quarta-feira, março 14, 2007

Huíla rema contra a maré

Quando pelo país o tema que acende discussões e que motiva longas, e as vezes, fastidiosas tertúlias é o da "despartidarização" dos órgãos públicos e o papel da polícia na contenção da chama intolerância politica , eis que no Lubango perece remar-se contra a maré.
Com tantos locais convidativos para assinalar o dia da polícia, a corporação local decidiu-se por celebrar o seu aniversário na sede provincial do partido no poder . E as críticas não se fizeram esperar. E não é para menos.
FOTO: Sede do MPLA - Huila ( A imagem não mente…. )

Sara ( quase) livre....

A activista Britânica ligada à Global Witness, Sarah Wikes já tem autorização para deixar Angola a qualquer momento. A noticia foi publicada nesta quarta feira, em Luanda, pela Emissora Católica de Angola, Rádio Ecclesia. Não foi dito se o processo continua, mesmo com a investigadora fora do país.
As autoridades judiciárias angolanas levantaram a interdição que pesava sobre si na sequência de um processo judicial por crime de espionagem e contra a segurança de Estado de que vinha acusada.
O Procurador-geral da República, Augusto Carneiro, garantiu ter recebido do Procurador em Cabinda a autorização para Sarah Wikes sair de Angola quando entender.
O procurador provincial já deferiu o pedido e enviou-nos uma mensagem a comunicar o seu despacho, disse o responsável. “A senhora pode até sair do país hoje se quiser”, acrescentou Augusto Carneiro numa entrevista concedida a dois correspondentes da imprensa estrangeira em Angola que persistiram em falar com o magistrado em Luanda. Vários sectores do país criticaram a detenção da activista dizendo que o “ governo está a disparar contra os seus próprios pés”.
Sara Wikes está no entanto impedida de sair de Angola, devendo aguardar que sejam instruídos os autos para o julgamento, no qual deverá então ser acusada de espionagem. A Global Witnesss, ONG ao abrigo da qual a activista se encontrava em Cabinda, já divulgou recear que este inquérito se prolongue por vários anos.
Recorde-se que a activista foi detida na rica região petrolífera de Cabinda, no âmbito da Campanha Internacional pela Transparência na Indústria Petrolífera «Publique o que Se Paga», se iria encontrar com líderes cívicos locais para discutir como os lucros do petróleo angolano estão a ser dispendidos.

terça-feira, março 13, 2007

A guerra de nervos entre as abastadas empresas de exploração mineira da Chibia e Gambos e as famintas populações tem tudo para durar. As posições dos dois lados parecem irredutíveis, fazendo com que as trincheiras sejam cada mais municiadas com criticas da parte dos empobrecidos populares, levantado cada vez mais o desdém do outro lado da barricada.
Como já tive ocasião de dizer aqui, os populares dos Gambos exigem das empresas de exploração de granito negro, mármore e outras pedras ornamentais, a construção de infra estruturas básicas como contrapartida do seu trabalho no terreno. Um acordo a propósito foi firmado, mas as quatro empresas no terreno fazem tábua rasa.
Faltam escolas, hospitais ou postos médicos. A exploração rende milhões e pequenos aldeamentos para os trabalhadores das empresas enchem os olhos dos populares que mesmo depois da queixa efectuada ao governo local vêm pelo binóculo a satisfação da sua “ lista de reclamações”.
Como diz o bloguista de primeira hora, jornalista de ponta Orlando Castro, chegou a altura dos "poucos que têm milhões em Angola, pensarem nos milhões que nada têm".

Lubango: Uma cintura quase morta!

Pouco ou nada se ouve, das autoridades da Huíla, informações sobre um eventual (digo bem) renascimento da moribunda “ cintura verde do Lubango”.
Esta zona, localizada no bairro da Mapunda, oeste da capital da província foi no passado um dos pontos mais interessantes para o fomento da agricultura, criação de gado de todo o tipo e uma experiência ambiental interessante arejando cada vez mais o cosmopolita Lubango.
A cintura verde conta (va) com fazendas de pequeno e médio porte, uma cooperativa própria, formas de escoar o produto para o centro da cidade, com destaque para a fruta. É uma zona bastante fértil, onde um vale se estende até junto da cordilheira montanhosa que dá á Tundavala.
Segundo testemunhas, no local houve um estudo preliminar da parte dos colonos que ai se instalaram para que as suas lavouras nunca secassem, mesmo no cacimbo (época seca) mais rigoroso. Há água abundante, até porque é na zona onde nascem dois dos rios intermitentes que cruzam o Lubango. Nesta zona, ainda há o início da já velhinha canalização de água para a cidade. Na circunscrição está instalada a cervejeira Ngola, a filial da Coca-cola botlling sul de Angola , a Casa Mãe de Caridade, o famoso restaurante “Casa Verde”, o Instituto Superior de Teologia Evangélica, o seminário menor entre outras estruturas. Na zona escolhida para cintura verde do Lubango há condições para a agricultura de pequeno porte. Mas desde o inicio da década de 90 que das autoridades só se nota o desinteresse, por e simples. Os “mandantes” comparam fazendas no alto da Humpata ou no Vale dos Gambos e esquecerem-se da cintura verde. As variadas árvores de fruta envelheceram e no seu lugar não foram plantadas outras.
A falta de recurso e as dificuldades no acesso ao dinheiro limitam todos os dias os proprietários das fazendas. Alguns mudaram por outras actividades mais rentáveis como o comércio. Outras parcelas foram vendidas para satisfazer o “ glutão” mercado imobiliário da cidade. Com tudo isso a até então moribunda “ cintura verde do Lubango” está (quase) morta!

Um sinal do sul (II)

Um sinal do sul

segunda-feira, março 12, 2007

A "guerra" das cartas de condução

Lisboa chama-lhe retaliação, Luanda diz tratar-se apenas de reciprocidade.
A Televisão Pública de Angola (TPA), órgão oficial do governo, noticiou hoje que os cidadãos portugueses deixaram de poder conduzir em Angola com a carta de condução de Portugal.
A medida foi decidida pelas autoridades angolanas em retaliação, na versão de Lisboa, em reciprocidade segundo Luanda, contra o facto dos angolanos estarem impedidos de usar a sua licença em território português.
De acordo com a TPA, a medida está em vigor desde sexta-feira, mas até hoje nenhuma outra informação foi transmitida publicamente sobre o assunto, nenhum aviso foi colocado nos jornais, nem nenhum comunicado chegou às redacções.
Fonte próxima da embaixada portuguesa em Luanda disse à agência Lusa que «Portugal e Angola estão a estudar a possibilidade de estabelecer um mecanismo bilateral, que permita obviar este tipo de situações», mas o governo angolano parece ter resolvido, com toda a legitimidade, antecipar-se e estabelecer uma medida retaliatória, apelando ao direito à «reciprocidade».
A proibição de utilização das licenças de condução angolanas em Portugal data de 2000, segundo o primeiro secretário do Consulado de Angola em Lisboa, Eliseu Bumba, citado pela reportagem da TPA, mas ao que parece só desde o ano passado começou a ser aplicada.
As autoridades portuguesas justificam o impedimento do uso da carta de condução angolana em território português por Angola não ter assinado a Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário, documento que rege as normas internacionais de circulação nas estradas do mundo. «De repente, no ano 2000, fomos surpreendidos com a decisão de que as cartas angolanas não estavam habilitadas a conduzir cá», referiu Eliseu Bumba, entrevistado na capital portuguesa.
O tema ganhou maior importância em Angola no passado dia 5, quando o avançado do Benfica, Pedro Mantorras, uma das maiores estrelas do futebol angolano, foi detido e presente a tribunal por ter sido apanhado a conduzir com uma carta angolana.
Em Angola, e até agora, os portugueses podiam usar a carta de condução emitida em Portugal até ao prazo máximo de 90 dias, período a partir do qual tinham que solicitar uma licença angolana para poderem continuar a conduzir.
FONTE: NOTICIAS LUSOFONAS.COM

Sob o olhar dos outros (II)

ÁGUA A capital da província tem uma rede de distribuição antiga e debilitada. Tendo em conta os indicadores mundiais médios, pretende-se dar 150 a 200 litros de água por habitante, contra os actuais sete litros disponíveis. ENERGIA A província é servida pelo sistema da Matala. Esta barragem tem uma capacidade máxima que não passa de 46 megawatts. Actualmente produz 26, com várias introduções, porque nem sempre os equipamentos estão em condições ou a quantidade de água fazer funcionar as turbinas. Até 2020/25, a Huíla requererá cerca de 600 megawatts, contra os actuais pouco mais de 20. É um fosso grande.

O desenvolvimento industrial e agro-pecuário da Huíla dependerá muito da componente energética. VIAS DE COMUNICAÇÕES A cidade do Lubango é, neste momento, na óptima do interlocutor, o segundo parque automobilístico de Angola a seguir a Luanda. Já se verificam, inclusive, alguns engarrafamentos. Em média, circulam diariamente cerca de um milhão de viaturas; há uma área transição de ligação com o Sul e Norte (Porto do Namibe).

Há o problema de circulação de camiões pesados no centro da cidade. As ruas não estão preparadas para receber estas cargas destes comboios articulados rodoviários.

Está a ser montada uma estratégia para a abertura de mais estradas no Lubango já projectadas no tempo colonial para que os camiões, mas interrompidas pelos custos elevados.

Há uma pressão no sentido de se criar uma estrada à volta da cidade do Lubango para que os camiões que se desloquem para o Huambo, Benguela e Namibe, não passem no centro da cidade. Numa perspectiva futura, introduziremos um comboio urbano no Lubango, para a facilitação da vida de trabalhadores, estudantes e outros. GADO É potencialmente rica na produção de cereal; detém o maior número de gado do país. Existe o programa de desenvolvimento dos Gambos, onde temos condições climatéricas para a criação de gado 2007/13, num cenário de recursos de consumir cerda de 250 milhões de dólares anuais. Depois da independência nacional, houve um crescimento demográfico, mas as infra-estruturas sociais ficaram degradadas. EDUCAÇÃO Actualmente estão recuperados uma boa parte da rede escolar, embora haja muitos a carecerem de reabilitação e recursos humanos, por problemas orçamentais. Em 2006, a província precisava de dois mil professores. SAÚDE O governo projecta reabilitar todas as unidades hospitalares. Hoje, todas as sedes municipais já têm hospitais, de raiz ou reabilitados. Existem também outras unidades privadas, como o Hospital de Caluquembe, pertencente a Igreja Envagélica, e que beneficiou-se do OGE, dada a sua importância regional.

INCENTIVOS PARA INVESTIMENTOS Cedência de terrenos a custos extremamente baixos, se comparados aos grandes países; desburocratização dos serviços administrativos e a promoção de uma concorrência leal e educada. EXPLORAÇÃO MINEIRA Uma das prioridades será a extracção do mineiro de ferro, actualmente paralisado, granitos; a água mineral, assim como a conservação e transformação de frutas e cereais. A sua indústria transformadora é de carácter regional. PATRIMONIO CULTURAL O sector da Cultura na Huíla mostra-se preocupante com o estado actual de degradação avançado dos 49 monumentos e sítios classificados e inventariados.

A maior parte destes estão na iminência de desaparecer, uma vez ser avançado o grau de degradação dos mesmos. Cinco dos 49 monumentos, entre os quais a Missão Católica da Huíla, podem desabar a qualquer momento.

Os únicos monumentos que beneficiaram de obras de reabilitação são o "Cristo Rei" e o Museu Regional, com obras avaliadas em 120 mil dólares. Perante esta situação, a Direcção local da Cultura já encaminhou um programa ao governo da província, para intervir nestas estruturas.

Lubango

É tempo de cacimbo, meus lábios estão secos, e nas ruas do Lubango se vende fruta madura.
mamão, maracujá, banana de Benguela, laranjas da Huíla, abacates, maçãs da Humpata, morangos da Palanca, manguinhas do padre Carlos...
"- Leva só, tio, é a duzentos!..." gindungo, ginguba... Os jacarandás já estão floridos. Envoltos nos panos, calmos e embalados na cacunda das mães, os meninos sabem que nas ruas do Lubango a sua esperança nunca será vendida.
Por José Frade

As cadeirinhas

No Lubango, os meninos vão à escola, pequeninos, têm vontade de aprender.
Cadeirinhas eles carregam p'ra que sentados escrevam o seu Futuro no Saber.

sexta-feira, março 09, 2007

Lubango sem energia

Uma avaria registada na semana passada num dos três grupos geradores que a barragem da Matala possui deixou às escuras quase na totalidade a cidade do Lubango, capital da província da Huíla. O director regional sul da Empresa Nacional de Electricidade, Celestino João, disse que a referida avaria reduziu a capacidade geração de energia do empreendimento de 26 para 13 megawatts. Adiantou que a situação causada pela falta de lubrificantes está a criar uma série de transtornos no processo de distribuição do produto. Celestino João não avançou prazos para resolução do problema, realçando que, enquanto não for solucionado, o fornecimento do produto será feito com restrições. A barragem da Matala, situada no município com o mesmo nome, 180 quilómetros a Leste do Lubango, possui uma capacidade de produção de 39 megawatts, a razão de 13 para cada grupo gerador. Até a semana passada, apenas dois dos três grupos estavam a funcionar, uma vez que o número três, carece de reabilitação há mais de oito anos.

Sob o olhar dos outros (I)

A província da Huíla tem como capital o Lubango, ex-Sá da Bandeira, uma cidade do Sul de Angola, situada no planalto. Data de 1627 o primeiro contacto europeu com as terras do planalto angolano. Os primeiros sinais de povoamento europeu são dos “boers”, por volta de 1880.
Pouco depois surgiram os madeirenses que em Janeiro de 1885 fundaram a colónia de Sá da Bandeira. A dois de Setembro de 1901, Sá da Bandeira foi elevada à categoria de vila e tornou-se a sede capital da província da Huíla. Só é cidade a 31 de Maio de 1923, quando o caminho-de-ferro, depois de vencer o deserto e a serra, atingiu finalmente o planalto. A agricultura foi o primeiro objectivo de Sá da Bandeira, sendo o trigo a maior produção.
No entanto, o gado tornou-se rapidamente a maior riqueza da região. O boi é ainda hoje um símbolo de riqueza. Quando os transportes passaram a ser mecânicos e as estradas boas vias de acesso, fixou-se o comércio e rapidamente também a indústria. Assumiram a liderança os curtumes e as moagens. A metalurgia, o calçado, a banha, a salsicharia, as cerâmicas, as madeiras e os refrigerantes, seguiram-se em importância.
João António da Aguiar realizou o plano de urbanização da cidade, uma das mais belas de Angola. Para além do Lubango, apreciadores apontam a Huíla como a mais bela região de Angola, contendo de facto as mais cantadas paisagens de Angola, como a Serra da Leba, os rápidos da Tundavala ou a Nossa Senhora do Monte. As mais fortes presenças de colonização acontecem normalmente no litoral, mas a Huíla é uma excepção.
Encontram-se na Huíla grupos de origem portuguesa, mantendo as suas tradições e uma pronúncia bem marcada. O Lubango foi também uma das primeiras cidades do interior a possuir um Liceu, não só o Liceu Nacional Diogo Cão, mas também a Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva, bem como o Instituto Agrícola do Tchivinguiro (Escola de Agronomia). FUNDOS PARA O DESENVOLVIMENTO A mobilização de quadros eficazes e de recursos financeiros para o êxito do programa de desenvolvimento da província, concebido em 2000, constitui uma das recomendações saídas do encontro provincial de quadros da Huíla, decorrido no ano passado, no Lubango.
O encontro recomendou a necessidade de o governo local criar mecanismos tendentes ao controlo dos quadros após a sua formação. Esta medida evitará a dispersão dos profissionais recém-formados e que a sua formação seja feita em função das necessidades e realidades do mercado de trabalho, o que aumentará o índice de emprego.
Neste contexto, com a angariação de recursos financeiros, as autoridades da Huíla deverão materializar o plano de construção de um Instituto Politécnico virado para as áreas da indústria, comércio e geologia e minas. Os participantes concluíram pela necessidade da criação da Universidade Pública do Lubango, para ministrar cursos de Ciências Agrárias, de Medicina e de Engenharia.
No concernente à reactivação, em pleno, do sector agro-pecuário, recomendou-se ao governo da província da Huíla a prosseguir com o processo de fomento desta actividade, assegurando a importação de imputes, fertilizantes, entre outros bens. As autoridades deverão também influenciar as instituições financeiras a concederem créditos às associações de camponeses e pequenos empresários agrícolas, para minimizar a carência que assola muitos produtores.
Aumentar os subsídios atribuídos ao pessoal envolvido nas campanhas agrícolas e de vacinação animal, bem como a criação de um sistema de informação estatística para fornecimento de dados agro-pecuários fiáveis, foram também recomendações do encontro.
O governador da Huíla, Francisco José Ramos da Cruz, garante que todas as conclusões e recomendações produzidas no encontro funcionarão como uma bíblia para o seu pelouro. FONTE: www.angolaacontece.com

Angola continua a importar tecnicos

Angola tenta se erguer economicamente, mas ainda enfrenta uma enorme escassez de mão-de-obra qualificada em todos os níveis, desde profissionais técnicos a altos executivos.

Os bons ventos que sopram a favor da crescente economia angolana, impulsionada pelos compromissos da reconstrução do país tem se mostrado como um mar de oportunidades para empreendedores dos quatro cantos do mundo especialmente para brasileiros que aumentam sua presença no país a cada semana.

Além de existir oportunidades em setores onde o país concentra 50% do PIB como petróleo e extração de diamantes, há inúmeras vagas para quem atua nas áreas de tecnologia, construção civil, telecomunicações e energia. É diante desse cenário que, nos últimos três anos, tem intensificado a presença de brasileiros para trabalhar no pais, desenvolver projetos ou até mesmo abrir negócios.

Estima-se que atualmente existam cerca de 3,5 mil brasileiros em Angola. Só em 2006, o Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social concedeu 380 autorizações a profissionais ligados a construção civil que desembarcaram em Luanda. E o anúncio de investimentos de US$64 milhões pela Petrobras (petrolífera brasileira) em projetos de exploração e produção este ano em Angola deve criar vagas, agravando o problema crônico de falta de bons profissionais. “ É raro encontrar gente com formação superior”, diz Irene Azevedo sócia-diretora da Mariaca, consultoria especializada em recolocação e recrutamento de executivos. “Tanto que a Angola Telecom nos procurou em busca de executivos”.

Atraídos por salários extremamente convidativos e uma política de benefícios que só se vêm em processos de “expatriação”(transferência de executivos para o exterior) de diretores, muitos brasileiros passaram a despertar interesse por Angola, mais especialmente Luanda. A semelhança cultural e o fato de se falar a mesma língua são fatores que contribuem para esse movimento. “Como a maioria dos angolanos não domina outro idioma, a contratação de brasileiros cresceu, em média, cerca 20% e 30% ao ano”, afirma Irene.

Segundo ela, muitas posições trabalhadas pela consultoria se destinariam aos segmentos de telecom e petróleo, para vários cargos e com remuneração acima da praticada no Brasil. “Os angolanos pagam bem porque sabem dos riscos de quem aceita a proposta. Lá todo mundo se depara com falta de água, problemas de saúde pública, risco de cólera e sistema de saneamento crítico”, explica. “Por isso é necessário oferecer condições atrativas, mesmo porque o custo de vida também é caro”. Para se ter uma idéia, um analista de sistemas ganha cerca de US$ 3 mil, enquanto um gerente de projetos pode chegar a receber US$ 10 mil.

As empresas pagam casa, telefone, alimentação, seguro saúde, correio e passagem aérea para que os funcionários visitem sua família no Brasil. “Meu salário aqui é livre de custos e ganho 40% a mais do que o mercado pagaria no Brasil”, conta Alcyr Souza Barros, 46 anos, gerente financeiro da Shoptv, empresa angolana que comercializa produtos pela televisão. Há um ano e oito meses em Luanda, ele decidiu ir embora após procurar emprego e ser chamado por um headhunter. Apesar de ter tido outras propostas, preferiu o desafio de vislumbrar uma carreira no exterior.

“A guerra não permitiu a Angola apostar na formação dos profissionais. Agora, o movimento é de reconstrução e vejo aumentar rapidamente os investimentos estrangeiros no país. Minha vinda é uma experiência única de crescer com a empresa e a economia local!, diz Barros, que a cada três meses viaja para o Brasil.
Assim como ele, muitos profissionais ficam indo e vindo para renovar o visto já que o de trabalho só é concedido pelo governo angolano depois que a pessoa entra algumas vezes no país. É de realçar, que para atender esta demanda a TAAG ampliou na sua roto Luanda - Rio de Janeiro de um para três vôos semanas. Fonte: Valor Economico

terça-feira, março 06, 2007

Carta de condução angolana trama angolano

Pode ser que com o mediatismo do condutor autuado e detido no Seixal, Portugal, o assunto que se mantém em suspenso há muito tempo possa agora ser resolvido e de vez. Quanto mais não seja que Angola utilize a regra de talião e faça o mesmo às cartas de condução portuguesa. Como iriam reagir os condutores portugueses se a Direcção-geral de Viação angolana, naturalmente e no seu total “direito de resposta” começasse a caçar todas as cartas de condução portuguesas e autuar todos os condutores possuidores dessa licença? Vamos lá a ver se agora o Governo português acaba com esta ignomínia que é não reconhecer, de novo, as cartas de condução angolana. É que autuar e deter um condutor, que por acaso é um jogador de futebol e se chama Mantorras, por conduzir com uma carta de condução angolana que antes era “suficiente para conduzir em Portugal, mas que já não é”, já é demais!!! Que a Embaixada angolana tome, de vez, providências sobre este assunto! Hoje foi um jogador conhecido, ontem inúmeros angolanos desconhecidos que também desconhecem esta situação antes de chegar a Portugal. É que nem todos conseguem chegar aos jornais independentes angolanos que têm abordado este assunto! EXTRAIDO DE www.pululu.blogspot.com

sábado, março 03, 2007

Luanda, a cidade frenética

Necessidade de mais solidariedade

Chuvas da desgraça em Luanda

Justiça social

A Igreja Católica vai trouxe à reflexão vários temas importantes durante a semana social. Foi, tal como em outras edições, mais um momento para que os angolanos pudessem reflectir à volta de temas tão reais como pertinentes. Na terceira Semana Social da Igreja, o tema “Justiça Social” levou a reflectir sobre muitos aspectos que permitiram olhar onde estamos e o que merecem os cidadãos que vivem neste país.

É pois sabido que o postulado fundamental "justiça social" é que, uma sociedade é tanto mais justa quanto mais igualitária, não só em termos de oportunidades, mas também em termos materiais. "Justiça social" é, portanto, o conceito político chave para quem se lhe permite mascarar de justiça, algo nobre, ao qual ninguém se opõe ao desejo de que os outros percam aquilo que têm e que ele deseja para si, mas não tem competência ou élan para obter.
O objectivo da "justiça social" é transformar todos em iguais, não só no sentido formal mas também no sentido material.
Desta feita, como transformar todas as oportunidades que o país tem para tornar numa sociedade sem grandes diferenças? O que retirar de exemplos positivos por este mundo fora para tornar os angolanos e não só, prósperos e desenvolvidos? Quando olhamos para os vários cenários que se nos apresentam, vemos gente pobre que reclama da falta de oportunidades, de emprego, de falta de informação, saúde e ensino.
Para uma sociedade que se pretende reerguer agora em paz, estar-se-á de facto a fazer o esforço necessário para tal? Se tivermos em conta que o novo nome da paz é justiça social, poderemos falar de consequências danosas para a sociedade caso os cidadãos não atinjam as suas expectativas?
A Igreja também assume-se como preocupada com este assunto, dai ter levado à reflexão esta temática na semana que findou. Sendo assim pode-se ler através da escrita de homens da Igreja Católica que o ensino e a difusão da doutrina social fazem parte da missão evangelizadora da Igreja.
E, tratando-se de uma doutrina destinada a orientar o comportamento das pessoas, tem de levar cada uma delas, como consequência, ao “empenho pela justiça” segundo o papel, a vocação e as circunstâncias pessoais.
O exercício do ministério da evangelização no campo social, que é um aspecto do múnus profético da Igreja, compreende também a denúncia dos males e das injustiças. Mas convém esclarecer que o anúncio é sempre mais importante do que a denúncia, e esta não pode prescindir daquele, pois é isso que lhe dá a verdadeira solidez e a força da motivação mais alta.

quinta-feira, março 01, 2007

Uma novela chamada SARA !

A activista britânica detida há dez dias em Cabinda chegou hoje por volta das 18:15 ao aeroporto de Luanda e ficará na capital angolana a aguardar o desfecho do processo, disse a própria Sarah Wykes.
"Estou muito contente por estar finalmente em Luanda", afirmou a investigadora da organização não governamental britânica Global Witness minutos depois de ter chegado ao aeroporto de Luanda, onde a esperava uma delegação da embaixada britânica em Angola.
No momento em que falou com a Lusa por telefone, a activista seguia de automóvel para a Embaixada do Reino Unido, tendo-se escusado a fazer qualquer comentário. Sarah Jill Wykes foi detida no dia 18 em Cabinda e aguardava desde o dia 21 - data em que saiu em liberdade depois de pagar uma fiança de 180.000 kwanzas (cerca de 1.800 euros) - por uma autorização do procurador interino de Cabinda, André Gomes Manuel, para poder sair daquele território angolano.
Elias Isaac, o representante da Open Society em Angola, organização responsável pela visita de Sarah Wykes a Cabinda, explicou que têm um quarto marcado para a activista num pequeno hotel de Luanda, mas só para esta noite. Na quinta-feira, a activista terá de mudar de unidade hoteleira, a não ser que a representação diplomática britânica tenha outros planos.
"Ela foi levada para a Embaixada britânica, é possível que eles tenham preparado outra coisa", explicou Elias Isaac.
Sarah Wykes foi detida e acusada de espionagem, mas o alegado delito acabaria por ser transformado em crime contra a segurança do Estado.

O legado de Ramos da Cruz

Francisco José Ramos da Cruz é governador da Huíla, há oito anos. Os propósitos iniciais de Ramos da Cruz foram logo a seguir a sua indicação granjear a confiança dos Huilanos. Composta por uma sociedade diversificada com a mescla de vários grupos étnicos e com potencialidades privilegiadas, aquela província tem como capital o Lubango.
Uma cidade que há oito anos testemunhava um cenário em que jovens intelectuais e sectores da sociedade civil, se desprendiam do medo imposto pela gestão da mão de ferro de um general.
Com algumas sensibilidades feridas e em ambiente de reabertura para a sua particular democratização, a província da Huíla recebeu Ramos da Cruz em redor de uma inusitada expectativa. O manto de esperança e receios encapotados vividos durante o consolado do general, começaram a ser notados, com o surgimento de uma sociedade aberta e visivelmente crítica isto na gestão de Ramos da Cruz.
Os anos se passavam e como em todo o contexto do país, os problema para aquela região situada entre cordilheiras, sendo um dos pontos mais altos de Angola, começou a atravessar sérios problemas em sectores estratégicos e fundamentalmente o desaparecimento de algumas figuras ligadas a partidos políticos.
A morte de dirigentes da UNITA e do PDP-ANA não foram até hoje esclarecidos. Os sectores das Águas, energia, assistência social, comunicações e transporte de bens também entraram em sucessivas crises. Em causa, o acúmulo de um conjunto de insuficiências causadas por uma gestão que começou a levantar algumas interrogações aos habitantes mais atentos do Lubango.
O descaminho de fundos públicos, os atrasos salariais e a ineficiência do sector judicial começaram a relevar uma Huíla integrada no contexto das imensas dificuldades de Angola. as críticas contra o governador da "esperança" começaram a agravar-se, a comunicação social aumentava a sua tira visível nos textos, nos noticiários e nas imagens.( Por Moises Sachipangue)