sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Huila em alta na semana social nacional

A terceira semana social nacional terminou, em Luanda, com referencias interessantes sobre a condução dirigida por quem manda ao país dos dias de hoje. A questão do acesso a justiça e a “ problemática” das terras no interior, á luz dos exemplos da Huíla e do Kuanza sul, mereceram dos participantes uma atenção redobrada. Da Huíla veio a experiência de uma remota localidade do município da Matala, a Vila do Freixiel onde no passado vários colonos estabeleceram morada para dar sequência aso às suas intenções agro pecuárias. Uma freira falou sobre a “ Promoção social no meio rural: O caso do Freixiel”. Naquela remota localidade, disse a madre na “ III semana social nacional”, que é mulher é preterida na promoção no seio das comunidades a favor dos homens, situação que acontece em varias partes de África. Este evento promovido pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e suportado pelo Centro Cultural Mosaiko serviu de local de debate de ideias, entre vários angolanos e não só, para a melhoria da vida no país. O velho e recorrente tema da “ Justiça Social” esteve em destaque durante os quatro dias de debates. E certamente as questões do interior de Angola merecem cada vez mais atenção nestes eventos na capital do país.
Segundo a organização, a semana social é um espaço de estudo, reflexão e debate aberto em torno de um tema socialmente relevante para ajudar os cidadãos a tomar maior consciência das suas responsabilidades sociais.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Esperanças Idosas

Nunca devem morrer num ser humano o desejos de justiça. A crença num amanhã melhor, mesmo num mar infestado de indomavéis e esfomeados tubarões. Ao olhar para o horizonte, um amanhã melhor. Assim foi ontem e, felizmente, ainda o hoje é feito deste modo. Assim foi no início da caminhada, foi na fase intermédia, assim é hoje. Mesmo com "ESPERANÇAS IDOSAS" temos que ter o elán, o vigor, de olhar para o sol que se põe no horizonte aguardando que horas depois ele há de voltar a iluminar o bons e os maus numa Angola com "sede" de justiça social....
MV

Um texto de Dezembro ..... ( recordação)

“Não se é Jornalista sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia... mesmo estando desempregado” assim diz, com frequência, um companheiro (tomo esta liberdade de chamar de amigo, o “bloguista” e jornalista de “primeira linha”, o luso – angolano Orlando Castro). Conheço profissionais que fazem do jornalismo uma missão. Os sacrifícios são enormes e as compensações, volta e meia, nulas. Há pressões variadas de defensores de objectivos desconhecidos; afastamentos compulsivos por se pensar diferente ou até mesmo castigos físicos ou veladas e encapotadas ameaças contra jornalistas. Estamos a viver uma nova era ou não? Foi entregue nesta sexta feira o prémio provincial de jornalismo da Huíla. O resultado não poderia ser mais surpreendente, pela positiva e pela negativa. O despacho noticioso da Angop é interessante “ O jornalista da Agência Angola Press (Angop) Morais Augusto da Silva é o vencedor da terceira edição do prémio provincial de jornalismo na Huíla, organizado pelo Sindicato de Jornalistas de Angola (SJA) com apoio do Governo provincial. Ao vencedor, que exerce a profissão há seis anos na Delegação Provincial como editor principal, foi entregue o montante de quatro mil dólares. Na mesma senda foram distinguidos, com menções honrosas na categoria de imprensa, o jornalista Moisés Sachipangue do Semanário "Cruzeiro do Sul", revelação para Arão Martins, do Jornal de Angola, de audiovisuais para Domingos de Sousa, da Televisão Pública de Angola (TPA) e de Rádio Difusão para Esperança Java, da Rádio Nacional de Angola (RNA), aos quais foi entregue 500 dólares cada. Já arrebataram o prémio provincial de jornalismo da Huíla, os jornalistas Machel da Rocha, da "Rádio 2000", em 2004, e Celestino Gonçalves, da Rádio 5 em 2005”. Ora, onde está o problema? Sim, o governo provincial está por detrás da iniciativa. Parabéns aos vencedores, que os conheço totalmente. Notas: Artigo publicado em http://www.serradachela.blogspot.com/ É para mim, meu caro Manuel Vieira, uma honra ser por ti considerado amigo.

As chuvas da desgraça

Fortes chuvas destroem e matam em Angola. Luanda, Huambo, Bié, e agora Moxico vêm as suas populações fustigadas por "inclementes" quedas pluviais. Nas ultimas horas há informações de que até Saurimo, no extremo nordeste de Angola também viu estruturas a serem desabadas e pessoas a morrerem por força das aguas. Que desgraça!

Porque São Valentim merece

Mas tenta a creditar que existe sim um amor verdadeiro, quando me refiro ao amor não me refiro a paixão, ou seja ver alguém e pensar que está é a mulher que sempre sonhou a tua paixão pode ser uma ilusão, ver um corpo bonito uma cara linda assim como eu e sonhar ter (aquilo). Pode ser também que está minha forma de pensar não seja a mas sensata mais pense comigo porque é que eu tenho que esperar alguém que eu venha a me apaixonar!!! As vezes estas esperas fazem-nos não enxergar o que está bem de baixo dos nossos narizes. Lamento dizer isto com tanta franqueza, é difícil encontrar a tua alma gémea se é que existe,,, não é que eu não acredite no amor. Mais acho melhor, ficar com alguém que demonstre realmente que te ama e você aprender amar está pessoa. HISTORIA DE SÃO VALENTIM A história deste dia não é clara, mas sabe-se que, há muito tempo atrás, por volta de 270 AD, mais exactamente, um padre católico, chamado Valentim, exercia o catolicismo em Roma. Foi por volta desta época que o Imperador Claudius II decidiu que seria ilegal que os jovens rapazes se casassem, pois achava que os rapazes solteiros seriam melhores soldados do que os casados. Romântico como era, Valentim achava que esta decisão estava errada e continuava a casar em segredo os jovens apaixonados. Mas quando o Imperador descobriu, sentenciou Valentim com a pena de morte.De acordo com a lenda, Valentim enviou a primeira “carta de São Valentim”.
Diz-se que, enquanto esteve preso, se apaixonou por uma jovem que o visitava. Antes da sua morte, escreveu uma carta de amor que assinou, “Do teu Valentim” – uma expressão que ainda hoje se usa. Enviado por Esperança Gaspar

terça-feira, fevereiro 13, 2007

SOS BOSQUIMANES

188 populares da raça Koisanh, também conhecidos por “ bosquímanes”, são os beneficiários de uma ampla campanha de ajuda alimentar, apoio material e em vestuário, numa acção executada no município de Quipungo, interior da Huíla pela comissão local de direitos humanos.
Têm sido recorrentes nesta província dizer-se que estes povos, que vivem de forma quase primitiva, estarem em extinção, pois de uma população estimadas em milhares a cerca de dez anos estão agora contabilizados menos de duzentos. Doenças, fome e outras carências são as grandes causas da diminuição desta população que habita maioritariamente no sul do país, identificados rapidamente pela sua cor amarelada, baixa estatura e vulnerabilidade física, alimentando-se de frutos silvestres e pequenos animais das selvas e estepes do sul de África.
Segundo a ANGOP, o responsável disse estarem eliminados os focos de vulnerabilidade desse grupo, constituído na província por mais de 120 pessoas, que teve lugar no passado mês de Novembro.
Reza a história que os Koisanh foram os primeiros habitantes de Angola, conhecidos pela sua perícia em habitar e adaptar a zonas remotas, sempre longe das zonas urbanas. Esses populares, que estão quase em extinção na zona sul do país, são descritos como hábeis caçadores, praticando também a recolecção de produtos diversos.

sábado, fevereiro 10, 2007

Gambos*

Populares do município dos Gambos, província da Huíla, denunciam gritantes espectros de fome no interior daquela localidade.
Os casos de fome terão se agravado nos finais de Novembro do ano passado, quando a seca na região semi árida dos Gambos começou a ser sentida, com os sinais mais evidentes serem a destruição das culturas e a seca das chimpankas ( lagos artificias para a acumulação de agua para o uso humano e abeberamento de gado).
Grandes hectares cultivados com massango e massambala são descritos como totalmente secos devido a falta de chuvas em claro contraste com o resto do país onde caiem fortes cargas de aguas pluviais com destruição á mistura. As localidades de VILHAMBWNDO, CHIANGE ( sede municipal) e CHIMBEMBA são as mais visadas. Os gritos de fome terão chegado em Dezembro ultimo ao conhecimento das autoridades do governo da Huíla, no Lubango, mas ainda não há informações de um “plano de emergência” para travar ou minimizar a situação por forma a evitar a perda de vidas humanas e mesmo de gado bovino, principal riqueza das populações agro pastorais do municípios.
Numa deslocação recente ao município o chefe do executivo huilano, Ramos da Cruz, terá sido confrontado com as informações dos sobas da zona, devido as dificuldades por que passam populações de pelo menos quatro comunas, onde a falta de mantimentos a mais sentida. Noutras localidades desta província, no principio do ano passado, varias localidades tiveram o mesmo problema devido a destruição das culturas de milho e massango por acção directa das intensas chuvas que se abateram sobre a região. Na altura a reacção das autoridades foi tímida na contenção das consequências do problema. SOBAS E EMPRESAS DE EXTRAÇÃO DE MINEIROS EM PÉ DE GUERRA Nas ultimas semanas subiu de tom o latente conflito entre as autoridades tradicionais do município e as varias empresas que a varias anos trabalham na exploração de granito negro, mármore e outras rochas ornamentais no município dos Gambos. Em causa está um acordo firmado entre as empresas e o governo provincial para que as primeiras, para além do seu ramo de actividade possam tratar da construção de escolas, hospitais, abertura de furos de água entre outras benfeitorias, por forma a levar desenvolvimento á região.
Cerca de quatro anos depois do acordo ter sido firmado não houve cumprimento das obrigações, acto continuo quando o assunto chegou ao conhecimento das autoridades tradicionais começou a pressão para a retirada compulsiva destas empresas do município em causa. O conflito foi travado “ in extremis” pelo governo local que mandou ao terreno uma alta delegação para encetar contactos com as partes. Volta e meia, segundo as nossas fontes, essas empresas voltam a ludibriar os sobas e as comunidades. No terreno nada é feito a não ser actos do governo. As empresas ANGOSTONE, ENGRAMA e ROREMINA são as mais citadas. Apenas a OMPUNDA KAJAC ( próxima de dignitários locais) estará a cumprir, segundo as fontes, com o seu papel. O governador terá conseguido travar o conflito mas não termina-lo. * PUBLICADO NO JORNAL REGIONAL KESONGO

semana social II

Profissional irrepreensível das artes cénicas, respeitável causídica em determinados círculos da capital do País e membro do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados de Angola, Pulquéria Van-Dúnem admitiu recentemente em Luanda que o funcionamento do Sistema Judicial está em crise. Pulquéria Van-Dúnem, que falava durante a apresentação de uma comunicação subordinada ao tema “Sistema Judicial Angolano: Virtualidade, Limitações e Perspectivas” no segundo dia da “III Semana Social Nacional”, organizado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), afirmou que apesar da crise em que se encontra o sistema, com excesso de formalismo, falta de condições de trabalho para os magistrados, pessoal do cartório e advogados nos tribunais, existe ainda a esperança de melhorar tal situação.
Reconhecer que o Sistema Judicial angolano está em crise não basta. Não basta por que isso é por demais consabido, já não constitui novidade debaixo do nosso Sol político. Por isso, no que a mim diz respeito (e como eu a maioria dos angolanos) ficaria mais satisfeito se Pulquéria Van-Dúnem apresentasse uma proposta de solução para se acabar com a crise que afecta o Sistema Judicial angolano. Sentir-me-ia satisfeito (e como eu a maioria dos angolanos) se Pulquéria Van-Dúem admitisse que Angola ainda não é um Estado de Direito porque a maior parte dos doutores da Lei estão mancomunados com o poder e, por isso, estão-se nas tintas no que tange à construção de um Estado de Direito. Sentir-me-ia mais animado (e como eu a maioria dos angolanos) se Pulquéria Van-Dúnem admitisse (nem que fosse baixinho para que ninguém do Palácio da Cidade Alta ouvisse) que alguns, mas quase todos, juristas angolanos praticam o contrabando jurídico para prejudicar os cidadãos.
Sentir-me-ia esperançado (e como eu a maioria dos angolanos) se ouvisse (lesse) uma declaração de Pulquéria Van-Dúem a aceitar que o Estado de Direito em Angola é, ao arrepio das expectativas de todos, uma miragem por manifesta falta de vontade política de quem está no poder e que, para esta situação, o Mais Alto Magistrado da Nação é um problema para a solução desta crise que afecta o Sistema Judicial angolano. TEXTO DE JORGE EURICO Leia em www.pchila.blogspot.com

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Semana social I

Terras e sua distribuição em Angola estiveram em debate em Luanda. III semana nacional social tem sido um exemplo de debate aberto,discurso directo sobre a justiça socialneste territorio. O sul, com os complexos programas de terras em curso, foi uma referencia. Alguns temas tocaram na ferida. Há a necessidade de se olhar de frente para tudo isso.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Salteadores, homens armados atacam nas estradas na Huíla.

Dois homens feridos, um motorista e um passageiro, é o saldo provisório da investida armada de um grupo de homens contra duas viaturas civis que seguiam do Lubango para a localidade de Cacula, a norte da Huila. A acção decorreu nesta segunda feira ( 5 FEV) , á luz do dia, na estrada Lubango/ Huambo. Segundo a policia nacional, citada pela ANGOP, o acto deu-se no sector de Mutundo, um vilarejo a meio caminho entre o Lubango e a comuna do Hoque. Segundo o mesmo despacho, tudo aconteceu numa zona conhecida por “ três pontes”, lugar assim definido por num espaço de cerca de 200 metros comportar três pontecos devido aos regatos que seguem na região. Do ataque resultou ainda segundo a policia, para além dos feridos, o roubo de cinco telemóveis. Os salteadores, que ainda estão á monte, levaram consigo ainda cerca de 200 dólares norte americanos. Segundo testemunhas, o crime foi praticado por dois ou mais elementos munidos de armas do tipo AKM, que na ocasião efectuaram cinco disparos contra as mesmas, tendo causado ligeiros ferimentos ao motorista de uma das viaturas. A estrada onde aconteceu esta incidente é muito utilizado para quem vai a Benguela, Huambo ou Matala ( Huila). Com este ataque ficam “tremidas” algumas viagens inter. provinciais, principalmente aquelas efectuadas no período nocturno.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Um investigador cultural!

Meses depois voltei a trocar dois dedos de conversa com um dos investigadores culturais que mais admiro. É do Kuanza Norte, mas escolheu a Huíla para viver. Armando Dala Vunda, “amante” do Benfica e da história de Angola como poucos, disse-me que há a necessidade de haver mais apoio do estado aos seus trabalhos. Dala Vunda criou um núcleo local de investigadores culturais. No seu entender, a própria comissão parlamentar que trata de questões culturais devia prover uma discussão sobre o apoio á aqueles que fora do sector estatal dão o seu contributo para se (re) escrever a história de Angola, usando meios próprios e muitas vezes insuficientes para tal. Dala Vunda, com vários escritos em jornais locais, está a guindar-se numa espécie de “arauto” da sua classe na Huíla. BEM HAJA!

De caçadores furtivos á fiscais florestais

Mais um ideia vem da Huíla: o conhecido chefe local da defesa civil, Coronel Abel, quer que 46 caçadores furtivos encontrados em flagrante no parque nacional do Bicuar, integrem o conjunto de guardas florestais. Os homens, detidos em Janeiro por agentes da defesa civil que (afinal) patrulham o parque, foram encontrados com 86 armas de fogo de diversos calibres, que os mesmos utilizavam para abater animais naquela reserva natural, sem qualquer autorização. Segundo o oficial, a defesa civil, em parceria com a delegação da Huíla da Agricultura, pretende formar os indivíduos ora detidos e transformá-los em fiscais do parque, o que vai permitir que os mesmos tenham um salário e deixem de degradar a fauna. De acordo com Abel Mandjata, muitos caçadores furtivos ainda se encontram à solta no parque, mas têm dificuldade em controlar toda sua área por insuficiência de efectivos. Por isso considerou necessário tornar os mesmos em fiscais, visto já conhecerem o Bicuar. RESTA SABER SE O HOMEM SERÁ LEVADO A SÉRIO....

sábado, fevereiro 03, 2007

DEVASTAÇÃO

( Um pormenor do efeito das chuvas em Luanda. Esta foto foi recebida por email)

CHUVAS INCLEMENTES EM LUANDA E LUBANGO

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Rádio Huíla ( Agosto 2006)

Numa dessas noites, no Lubango, procurava no selector de frequências do meu rádio digital e dou de ouvidos com um espaço aberto para questionamentos e criticas de ouvintes dirigidos a quem quer que seja. O programa é da Rádio Huila, apresentado, soube depois, por uma antiga companheira minha quando trilhávamos os primeiros passos do Rádio jornalismo. Voz amena, cordial e algumas palavras sabias, bem colocadas. Classifiquei assim a jovem locutora. Fiquei surpreendido, pois num passado recente iniciativas do género no interior do país eram por e simplesmente retiradas do ar depois de pressões das autoridades. No Lubango, tal também aconteceu. Depois de 16 meses longe da terra, o programa chamou-me atenção. As autoridades não foram poupadas. Perguntava-se de tudo. A crónica falha no sistema eléctrico que lança escuridão quase total a cidade, a reabilitação de estradas, a falta de água, o crime, entre outras coisas. O sistema do espaço, onde mais jovens ligam, era de perguntas simples, mas a maioria como se pode notar ficavam sem respostas, atiradas talvez para as “ calendas gregas” da Huila. O programa decorria, qual fórum Ecclesia na versão huilana, com alguns ouvintes talvez mais esclarecidos e destemidos que outros a serem profundamente ríspidos para os que mandam. Esta é uma oportunidade, acredito, de se medir a popularidade dos que governam a província. Até que ponto conseguem satisfazer a expectativa do cidadão, numa localidade onde num passado recente as criticas eram feitas a boca pequena para se evitar severas punições. Para isso, apenas alguns destemidos jornalistas, contados pelos dedos de uma só mão, passavam criticam nas suas emissões. Verdade. Encontrar este programa na rádio pública pareceu-me vislumbrar um oásis depois de se atravessar um rigoroso deserto. Mas é uma pena que o mesmo esteja atirado para depois das 21 horas de uma sexta – feira. Com este horário é retirada a possibilidade de adultos, estudantes universitários e mesmo a gesta intelectual local participe. É pena. Mas mesmo assim, espero que o programa continue, já é bom no formato actual. Espero voltar a ouvir quando regressar ao meu querido Lubango. Mas não nos esqueçamos que quem fala o que quer, habilita se a ouvir o que não quer...

Predadores!

“ O problema de Kaposso e que havia tubarões mais gordos ou mais fortes”. Esta é uma das passagens do último romance do célebre Pepetela que me fez reflectir. Das muitas modas que vemos, a mais incómoda é a clara delapidação (material e moral) que os angolanos sofrem. O roubo é descarado, aberto. As “ comichões” inexplicadas, a gatunagem aberta e a vontade de enriquecer sem justificação é e hoje um passo snob de afirmação social na minha Angola. A referência, de Pepe aos “ Kapossos” dos nossos dias não devia ser melhor abordada na história romanceada que um dos nossos “Camões” faz na sua obra. São cerca de 390 páginas da rocambolesca história de um novo-rico. O homem não olha a meios para cumprir com o seu objectivo, ou seja, engordar as custas de um povo minguante. A historia do homem que até muda de nome para parecer mais partidário; muda ainda de local de nascimento para ser próximo da terra do primeiro chefe. Mas Kaposso faz mais. Rouba, corrompe, mata, burla, afasta do seu caminho aqueles que pensa serem um incómodo. Come tudo e nada deixa para os demais. O glutão do Kaposso esquece-se, porém, de estudar, de aprender. Só sabe mandar. Pepetela é pois sublime nesta narração. O predador moderno que sabe que pode virar presa. O predador que conhece outros, mas contudo mais gordos e mais fortes. Grave. O romance que acabei de ler, pela segunda vez, faz - me olhar para sociedade contemporânea angolana. Uma obra recomendável. Um humano com sentido animalesco vira um voraz predador. Cuidado com os “ nossos” ...

No "coração" do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os órgãos do país (o que é raro), enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião pública, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uíge, até então fustigado por um vírus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação (mesmo medonha) ao aparecimento de um vírus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o marburg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorrágica matava rápido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de rádio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uíge está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimónias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão. Luvas, gorros e batas se haver necessidade. Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos repórteres de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 Minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O vírus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passávamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemóvel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A Ecclésia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local. È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda. Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior são um problema para os escribas. Novo trabalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos ao hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares. Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e a competente regressa ao Uíge. São cerca de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tónica central há medo, mas há vida no Uíge. Conferência de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitável quando uma equipa vai ao terreno buscar cadáveres. Notícia aterradora, eram membros da mesma família. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de óbito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadáveres são enterrados em valas comuns, por técnicos de saúde. As vezes o vírus mata todos os membros da mesma família, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo à bicicleta. Decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitável. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de trabalho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estômago e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a romagem rápida ao aeroporto. Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uíge está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uíge, voltar a falar (muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o vírus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rápida. Mvieira

Tundavala, novo ângulo

A beleza do Lubango!

Jardim da Nossa Senhora do Monte. Ao fundo o famoso Casino do Lubango

1 Pedaço de História (II). Caconda ( CACONDA - A- VELHA) - 1769

Situada a 150 Kms mais para o interior e onde já se encontravam colonos brancos, Sousa Coutinho vai dar-lhe o nome de contins levando tropas de Hanha e erguendo o fortim. Vai fazer a ligação entre Benguela ( litoral) e o interior sul. Quem terão sido os fundadores? Keilling, no seu livro “ 40 anos de África” escreve a esse respeito: “ Segundo reza tradição, após a derrota de vários Sobas coligados, contra o presidio de Hanha, o Soba de Galangue declarou-se vassalo de Portugal. Uma filha deste soba, chamada Tchilombo, teria sido educada em Benguela, onde viveu com um comrciamente rico. Por sua vez, tiveram um filha a quem deram o nome de Maria Caconda. Anos volvidos, Tchilombo deixou Benguela e voltou para o sertão com a filha. Com eles foram vários brancos, mestiços e negros mais ou menos evoluídos que se instalaram num local que fora escolhido pelo Capitão- Mor e a que mais tarde Sousa Coutinho mandou dar o nome de continhs”. Os restantes recém-chegados deram origem a outras povoações ainda hoje existentes: Vissapa, Chimuando, Bandeira, etc. ( Extracto do livro “ A MISSÃO ESPIRITANA NO SUDESTE DE ANGOLA” do padre Serafim Lourenço. Prefácio de Dom Zacarias Kamwenho) pág. 22