Populares do município dos Gambos, província da Huíla, denunciam gritantes espectros de fome no interior daquela localidade.
Os casos de fome terão se agravado nos finais de Novembro do ano passado, quando a seca na região semi árida dos Gambos começou a ser sentida, com os sinais mais evidentes serem a destruição das culturas e a seca das chimpankas ( lagos artificias para a acumulação de agua para o uso humano e abeberamento de gado).
Grandes hectares cultivados com massango e massambala são descritos como totalmente secos devido a falta de chuvas em claro contraste com o resto do país onde caiem fortes cargas de aguas pluviais com destruição á mistura. As localidades de VILHAMBWNDO, CHIANGE ( sede municipal) e CHIMBEMBA são as mais visadas.
Os gritos de fome terão chegado em Dezembro ultimo ao conhecimento das autoridades do governo da Huíla, no Lubango, mas ainda não há informações de um “plano de emergência” para travar ou minimizar a situação por forma a evitar a perda de vidas humanas e mesmo de gado bovino, principal riqueza das populações agro pastorais do municípios.
Numa deslocação recente ao município o chefe do executivo huilano, Ramos da Cruz, terá sido confrontado com as informações dos sobas da zona, devido as dificuldades por que passam populações de pelo menos quatro comunas, onde a falta de mantimentos a mais sentida. Noutras localidades desta província, no principio do ano passado, varias localidades tiveram o mesmo problema devido a destruição das culturas de milho e massango por acção directa das intensas chuvas que se abateram sobre a região. Na altura a reacção das autoridades foi tímida na contenção das consequências do problema.
SOBAS E EMPRESAS DE EXTRAÇÃO DE MINEIROS EM PÉ DE GUERRA
Nas ultimas semanas subiu de tom o latente conflito entre as autoridades tradicionais do município e as varias empresas que a varias anos trabalham na exploração de granito negro, mármore e outras rochas ornamentais no município dos Gambos. Em causa está um acordo firmado entre as empresas e o governo provincial para que as primeiras, para além do seu ramo de actividade possam tratar da construção de escolas, hospitais, abertura de furos de água entre outras benfeitorias, por forma a levar desenvolvimento á região.
Cerca de quatro anos depois do acordo ter sido firmado não houve cumprimento das obrigações, acto continuo quando o assunto chegou ao conhecimento das autoridades tradicionais começou a pressão para a retirada compulsiva destas empresas do município em causa. O conflito foi travado “ in extremis” pelo governo local que mandou ao terreno uma alta delegação para encetar contactos com as partes.
Volta e meia, segundo as nossas fontes, essas empresas voltam a ludibriar os sobas e as comunidades. No terreno nada é feito a não ser actos do governo. As empresas ANGOSTONE, ENGRAMA e ROREMINA são as mais citadas. Apenas a OMPUNDA KAJAC ( próxima de dignitários locais) estará a cumprir, segundo as fontes, com o seu papel. O governador terá conseguido travar o conflito mas não termina-lo.
* PUBLICADO NO JORNAL REGIONAL KESONGO