sexta-feira, março 09, 2007

Angola continua a importar tecnicos

Angola tenta se erguer economicamente, mas ainda enfrenta uma enorme escassez de mão-de-obra qualificada em todos os níveis, desde profissionais técnicos a altos executivos.

Os bons ventos que sopram a favor da crescente economia angolana, impulsionada pelos compromissos da reconstrução do país tem se mostrado como um mar de oportunidades para empreendedores dos quatro cantos do mundo especialmente para brasileiros que aumentam sua presença no país a cada semana.

Além de existir oportunidades em setores onde o país concentra 50% do PIB como petróleo e extração de diamantes, há inúmeras vagas para quem atua nas áreas de tecnologia, construção civil, telecomunicações e energia. É diante desse cenário que, nos últimos três anos, tem intensificado a presença de brasileiros para trabalhar no pais, desenvolver projetos ou até mesmo abrir negócios.

Estima-se que atualmente existam cerca de 3,5 mil brasileiros em Angola. Só em 2006, o Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social concedeu 380 autorizações a profissionais ligados a construção civil que desembarcaram em Luanda. E o anúncio de investimentos de US$64 milhões pela Petrobras (petrolífera brasileira) em projetos de exploração e produção este ano em Angola deve criar vagas, agravando o problema crônico de falta de bons profissionais. “ É raro encontrar gente com formação superior”, diz Irene Azevedo sócia-diretora da Mariaca, consultoria especializada em recolocação e recrutamento de executivos. “Tanto que a Angola Telecom nos procurou em busca de executivos”.

Atraídos por salários extremamente convidativos e uma política de benefícios que só se vêm em processos de “expatriação”(transferência de executivos para o exterior) de diretores, muitos brasileiros passaram a despertar interesse por Angola, mais especialmente Luanda. A semelhança cultural e o fato de se falar a mesma língua são fatores que contribuem para esse movimento. “Como a maioria dos angolanos não domina outro idioma, a contratação de brasileiros cresceu, em média, cerca 20% e 30% ao ano”, afirma Irene.

Segundo ela, muitas posições trabalhadas pela consultoria se destinariam aos segmentos de telecom e petróleo, para vários cargos e com remuneração acima da praticada no Brasil. “Os angolanos pagam bem porque sabem dos riscos de quem aceita a proposta. Lá todo mundo se depara com falta de água, problemas de saúde pública, risco de cólera e sistema de saneamento crítico”, explica. “Por isso é necessário oferecer condições atrativas, mesmo porque o custo de vida também é caro”. Para se ter uma idéia, um analista de sistemas ganha cerca de US$ 3 mil, enquanto um gerente de projetos pode chegar a receber US$ 10 mil.

As empresas pagam casa, telefone, alimentação, seguro saúde, correio e passagem aérea para que os funcionários visitem sua família no Brasil. “Meu salário aqui é livre de custos e ganho 40% a mais do que o mercado pagaria no Brasil”, conta Alcyr Souza Barros, 46 anos, gerente financeiro da Shoptv, empresa angolana que comercializa produtos pela televisão. Há um ano e oito meses em Luanda, ele decidiu ir embora após procurar emprego e ser chamado por um headhunter. Apesar de ter tido outras propostas, preferiu o desafio de vislumbrar uma carreira no exterior.

“A guerra não permitiu a Angola apostar na formação dos profissionais. Agora, o movimento é de reconstrução e vejo aumentar rapidamente os investimentos estrangeiros no país. Minha vinda é uma experiência única de crescer com a empresa e a economia local!, diz Barros, que a cada três meses viaja para o Brasil.
Assim como ele, muitos profissionais ficam indo e vindo para renovar o visto já que o de trabalho só é concedido pelo governo angolano depois que a pessoa entra algumas vezes no país. É de realçar, que para atender esta demanda a TAAG ampliou na sua roto Luanda - Rio de Janeiro de um para três vôos semanas. Fonte: Valor Economico

terça-feira, março 06, 2007

Carta de condução angolana trama angolano

Pode ser que com o mediatismo do condutor autuado e detido no Seixal, Portugal, o assunto que se mantém em suspenso há muito tempo possa agora ser resolvido e de vez. Quanto mais não seja que Angola utilize a regra de talião e faça o mesmo às cartas de condução portuguesa. Como iriam reagir os condutores portugueses se a Direcção-geral de Viação angolana, naturalmente e no seu total “direito de resposta” começasse a caçar todas as cartas de condução portuguesas e autuar todos os condutores possuidores dessa licença? Vamos lá a ver se agora o Governo português acaba com esta ignomínia que é não reconhecer, de novo, as cartas de condução angolana. É que autuar e deter um condutor, que por acaso é um jogador de futebol e se chama Mantorras, por conduzir com uma carta de condução angolana que antes era “suficiente para conduzir em Portugal, mas que já não é”, já é demais!!! Que a Embaixada angolana tome, de vez, providências sobre este assunto! Hoje foi um jogador conhecido, ontem inúmeros angolanos desconhecidos que também desconhecem esta situação antes de chegar a Portugal. É que nem todos conseguem chegar aos jornais independentes angolanos que têm abordado este assunto! EXTRAIDO DE www.pululu.blogspot.com

sábado, março 03, 2007

Luanda, a cidade frenética

Necessidade de mais solidariedade

Chuvas da desgraça em Luanda

Justiça social

A Igreja Católica vai trouxe à reflexão vários temas importantes durante a semana social. Foi, tal como em outras edições, mais um momento para que os angolanos pudessem reflectir à volta de temas tão reais como pertinentes. Na terceira Semana Social da Igreja, o tema “Justiça Social” levou a reflectir sobre muitos aspectos que permitiram olhar onde estamos e o que merecem os cidadãos que vivem neste país.

É pois sabido que o postulado fundamental "justiça social" é que, uma sociedade é tanto mais justa quanto mais igualitária, não só em termos de oportunidades, mas também em termos materiais. "Justiça social" é, portanto, o conceito político chave para quem se lhe permite mascarar de justiça, algo nobre, ao qual ninguém se opõe ao desejo de que os outros percam aquilo que têm e que ele deseja para si, mas não tem competência ou élan para obter.
O objectivo da "justiça social" é transformar todos em iguais, não só no sentido formal mas também no sentido material.
Desta feita, como transformar todas as oportunidades que o país tem para tornar numa sociedade sem grandes diferenças? O que retirar de exemplos positivos por este mundo fora para tornar os angolanos e não só, prósperos e desenvolvidos? Quando olhamos para os vários cenários que se nos apresentam, vemos gente pobre que reclama da falta de oportunidades, de emprego, de falta de informação, saúde e ensino.
Para uma sociedade que se pretende reerguer agora em paz, estar-se-á de facto a fazer o esforço necessário para tal? Se tivermos em conta que o novo nome da paz é justiça social, poderemos falar de consequências danosas para a sociedade caso os cidadãos não atinjam as suas expectativas?
A Igreja também assume-se como preocupada com este assunto, dai ter levado à reflexão esta temática na semana que findou. Sendo assim pode-se ler através da escrita de homens da Igreja Católica que o ensino e a difusão da doutrina social fazem parte da missão evangelizadora da Igreja.
E, tratando-se de uma doutrina destinada a orientar o comportamento das pessoas, tem de levar cada uma delas, como consequência, ao “empenho pela justiça” segundo o papel, a vocação e as circunstâncias pessoais.
O exercício do ministério da evangelização no campo social, que é um aspecto do múnus profético da Igreja, compreende também a denúncia dos males e das injustiças. Mas convém esclarecer que o anúncio é sempre mais importante do que a denúncia, e esta não pode prescindir daquele, pois é isso que lhe dá a verdadeira solidez e a força da motivação mais alta.

quinta-feira, março 01, 2007

Uma novela chamada SARA !

A activista britânica detida há dez dias em Cabinda chegou hoje por volta das 18:15 ao aeroporto de Luanda e ficará na capital angolana a aguardar o desfecho do processo, disse a própria Sarah Wykes.
"Estou muito contente por estar finalmente em Luanda", afirmou a investigadora da organização não governamental britânica Global Witness minutos depois de ter chegado ao aeroporto de Luanda, onde a esperava uma delegação da embaixada britânica em Angola.
No momento em que falou com a Lusa por telefone, a activista seguia de automóvel para a Embaixada do Reino Unido, tendo-se escusado a fazer qualquer comentário. Sarah Jill Wykes foi detida no dia 18 em Cabinda e aguardava desde o dia 21 - data em que saiu em liberdade depois de pagar uma fiança de 180.000 kwanzas (cerca de 1.800 euros) - por uma autorização do procurador interino de Cabinda, André Gomes Manuel, para poder sair daquele território angolano.
Elias Isaac, o representante da Open Society em Angola, organização responsável pela visita de Sarah Wykes a Cabinda, explicou que têm um quarto marcado para a activista num pequeno hotel de Luanda, mas só para esta noite. Na quinta-feira, a activista terá de mudar de unidade hoteleira, a não ser que a representação diplomática britânica tenha outros planos.
"Ela foi levada para a Embaixada britânica, é possível que eles tenham preparado outra coisa", explicou Elias Isaac.
Sarah Wykes foi detida e acusada de espionagem, mas o alegado delito acabaria por ser transformado em crime contra a segurança do Estado.

O legado de Ramos da Cruz

Francisco José Ramos da Cruz é governador da Huíla, há oito anos. Os propósitos iniciais de Ramos da Cruz foram logo a seguir a sua indicação granjear a confiança dos Huilanos. Composta por uma sociedade diversificada com a mescla de vários grupos étnicos e com potencialidades privilegiadas, aquela província tem como capital o Lubango.
Uma cidade que há oito anos testemunhava um cenário em que jovens intelectuais e sectores da sociedade civil, se desprendiam do medo imposto pela gestão da mão de ferro de um general.
Com algumas sensibilidades feridas e em ambiente de reabertura para a sua particular democratização, a província da Huíla recebeu Ramos da Cruz em redor de uma inusitada expectativa. O manto de esperança e receios encapotados vividos durante o consolado do general, começaram a ser notados, com o surgimento de uma sociedade aberta e visivelmente crítica isto na gestão de Ramos da Cruz.
Os anos se passavam e como em todo o contexto do país, os problema para aquela região situada entre cordilheiras, sendo um dos pontos mais altos de Angola, começou a atravessar sérios problemas em sectores estratégicos e fundamentalmente o desaparecimento de algumas figuras ligadas a partidos políticos.
A morte de dirigentes da UNITA e do PDP-ANA não foram até hoje esclarecidos. Os sectores das Águas, energia, assistência social, comunicações e transporte de bens também entraram em sucessivas crises. Em causa, o acúmulo de um conjunto de insuficiências causadas por uma gestão que começou a levantar algumas interrogações aos habitantes mais atentos do Lubango.
O descaminho de fundos públicos, os atrasos salariais e a ineficiência do sector judicial começaram a relevar uma Huíla integrada no contexto das imensas dificuldades de Angola. as críticas contra o governador da "esperança" começaram a agravar-se, a comunicação social aumentava a sua tira visível nos textos, nos noticiários e nas imagens.( Por Moises Sachipangue)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Um olhar ao Luena de hoje

Isolamento, distante do mundo são as duas primeiras impressões que saltam a vista de quem chega ao Luena, capital do Moxico, ido de Luanda, a cidade frenética.
Do aeroporto para o centro da cidade a imagem de uma zona remota, parada no tempo, parece assaltar a mente do visitante. Aqui e ali algum movimento, mas longe de conformar uma cidade com vida. Nota-se também que há poucos milhares de habitantes na parte urbana do Luena. Ganhou este nome em homenagem a um rio que passa junto a cidade, a oriente. As suas enchentes nesta época de chuvas e o seu caudal capaz de arrastar consigo muita coisa infundem algum respeito aos populares. Nesta época são poucas as pessoas que arriscam um banho bem tomado ou a lavagem de roupa em zonas distantes, a não ser e pequenos grupos, como de resto acontece com frequência nos arrabalde desta Angola profunda. Luena só assim é chamada a coisa de 30 anos. Perdeu o seu anterior nome ( Luso) no fervor revolucionário, onde tudo foi nacionalizado, incluindo nomes.
O visitante confronta-se com ruas bem demarcadas. Um desenho arquitectónico que orgulha o Remígio Kahilo, 53 anos, feito “cicerone momentâneo” no que a zonas turísticas e sociedade civil dizem respeito. Este funcionário publico não se coíbe em dizer que muito devia ser feito para a melhoria da vida da cidade. “ Não se admite que nem uma empresa privada e nem os serviços comunitários limpem a cidade” atira o homem de meia idade não se importando com as alegações de que os governantes não gostarem de criticas directas. E foi o que observamos. Junto ao antigo Hotel Luso, hoje Luena, montes de lixo são visíveis não se vislumbrando sinais para a sua recolha. Apesar dos vários rios que rasgam as matas da zona leste de Angola não há agua potável no Luena.
A primeira pergunta que assalta o visitante é saber então o que faz a direcção província de aguas? A energia eléctrica sofre duras restrições, onde só pequena zona urbana é abastecida das 16 ás 23 horas. Vezes há em que os arredores da capital provincial também conhece o acender das lâmpadas.
A situação económica é difícil, os preços custam os olhos da cara. Não se vislumbram grandes obras de impacto social, com excepção de alguns jardins vedados para reparações paliativas. O nosso “cicerone momentâneo” alertou para um jardim que foi reinaugurado antes mesmo das obras terem conhecido o seu fim alegadamente porque alguém precisava de inaugurar algo. O Moxico é uma das províncias com maior falta de informação. Poucos são os jornais que chegam ao Luena, com excepção do Jornal de Angola que também sofre algumas limitações na sua distribuição.
A Emissora provincial da RNA está encerrada a quatro meses, pasme-se, para obras! Jornalistas locais dizem que pela lentidão dos trabalhos só lá para Agosto a voz local será ouvida. Neste momento a informação é monocórdica. De Luanda tudo se diz, no Luena tudo se ouve e o povo bate palmas.....

1 pedaço de história: Caconda ganha livro sobre a sua história

Um conterrâneo meu que reside em Portugal, desde muito jovem, teve a louvável ideia de passar para o papel o trajecto histórico da centenária vila de Caconda, situada a meio caminho entre o Lubango e o Huambo.
O meu conterrâneo, que omito o seu nome por razões óbvias, esteve nos últimos meses em Portugal a investigar tudo quando podia sobre o nascimento e povoamento da região norte da Huila e sul do Huambo, sem esquecer a grande influencia que o litoral ( Benguela) teve no desenvolvimento de Caconda.
O jovem, recentemente, chegou meter-se mata á dentro para voltar sentir o cheiro da terra e (re) visitar a nossa velha Caconda. Pelo que me disse gostou pelos pequenos sinais de desenvolvimento que a localidade ganha, a vitalidade do pequeno comercio e até as comunicações que já se fazem com o mundo através de telemóvel. Um dos lamentos de quem investiga algo sobre Caconda está no facto de não haver muita informação disponível, até mesmo na internet.
Um livro escrito por um jovem que passou boa parte da sua vida em outra cultura e na diáspora é uma obra a ser louvada. Resta agora ao meu conterrâneo voltar a Lisboa e colocar no prelo o livro sobre Caconda. Kandandus e força. Quem tiver mais informação sobre Caconda, favor escrever para pmavieira@yahoo.com.br

Juventude Ecológica Angolana põe o dedo na ferida

Num assomo de irreflexão profunda, pessoas identificadas têm estado a derrubar tudo quanto seja arvores num dos perímetros da Nossa Senhora do Monte no Lubango, província da Huíla. O local escolhido pelos inimigos do ambiente é a zona que circunda o pavilhão do complexo gimno desportivo “ 10 de Dezembro”, segundo a mais recente denuncia da Juventude Ecológica Angolana ( JEA). O assunto é antigo, mas, pelo que tudo indica, só agora há coragem suficiente para uma revelação que surge como um balde de agua fria no corpo daqueles que se julgam profundamente senhores de si, da cidade e até dos “pulmões da urbe”. Infelizmente é assim na cidade do Cristo Rei e da Serra da Chela. Falando a margem do II simpósio nacional sobre ambiente em Angola, Constantino Mendes, um dos membros de topo da JEA disse que por ordens da administração local iniciou-se recentemente uma campanha de abate de árvores, na sua maioria eucaliptos, para a construção de um pavilhão “ multi usos” para acolher o Afrobasket 2007 e outros eventos desportivos. O pior é que mesmo sem necessidade assim se está a proceder, mesmo sabendo que o complexo em causa detêm há vários anos um campo de futebol, piscina, recinto para a pratica de tiro aos pratos, pista de cartering ( construída a cerca de três anos), e o famoso pavilhão. Este ultimo ao ser apetrechado e melhorado bem poderia acolher este evento desportivo. Mas para justificar gastos, agora as arvores é que pagam, pois falar de consciência ambiental para muita dessa gente seria o mesmo que conversar em chinês, mas sem tocar nos cifrões das apetitosas comissões a obra vai dar. A JEA alerta, ainda, para os custos ambientais da medida de destruição sem apelo nem agravo da cortina ambiental da nossa senhora do monteb, mesmo se for estabelecida no âmbito das políticas de reconstrução nacional.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

ANTIGOS REFUGIADOS "COMEM" O PÃO QUE O DIABO NÃO TEVE TEMPO DE AMASSAR ...

O centro de refugiados “4 de fevereiro” é apenas um dos três que existem no Luena, a capital do Moxico. È uma província localizada no extremo leste do país, histórica( por ter testemunhado o início da guerra e o seu fim) e parada no tempo( porque 30 anos depois da saída do colono faltam sinais, capazes de dignificar uma capital de província). Mas, mesmo assim, é lá que 600 angolanos, homens, mulheres e crianças, estabeleceram moradia temporária - visitei os cidadãos ( ???) recentemente numa missão de trabalho ao Luena e arredores. São os últimos populares ( quais cidadãos de segunda) chegados pela ponte aérea estabelecida para pelo alto comissariado para os refugiados e o governo angolano para o regresso de refugiados, que saíram do país no tempo da guerra para procurar refúgio do outro lado da fronteira, Republica Democrática do Congo e Zâmbia. Estes, chegaram no dia 16 de Janeiro de avião para o Luena. Em Donla, Zâmbia deixaram tudo: casas, panelas, escolas, enxadas. Reconstruir a vida e os sonhos em Angola, sua terra natal é o grande objectivo. Debalde. A primeira vista só dificuldades. Das promessas efectuadas, nomeadamente para a cedência de instrumentos de trabalho agrícola ainda não se vê a pratica. Alexandre Luis, é um ancião na casa dos 70 anos. Usa o seu tempo cultivando cereais e controlado os seus compatriotas que chegaram consigo ao país, constituido ás pressas coordenador do centro d antigos refugiados. O local escolhido para centro de acolhimento de refugiados é espaçoso. Situado a cerca de 7 Kms do centro do Luena é composto por dezenas de tendas, todas elas com letras garrafais azuis do alto comissariado das nações unidas para os refugiados. Juntam-se no mesmo local homens, mulheres e crianças, dormindo nas mesmas tendas. De postos médicos nem falar. A comunicação é feita Chokwe, Luvale e Inglês; Alberto Elias, um jovem de 27 anos, regressado também no início do ano á Angola de onde saiu ainda criança. Tal como outros jovens o português foi na sua totalidade esquecido. Para este centro de acolhimento, os alimentos são distribuídos a cerca de 5 kms de distância onde os homens vão levantar a comida. Faltam latrinas, fazendo com os dejectos sejam depositados ao ar livre. A volta do centro vêm-se plantações de milho e demais cereais. Também há feijão e muito capim.. Das pequenas lavras saem alguns mantimentos que revezam a comida constante cedida pelo UCNUR; Uma das principais preocupações nesta altura é a falta de escolas para as crianças. A lista de necessidades aumenta com dos dias, pois faltam bilhetes de identidade, chapas, sementes e dinheiro para fazer face a muitas dificuldades sociais Os angolanos recém regressados da Zâmbia dizem que não podem deixar as tendas, pois faltam indícios para a sua transferencia para zonas vigência definitiva. Neste momento, com as chuvas constantes, o seu sofrimento é ainda maior, pois nestas moradias improvisadas residem varias famílias amontoadas. A diarreia em crianças e o paludismo em todos os habitantes do centro “4 de Fevereiro” constituem nas doenças mãos frequentes. Mais de um mês depois da sua transferencia apenas uma vez uma brigada de saúde ai esteve. Estes populares disseram que estão totalmente abandonadoS, depois de "alicientes promessas". Recordo que recentemente o MINARS anunciou o fim do processo de repatriamento organizado de refugiados, alegando estar o país já em fase de desenvolvimento depois do período de emergência. É um processo iniciado em 2002.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O desenvolvimento da Huíla

Alguns paladinos do desenvolvimento da Huíla, volta e meia, não se coíbem em dizer que a província está no bom caminho. Nada mau se a tendência de trabalhar pela região não fosse conformada numa tónica altamente paliativa. O fomento à agricultura tem sido “imagem de marca” do consulado deste governador que a Huila conhece há cerca de dez anos. Sobre isso a muito que se lhe diga e o tempo urge. Fontes descrevem, no entanto, que a província continua a ter problemas de fundo que poderiam ser resolvidos agora que cabe-lhe um total de 20 milhões de dólares/ ano para os investimentos públicos, tais como a crónica questão do doentio fornecimento de energia eléctrica ao Lubango; o facto de só 20 por cento da população dos 14 municípios ter acesso à água potável; os atrasos salariais (apesar da bancarização dos salários); o nepotismo e a apetência de alguns governantes locais pela criação de empresas em conflito directo de interesses com as pastas que têm sob sua alçada, entre outras questões. No entanto, falar de desenvolvimento no sector de energia e águas numa província onde mesmo com milhões investidos, milhões de habitantes continuar bem beber um copo do precioso liquido sem temer pela cólera é, a todos os títulos, monstruoso. Seria como que enganar a nós próprios! Numa província com cursos de aguas caudalosos, regatos a todo o momento, barragens espalhadas por vários municípios ( Matala, Nganguelas e Neves) é difícil não se dar água potável aos populares. Mesmo no Lubango, a agua potável está longe de atingir todos os recantos na cidade, com zonas atiradas para o esquecimento. Pode-se constatar que apenas a zona urbana tem acesso a agua potável, apesar da caducidade do tempo útil das condutas, na sua maioria do tempo colonial. Se os paladinos do desenvolvimento olhassem para este aspecto provavelmente poderiam ter algum “ freio linguistico” na hora de dizer , aos quatro ventos, que o caminho é seguro e sem retorno. O desenvolvimento nota-se, também, nos pequenos detalhes.

OSCARES: “BABEL” FICA PELO CAMINHO, AS PALMAS VÃO PARA “ ENTRE INIMIGOS”.

A longa-metragem "Entre Inimigos", do realizador norte-americano Martin Scorsese, foi a grande vencedora da noite de domingo, ao obter o Óscar de melhor filme na 79ª edição dos prémios da academia cinematográfica norte-americana. Igualmente distinguido com as estatuetas para melhor argumento adaptado, melhor montagem e melhor realizador, "Entre Inimigos" estava em concorrência directa com "Babel", o favorito na competição e que foi o grande derrotado da noite. "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood, a comédia de baixo orçamento "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos", de Jonathan Dayton e Valerie Faris, e " A Rainha", de Stephen Frears, eram as outras películas nomeadas na categoria de melhor filme de 2006.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Estão a chegar os OSCARES de Hollywwood

"BABEL" UM DOS FILMES DO MOMENTO. UM DOS FAVORITOS A MUITAS ESTATUETAS DE OURO!!!

Pertinência da realização do fórum de reconciliação e reconstrução nacional.

O debate no país está completamente direccionado para as eleições gerais previstas para o ano que vem. Todos os cidadãos atentos, sentem que de alguma forma a vida de muitos vai mudar e que as oportunidades podem ou não ser maiores.
De uma coisa estão todos certos. Todos os angolanos serão importantes para decidir o futuro do país. Sendo assim, questiona-se que angolanos, que pessoas irão as urnas. Gente frustrada, sem horizontes, sem ideias? Ou angolanos com paz de espírito, paz social e com oportunidade de terem um futuro melhor. É sem dúvidas útil que se pense num Fórum de reconciliação e reconstrução nacional, embora se necessite saber a que nível estarão os participantes a dialogar. Será mais um encontro em que os principais protagonistas políticos terão participação efectiva, ou apenas se farão representar por outros? Não se estará a repetir os mais variados fóruns já realizados em que os interessados são apenas desprezados por que tem dar o passo gigantesco para a reconciliação? O país neste momento precisa de uma voz que possa orientar para um futuro promissor e de progresso. Grande parte dos cidadãos anda desconfiada. Não confiam nas instituições tão pouco nas pessoas. Analistas afirmam que a olho nu se pode perceber como a maior parte das pessoas, vive aguardando por um país, onde haja moral, onde as pessoas possam ter os seus projectos a andarem, em que as escolas funcionem e os hospitais também. A questão da segurança e das ameaças, num país que está em paz há 3 anos. Como é que as autoridades encaram o desarmamento. Que trabalho de fundo as autoridades realizam junto da comunidade precavendo para o perigo das armas? Em relação a questão psicológica de cada Angolano, em que situação se encontram os cidadãos? Com o ano das eleições provavelmente cada vez mais próximo, não haja dúvidas que os actores políticos procuraram intervir muito mais para chamar atenção para os males da corrupção, da má governação e de outras arbitrariedades que eventualmente venham a acontecer. Será importante também, chamar atenção para questões muito mais sérias que possam fazer com sejam dirimidas as tensões sociais, por causa de algum fanatismo e aproveitamentos que se vão conhecendo.

AFROBASKET preparado na Huíla

Já é visível o trabalho que está sendo feito em algumas ruas da cidade do Lubango, um trabalho que poderá servir como exemplo para outros da província, que irá servir de exemplo de para outras províncias deste pais que vive mergulhado em busca como é o caso da província do Huambo e Benguela, principalmente. Mesmo que as ruas que estão sendo reparadas já foram atribuídas o nome de preto e branco devido a mistura do novo asfalto com o asfalto velho, como dizíamos, a circulação de viaturas que anteriormente era considerado crítica, esta circulação está totalmente facilitada. No entanto, a nossa preocupação hoje, é direccionada aos empreiteiros que estão a realizar esta grande iniciativa da Administração Municipal e aprovada pelo Governo da província, para dizer que estes empreiteiros devem corresponder com atitudes mais humanas na realização desta grande tarefa, pois que segundo a nossa visão tem faltado qualidade. Não é fácil tapar aquilo que não cavamos, principalmente quando não temos a mínima ideia da importância que tem uma para a vida humana. Por isso deve haver mais prudência e mais humanismo nestes trabalhos, principalmente na colocação das camadas de asfalto para que estas camadas venham durar mais por muito tempo.
Num momento em que o País vive a expectativa dos grandes eventos históricos: o CAN e o Afrobasket, em que as províncias com mais buracos também foram escolhidas para albergar estes dois grandes eventos. Seria muito importante os trabalhos fossem bem feitos. A vida é uma escola onde se aprende todos os dias e os empreiteiros devem acreditar e aprender mais para fazer mais em prol do desenvolvimento do país.
É preciso neste momento da reconstrução nacional que cada um se torne uma verdadeira rosa de desenvolvimento onde cada mulher, criança, homem e jovem busca o verdadeiro néctar para uma sociedade nova.

Onde a água cria ondas, se não tiver uma pedra, tem um jacaré

O arranque do ano lectivo em todo País, em particular na província da Huíla, marca mais uma etapa para educação – instrução das novas gerações. Acredita-se que esta etapa ora iniciada terá resultados esperados se houver mais envolvência de todos aqueles que a historia humana sempre considerou de pedras angulares no processo docente – educativo. Trata-se dos encarregados de educação, escola, aluno e com esforço presente do governo em todas etapas deste ano lectivo, começando pela construção de escolas de raiz, material pedagógico – didáctico e não findar apenas em caixinhas de giz durante os primeiros dias de aulas, como normalmente tem acontecido em todas as escolas deste País. Ninguém negará que no processo docente – educativo o centro principal é o aluno, é ele o valor central e insubstituível. Na verdade, este para que se torne uma verdadeira personalidade do futuro necessita de escola e suas condições e da relação aluno – escola bem como encarregados de educação, não só para se levar avante a educação de futuro dirigente desta província ou deste País, como também se evitaria aquilo que se convenciona chamar de fuga de responsabilidade de cada um dos envolventes neste processo tão complexo. É importante meus senhores, compreender que uma escola que reúne condições favoráveis satisfaz não só o aluno na necessidade da sua formação técnica, mas também na sua formação cultural e humana, na visão global da vida e do mundo em que vive de modo a integrar-se dinamicamente nele com atitudes criticas e ética mais válidas. EPA PAKUNDOKA OVAVA, NDAKAPALI EWE, PALI ONGANDU. - Onde a água cria ondas se não tiver uma pedra tem um jacaré. Compreendam bem o sentido da nossa crónica.

Huila em alta na semana social nacional

A terceira semana social nacional terminou, em Luanda, com referencias interessantes sobre a condução dirigida por quem manda ao país dos dias de hoje. A questão do acesso a justiça e a “ problemática” das terras no interior, á luz dos exemplos da Huíla e do Kuanza sul, mereceram dos participantes uma atenção redobrada. Da Huíla veio a experiência de uma remota localidade do município da Matala, a Vila do Freixiel onde no passado vários colonos estabeleceram morada para dar sequência aso às suas intenções agro pecuárias. Uma freira falou sobre a “ Promoção social no meio rural: O caso do Freixiel”. Naquela remota localidade, disse a madre na “ III semana social nacional”, que é mulher é preterida na promoção no seio das comunidades a favor dos homens, situação que acontece em varias partes de África. Este evento promovido pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e suportado pelo Centro Cultural Mosaiko serviu de local de debate de ideias, entre vários angolanos e não só, para a melhoria da vida no país. O velho e recorrente tema da “ Justiça Social” esteve em destaque durante os quatro dias de debates. E certamente as questões do interior de Angola merecem cada vez mais atenção nestes eventos na capital do país.
Segundo a organização, a semana social é um espaço de estudo, reflexão e debate aberto em torno de um tema socialmente relevante para ajudar os cidadãos a tomar maior consciência das suas responsabilidades sociais.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Esperanças Idosas

Nunca devem morrer num ser humano o desejos de justiça. A crença num amanhã melhor, mesmo num mar infestado de indomavéis e esfomeados tubarões. Ao olhar para o horizonte, um amanhã melhor. Assim foi ontem e, felizmente, ainda o hoje é feito deste modo. Assim foi no início da caminhada, foi na fase intermédia, assim é hoje. Mesmo com "ESPERANÇAS IDOSAS" temos que ter o elán, o vigor, de olhar para o sol que se põe no horizonte aguardando que horas depois ele há de voltar a iluminar o bons e os maus numa Angola com "sede" de justiça social....
MV

Um texto de Dezembro ..... ( recordação)

“Não se é Jornalista sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia... mesmo estando desempregado” assim diz, com frequência, um companheiro (tomo esta liberdade de chamar de amigo, o “bloguista” e jornalista de “primeira linha”, o luso – angolano Orlando Castro). Conheço profissionais que fazem do jornalismo uma missão. Os sacrifícios são enormes e as compensações, volta e meia, nulas. Há pressões variadas de defensores de objectivos desconhecidos; afastamentos compulsivos por se pensar diferente ou até mesmo castigos físicos ou veladas e encapotadas ameaças contra jornalistas. Estamos a viver uma nova era ou não? Foi entregue nesta sexta feira o prémio provincial de jornalismo da Huíla. O resultado não poderia ser mais surpreendente, pela positiva e pela negativa. O despacho noticioso da Angop é interessante “ O jornalista da Agência Angola Press (Angop) Morais Augusto da Silva é o vencedor da terceira edição do prémio provincial de jornalismo na Huíla, organizado pelo Sindicato de Jornalistas de Angola (SJA) com apoio do Governo provincial. Ao vencedor, que exerce a profissão há seis anos na Delegação Provincial como editor principal, foi entregue o montante de quatro mil dólares. Na mesma senda foram distinguidos, com menções honrosas na categoria de imprensa, o jornalista Moisés Sachipangue do Semanário "Cruzeiro do Sul", revelação para Arão Martins, do Jornal de Angola, de audiovisuais para Domingos de Sousa, da Televisão Pública de Angola (TPA) e de Rádio Difusão para Esperança Java, da Rádio Nacional de Angola (RNA), aos quais foi entregue 500 dólares cada. Já arrebataram o prémio provincial de jornalismo da Huíla, os jornalistas Machel da Rocha, da "Rádio 2000", em 2004, e Celestino Gonçalves, da Rádio 5 em 2005”. Ora, onde está o problema? Sim, o governo provincial está por detrás da iniciativa. Parabéns aos vencedores, que os conheço totalmente. Notas: Artigo publicado em http://www.serradachela.blogspot.com/ É para mim, meu caro Manuel Vieira, uma honra ser por ti considerado amigo.

As chuvas da desgraça

Fortes chuvas destroem e matam em Angola. Luanda, Huambo, Bié, e agora Moxico vêm as suas populações fustigadas por "inclementes" quedas pluviais. Nas ultimas horas há informações de que até Saurimo, no extremo nordeste de Angola também viu estruturas a serem desabadas e pessoas a morrerem por força das aguas. Que desgraça!

Porque São Valentim merece

Mas tenta a creditar que existe sim um amor verdadeiro, quando me refiro ao amor não me refiro a paixão, ou seja ver alguém e pensar que está é a mulher que sempre sonhou a tua paixão pode ser uma ilusão, ver um corpo bonito uma cara linda assim como eu e sonhar ter (aquilo). Pode ser também que está minha forma de pensar não seja a mas sensata mais pense comigo porque é que eu tenho que esperar alguém que eu venha a me apaixonar!!! As vezes estas esperas fazem-nos não enxergar o que está bem de baixo dos nossos narizes. Lamento dizer isto com tanta franqueza, é difícil encontrar a tua alma gémea se é que existe,,, não é que eu não acredite no amor. Mais acho melhor, ficar com alguém que demonstre realmente que te ama e você aprender amar está pessoa. HISTORIA DE SÃO VALENTIM A história deste dia não é clara, mas sabe-se que, há muito tempo atrás, por volta de 270 AD, mais exactamente, um padre católico, chamado Valentim, exercia o catolicismo em Roma. Foi por volta desta época que o Imperador Claudius II decidiu que seria ilegal que os jovens rapazes se casassem, pois achava que os rapazes solteiros seriam melhores soldados do que os casados. Romântico como era, Valentim achava que esta decisão estava errada e continuava a casar em segredo os jovens apaixonados. Mas quando o Imperador descobriu, sentenciou Valentim com a pena de morte.De acordo com a lenda, Valentim enviou a primeira “carta de São Valentim”.
Diz-se que, enquanto esteve preso, se apaixonou por uma jovem que o visitava. Antes da sua morte, escreveu uma carta de amor que assinou, “Do teu Valentim” – uma expressão que ainda hoje se usa. Enviado por Esperança Gaspar

terça-feira, fevereiro 13, 2007

SOS BOSQUIMANES

188 populares da raça Koisanh, também conhecidos por “ bosquímanes”, são os beneficiários de uma ampla campanha de ajuda alimentar, apoio material e em vestuário, numa acção executada no município de Quipungo, interior da Huíla pela comissão local de direitos humanos.
Têm sido recorrentes nesta província dizer-se que estes povos, que vivem de forma quase primitiva, estarem em extinção, pois de uma população estimadas em milhares a cerca de dez anos estão agora contabilizados menos de duzentos. Doenças, fome e outras carências são as grandes causas da diminuição desta população que habita maioritariamente no sul do país, identificados rapidamente pela sua cor amarelada, baixa estatura e vulnerabilidade física, alimentando-se de frutos silvestres e pequenos animais das selvas e estepes do sul de África.
Segundo a ANGOP, o responsável disse estarem eliminados os focos de vulnerabilidade desse grupo, constituído na província por mais de 120 pessoas, que teve lugar no passado mês de Novembro.
Reza a história que os Koisanh foram os primeiros habitantes de Angola, conhecidos pela sua perícia em habitar e adaptar a zonas remotas, sempre longe das zonas urbanas. Esses populares, que estão quase em extinção na zona sul do país, são descritos como hábeis caçadores, praticando também a recolecção de produtos diversos.

sábado, fevereiro 10, 2007

Gambos*

Populares do município dos Gambos, província da Huíla, denunciam gritantes espectros de fome no interior daquela localidade.
Os casos de fome terão se agravado nos finais de Novembro do ano passado, quando a seca na região semi árida dos Gambos começou a ser sentida, com os sinais mais evidentes serem a destruição das culturas e a seca das chimpankas ( lagos artificias para a acumulação de agua para o uso humano e abeberamento de gado).
Grandes hectares cultivados com massango e massambala são descritos como totalmente secos devido a falta de chuvas em claro contraste com o resto do país onde caiem fortes cargas de aguas pluviais com destruição á mistura. As localidades de VILHAMBWNDO, CHIANGE ( sede municipal) e CHIMBEMBA são as mais visadas. Os gritos de fome terão chegado em Dezembro ultimo ao conhecimento das autoridades do governo da Huíla, no Lubango, mas ainda não há informações de um “plano de emergência” para travar ou minimizar a situação por forma a evitar a perda de vidas humanas e mesmo de gado bovino, principal riqueza das populações agro pastorais do municípios.
Numa deslocação recente ao município o chefe do executivo huilano, Ramos da Cruz, terá sido confrontado com as informações dos sobas da zona, devido as dificuldades por que passam populações de pelo menos quatro comunas, onde a falta de mantimentos a mais sentida. Noutras localidades desta província, no principio do ano passado, varias localidades tiveram o mesmo problema devido a destruição das culturas de milho e massango por acção directa das intensas chuvas que se abateram sobre a região. Na altura a reacção das autoridades foi tímida na contenção das consequências do problema. SOBAS E EMPRESAS DE EXTRAÇÃO DE MINEIROS EM PÉ DE GUERRA Nas ultimas semanas subiu de tom o latente conflito entre as autoridades tradicionais do município e as varias empresas que a varias anos trabalham na exploração de granito negro, mármore e outras rochas ornamentais no município dos Gambos. Em causa está um acordo firmado entre as empresas e o governo provincial para que as primeiras, para além do seu ramo de actividade possam tratar da construção de escolas, hospitais, abertura de furos de água entre outras benfeitorias, por forma a levar desenvolvimento á região.
Cerca de quatro anos depois do acordo ter sido firmado não houve cumprimento das obrigações, acto continuo quando o assunto chegou ao conhecimento das autoridades tradicionais começou a pressão para a retirada compulsiva destas empresas do município em causa. O conflito foi travado “ in extremis” pelo governo local que mandou ao terreno uma alta delegação para encetar contactos com as partes. Volta e meia, segundo as nossas fontes, essas empresas voltam a ludibriar os sobas e as comunidades. No terreno nada é feito a não ser actos do governo. As empresas ANGOSTONE, ENGRAMA e ROREMINA são as mais citadas. Apenas a OMPUNDA KAJAC ( próxima de dignitários locais) estará a cumprir, segundo as fontes, com o seu papel. O governador terá conseguido travar o conflito mas não termina-lo. * PUBLICADO NO JORNAL REGIONAL KESONGO

semana social II

Profissional irrepreensível das artes cénicas, respeitável causídica em determinados círculos da capital do País e membro do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados de Angola, Pulquéria Van-Dúnem admitiu recentemente em Luanda que o funcionamento do Sistema Judicial está em crise. Pulquéria Van-Dúnem, que falava durante a apresentação de uma comunicação subordinada ao tema “Sistema Judicial Angolano: Virtualidade, Limitações e Perspectivas” no segundo dia da “III Semana Social Nacional”, organizado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), afirmou que apesar da crise em que se encontra o sistema, com excesso de formalismo, falta de condições de trabalho para os magistrados, pessoal do cartório e advogados nos tribunais, existe ainda a esperança de melhorar tal situação.
Reconhecer que o Sistema Judicial angolano está em crise não basta. Não basta por que isso é por demais consabido, já não constitui novidade debaixo do nosso Sol político. Por isso, no que a mim diz respeito (e como eu a maioria dos angolanos) ficaria mais satisfeito se Pulquéria Van-Dúnem apresentasse uma proposta de solução para se acabar com a crise que afecta o Sistema Judicial angolano. Sentir-me-ia satisfeito (e como eu a maioria dos angolanos) se Pulquéria Van-Dúem admitisse que Angola ainda não é um Estado de Direito porque a maior parte dos doutores da Lei estão mancomunados com o poder e, por isso, estão-se nas tintas no que tange à construção de um Estado de Direito. Sentir-me-ia mais animado (e como eu a maioria dos angolanos) se Pulquéria Van-Dúnem admitisse (nem que fosse baixinho para que ninguém do Palácio da Cidade Alta ouvisse) que alguns, mas quase todos, juristas angolanos praticam o contrabando jurídico para prejudicar os cidadãos.
Sentir-me-ia esperançado (e como eu a maioria dos angolanos) se ouvisse (lesse) uma declaração de Pulquéria Van-Dúem a aceitar que o Estado de Direito em Angola é, ao arrepio das expectativas de todos, uma miragem por manifesta falta de vontade política de quem está no poder e que, para esta situação, o Mais Alto Magistrado da Nação é um problema para a solução desta crise que afecta o Sistema Judicial angolano. TEXTO DE JORGE EURICO Leia em www.pchila.blogspot.com

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Semana social I

Terras e sua distribuição em Angola estiveram em debate em Luanda. III semana nacional social tem sido um exemplo de debate aberto,discurso directo sobre a justiça socialneste territorio. O sul, com os complexos programas de terras em curso, foi uma referencia. Alguns temas tocaram na ferida. Há a necessidade de se olhar de frente para tudo isso.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Salteadores, homens armados atacam nas estradas na Huíla.

Dois homens feridos, um motorista e um passageiro, é o saldo provisório da investida armada de um grupo de homens contra duas viaturas civis que seguiam do Lubango para a localidade de Cacula, a norte da Huila. A acção decorreu nesta segunda feira ( 5 FEV) , á luz do dia, na estrada Lubango/ Huambo. Segundo a policia nacional, citada pela ANGOP, o acto deu-se no sector de Mutundo, um vilarejo a meio caminho entre o Lubango e a comuna do Hoque. Segundo o mesmo despacho, tudo aconteceu numa zona conhecida por “ três pontes”, lugar assim definido por num espaço de cerca de 200 metros comportar três pontecos devido aos regatos que seguem na região. Do ataque resultou ainda segundo a policia, para além dos feridos, o roubo de cinco telemóveis. Os salteadores, que ainda estão á monte, levaram consigo ainda cerca de 200 dólares norte americanos. Segundo testemunhas, o crime foi praticado por dois ou mais elementos munidos de armas do tipo AKM, que na ocasião efectuaram cinco disparos contra as mesmas, tendo causado ligeiros ferimentos ao motorista de uma das viaturas. A estrada onde aconteceu esta incidente é muito utilizado para quem vai a Benguela, Huambo ou Matala ( Huila). Com este ataque ficam “tremidas” algumas viagens inter. provinciais, principalmente aquelas efectuadas no período nocturno.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Um investigador cultural!

Meses depois voltei a trocar dois dedos de conversa com um dos investigadores culturais que mais admiro. É do Kuanza Norte, mas escolheu a Huíla para viver. Armando Dala Vunda, “amante” do Benfica e da história de Angola como poucos, disse-me que há a necessidade de haver mais apoio do estado aos seus trabalhos. Dala Vunda criou um núcleo local de investigadores culturais. No seu entender, a própria comissão parlamentar que trata de questões culturais devia prover uma discussão sobre o apoio á aqueles que fora do sector estatal dão o seu contributo para se (re) escrever a história de Angola, usando meios próprios e muitas vezes insuficientes para tal. Dala Vunda, com vários escritos em jornais locais, está a guindar-se numa espécie de “arauto” da sua classe na Huíla. BEM HAJA!

De caçadores furtivos á fiscais florestais

Mais um ideia vem da Huíla: o conhecido chefe local da defesa civil, Coronel Abel, quer que 46 caçadores furtivos encontrados em flagrante no parque nacional do Bicuar, integrem o conjunto de guardas florestais. Os homens, detidos em Janeiro por agentes da defesa civil que (afinal) patrulham o parque, foram encontrados com 86 armas de fogo de diversos calibres, que os mesmos utilizavam para abater animais naquela reserva natural, sem qualquer autorização. Segundo o oficial, a defesa civil, em parceria com a delegação da Huíla da Agricultura, pretende formar os indivíduos ora detidos e transformá-los em fiscais do parque, o que vai permitir que os mesmos tenham um salário e deixem de degradar a fauna. De acordo com Abel Mandjata, muitos caçadores furtivos ainda se encontram à solta no parque, mas têm dificuldade em controlar toda sua área por insuficiência de efectivos. Por isso considerou necessário tornar os mesmos em fiscais, visto já conhecerem o Bicuar. RESTA SABER SE O HOMEM SERÁ LEVADO A SÉRIO....

sábado, fevereiro 03, 2007

DEVASTAÇÃO

( Um pormenor do efeito das chuvas em Luanda. Esta foto foi recebida por email)

CHUVAS INCLEMENTES EM LUANDA E LUBANGO

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Rádio Huíla ( Agosto 2006)

Numa dessas noites, no Lubango, procurava no selector de frequências do meu rádio digital e dou de ouvidos com um espaço aberto para questionamentos e criticas de ouvintes dirigidos a quem quer que seja. O programa é da Rádio Huila, apresentado, soube depois, por uma antiga companheira minha quando trilhávamos os primeiros passos do Rádio jornalismo. Voz amena, cordial e algumas palavras sabias, bem colocadas. Classifiquei assim a jovem locutora. Fiquei surpreendido, pois num passado recente iniciativas do género no interior do país eram por e simplesmente retiradas do ar depois de pressões das autoridades. No Lubango, tal também aconteceu. Depois de 16 meses longe da terra, o programa chamou-me atenção. As autoridades não foram poupadas. Perguntava-se de tudo. A crónica falha no sistema eléctrico que lança escuridão quase total a cidade, a reabilitação de estradas, a falta de água, o crime, entre outras coisas. O sistema do espaço, onde mais jovens ligam, era de perguntas simples, mas a maioria como se pode notar ficavam sem respostas, atiradas talvez para as “ calendas gregas” da Huila. O programa decorria, qual fórum Ecclesia na versão huilana, com alguns ouvintes talvez mais esclarecidos e destemidos que outros a serem profundamente ríspidos para os que mandam. Esta é uma oportunidade, acredito, de se medir a popularidade dos que governam a província. Até que ponto conseguem satisfazer a expectativa do cidadão, numa localidade onde num passado recente as criticas eram feitas a boca pequena para se evitar severas punições. Para isso, apenas alguns destemidos jornalistas, contados pelos dedos de uma só mão, passavam criticam nas suas emissões. Verdade. Encontrar este programa na rádio pública pareceu-me vislumbrar um oásis depois de se atravessar um rigoroso deserto. Mas é uma pena que o mesmo esteja atirado para depois das 21 horas de uma sexta – feira. Com este horário é retirada a possibilidade de adultos, estudantes universitários e mesmo a gesta intelectual local participe. É pena. Mas mesmo assim, espero que o programa continue, já é bom no formato actual. Espero voltar a ouvir quando regressar ao meu querido Lubango. Mas não nos esqueçamos que quem fala o que quer, habilita se a ouvir o que não quer...

Predadores!

“ O problema de Kaposso e que havia tubarões mais gordos ou mais fortes”. Esta é uma das passagens do último romance do célebre Pepetela que me fez reflectir. Das muitas modas que vemos, a mais incómoda é a clara delapidação (material e moral) que os angolanos sofrem. O roubo é descarado, aberto. As “ comichões” inexplicadas, a gatunagem aberta e a vontade de enriquecer sem justificação é e hoje um passo snob de afirmação social na minha Angola. A referência, de Pepe aos “ Kapossos” dos nossos dias não devia ser melhor abordada na história romanceada que um dos nossos “Camões” faz na sua obra. São cerca de 390 páginas da rocambolesca história de um novo-rico. O homem não olha a meios para cumprir com o seu objectivo, ou seja, engordar as custas de um povo minguante. A historia do homem que até muda de nome para parecer mais partidário; muda ainda de local de nascimento para ser próximo da terra do primeiro chefe. Mas Kaposso faz mais. Rouba, corrompe, mata, burla, afasta do seu caminho aqueles que pensa serem um incómodo. Come tudo e nada deixa para os demais. O glutão do Kaposso esquece-se, porém, de estudar, de aprender. Só sabe mandar. Pepetela é pois sublime nesta narração. O predador moderno que sabe que pode virar presa. O predador que conhece outros, mas contudo mais gordos e mais fortes. Grave. O romance que acabei de ler, pela segunda vez, faz - me olhar para sociedade contemporânea angolana. Uma obra recomendável. Um humano com sentido animalesco vira um voraz predador. Cuidado com os “ nossos” ...

No "coração" do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os órgãos do país (o que é raro), enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião pública, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uíge, até então fustigado por um vírus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação (mesmo medonha) ao aparecimento de um vírus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o marburg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorrágica matava rápido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de rádio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uíge está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimónias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão. Luvas, gorros e batas se haver necessidade. Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos repórteres de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 Minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O vírus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passávamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemóvel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A Ecclésia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local. È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda. Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior são um problema para os escribas. Novo trabalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos ao hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares. Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e a competente regressa ao Uíge. São cerca de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tónica central há medo, mas há vida no Uíge. Conferência de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitável quando uma equipa vai ao terreno buscar cadáveres. Notícia aterradora, eram membros da mesma família. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de óbito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadáveres são enterrados em valas comuns, por técnicos de saúde. As vezes o vírus mata todos os membros da mesma família, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo à bicicleta. Decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitável. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de trabalho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estômago e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a romagem rápida ao aeroporto. Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uíge está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uíge, voltar a falar (muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o vírus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rápida. Mvieira

Tundavala, novo ângulo

A beleza do Lubango!

Jardim da Nossa Senhora do Monte. Ao fundo o famoso Casino do Lubango

1 Pedaço de História (II). Caconda ( CACONDA - A- VELHA) - 1769

Situada a 150 Kms mais para o interior e onde já se encontravam colonos brancos, Sousa Coutinho vai dar-lhe o nome de contins levando tropas de Hanha e erguendo o fortim. Vai fazer a ligação entre Benguela ( litoral) e o interior sul. Quem terão sido os fundadores? Keilling, no seu livro “ 40 anos de África” escreve a esse respeito: “ Segundo reza tradição, após a derrota de vários Sobas coligados, contra o presidio de Hanha, o Soba de Galangue declarou-se vassalo de Portugal. Uma filha deste soba, chamada Tchilombo, teria sido educada em Benguela, onde viveu com um comrciamente rico. Por sua vez, tiveram um filha a quem deram o nome de Maria Caconda. Anos volvidos, Tchilombo deixou Benguela e voltou para o sertão com a filha. Com eles foram vários brancos, mestiços e negros mais ou menos evoluídos que se instalaram num local que fora escolhido pelo Capitão- Mor e a que mais tarde Sousa Coutinho mandou dar o nome de continhs”. Os restantes recém-chegados deram origem a outras povoações ainda hoje existentes: Vissapa, Chimuando, Bandeira, etc. ( Extracto do livro “ A MISSÃO ESPIRITANA NO SUDESTE DE ANGOLA” do padre Serafim Lourenço. Prefácio de Dom Zacarias Kamwenho) pág. 22

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Imprensa regional ganha um reforço

KESONGO JORNAL EDITADO EM BENGUELA. DISTRIBUIDO EM TODO O PAÍS.

Estradas ( quase ) cortadas no Lubango

"Mais uma vez a culpa é da chuva!" dizem alguns. O CHELA PRESS, numa materia (meio opinião- meio noticia) assinada por um dos meus confrades no terreno, atesta a olho num os caminhos da governação quando a chuva " aperta" mais do que deve! O Lubango ficou "tremido" com o numero de locais em que o trânsito esteve quase cortado. Na descrição deste quinzenário o " ponteco de acesso ao estádio do Ferroviario estava quase a desabar, o mesmo acontecendo com o acesso ao cemitério da Kanguinda" recentemnte recuperadas por empresas locais. A força das chuvas provocou a destruição parcial das suas composições em função das fortes cargas de água que se abateram sobre a cidade nos ultimos meses. O jornal chama de "gatafunhos" os trabalhos efectuados em pontes e pontecos. Até o ponteco junto do BPC dos Laureanos, á caminho do Santo António estava na eminência de desabar. Se tal acontecesse, imagine-se que alternativas te~ria o cidadão para chegar ao mercado do Tchioco, ao aeroporto ao bairro do Santo António, a linha para Chibia, Gambos, Cunene e Namibia. Amigos no Lubango disseram-me que o adminsitrador visitou os locais e apresentou o dossier ao governador para a procura de uma solução.... Parece que as operações de "tapa buracos" não caminham bem. Quase tuido é cosmético, corroendo cada vez mais a pouca paciência do cidadão que apenas deseja uma vida, mais ou menos, folgada.

Sobas dos Gambos querem expulsar empresas de exploração de pedras preciosas. A fome também aperta.

O governador da Huila foi descrito nesta semana, por fontes por nós contactadas no Lubango, como estando a travar “ in extremis” um latente conflito entre empresas de exploração de pedras preciosas e as comunidades nativas do disputado município dos Gambos. Ramos da Cruz terá sido confrontando, segundo as mesmas fontes, com o desejo das autoridades tradicionais em mandar para fora do município algumas das empresas envolvidas na exploração destes recursos. Na base do conflito está um contrato, assinado por tais companhias e pelo governo, em que os primeiros comprometem-se em fazer algumas “ benfeitorias” no terreno de exploração, consubstanciadas na construção de escolas para os vários níveis de ensino, a abertura de furos de aguas para o uso das populações e abeberamento do gado entre outras. Volta e meia essas empresas voltam a ludibriar os sobas e as comunidades. No terreno nada é feito a não ser actos do governo. As empresas ANGOSTONE, ENGRAMA e ROREMINA são as mais citadas. Apenas a OMPUNDA KAJAC ( próxima de dignitários locais) estará a cumprir, segundo as fontes, com o seu papel. O governador terá conseguido travar o conflito mas não termina-lo. No entanto, fala-se de fome nos Gambos. As localidades de VILHAMBWNDO, CHIANGE ( sede municipal) e CHIMBEMBA são as mais visadas. A seca que se faz sentir há muito tempo na localidade dos Gambos está a provocar fome e sede as populações e ao gado. Ainda não há noticias de mortos. Este “ filho pobre” da Huíla está a cerca de 180 kms a sul do Lubango.

1 pedaço de história ( I )

Caconda. Este município é dos mais antigos entre as circunscrições do sul de Angola. Depois de Moçamedes é seguramente a mais velha que há, mesmo comparada a Sá da Bandeira, agora Lubango. Existe “Caconda Nova” que é a sede do actual município, pai dos municípios de Kaluquembe, Chicoca ( Huila) e Ganda ( Benguela). Esta localidade que se tem vários pontos históricos tais como Kanduku, Visapa, Tchinjenje, Thiweka, Cassaco( Nordeste); ou ainda localidades históricas e bastante referenciadas entre o pessoal do centro e sul de Angola, tais como Jamba Yamina, Bisi, Mundinda, Kaluvombolo, Bambi ( Sudeste); ou mais adiante Lusseke, Huila, Ngungi e Kanangã. Eis a nossa CACONDA NATAL no mapa topográfico da província da Huíla. TEXTO DE PEDRO VIEIRA

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Entre o jornalismo e o sacerdócio

Tive muitas oportunidades para privar com um jornalista - padre . Hoje, tenho contactos mais directos, mais regulares.O primeiro homem que conheci nestas funções chama-se Álvaro de Magalhães Teixeira, português de nacionalidade, mas angolano por afinidade. Hoje responde pelas comunicações sociais da arquidiocese do Lubango. Corria o ano de 1998 e havia a necessidade de saber mais sobre a igreja, o tratamento de matérias a ela relacionada e a inevitável língua de trabalho. Ensinou jornalismo e português. Criou uma especie de "Clube de Jornalistas Catolicos" e nunca admitia uma " calinada" na rádio, pois estava logo á porta da redacção para corrigir o " infeliz". Fomos nos aplicando. Mas o ponto mais alto, dos contactos com este homem de grande cultura e sentido de missão ( editava sozinho, durante varios anos, o boletim "Vozes do Lubango", a unica revista propriedade da igreja que circula por todo o país) foi a conferência sobre " Os Mídia e a Democracia" realizado no ICRA do Lubango em 2002. Participei na preparação e fui um dos oradores principais.

sábado, janeiro 27, 2007

Chuvas da desgraça em Luanda

Enxurradas! Chuvas torrenciais sobre Luanda são algo que certamente marcará os factos noticiosos de 2007. A desgraça que acarreta esta precipitação é tão visível quanto a nova morada da senhora Esperança, dona de uma boa casa( construção definitiva) hoje hospedeira de uma das tendas no bairro . A sua família trocou involuntariamente o conforto das paredes com a bravura da corrente de ar da residência ao ar livre. Esperança, desta virtude só lhe sobra o nome porque não tem optimismo que a situação esteja ultrapassada…” Se uma chuva forte cair, pode ser que a tenda nos destrua a nós ao invés das nossas coisas, como aconteceu nas nossas casas, pensou Esperança… Enquanto não Chove, Esperança debulha o terço para que desta vez chova só “Cochito” rogando que o penúltimo abrigo (tenda) seja guardado da fúria de S. Pedro. No bairro de Esperança ficaram as Senhoras Maria e Kassenda , vizinhas de Esperança, aquelas experimentam o desespero de lutar contra a teimosia da água, esta entra nas suas casas a partir do chão e integra o agregado familiar. As senhoras Maria e Cassenda preferem a Instabilidade da Inundação, porque sobram paredes, as camas permanecem intactas por cima de muitos blocos, a noite a tábuas e blocos no chão dos quintais enfileiraram-se e dão passagem às residências onde descansam os corpos. Se chove! Juntam-se as crianças e dirigem-se aos antepassados para que intercedam por eles. Que Deus não os castigue mais. A criança mais nova interrompe a oração e questiona..” Assim vamos aonde?” Não vamos a lugar nenhum responde dona Cassenda, somos muitos e as casas estão caras continua a senhora Cassenda, Nas tendas também não vou. Há cinco anos também houve cheias deram tendas e por este critério distribuíram terrenos, só que o administrador recebeu o nosso terreno.“.. Vamo ficar memo aqui”… Tanto na Tenda onde está a dona Esperança, como no bairro alagado onde estão as senhoras Maria e Cassenda a expectativa é a mesma, que acabem as enxurradas e volte a vida normal. É Verdade que a força da natureza é incontrolável, também é verdade que as catástrofes naturais acontecem, mas no caso destas famílias, das senhoras, Esperança, Maria e Cassenda os estragos do fenómeno el ninho seriam minimizados se fossem concebidos esgotos no seu bairro para o escoamento das águas. Tudo que aconteceu foi que a agua não encontrou lugar para escoar e integrou o agregado familiar. As residências das senhoras permanecem na antiga lagoa. Hoje quase com o estatuto de rio pela dimensão que abrange. Um melhor saneamento para os bairros precisa-se. Porque minimizar os danos das chuvas com mortes contadas quando se pode prevenir os acidentes em áreas de risco? Porque não apostamos na auto - construção dirigida. Onde estão os planos urbanísticos para permitirem uma melhor orientação de construção na periferia de Luanda. Ainda penso que, se as entidades de Direito tivessem impedido a Construção de residências naquele local teriam permitido a procura de lugares mais seguros e as três famílias não teriam custos por causa das chuvas da desgraça. Por Márcia Nigiolela ( jornalista da RE)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Chuvas fortes no Lubango podem cortar estradas.

As chuvas que se abatem nos últimos dias, na província da Huíla, estão a provocar fissuras em alguns troços importantes da cidade do Lubango, que se não merecerem atenção urgente, poderão tornar intransitáveis algumas zonas. (ENTRADA DO LUBANGO PARA QUEM SAI DO AEROPORTO INT. DA MUKANKA) As zonas que ligam os bairros periféricos e o resto da cidade são os locais mais atingidos, com pontes prestes a desabar, estradas esburacadas, clamando por intervenções urgentes. Preocupado com esta situação, o administrador municipal do Lubango, Vigílio Adriano Tyova, depois de uma visita de campo aos vários pontos críticos da cidade, reconheceu a necessidade de se evitar o pior com intervenções, afirmando contar com o governo da província para superar a crise financeira. As chuvas que caem um pouco por todo o país também é preocupação das autoridades da província da Huíla que receiam situações menos boas para o interior da região, já que no Lubango a possibilidade de calamidades como inundações é pouco provável.

A paixão da rádio

<Ainda hoje, tantos dias passados, não sei de quem foi a culpa do "pecado original", desconfio apenas, mas bem haja a quem soube devolver-nos, por uma noite, o prazer de ouvir um jogo cantado na rádio como nos "velhos tempos". A estrada para Lisboa cada vez mais curta, eu a fugir dos 120 - só um bocadinho - na ânsia de chegar a tempo para ver o fim da contenda - como se diz em futebolês - na TV, e eles ali aos gritos, a espicaçarem-me ainda mais a adrenalina. Lembrei-me então das tragédias que se dão nas pressas que vão galopando a toque de emoção e abrandei com gosto, mas a adrenalina não baixou. E lá continuavam eles numa sonora insistência que me transformou o carro, por momentos, no quarto da minha infância. O tal onde tantas vezes, sozinho, quase me sentia nos estádios onde não podia ir. A zanga dos meus pais com o futebol radicava no risco de mandar o filho para "aquela barafunda" e eu, resignado, "via" na rádio o que não me entrava pelos olhos ao vivo. Amava a rádio e casei-me com ela. Até hoje. Entrei na rádio a brincar, no tempo da pirataria, e quando dei conta estava parado na redacção da TSF. Eu miúdo - 21 anos que pareciam 16 -, inexperiente, meio acanhado a um canto e eles já se passeavam com o peso das estrelas que me pairavam na imaginação desde sempre. Reconhecia cada voz e dava-lhe um nome, acertava sempre. Estranhava os rostos e as figuras, mas tentava habituar-me à estranha sensação de dar corpo e imagem real a quem conhecemos de viva voz mas nunca encarámos pessoalmente. Não me deslumbrava, admirava-me, com simplicidade e humildade, perante todo aquele cenário que sempre fez parte dos meus sonhos. Duas horas encostado a uma parede e ninguém parou nem reparou em mim no primeiro dia. Era a TSF no auge da "rádio em directo". Muitas notícias para pouco tempo. Mais uma piscadela de olhos e já estava num estádio. Microfone em punho e a voz deles nos meus ouvidos, a dizerem o meu nome e a pedirem "bitaites". António Esteves para aqui, António Esteves para ali. Suprema vingança. Os meus pais passavam o fim-de-semana com o rádio aos gritos lá em casa, e eu no campo, finalmente no campo, a dizer as coisas que ouvia quando me fechavam no quarto para não fugir para a bola. A rádio libertou-me da clausura e eu paguei-lhe com um amor incondicional. Até hoje. Cada um é como cada qual e não se compara o que não tem comparação. Foi por isso que naquela terça-feira, mesmo moído pela folia de uma noite de máscaras que não dispenso já lá vão uns anos, ouvi com igual prazer, e longe da sonolência, os "quatro mosqueteiros" da rádio que é a minha. A rádio do rigor mas também da emoção, da isenção mas também do espectáculo, do humor e da fina ironia. Os dias da rádio vieram no seu melhor, em dois duetos. Um quarteto de luxo em esplendor no éter. Na Antena 1, David Borges e Carlos Daniel. Na TSF, Fernando Correia e Jorge Perestrelo - hoje apenas uma das melhores recordações de quem a ama a rádio. Quatro dos melhores de sempre. O David, com a sua voz gutural e o seu pragmatismo rigoroso de quem sabe muito bem do que fala, o Carlos com um ritmo emocionante e compassado e a memória de elefante que nos deixa de boca aberta, dois artistas numa deliciosa harmonia com um saboroso ritmo desigual numa melodia em futebol maior. Do outro lado a fina flor dos 89.5, o prazer do futebol em FM. A voz respeitável e bem disposta do Fernando que nos conta a "estória" dos jogos, de cor e sem cábula, como se já fosse a crónica de um jogo passado, o Jorge num estilo irreverente e inigualável de emoção e espontaneidade, um português com o sangue africano a ferver-lhe na guelra. Tinhas o coração junto à boca Jorge! Eles ali a cantarem nas colunas o jogo da Luz e eu a saltar de posto em posto para não perder um segundo de cada dupla. Perdi-me em recordações e histórias comuns. Eles numa inesquecível sinfonia, e eu, adrenalina ao rubro, a beber cada um dos lances daquele Benfica-Porto pelas colunas do meu carro, que parecia o meu quarto de menino onde comecei a amar a rádio. Até hoje. Comecei com o Jorge Perestrelo, na TSF e na SIC - nas coisas do futebol onde agora só participo às vezes - mas trabalhei com todos eles com igual prazer. Eu menino, a querer ser como os grandes na profissão, e eles, já homens e estrelas da rádio, a darem-me tudo sem eu pedir. Saber e amizade, simpatia e admiração, apoio e nas orelhas. Seguimos muito tempo pela mesma estrada, hoje seguimos por direcções opostas. Só o Jorge, num repente inesperado disse adeus cedo demais. Parece que foi ontem. Encontrámo-nos de forma inesquecível, naquela terça-feira, no meu rádio, que me deu tanto prazer mascarado de telefonia do meu quarto, a cantar-me o jogo pelas colunas do meu carro. Voltei a ser menino outra vez e a desejar estar lá, no estádio, de microfone em punho, a ajudá-los na cantoria de um jogo emocionante. Não sei de quem é a culpa do "pecado original" - desconfio apenas - mas bem haja a quem teve arte para nos devolver assim, sem custo acrescido, os dias da rádio que eu amo, onde vivi mais de metade da minha vida de jornalista. São sem dúvida quatro dos melhores - o Jorge nunca vai morrer para a História da Rádio - e tal como outros que não cabem nesta estória serviram de mestres a uma nova geração cheia de valor, que também já nos canta os jogos na rádio com muita arte: Hélder Conduto - o meu preferido -, João Ricardo Pateiro, Alexandre Afonso, Paulo Garcia. Que amem tanto a rádio como eles sempre a amaram e respeitaram. Eu amo desde que me conheço, até hoje... ANTÓNIO ESTEVES, JORNALISTA DA SICps: Este artigo reflete ( também) a nossa paixão pela rádio!!!!

O trascedental nas nossas vidas

Quando as barbas do vizinho ardem....

Governo da Huíla pronto para apoiar eventuais vitimas de enxurradas no Lubango. Chefe do executivo garante que se tal acontecer no Lubango o apoio será "rapído e completo". Se tal acontecer no interior " dificuldades poderão ser sentidas". Que o diabo seja surdo, mas vale dizer que " quando as barbas do vizinho ardem, convém colocar as tuas de molho"!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Ryszard Kapuscinski, "o africano"

Ao ouvir a rádio, esta manhã, quando distribuía os meus filhos pelas escolas, ouvi a notícia da morte de Kapuscinski, um estranho polaco que contou África como poucos. Ryszard Kapuscinski escreveu coisas espantosas sobre os africanos, durante décadas. Correu o continente de lés a lés, sempre atrás das revoluções, golpes de estado e guerras sem fim. Escrevia notícias e escrevia livros. Os relatos de Kapuscinski levaram-me para o jornalismo e, talvez, para África. A notícia da sua morte só podia recebê-la de outro africano, realmente. Todos nós, africanos, acabamos de perder alguém que admirávamos. Durante décadas, Kapuscinski escreveu sobre o que viu e sentiu: a exaltação das independências africanas, a esperança no futuro, as desilusões, a amargura das guerras, o tribalismo e o racismo de que os africanos são vítimas e prevaricadores. Contava histórias de gente simples, do quotidiano das aldeias, de “uma África que não existe”, tal como ele disse. TEXTO RETIRADO DO BLOG www.blogda-se.blogspot.com , de Carlos Narciso

“ Muito já se falou, mas pouco se fez”

Cautelosa e fria, pode ser assim descrita a reacção do bastonário da ordem dos médicos a volta das declarações do Governador de Luanda sobre corrupção e suborno no sector da saúde em Luanda. João Bastos, profundamente agastado com as declarações, disse que é altura de haver mais acção deixando de parte declarações frequentes que apenas, no seu entender, levam o caos aos sectores de saúde na capital. O Dr. João Bastos, a cerca de quatro anos a frente da ordem de médicos de Angola, sugeriu ainda acções concretas do governo para conter o fenómeno de “corrupção e suborno” que qualificou esta semana como reais. Já noutra reacção, o enfermeiro Almeida Pinto sugeriu a criação de melhores condições de trabalho nas várias unidades hospitalares de Luanda, incluindo centros de saúde, postos médicos e hospitais de referência como uma das formas que podem ser ensaiadas para ultrapassar os casos de corrupção, que terá a vida de muitas pessoas, por se recusarem a pagar qualquer quantia financeira, sem o respaldo das direcções dos hospitais. Almeida Pinto, também ele secretário nacional adjunto do Sindicato dos Enfermeiros SINDEIA garantir que outra forma de “aliviar” o sector da penosa carga da corrupção é conceder melhores salários e sem atrasos. A direcção provincial de saúde ainda não reagiu à estas informações. PUBLICADO NO JORNAL CENTRO SUL KESSONGO, EDITADO EM BENGUELA

A invasão silenciosa dos Gambos

O padre Jacinto Pio Wakussanga, uma voz activa na defesa dos criadores tradicionais de gado no sul do país, denunciou uma voraz invasão silenciosa das terras mais rentáveis do município dos Gambos, na província da Huíla. A localidade está localizada a cerca de 180 kms a sul do Lubango, rica em gado bovino, principalmente numa zona conhecida por Vale do Tchimbolelo. A invasão, no entender do sacerdote, teve inicio dos finais dos anos noventa, mas o ponto mais alto registou-se por voltado ano 2000 quando a igreja católica e a associação local “ Leonardo Shikufinde Shalom Angola” ALSSA ( entretanto desmantelada, supostamente por pressões externas) denunciaram publicamente restrições no processo de transumância do gado bovino, ocupação de zonas de abeberamento e outras zonas tidas como sagradas pelos “ Mungabwes”, povo nativo da região huilana dos Gambos. De regresso ao país depois de um mestrado em Resolução de Conflitos e Estudos de Paz na universidade de Bradford norte de Inglaterra, Pio Wakussanga, referiu que membros do governo central, oficiais superiores das forças armadas angolanas, empresários bem sucedidos em Luanda criaram uma espécie de frente para a posse de grandes parcelas de terras, especialmente em zonas anteriormente inacessíveis devido a guerra, alimentando assim novas cobiças, observando-se um total ostracismo das populações locais que em nada beneficiam da ocupação da sua terra, nem dos projectos agrícolas gizados pelos “ novos ricos”, não criado, em alguns casos, mais valia no sector agro pecuário da região. O também activista cívico alerta também para uma espécie de “corrida para os recursos naturais” da região, nomeadamente a terra e o granito negro, sem olhar a meios. Em entrevista a imprensa na Huíla, o padre Jacinto Pio Wakussanga disse que foi uma grande passo para as autoridades a criação da lei de terras para orientar o acesso a este bem, mas lamenta o facto de inacreditavelmente não haver até hoje um regulamento para este importante documento. O combate a exclusão social através da capacitação das populações locais pode ser um instrumento, segundo a fonte, para conter a tendência cada vez mais forte da ocupação por e simples de grandes parcelas de terras, remetendo as comunidades locais sem qualquer alternativa para a sua sobrevivência. “ Ao invés de ser o António ou o cricano que está em Luanda, que já têm terra. Já tem 80 kms e agora vem ocupar mais noutro sitio, porque é que não que aqueles que já têm vêm ocupar? As causas são mais profundas” questionava-se, algo triste, o conhecido sacerdote que foi anos atrás uma das vozes mais activas na defesa das comunidades rurais do interior da Huíla, que até hoje têm pela frente a concorrência de milionários oriundos de Luanda, estalando-se naquela região semi árida do sudeste da Huíla, a caminho do Cunene. No entanto, numa palestra proferida em tempos no Lubango , o engenheiro Fernando Pacheco, presidente da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente ADRA, referia que “tal como noutras regiões a corrida às antigas demarcações por parte de novos empresários foi assinalável, com base no antigo cadastro. As populações pastoris reagiram negativamente a esse movimento porque acham que a instalação de "farmers" dificulta o acesso a determinado ponto de água e de pastagem e as transumâncias em geral.” Segundo ainda o palestrante “um levantamento ordenado pelo governo da Província da Huíla revelou que muitos desses "farmeiros" detinham áreas muito superiores àquelas e que, efectivamente, necessitavam e que estariam mais de acordo com as suas capacidades técnicas, financeiras e de gestão. O reordenadenamento daí resultante permitiu que as comunidades "recuperassem" para o seu uso colectivo mais de 5 mil hectares” disse Pacheco. Segundo Fernando Pacheco na palestra sobre a “terra e a constituição” e olhando para os conflitos de terras em algumas localidades do país, a questão da Tunda dos Gambos , “ Trata-se de um caso comprovativo de que é possível resolver conflitos de terras de forma negociada. Entretanto, ainda nos Gambos há situações em que o radicalismo é mais acentuado, quer por parte de empresários, quer por parte de populações pastoris”. Com as declarações do padre Pio é a segunda voz que lamenta a forma como tem sido conduzido o processo de cedência de licenças de terra nos Gambos, depois do administrador municipal Aurélio Cabral ter protestado contra o facto de ser desautorizado permanentemente por gente ida e Luanda. Segundo o administrador dos Gambos pesa o facto de ser um quadro proveniente da UNITA inserido na administração do estado no âmbito do protocolo de Lusaca. Num tom de profunda tristeza, Aurélio Cabral referiu que gente já autorizada a ter terra a partir de Luanda e do Lubango vai aos Gambos já com os factos consumados, fazendo com que a administração “olha-se apenas” para a situação. O administrador confirmou ainda a invasão de alguns “ novos ricos”, tanto do Lubango como de Luanda, as fronteiras do parque nacional do Bicuar, uma área que pelo menos na teoria deve ser protegida da caça furtiva e mesmo da pratica da agricultura. ( MANUEL VIEIRA) PUBLICADO NO JORNAL REGIONAL CENTRO- SUL KESONGO

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Lubango e a universidade do sul do país

O discurso oficial, no Lubango, diz que em breve haverá uma universidade autónoma para a regiao sul do país. Nada mais correcto. Incorrento seria pensar o contrário. Com isto, poderá baixar o indicie de "emigrantes estudantis" á terras como Luanda e a mão de "obra qualificada" no terreno pode aumentar. Ai está a escola Mandume (antigo Liceu Diogo Cão) pode ser aproveitada para que as suas enormes instalações sejam covertidas numa das faculdades da emergente UNIVERSIDADE DO LUBANGO, abarcando a Huíla, Namibe e Cunene.