesmo caminho. Montes de areias em cores variadas, britas, caminhos de terra, marcas de rodas do chão, são imagens que poucas pessoas se interessam em registar e muito menos profissionais de construção civil, na verdade são eles os autores de obras de arte. Uma das principais obras rodoviárias na província da Huíla decorre no trecho que liga a cidade do Lubango, ao quilómetros 40, e que liga a capital huilana ao norte e leste da província pelos municípios de Quipungo e Matala, assim como Cacula e Quilengues. O director-geral da PLANASUL, empresa que executa as obras, Hernâni Silva garantiu que está a se cumprir com o plano de obras previamente elaborado, não obstante aos condicionalismos causados pelas chuvas. Assegurou que até Agosto deste ano, o percurso com cerca de 45 quilómetros será entregue e completamente recuperado. “A estrada Lubango / KM 40 terá uma largura de 8 metros em relação aos seis anteriores, ma espessura de 4 cm ”, realçando que será um percurso que vai responder as expectativas de desenvolvimento económico, assim como no aumento do tráfico rodoviário, tendo em conta a intensidade de desenvolvimento que o país observa. As obras de recomposição de pequenos trechos, sinalização horizontal, vertical e recuperação de pontes deverão estar concluídas até o fim do primeiro semestre deste ano. Iniciadas em Setembro de 2006, depois do processo de recargas de solos, abertura de valas de drenagem, começou o processo d colocação do pavimento asfáltico. O melhoramento das estradas é um sonho regional, tanto do lado dos huilanos, como dos habitantes das províncias vizinhas. Este sonho está se tornando realidade e o programa do governo que emprega investimentos de biliões de Kwanzas, prevê nos próximos anos na construção de estradas, pontes, na região leste e norte da província, com o objectivo principal de integrar mercados, tanto nacional como internacionalmente. As dificuldades de transporte e as chuvas têm sido apontadas como uma das principais razões para o atraso na execução das obras, mas o desejo dos empreiteiros de enfrentar o desafio de usar estas estradas como alavanca para um desenvolvimento, fala mais alto, por isso o trabalho não pára. A PLANASUL, é uma empresa que faz parte do grupo SOCOLIL, existe há três anos e cem por cento angolana. Surgiu para enfrentar os desafios que o Estado angolano traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país. Para de forma segura e competente desenvolver e executar as obras que a si foram confiadas a Empresa investiu nos últimos três anos 25 milhões de Dólares americanos no seu apetrechamento, segundo fez constar o seu director-geral, Hernâni Silva.
Estes investimentos, assegurou, recaíram para área técnica e administrativa e surgem da necessidade de enfrentar os desafios que o Estado traçou, em relação a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias ao nível do país. “ (…) é nesta base que a Planasul organizou-se e apetrechou-se administrativa e tecnicamente de forma a cumprir com este objectivos traçados pelo Estado e estamos preparados para enfrentar qualquer desafio, o impasse é que o equipamento adquirido é moderno e vai de encontro as inovações tecnológicas”, referiu.
Hernâni Silva mostra-se, por outro lado, preocupado com a manutenção do mesmo, uma vez haver poucos técnicos no país para a manutenção de máquinas pesadas. Como solução, notou, a Planasul está a contratar técnicos estrangeiros, com a obrigatoriedade destes formarem angolanos nesta vertente.
Actualmente esta empresa, de cem por cento de direito angolano, trabalha nas obras de reabilitação das estradas, Cacula/Caconda, Quilómetro 40 / Matala com 132 quilómetros . Empresa do grupo SOCOLIL, existe há três anos, emprega 570 trabalhadores dos quais 30 expatriados de origem brasileira.
Por: Morais Silva

MCK: Um mestre sem cerimónias!!!

Alguém tinha reparado no som do MCK? ….eu, na minha pródiga ignorância ainda não! MC….para quem não sabe é acrónimo de Mestre de Cerimónias….ora cerimónia é coisa que este irmão não faz….não tem nada de timidez o primeiro album deste tipo! Nada daquela atitude “desculpem-lá-eu-quero-entra-nesta-cena-fazer-discos-e-portanto-vou-começar-sem-grandes-invenções” …a abrir a carreira um album cheio de sumo, cheio de som….cheio de africanidade. O video do single promocional tá absolutamente fantástico….podem vê-lo aqui. …a musica chama-se “Atrás do prejuizo” e narra o dia de um jovem angolano, é um conjunto de rimas discursivas….numa dicção clara e não repetitiva….o refrão é cantado por um clássico do Semba Angolano e a conjungação dos dois estilos está….simplesmente….FA-BU-LO-SA!!! …aliás todo o album aproveita a inspiração africana tradicional….e o mais incrivél é que às páginas tantas tás a ouvir um puto altamente criativo a rimar power atrás de power sobre a corrupção e banditismo, sobre a miséria e a degradação e na estrofe seguinte…..uma voz femenina a swingar uma ginga subtil em kimbundo….coisa mágica brother! coisa….mágica! transportamos santanás com os fatos e as gravatas luxuosos e negamos deus com actos ….é uma das coisas mais interessantes que o K(apa) manda logo na introdução do album. Adaptado de http://pedromoraiscardoso.wordpress.com/

De volta!!!

Depois de muito tempo sem colocar os ditos e os pensamentos neste " canto", eis-me de volta para " serrar" com a Chela no coração! Computadores e outras parafernalias a atrapalhar. Trabalho e muito stress, para variar, marcaram esta ausência. De volta estou e, portanto, de pedra e cal. Cá vamos nós!!!!!

terça-feira, abril 24, 2007

Palavras finais ao Luís

Mais um companheiro se foi. O Luís Pascoal, da TPA-Huíla, foi assassinado por desconhecidos, nesta segunda feira, na (agora violenta, demais) cidade do Lubango. Jornalista de imagem há 25 anos o Luís não resistiu aos ferimentos provocados pelos seus algozes, sem causa aparente. Alias, não há causa que justifica uma morte. Apesar das privações por que passava e não escondia isso, o Luís nunca virou a cara á luta.
Os encómios nesta altura não falham. O governo da província da Huíla foi o primeiro lamentando a morte do operador de câmara. Numa mensagem, o director provincial da Comunicação Social, João de Castro, afirmou ter sido com profunda consternação que as autoridades locais tomaram conhecimento da morte do repórter, endereçando à família enlutada e à TPA, profundos sentimentos de pesar.
Segundo a ANGOP, a polícia ainda não se pronunciou sobre o caso, uma vez estarem a decorrer as investigações.

sábado, abril 21, 2007

Aproveitamento dos quadros nacionais e estrangeiros – uma questão de origem, competência ou complexo?

Durante muito tempo, os angolanos foram habituados à reflexão segundo a qual o recurso mais importante de uma nação são os homens, os seus quadros. Com o nascer da primeira república, em 1975 milhares de angolanos foram enviados para vários países. Cuba, a então URSS, as antigas Jugoslávia e Checoslováquia entre outros , receberam os potenciais quadros angolanos. A estes juntam-se outros cidadãos que durante o período colonial foram para Portugal formar-se em varias áreas. Como resultado desta política, tanto do estado como de instituições privadas, Angola recebeu engenheiros em várias áreas; biólogos, professores; médicos, jornalistas entre outros. Se durante o período de partido único a inserção era feita de maneira rápida com os famosos encaminhamentos para os locais de trabalho, com a abertura do país à economia de mercado as dificuldades começaram. Para alguns a questão era de se deslocarem aos locais de origem, mas para outros a questão era procurarem zonas tidas como mais atractivas. A falta de incentivos no interior do país fez com que muitos quadros e bem formados optassem por viver em Luanda, onde teoricamente a vida seria mais facilitada. Outros, regressados ao país com muitas expectativas viram-se relegados a segundo plano. Aqueles que os haviam enviado já não garantiam emprego. E como se isso não bastasse, assistem impotentes a uma espécie de discriminação, segundo a qual se dá precedência aos expatriados. Como são aproveitados estes quadros nos dias que correm? È real a informação segundo a qual há muitos doutores e outras pessoas formadas superiormente recorrendo ao mercado paralelo para sobreviverem? – como de resto diz um ouvinte nosso no indicativo deste espaço- depois do estado ter investido milhares de dólares com o INABE, para a formação destas pessoas, como encontrar políticas consentâneas para a inserção destes quadros no mercado de trabalho?

sexta-feira, abril 20, 2007

IMAGENS DE LUANDA

A ferocidade da vida caminha a passos largos com a pobreza. São visíveis a olho nu, nas ruas de Luanda, nas paragens de candongueiros, nos autocarros e nas longas filas de marchantes imagens que nos lembram filas intermináveis de contratados e escravos do sertão ao embarcadouro.
Escravos sim. Duma vida que vê degradados os seus valores mais elementares como o humanismo, a solidariedade e o amor ao próximo. Apenas de forma isolada nos “surpreendemos” com gestos amistosos de quem deixa a cadeira para um idoso, a uma mulher grávida ou com criança ao colo, ou ainda o apaziguamento de uma contenda.
Acabei de ver um sujeito das FAA a esmurrar em plena luz e sem causa aparente um jovem que por sinal até se dirigia à oficina em que trabalhava. Motivo: Escorregou na lama que encobria o asfalto e tocou-lhe na farda.
Desumanamente todos passamos. Ninguém socorreu o jovem que sangrava nas narinas. Também ninguém repreendeu o sargento.

O poder das ideias, acima das ideias do poder!

“ O poder das ideias, acima das ideias do poder” eis a divisa de alguns que julgam, certamente, que o melhor é estar com a mente perfeitamente definida sem vender da alma para depois “ reclamar o sol”. Que não haja, mais uma, GERAÇÃO DA UTOPIA.

quarta-feira, abril 18, 2007

O Quanto o Mercado te Deve!

Durante as Férias no Lubango fui à Rádio 2000. Foi lá onde pela primeira vez sentei-me numa redacção de notícias de rádio para trabalhar. Também, foi naquela rádio contentorizada em que pela primeira vez realizei e apresentei um programa: o «Estão dos Novos».
Na verdade era uma co-realização e apresentação com o Valentino Mateus e Técnica de Mário Pereira. Um programa que até hoje é uma referência na história do entretenimento radiofónio local. Durou três anos, não foi tempo curto, mas sim o suficiente para não mais sair da memória de quem ouviu, ainda que tivesse sido apenas uma única edição.
O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Também foi lá onde aprendemos a ser «pau para toda obra», ao lado de nomes como, Manuel (Pedro ) Vieira, Celestino (Manuel ) Gonçalves, Fernando dos Santos (Sambingo), Nara Roque, Regina Reis, Cláudio Dias, Gabriel Niva, Nádia (de Deus) Camate, Francisco Gonçalves, Valentino Mateus (Jambela) e outros. Alguns ainda estão no activo. É caso de Celestino Gonçalves, Editor da Rádio Huíla ( do grupo RNA), Manuel (Pedro) Vieira, Editor Chefe da Rádio Ecclesia (RE), Nádia Camate, realizadora dos programa Auto Estrada e Educar para a Saúde, bem como apresentadora do jornal as 18h:30' da RE, Gabriel Niva, apresentador programa Kais FM da RE, Valentino Mateus, correspondente da RE na Huíla. Mas a vida dá muitas voltas e nessas voltas a vida das pessoas vai sofrendo metamorfoses, algumas das quais radicais.
Fernando dos Santos, Ex-Editor da Rádio 2000, agora é oficial de informação do Comité Inter Ecclesial para a Paz em Angola (COIEPA), aqui em Luanda, na Nara Roque trabalha agora para Angola Telecom no Lubango, a Regina Reis agora é funcionária de um prestigiado banco, no Lubango, Cláudio Dias dedica-se a criação e produção de publicidade numa agência da qual é sócio, no Lubango e Francisco Gonçalves a trabalhar para ONG americana, aqui em Luanda. Na 2000 fazíamos tudo mais alguma coisa. Se calhar seja por isso que onde cada um está conseguiu e consegue adaptar-se.
2000, O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Da 2000 toda essa gente tem boa memória dela, por tudo que passaram ( coisas boas e más). É o caso de Alves da Silva, João (Manuel Osvaldo) Pinto, António de Sousa (Simbo), Joaquim Gonçalves, Manuel Esperança (Simbandambi), a Horvanda Andrade, Horácio (de Sousa dos) Reis, agora também na sua agencia de publicidade a «Alfa Publicidade».
O QUANTO O MERCADO TE DEVE!
Ah, o Horário de Sousa é sócio da Rádio... Mas seja como for já não trabalha directamente na comercial. Nessas férias encontrei-me também com o pessoal do Jornal de Angola, no Lubango, o Morais Canâmua, quis tanto encontrar-me com Estanislau (João da) Costa, mas não consegui. Mas falamos ao telefone. BENEDITO JOAQUIM ( http://comunicador.blog.com/)

Um abraço ao Orlando Castro!

Para mim é um dos “bloguistas” de primeira hora. Luso- angolano, com grandes referencias para as terras de Epalanga, Mutu e Katyavala. Li e reli os seus textos, inflamados de verdade, volta e meia, transportando alegria, mas cáusticos para com o “ sistema de coisas” que observamos estar a fazer morada entre nós! Eis o abraço ao Orlando Castro!
O senhor, algures pelo norte de Portugal, nunca virou a casaca, uma das coisas que me faz admirar o “escriba”, antes do homem. A meu ver, a treta (entenda-se como fronteira) entre o escriba e o homem é ténue. Em Angola ainda é maior, pois, os “ poucos que têm muito tentam até comer as cabeças e barrigas dos muitos que nada têm. Grande pena! Ainda bem que onde haver uma verdade, tentem os “ opressores”, a verdade permanecerá.
Eis o abraço ao Orlando Castro!
Em tempos, numa dessas noites estive a conversa com um dos mais destemidos jornalistas angolanos. Questionei-lhe sobre o Orlando Castro. Falamos e falamos. Por pouco comprometiamos o horario que estabeleceu com um confrade meu na Rádio Ecclésia, onde trabalho, para uma resenha crítica sobre a actualidade africana.
Acredite, pois, meu caro Orlando, este foi o mote para vários minutos de amena cavaqueira sobre o jornalismo. Algumas dessas notas lançadas no (muito) visitado www.altohama.blogspot.com .
O nosso “ dedo de conversas” ( e ele sabe, o meu intercolutor, que devia ecrever sobre isso) foi sobre reviravoltas do nosso jornalismo, quedas, contra - quedas e a necessidade de sermos firmes, mesmo com a “ pena” prestes a ser devorada por um leão faminto…. Eis o abraço ao Orlando Castro!

Morreu um padre dedicado ao sul de Angola

Morreu no domingo passado o padre Serafim Lourenço, vítima de morte repentina. O sacerdote que tinha mais de 80 anos, de nacionalidade portuguesa, trabalhava na missão do Munhino, na arquidiocese do Lubango, província da Huíla. O malogrado missionário desenvolveu a maior parte da sua missão nas terras do Sul do país. O seu enterro aconteceu na segunda-feira, depois da missa de corpo presente, no cemitério da missão da Huíla. (Humildemente inclino-me a sua memória. Um dos seus livros tem sido, amiúde, usados na série “ 1ponto de história", particularmente sobre Caconda, de que o padre Lourenço tanto falava)

sábado, abril 14, 2007

Delinquência Juvenil – um mal social

Nos últimos tempos a sociedade angolana despertou e mobiliza-se contra um dos fenómenos que mais preocupa os cidadãos da capital e demais províncias: a criminalidade.
O fenómeno social da delinquência juvenil ganha, assim também, uma importância capital na analise a situação. Volta e meia, damos de caras com jovens de tenra idade, que deviam estar na escola, empunhando armas de fogo ou brancas para ferir ou mesmo matar pessoas sem dó nem piedade, em caso de resistência. Nas grandes cidades, como é o caso de Luanda, os assaltos multiplicam-se todos os dias. Já não se assalta com a cumplicidade da noite mas à luz do dia.
Em algumas zonas, bandidos e salteadores tomam residências ou ruas impondo restrições na livre movimentação de pessoas e meios. Especialistas estudam o fenómeno, a policia faz a sua parte, mas ao que tudo indica as soluções tardam. O que está por detrás deste fenómeno? O que leva as pessoas ao crime desenfreado? Serão causas económicas, desintegração das famílias ou problemas mais profundos? Propomos, pois a discussão do tema da delinquência juvenil olhando para as possíveis causas do fenómeno: Cinco anos depois da paz, como se encontram algumas crianças angolanas? - Crianças totalmente abandonadas à
sua sorte; crianças de rua e na rua; crianças expulsas de suas casas, pelos familiares, acusadas de feiticeiras. E quais os possíveis motivos? - Irresponsabilidade paternal, salários baixos dos progenitores ou encarregados de educação, a corrupção no sistema educativo, baixa ou inexistente assistência social, etc. O que se espera de uma criança nestas condições? Que futuro se pode prognosticar para essas crianças?
Com a idade não será o crime a única saída para concretização de sonhos aos quais todos têm direito? As sociedades pagam sempre caro pelos seus desleixos. Virar costas a crianças hoje, é negar-lhes um futuro decente amanhã. E isto cobra-se e paga-se caro…

quinta-feira, abril 05, 2007

Sem palavras....

Mais uma imagem " garimpada" da net ( com a devida vénia)

quarta-feira, abril 04, 2007

Serra da chela (3) - 1 pedaço de história

Na Huíla, a serra da CHELA domina tudo. Propriamente esta serra fica entre os concelhos de Lubango e Bibala, ou seja, entre Sá da Bandeira, Humpata e Vila Arriaga.
Há várias serras - e de Sá da Bandeira podem avistar-se as de CARNEQUE, NEGOMBE, MUCOTO e CANGOLA; mas desde a CHIBIA a VILA ARRIAGA, Sul de QUILENGUES, HOQUE, HUMPATA, CUROCA NORTE, com a altitude máxima de 2350 metros , tudo é conhecido genericamente por CORDILHEIRA da CHELA.
A povoação mais alta de Angola, é a VILA NOVA, no distrito do Huambo, com 1852 metros de altitude em relação às águas do mar.

Um sinal do sul (V)

Mercado do TCHIOCO, no Lubango. Fotos do blog http://www.distinus.blogspot.com/ de pm

Ele chama " Guerra dos mundos"

Uma linda imagem de Luanda . Uma foto extraída do de um dos blogs que mais visito: http://sdblog.wordpress.com/

Serra da Chela ( 2)

Serra da Chela, um dos ex libris do Lubango!

Namibe: Um cinema no meio da areia

Namibe, uma obra de arte no "meio" do deserto!

Namibe, ai tão perto!

Um magistral pôr do sol no Namibe. Que linda foto!!!!! Este é mais um sinal do sul!

Um sinal do sul (IV)

Serra da Leba, um dos mais referidos sinais do sul. Entre a Huíla e o Namibe.

SERRA DA CHELA ( 1)

“ A 15 quilômetros de Lubango, capital da província de Huíla, um condomínio turístico está fazendo grande sucesso entre as pessoas que desejam passar alguns dias ou um fim-de-semana em total contato com a natureza, mas dispondo de uma infra-estrutura de alojamento com todo o conforto da vida urbana moderna. É o Complexo N. S. do Monte, encravado na Serra de Chela, a 2 mil metros de altitude. ~
O passeio pode terminar no alto da Serra da Chela, onde fica a cidade de Humpata, também cheia de atracções, como o histórico Cemitério dos Boers, a barragem das Neves, o mirante e a Estação Zootécnica.”
http://www.fesa.org.br/Imprensa/AngolaHoje/2004/Mai-Jun/pag27.htm

terça-feira, março 27, 2007

AS FALHAS DA GESTÃO DE LUANDA

Há sinais contraditórios sobre o desenvolvimento de Luanda, a complicada e de gestão deficiente capital de Angola.
Se, por um lado, há pomposas inaugurações de condomínios, shoppings centres, grades superfícies comerciais, por outro lado constata-se todos os dias as degradação da vida do cidadão comum com estradas esburacadas, pequenas crateras a crescerem a olhos vistos, assaltos constantes e desgraças provocadas pelas chuvas que insistem em cair sobre Luanda.
Há muito que a governação mostra dificuldades e manter a capital melhor equipada com serviços sociais básicos e fluidez no trânsito. Mas quase todas as ideias falharam. Sair de Viana para o centro da cidade continua a ser um martírio diário.
Pessoas há que ficam nos engarrafamentos cerca de três horas, numa viagem diária. Outros sofridos luandenses circulam kms e kms á pé. Tanto a ida como a volta aumentando o stress diário que desgasta quem já não desfruta das riquezas do seu país.
Falar de zonas como a 21 de Janeiro, com o asfalto carcomido ou olhar para a Comandante Bula ao São Paulo é o mesmo que dizer que a gestão de Luanda falhou.

segunda-feira, março 26, 2007

Missão parlamentar da SADC, que terminou visita a Angola no passado sábado, deixa recomendações sobre a gestão do processo de registo eleitoral em Angola.

Na declaração do fim da visita a Angola, a missão de observação reconhece que o Ministério da Administração do Território trabalha em parceria com a Comissão Interministerial para o processo eleitoral, o que faz com que estes órgãos estejam duplicados ao nível das províncias e dos municípios. Ao notar que dos 11 membros da comissão nacional, 8 são indicados por partidos políticos, a missão questionou se a CNE poderá gerir o processo eleitoral de maneira imparcial e no caso, o registo eleitoral.
Em relação ao calendário para as eleições, a missão da SADC revela que ao contrário de alguns países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde as eleições são fixadas, Angola encontra-se ainda num grupo de países onde as datas para as eleições são anunciadas pelo Chefe de Estado em tempo oportuno, isto não está em conformidade com as normas e padrões do fórum para as eleições na região da SADC, remata a declaração.
Na mesma declaração, os membros da observação acrescentam que manter as datas para as eleições em segredo não é boa prática porque causa desvantagens aos partidos políticos da oposição.
Finalmente a Missão da SADC deixa uma série de recomendações nas quais adverte ao governo para que nos futuros registos eleitorais e eleições se deve considerar seriamente a utilização de um órgão de gestão único, independente para evitar confusão e reforçar transparência e credibilidade como o aplicado nos moldes actuais onde ambos; o Ministério da Administração do Território e a CNE estão envolvidos no processo.

Milhares já ouvem a Ecclesia na Internet

A emissora católica de Angola recorrendo ás novas tecnologias em www.radioecclesia.org

A LUANDA DOS CONTRASTES

A opulência de uns, contrastando com a imundice da maioria.... Não entendo esta gente!

Angola " demole" Eritreia

6/1. Vitória "demolidora" de Angola em futebol. Parabéns.

quarta-feira, março 21, 2007

INCENTIVO AOS BLOGS

Qualquer cidadão que se encontre fora de Angola, encontra uma grande dificuldade em ter mais informação sobre o país. Na maior parte dos sítios que se visita para se ter mais informação sobre o país, as notícias são repetidas. Única excepção é a Voz da América , que passa informação alternativa, daquela totalmente estatizada, diga-se, governatizada. Mesmo o Apostolado, não tem uma actualização regular, e os outros, como Angonoticias, têm perdido alguma qualidade. Dai me ter surgido a ideia, de se incentivar mais os Blogs. Na maior parte dos casos, no país esse instrumento está nas mãos dos jornalistas, sendo por isso uma vais valia. Desafio todos aqueles que lerem este post a visitarem os sites que falam sobre angola. Até parece uma encomenda. há que se fazer mais pelos angolanos. JP FONTE: www.tundavala-mumuila.blogspot.com

terça-feira, março 20, 2007

VIOLÊNCIA DE GRAÇA

Assim, (quando) contemplo a vida humana (ainda que) superficialmente o relacionamento entre estes seres, da mesma espécie (humana) apesar das diferenças culturais, financeiras e até da cor da pele, reparo que nuns e noutros houve sempre a folha branca, o tempo e o espaço caracterizado, por um, quase total, estado de selvajaria do homo. Decifrar naqueles instantes, quem era quem, na apregoada civilização dos mais fortes que um tal de Darwin um dia jurou de pés juntos que as espécies menos evoluídas foram arrasadas pelas mais bens constituídas física e inteligentemente(sem nunca provar como é que o macaco existe e o dinossauro ficou num pretérito distante, sobrando apenas fosseis para provar que existiram, (ossos, nada mais do que isso), sinal de que a batalha de David e Golias não ficou apenas nas páginas da bíblia, continuam a existir vários golias, tais como os macacos que se riem dos dinossauros inexistentes. Mais dizia, era difícil naqueles tempos, saber quem é quem, na medida em que o que se praticava era totalmente contra- humanista.POR MANUEL JOSÉ Hiroshimas reduzidas a cinzas, carne humana assada em fornos de alta definição tecnológica, animais vadios e abutres em festa diante do banquete servido frio, ao som de obuses e outros materiais aplaudidos pelo mundo científico, alguns com NOBEL e tudo, mas com um, único objectivo- reduzir a pó, os que tentam, os que vivem com dias contados, gente que vai buscar água ao rio e não sabe se vai voltar- quantos desejaram uma bala cravada na cabeça desfazendo o miolo, como quem deseja um gelado numa tarde quente de calor! Só violência. Se não tens es duramente violentado. Palavras que ferem mais que garrafas afiadas por alguém de grupo. Buatala, voconho, isso e aquilotro relativamente a pouca sorte na vida, só não te passam a espada do demónio no orifício onde um médico qualquer procura a próstata com o dedo, como quem procura o ovo no... da galinha porque o tal médico também está havido de meter o dedo, graças a Deus a penetração é com luva, do contrário a violência do corpo estranho seria muito mais sentida, mas azar do médico se o paciente semanalmente decidisse que tinha de ser observado por meio do toque. Se é violentado quando se tem nada, mas quando e tem o suficiente para vegetar, por que viver é poder ir ao México sem ser numa missão jornalística, dizia quando se tem o suficiente também se é violentado. Mesmo no pouco e a roncar fome ou a dormir numa sala ainda que de luxo e fingir que se tem um sono tranquilo, quer dizer há sempre um abutre- alguém habituado a carne putrificada- para sugar o tutano, lamber os dedos e com uma tanga afiada, bater as nádegas numa estranha dança só reconhecida pelos noctívagos habituados a voos de vassoura, com um céu nublado e anublado dependendo do lugar de pouso, sem engarrafamento e sem polícias esfomeados e com cede crónica de coisas doces, dai cravarem sempre uma gasosa a alguém sem rosto, como se fossem bebés ambulantes. Só violência. Estão a cortar às mãos! É incrível como a violência tomou conta do homem mais inteligente que este globo(terrestre) já viu. Usam-se palavras que ferem mais que espada, que queimam mais que o fogo do inferno, mais fundas que o buraco da sepultura. Autênticos camões longe da pátria continental Lusa que está a aborrecer um João Jardim zangado com as socadas de Sócrates(não é o grego), mas dizem que tem lá a sua lábia e que não leva um batalhão de especialistas ou assessores para o defenderem no parlamento, e que não leva papeis nem e perde ao dar respostas aos deputados mais rabugentos ou sem curso superior de deputagem como os inclinos de 92 na casa com o maior número de leis. Tugas à parte. Dizia que estão aos milhões, camões que entendem de tudo(são especialistas) de vida familiar em Angola ou no Brasil, de gestão de uma banheira de micates ou de um exército capaz de meter ordem no médio oriente, sabem e entendem mesmo de tudo. Confesso que gosto mais destes camões do que o que só escrevia poemas. Estes são tão bons que conseguem diagnosticar doenças e passar um atestado médico para um infeliz qualquer ou auto intitular-se como os únicos sadios(até a abrir a boca), capazes de executar serviços públicos, com ou sem ajuda de outrém (não têm tuberculose). Mas o que me preocupa nesta onda de camões paridos no Séc.XXI, não é só isso. É o facto de serem tão bons médicos que até furam os olhos de quem os convida a comerem do prato sagrado e a cortarem as unhas dos mortos de uma pirâmide qualquer e dar-lhes uma outra aparência e voltarem a ser enterrados como pessoas, mesmo a este convidador eles questionam a sua sanidade, pelo que fazem e dizem nas costas e se o mesmo não precisará do toque da próstata. Confesso que a minha preocupação é legitima! Outra inquietação prende-se com uma máquina inventada em Cabúl. A tecnologia mais moderna que um dia o mundo já viu. Patrocinada por “Bin Laden pai” e desenvolvida por “George Bush filho”. Mas estes camões que andam por ai, merecem também o seu mérito apoteótico nesta invenção secular. A máquina, METAMORFOSE, é eficiente, rápida, segura e potente(desculpem a publicidade barata), usada com muita mestria por estes luis... a máquina já não é propriedade exclusiva de invertebrados, alguns animais já bem evoluídos(crescidinhos) estão a usar a metamorfose com muita eficiência que até vou despensar alguns programas da NATIONAL GEOGRAPHIC, só que como se diz o anão tem pernas curtas e uma cirurgia não serviria, talvez digam cada macaco no seu galho(mas nem todos são ágeis, seja no embondeiro seja numa figueira, com ou sem otchinhelo). Mas isso não vem ao caso, e nem vou falar da violencia contra os quatro órfãos da zungueira alheia, nem dos excessos da farda azul nesta selva urbana. Talvez um dia haja um aborto colectivo, onde Wahienga Xito não será um feto escritor abortado ao lado de Camões, Pessoa ou Éça de Queirós! Mas quem sou eu para relacionar violência, Portugas e angolanos? Nada, se não o resto, talvez um aborto em miniatura ao lado de PEPETELA- Vêm como é que a violência começa mesmo antes do nascimento!? Madiês da lata, infelizes e arrastando para o mesmo buraco tantos outros. Só há uma coisa a dizer, falta muita aréa no camião. Hipocrisia também é sinónimo de infernoéééééééééééééé!!! Ponto final. .

segunda-feira, março 19, 2007

EMISSÃO ECCLESIA NA INTERNET

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MInisterio fala da Ecclésia

Ministério da Comunicação Social angolano reconhece o trabalho informativo prestado pela Rádio Ecclesia depois da sua reabertura, a 19 de Março de 1997. Numa mensagem de felicitações do ministério orientado por Manuel Rabelais, se pode ler que «em dez anos, constatamos um melhoramento significativo na compreensão e abordagem das questões de natureza pública por parte dessa Rádio». Segundo ainda o documento, o ministério de tutela augura «que as normas que as normas e princípios que regem a actividade informativa continuem a ser observadas com rigor, para que a paz social e desenvolvimento do país que almejamos sema alcançados». Neste aniversário de reinício da emissão Rádio Ecclesia, o ministério da Comunicação Social «saúda a Direcção, os trabalhadores e ouvintes da Rádio Ecclesia» e manifesta «a sua pré disposição em continuar a prestar a sua colaboração que estiver ao seu alcance», fim de citação.

Radio Ecclesia, dez anos depois

A Rádio Ecclesia reabriu há dez anos atrás num dia como este, a 19 de Março de 1997... Depois de confiscada em 1977 na sequência da instalação em Angola do regime comunista, esta Emissora Católica voltou a ser ouvida em FM para Luanda em 1997. Com os ventos da mudança e a instauração do regime multipartidário em Angola, a Emissora veio a ser reaberta neste dia e readquiriu todos os seus direitos depois da visita de João Paulo II a Angola em 1992. O acto simbólico da devolução de todo património da Igreja foi assistido por Karol Woityla. Na altura integravam a rádio Ecclesia um grupo de jovens jornalistas vindos de vários órgãos de comunicação social angolanos que fizeram as primeiras emissões a 19 de Março, tendo pautado por uma linha informativa independente, que foi custando alguns dissabores. Neste mesmo ano a Ecclesia viu-se proibida pelas autoridades de emitir certos programas, como o Ecclesia no mundo, considerado ilegal pelas autoridades governamentais. Um ano mais tarde em 1998 um grupo de jornalista foi chamado a responder pela polícia de Investigação criminal, tendo ficado privado das suas liberdades por algumas horas, incluindo o seu director executivo, por haver passado a voz do líder dos que na altura faziam a rebelião armada. Entretanto os tempos difíceis passaram, hoje a Rádio de confiança é ouvida por milhares de ouvintes e empreende uma luta para a sua expansão para todo país, um processo com contornos legais difíceis com que ainda hoje se debatem a Igreja Católica, a luta pela expansão tem sido secundada por forças da sociedade civil e algumas ligadas a partidos da oposição que cada vez mais acreditam na independência da sua informação. Ao celebrar os dez anos da reabertura a Ecclesia reconhece que tem vido a crescer e dar passos seguros, contribuindo assim para a edificação da sociedade democrática que se pretende consolidar no país.

sexta-feira, março 16, 2007

RECONSTRUÇÃO DAS ESTRADAS DO PAÍS: UM SINAL DE DESENVOLVIMENTO OU UMA NECESSIDADE IMEDIATA?

No mercado económico internacional Angola continua a ser muito citada. No continente africano, segundo as estatísticas, tudo parece ser um sonho. Na voz dos governantes, o país está a caminhar no melhor sentido, apesar de só estar a caminho de cinco anos de paz. Mas não Há bela sem senão. As críticas a governação continuam, pois o cidadão comum continua a dizer que não sente no bolso e na pele tais melhorias económicas. Continua a faltar água e luz e o poder de compra é ainda limitado. Nisso tudo surgem as estradas. Não só as das grandes cidades, mas em todo o país. A ligação entre as principais cidades é ainda incipiente. Agora em tempo de chuva os camionistas, fazem das tripas coração para que tenham uma circulação limpa e sem sobressaltos em todo o país. Mesmo os principais eixos, apesar de todo o trabalho e esforço, não espelham no momento a grande necessidade dos angolanos circularem. As estradas nacionais, neste momento constituem um Deus nos acuda, pois continuam tão esburacadas como antes do termo da conflito militar. Desta feita, como encarar esta realidade? Que resultados imediatos pode sentir o cidadão comum na melhoria das estradas? Se de facto a nível da capital do país, uma simples chuva torna o trânsito caótico, que dizer das grandes linhas rodoviárias? É sabido por demais, que as estradas são uma espécie de Veias que transportam o sangue do desenvolvimento. Muitos países conseguirem fazer a sua distribuição geográfica, graças a um plano de expansão de rodovias inovador. Cá entre nós será que existe? Estarão as brigadas a trabalhar, segundo o princípio da grande necessidade do país, ou apenas seguindo país, ou apenas seguindo princípios eleitoralistas?

quarta-feira, março 14, 2007

Um sinal do sul ( III)

( Jovem mucubal nos seus trajes típicos)

"Reconciliação nacional em Angola está em risco", alerta activista cívico

O activista cívico Landu Kama, conhecido pela liderança da Coligação Transparência e Cidadania e pelo seu contributo na defunta iniciativa “ Por uma Angola democrática” disse hoje em Luanda que o processo de reconciliação nacional em Angola “está em risco”.
O activista justifica-se dizendo que “ não se notam grandes sinais para travar o fenómeno intolerância politica”, referindo que em Luanda e no interior todos os dias há sinais de que as coisas não estão bem. Por causa disso alerta á classe política angolana para assumir maiores responsabilidades, no processo de reconciliação nacional, em curso no país, face aos riscos que este processo pode incorrer. O Dr. Landu Khama foi o convidado, esta quarta feira, do programa discurso directo da Rádio Ecclesia referiu-se ainda longamente sobre a democracia em Angola, reprovando aqueles que dizem que “ há duas velocidades democráticas ” no país, alegando que o que se vive em Luanda é apenas retórica dos políticos e das lideranças policiais e militares, nesta altura, algo indefinidos para continuarem a “ fechar o cerco aos activistas de direitos humanos” que encontram todos os dias entraves no exercício da sua actividade.
No interior, segundo Kama, a situação é pior pois não há “ sinais de desenvolvimento” e muito menos liberdade de acção para quem opta por pensar diferente.

Sobre o exercício de cidadania no país, Landu Kama, fala em progressos ainda tímidos, tendo apontado como factores que inviabilizam este processo, as campanhas de intimidação.
Sobre corrupção, o activista é directo: “ é uma vergonha, Angola é o segundo país mais corrupto do mundo e isto é visto a olho nú. Basta ver os polícias na rua, os professores nas matrículas dos alunos. É uma vergonha” diz triste o também pesquisador em matéria de direitos humanos.

É um grupo de organização e individualidades da sociedade civil que acordaram trabalhar, em conjunto, para implementar acções dirigidas à consolidação da paz e participar activamente no processo de reconciliação, reconstrução e desenvolvimento do país, construído, para o efeito, a Coligação pela Reconciliação, Transparência e Cidadania.
Com o fim da guerra e a retomada do protocolo de Luzaka, novos desafios se colocam à sociedade civil para a plena pacificação do país e a sua reconciliação. A recuperação física e espiritual dos cidadãos, a pressão social contra a impunidade e a corrupção são apenas alguns dos desafios que a par da reconstrução dos valores humanos e da moralidade pública não devem ser adiado, segundo diz o boletim de apresentação do coligação composta por dois sindicatos e doze organizações não governamentais.

Huíla rema contra a maré

Quando pelo país o tema que acende discussões e que motiva longas, e as vezes, fastidiosas tertúlias é o da "despartidarização" dos órgãos públicos e o papel da polícia na contenção da chama intolerância politica , eis que no Lubango perece remar-se contra a maré.
Com tantos locais convidativos para assinalar o dia da polícia, a corporação local decidiu-se por celebrar o seu aniversário na sede provincial do partido no poder . E as críticas não se fizeram esperar. E não é para menos.
FOTO: Sede do MPLA - Huila ( A imagem não mente…. )

Sara ( quase) livre....

A activista Britânica ligada à Global Witness, Sarah Wikes já tem autorização para deixar Angola a qualquer momento. A noticia foi publicada nesta quarta feira, em Luanda, pela Emissora Católica de Angola, Rádio Ecclesia. Não foi dito se o processo continua, mesmo com a investigadora fora do país.
As autoridades judiciárias angolanas levantaram a interdição que pesava sobre si na sequência de um processo judicial por crime de espionagem e contra a segurança de Estado de que vinha acusada.
O Procurador-geral da República, Augusto Carneiro, garantiu ter recebido do Procurador em Cabinda a autorização para Sarah Wikes sair de Angola quando entender.
O procurador provincial já deferiu o pedido e enviou-nos uma mensagem a comunicar o seu despacho, disse o responsável. “A senhora pode até sair do país hoje se quiser”, acrescentou Augusto Carneiro numa entrevista concedida a dois correspondentes da imprensa estrangeira em Angola que persistiram em falar com o magistrado em Luanda. Vários sectores do país criticaram a detenção da activista dizendo que o “ governo está a disparar contra os seus próprios pés”.
Sara Wikes está no entanto impedida de sair de Angola, devendo aguardar que sejam instruídos os autos para o julgamento, no qual deverá então ser acusada de espionagem. A Global Witnesss, ONG ao abrigo da qual a activista se encontrava em Cabinda, já divulgou recear que este inquérito se prolongue por vários anos.
Recorde-se que a activista foi detida na rica região petrolífera de Cabinda, no âmbito da Campanha Internacional pela Transparência na Indústria Petrolífera «Publique o que Se Paga», se iria encontrar com líderes cívicos locais para discutir como os lucros do petróleo angolano estão a ser dispendidos.

terça-feira, março 13, 2007

A guerra de nervos entre as abastadas empresas de exploração mineira da Chibia e Gambos e as famintas populações tem tudo para durar. As posições dos dois lados parecem irredutíveis, fazendo com que as trincheiras sejam cada mais municiadas com criticas da parte dos empobrecidos populares, levantado cada vez mais o desdém do outro lado da barricada.
Como já tive ocasião de dizer aqui, os populares dos Gambos exigem das empresas de exploração de granito negro, mármore e outras pedras ornamentais, a construção de infra estruturas básicas como contrapartida do seu trabalho no terreno. Um acordo a propósito foi firmado, mas as quatro empresas no terreno fazem tábua rasa.
Faltam escolas, hospitais ou postos médicos. A exploração rende milhões e pequenos aldeamentos para os trabalhadores das empresas enchem os olhos dos populares que mesmo depois da queixa efectuada ao governo local vêm pelo binóculo a satisfação da sua “ lista de reclamações”.
Como diz o bloguista de primeira hora, jornalista de ponta Orlando Castro, chegou a altura dos "poucos que têm milhões em Angola, pensarem nos milhões que nada têm".

Lubango: Uma cintura quase morta!

Pouco ou nada se ouve, das autoridades da Huíla, informações sobre um eventual (digo bem) renascimento da moribunda “ cintura verde do Lubango”.
Esta zona, localizada no bairro da Mapunda, oeste da capital da província foi no passado um dos pontos mais interessantes para o fomento da agricultura, criação de gado de todo o tipo e uma experiência ambiental interessante arejando cada vez mais o cosmopolita Lubango.
A cintura verde conta (va) com fazendas de pequeno e médio porte, uma cooperativa própria, formas de escoar o produto para o centro da cidade, com destaque para a fruta. É uma zona bastante fértil, onde um vale se estende até junto da cordilheira montanhosa que dá á Tundavala.
Segundo testemunhas, no local houve um estudo preliminar da parte dos colonos que ai se instalaram para que as suas lavouras nunca secassem, mesmo no cacimbo (época seca) mais rigoroso. Há água abundante, até porque é na zona onde nascem dois dos rios intermitentes que cruzam o Lubango. Nesta zona, ainda há o início da já velhinha canalização de água para a cidade. Na circunscrição está instalada a cervejeira Ngola, a filial da Coca-cola botlling sul de Angola , a Casa Mãe de Caridade, o famoso restaurante “Casa Verde”, o Instituto Superior de Teologia Evangélica, o seminário menor entre outras estruturas. Na zona escolhida para cintura verde do Lubango há condições para a agricultura de pequeno porte. Mas desde o inicio da década de 90 que das autoridades só se nota o desinteresse, por e simples. Os “mandantes” comparam fazendas no alto da Humpata ou no Vale dos Gambos e esquecerem-se da cintura verde. As variadas árvores de fruta envelheceram e no seu lugar não foram plantadas outras.
A falta de recurso e as dificuldades no acesso ao dinheiro limitam todos os dias os proprietários das fazendas. Alguns mudaram por outras actividades mais rentáveis como o comércio. Outras parcelas foram vendidas para satisfazer o “ glutão” mercado imobiliário da cidade. Com tudo isso a até então moribunda “ cintura verde do Lubango” está (quase) morta!

Um sinal do sul (II)

Um sinal do sul

segunda-feira, março 12, 2007

A "guerra" das cartas de condução

Lisboa chama-lhe retaliação, Luanda diz tratar-se apenas de reciprocidade.
A Televisão Pública de Angola (TPA), órgão oficial do governo, noticiou hoje que os cidadãos portugueses deixaram de poder conduzir em Angola com a carta de condução de Portugal.
A medida foi decidida pelas autoridades angolanas em retaliação, na versão de Lisboa, em reciprocidade segundo Luanda, contra o facto dos angolanos estarem impedidos de usar a sua licença em território português.
De acordo com a TPA, a medida está em vigor desde sexta-feira, mas até hoje nenhuma outra informação foi transmitida publicamente sobre o assunto, nenhum aviso foi colocado nos jornais, nem nenhum comunicado chegou às redacções.
Fonte próxima da embaixada portuguesa em Luanda disse à agência Lusa que «Portugal e Angola estão a estudar a possibilidade de estabelecer um mecanismo bilateral, que permita obviar este tipo de situações», mas o governo angolano parece ter resolvido, com toda a legitimidade, antecipar-se e estabelecer uma medida retaliatória, apelando ao direito à «reciprocidade».
A proibição de utilização das licenças de condução angolanas em Portugal data de 2000, segundo o primeiro secretário do Consulado de Angola em Lisboa, Eliseu Bumba, citado pela reportagem da TPA, mas ao que parece só desde o ano passado começou a ser aplicada.
As autoridades portuguesas justificam o impedimento do uso da carta de condução angolana em território português por Angola não ter assinado a Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário, documento que rege as normas internacionais de circulação nas estradas do mundo. «De repente, no ano 2000, fomos surpreendidos com a decisão de que as cartas angolanas não estavam habilitadas a conduzir cá», referiu Eliseu Bumba, entrevistado na capital portuguesa.
O tema ganhou maior importância em Angola no passado dia 5, quando o avançado do Benfica, Pedro Mantorras, uma das maiores estrelas do futebol angolano, foi detido e presente a tribunal por ter sido apanhado a conduzir com uma carta angolana.
Em Angola, e até agora, os portugueses podiam usar a carta de condução emitida em Portugal até ao prazo máximo de 90 dias, período a partir do qual tinham que solicitar uma licença angolana para poderem continuar a conduzir.
FONTE: NOTICIAS LUSOFONAS.COM

Sob o olhar dos outros (II)

ÁGUA A capital da província tem uma rede de distribuição antiga e debilitada. Tendo em conta os indicadores mundiais médios, pretende-se dar 150 a 200 litros de água por habitante, contra os actuais sete litros disponíveis. ENERGIA A província é servida pelo sistema da Matala. Esta barragem tem uma capacidade máxima que não passa de 46 megawatts. Actualmente produz 26, com várias introduções, porque nem sempre os equipamentos estão em condições ou a quantidade de água fazer funcionar as turbinas. Até 2020/25, a Huíla requererá cerca de 600 megawatts, contra os actuais pouco mais de 20. É um fosso grande.

O desenvolvimento industrial e agro-pecuário da Huíla dependerá muito da componente energética. VIAS DE COMUNICAÇÕES A cidade do Lubango é, neste momento, na óptima do interlocutor, o segundo parque automobilístico de Angola a seguir a Luanda. Já se verificam, inclusive, alguns engarrafamentos. Em média, circulam diariamente cerca de um milhão de viaturas; há uma área transição de ligação com o Sul e Norte (Porto do Namibe).

Há o problema de circulação de camiões pesados no centro da cidade. As ruas não estão preparadas para receber estas cargas destes comboios articulados rodoviários.

Está a ser montada uma estratégia para a abertura de mais estradas no Lubango já projectadas no tempo colonial para que os camiões, mas interrompidas pelos custos elevados.

Há uma pressão no sentido de se criar uma estrada à volta da cidade do Lubango para que os camiões que se desloquem para o Huambo, Benguela e Namibe, não passem no centro da cidade. Numa perspectiva futura, introduziremos um comboio urbano no Lubango, para a facilitação da vida de trabalhadores, estudantes e outros. GADO É potencialmente rica na produção de cereal; detém o maior número de gado do país. Existe o programa de desenvolvimento dos Gambos, onde temos condições climatéricas para a criação de gado 2007/13, num cenário de recursos de consumir cerda de 250 milhões de dólares anuais. Depois da independência nacional, houve um crescimento demográfico, mas as infra-estruturas sociais ficaram degradadas. EDUCAÇÃO Actualmente estão recuperados uma boa parte da rede escolar, embora haja muitos a carecerem de reabilitação e recursos humanos, por problemas orçamentais. Em 2006, a província precisava de dois mil professores. SAÚDE O governo projecta reabilitar todas as unidades hospitalares. Hoje, todas as sedes municipais já têm hospitais, de raiz ou reabilitados. Existem também outras unidades privadas, como o Hospital de Caluquembe, pertencente a Igreja Envagélica, e que beneficiou-se do OGE, dada a sua importância regional.

INCENTIVOS PARA INVESTIMENTOS Cedência de terrenos a custos extremamente baixos, se comparados aos grandes países; desburocratização dos serviços administrativos e a promoção de uma concorrência leal e educada. EXPLORAÇÃO MINEIRA Uma das prioridades será a extracção do mineiro de ferro, actualmente paralisado, granitos; a água mineral, assim como a conservação e transformação de frutas e cereais. A sua indústria transformadora é de carácter regional. PATRIMONIO CULTURAL O sector da Cultura na Huíla mostra-se preocupante com o estado actual de degradação avançado dos 49 monumentos e sítios classificados e inventariados.

A maior parte destes estão na iminência de desaparecer, uma vez ser avançado o grau de degradação dos mesmos. Cinco dos 49 monumentos, entre os quais a Missão Católica da Huíla, podem desabar a qualquer momento.

Os únicos monumentos que beneficiaram de obras de reabilitação são o "Cristo Rei" e o Museu Regional, com obras avaliadas em 120 mil dólares. Perante esta situação, a Direcção local da Cultura já encaminhou um programa ao governo da província, para intervir nestas estruturas.

Lubango

É tempo de cacimbo, meus lábios estão secos, e nas ruas do Lubango se vende fruta madura.
mamão, maracujá, banana de Benguela, laranjas da Huíla, abacates, maçãs da Humpata, morangos da Palanca, manguinhas do padre Carlos...
"- Leva só, tio, é a duzentos!..." gindungo, ginguba... Os jacarandás já estão floridos. Envoltos nos panos, calmos e embalados na cacunda das mães, os meninos sabem que nas ruas do Lubango a sua esperança nunca será vendida.
Por José Frade

As cadeirinhas

No Lubango, os meninos vão à escola, pequeninos, têm vontade de aprender.
Cadeirinhas eles carregam p'ra que sentados escrevam o seu Futuro no Saber.

sexta-feira, março 09, 2007

Lubango sem energia

Uma avaria registada na semana passada num dos três grupos geradores que a barragem da Matala possui deixou às escuras quase na totalidade a cidade do Lubango, capital da província da Huíla. O director regional sul da Empresa Nacional de Electricidade, Celestino João, disse que a referida avaria reduziu a capacidade geração de energia do empreendimento de 26 para 13 megawatts. Adiantou que a situação causada pela falta de lubrificantes está a criar uma série de transtornos no processo de distribuição do produto. Celestino João não avançou prazos para resolução do problema, realçando que, enquanto não for solucionado, o fornecimento do produto será feito com restrições. A barragem da Matala, situada no município com o mesmo nome, 180 quilómetros a Leste do Lubango, possui uma capacidade de produção de 39 megawatts, a razão de 13 para cada grupo gerador. Até a semana passada, apenas dois dos três grupos estavam a funcionar, uma vez que o número três, carece de reabilitação há mais de oito anos.

Sob o olhar dos outros (I)

A província da Huíla tem como capital o Lubango, ex-Sá da Bandeira, uma cidade do Sul de Angola, situada no planalto. Data de 1627 o primeiro contacto europeu com as terras do planalto angolano. Os primeiros sinais de povoamento europeu são dos “boers”, por volta de 1880.
Pouco depois surgiram os madeirenses que em Janeiro de 1885 fundaram a colónia de Sá da Bandeira. A dois de Setembro de 1901, Sá da Bandeira foi elevada à categoria de vila e tornou-se a sede capital da província da Huíla. Só é cidade a 31 de Maio de 1923, quando o caminho-de-ferro, depois de vencer o deserto e a serra, atingiu finalmente o planalto. A agricultura foi o primeiro objectivo de Sá da Bandeira, sendo o trigo a maior produção.
No entanto, o gado tornou-se rapidamente a maior riqueza da região. O boi é ainda hoje um símbolo de riqueza. Quando os transportes passaram a ser mecânicos e as estradas boas vias de acesso, fixou-se o comércio e rapidamente também a indústria. Assumiram a liderança os curtumes e as moagens. A metalurgia, o calçado, a banha, a salsicharia, as cerâmicas, as madeiras e os refrigerantes, seguiram-se em importância.
João António da Aguiar realizou o plano de urbanização da cidade, uma das mais belas de Angola. Para além do Lubango, apreciadores apontam a Huíla como a mais bela região de Angola, contendo de facto as mais cantadas paisagens de Angola, como a Serra da Leba, os rápidos da Tundavala ou a Nossa Senhora do Monte. As mais fortes presenças de colonização acontecem normalmente no litoral, mas a Huíla é uma excepção.
Encontram-se na Huíla grupos de origem portuguesa, mantendo as suas tradições e uma pronúncia bem marcada. O Lubango foi também uma das primeiras cidades do interior a possuir um Liceu, não só o Liceu Nacional Diogo Cão, mas também a Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva, bem como o Instituto Agrícola do Tchivinguiro (Escola de Agronomia). FUNDOS PARA O DESENVOLVIMENTO A mobilização de quadros eficazes e de recursos financeiros para o êxito do programa de desenvolvimento da província, concebido em 2000, constitui uma das recomendações saídas do encontro provincial de quadros da Huíla, decorrido no ano passado, no Lubango.
O encontro recomendou a necessidade de o governo local criar mecanismos tendentes ao controlo dos quadros após a sua formação. Esta medida evitará a dispersão dos profissionais recém-formados e que a sua formação seja feita em função das necessidades e realidades do mercado de trabalho, o que aumentará o índice de emprego.
Neste contexto, com a angariação de recursos financeiros, as autoridades da Huíla deverão materializar o plano de construção de um Instituto Politécnico virado para as áreas da indústria, comércio e geologia e minas. Os participantes concluíram pela necessidade da criação da Universidade Pública do Lubango, para ministrar cursos de Ciências Agrárias, de Medicina e de Engenharia.
No concernente à reactivação, em pleno, do sector agro-pecuário, recomendou-se ao governo da província da Huíla a prosseguir com o processo de fomento desta actividade, assegurando a importação de imputes, fertilizantes, entre outros bens. As autoridades deverão também influenciar as instituições financeiras a concederem créditos às associações de camponeses e pequenos empresários agrícolas, para minimizar a carência que assola muitos produtores.
Aumentar os subsídios atribuídos ao pessoal envolvido nas campanhas agrícolas e de vacinação animal, bem como a criação de um sistema de informação estatística para fornecimento de dados agro-pecuários fiáveis, foram também recomendações do encontro.
O governador da Huíla, Francisco José Ramos da Cruz, garante que todas as conclusões e recomendações produzidas no encontro funcionarão como uma bíblia para o seu pelouro. FONTE: www.angolaacontece.com

Angola continua a importar tecnicos

Angola tenta se erguer economicamente, mas ainda enfrenta uma enorme escassez de mão-de-obra qualificada em todos os níveis, desde profissionais técnicos a altos executivos.

Os bons ventos que sopram a favor da crescente economia angolana, impulsionada pelos compromissos da reconstrução do país tem se mostrado como um mar de oportunidades para empreendedores dos quatro cantos do mundo especialmente para brasileiros que aumentam sua presença no país a cada semana.

Além de existir oportunidades em setores onde o país concentra 50% do PIB como petróleo e extração de diamantes, há inúmeras vagas para quem atua nas áreas de tecnologia, construção civil, telecomunicações e energia. É diante desse cenário que, nos últimos três anos, tem intensificado a presença de brasileiros para trabalhar no pais, desenvolver projetos ou até mesmo abrir negócios.

Estima-se que atualmente existam cerca de 3,5 mil brasileiros em Angola. Só em 2006, o Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social concedeu 380 autorizações a profissionais ligados a construção civil que desembarcaram em Luanda. E o anúncio de investimentos de US$64 milhões pela Petrobras (petrolífera brasileira) em projetos de exploração e produção este ano em Angola deve criar vagas, agravando o problema crônico de falta de bons profissionais. “ É raro encontrar gente com formação superior”, diz Irene Azevedo sócia-diretora da Mariaca, consultoria especializada em recolocação e recrutamento de executivos. “Tanto que a Angola Telecom nos procurou em busca de executivos”.

Atraídos por salários extremamente convidativos e uma política de benefícios que só se vêm em processos de “expatriação”(transferência de executivos para o exterior) de diretores, muitos brasileiros passaram a despertar interesse por Angola, mais especialmente Luanda. A semelhança cultural e o fato de se falar a mesma língua são fatores que contribuem para esse movimento. “Como a maioria dos angolanos não domina outro idioma, a contratação de brasileiros cresceu, em média, cerca 20% e 30% ao ano”, afirma Irene.

Segundo ela, muitas posições trabalhadas pela consultoria se destinariam aos segmentos de telecom e petróleo, para vários cargos e com remuneração acima da praticada no Brasil. “Os angolanos pagam bem porque sabem dos riscos de quem aceita a proposta. Lá todo mundo se depara com falta de água, problemas de saúde pública, risco de cólera e sistema de saneamento crítico”, explica. “Por isso é necessário oferecer condições atrativas, mesmo porque o custo de vida também é caro”. Para se ter uma idéia, um analista de sistemas ganha cerca de US$ 3 mil, enquanto um gerente de projetos pode chegar a receber US$ 10 mil.

As empresas pagam casa, telefone, alimentação, seguro saúde, correio e passagem aérea para que os funcionários visitem sua família no Brasil. “Meu salário aqui é livre de custos e ganho 40% a mais do que o mercado pagaria no Brasil”, conta Alcyr Souza Barros, 46 anos, gerente financeiro da Shoptv, empresa angolana que comercializa produtos pela televisão. Há um ano e oito meses em Luanda, ele decidiu ir embora após procurar emprego e ser chamado por um headhunter. Apesar de ter tido outras propostas, preferiu o desafio de vislumbrar uma carreira no exterior.

“A guerra não permitiu a Angola apostar na formação dos profissionais. Agora, o movimento é de reconstrução e vejo aumentar rapidamente os investimentos estrangeiros no país. Minha vinda é uma experiência única de crescer com a empresa e a economia local!, diz Barros, que a cada três meses viaja para o Brasil.
Assim como ele, muitos profissionais ficam indo e vindo para renovar o visto já que o de trabalho só é concedido pelo governo angolano depois que a pessoa entra algumas vezes no país. É de realçar, que para atender esta demanda a TAAG ampliou na sua roto Luanda - Rio de Janeiro de um para três vôos semanas. Fonte: Valor Economico