terça-feira, fevereiro 06, 2007

Um investigador cultural!

Meses depois voltei a trocar dois dedos de conversa com um dos investigadores culturais que mais admiro. É do Kuanza Norte, mas escolheu a Huíla para viver. Armando Dala Vunda, “amante” do Benfica e da história de Angola como poucos, disse-me que há a necessidade de haver mais apoio do estado aos seus trabalhos. Dala Vunda criou um núcleo local de investigadores culturais. No seu entender, a própria comissão parlamentar que trata de questões culturais devia prover uma discussão sobre o apoio á aqueles que fora do sector estatal dão o seu contributo para se (re) escrever a história de Angola, usando meios próprios e muitas vezes insuficientes para tal. Dala Vunda, com vários escritos em jornais locais, está a guindar-se numa espécie de “arauto” da sua classe na Huíla. BEM HAJA!

De caçadores furtivos á fiscais florestais

Mais um ideia vem da Huíla: o conhecido chefe local da defesa civil, Coronel Abel, quer que 46 caçadores furtivos encontrados em flagrante no parque nacional do Bicuar, integrem o conjunto de guardas florestais. Os homens, detidos em Janeiro por agentes da defesa civil que (afinal) patrulham o parque, foram encontrados com 86 armas de fogo de diversos calibres, que os mesmos utilizavam para abater animais naquela reserva natural, sem qualquer autorização. Segundo o oficial, a defesa civil, em parceria com a delegação da Huíla da Agricultura, pretende formar os indivíduos ora detidos e transformá-los em fiscais do parque, o que vai permitir que os mesmos tenham um salário e deixem de degradar a fauna. De acordo com Abel Mandjata, muitos caçadores furtivos ainda se encontram à solta no parque, mas têm dificuldade em controlar toda sua área por insuficiência de efectivos. Por isso considerou necessário tornar os mesmos em fiscais, visto já conhecerem o Bicuar. RESTA SABER SE O HOMEM SERÁ LEVADO A SÉRIO....

sábado, fevereiro 03, 2007

DEVASTAÇÃO

( Um pormenor do efeito das chuvas em Luanda. Esta foto foi recebida por email)

CHUVAS INCLEMENTES EM LUANDA E LUBANGO

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Rádio Huíla ( Agosto 2006)

Numa dessas noites, no Lubango, procurava no selector de frequências do meu rádio digital e dou de ouvidos com um espaço aberto para questionamentos e criticas de ouvintes dirigidos a quem quer que seja. O programa é da Rádio Huila, apresentado, soube depois, por uma antiga companheira minha quando trilhávamos os primeiros passos do Rádio jornalismo. Voz amena, cordial e algumas palavras sabias, bem colocadas. Classifiquei assim a jovem locutora. Fiquei surpreendido, pois num passado recente iniciativas do género no interior do país eram por e simplesmente retiradas do ar depois de pressões das autoridades. No Lubango, tal também aconteceu. Depois de 16 meses longe da terra, o programa chamou-me atenção. As autoridades não foram poupadas. Perguntava-se de tudo. A crónica falha no sistema eléctrico que lança escuridão quase total a cidade, a reabilitação de estradas, a falta de água, o crime, entre outras coisas. O sistema do espaço, onde mais jovens ligam, era de perguntas simples, mas a maioria como se pode notar ficavam sem respostas, atiradas talvez para as “ calendas gregas” da Huila. O programa decorria, qual fórum Ecclesia na versão huilana, com alguns ouvintes talvez mais esclarecidos e destemidos que outros a serem profundamente ríspidos para os que mandam. Esta é uma oportunidade, acredito, de se medir a popularidade dos que governam a província. Até que ponto conseguem satisfazer a expectativa do cidadão, numa localidade onde num passado recente as criticas eram feitas a boca pequena para se evitar severas punições. Para isso, apenas alguns destemidos jornalistas, contados pelos dedos de uma só mão, passavam criticam nas suas emissões. Verdade. Encontrar este programa na rádio pública pareceu-me vislumbrar um oásis depois de se atravessar um rigoroso deserto. Mas é uma pena que o mesmo esteja atirado para depois das 21 horas de uma sexta – feira. Com este horário é retirada a possibilidade de adultos, estudantes universitários e mesmo a gesta intelectual local participe. É pena. Mas mesmo assim, espero que o programa continue, já é bom no formato actual. Espero voltar a ouvir quando regressar ao meu querido Lubango. Mas não nos esqueçamos que quem fala o que quer, habilita se a ouvir o que não quer...

Predadores!

“ O problema de Kaposso e que havia tubarões mais gordos ou mais fortes”. Esta é uma das passagens do último romance do célebre Pepetela que me fez reflectir. Das muitas modas que vemos, a mais incómoda é a clara delapidação (material e moral) que os angolanos sofrem. O roubo é descarado, aberto. As “ comichões” inexplicadas, a gatunagem aberta e a vontade de enriquecer sem justificação é e hoje um passo snob de afirmação social na minha Angola. A referência, de Pepe aos “ Kapossos” dos nossos dias não devia ser melhor abordada na história romanceada que um dos nossos “Camões” faz na sua obra. São cerca de 390 páginas da rocambolesca história de um novo-rico. O homem não olha a meios para cumprir com o seu objectivo, ou seja, engordar as custas de um povo minguante. A historia do homem que até muda de nome para parecer mais partidário; muda ainda de local de nascimento para ser próximo da terra do primeiro chefe. Mas Kaposso faz mais. Rouba, corrompe, mata, burla, afasta do seu caminho aqueles que pensa serem um incómodo. Come tudo e nada deixa para os demais. O glutão do Kaposso esquece-se, porém, de estudar, de aprender. Só sabe mandar. Pepetela é pois sublime nesta narração. O predador moderno que sabe que pode virar presa. O predador que conhece outros, mas contudo mais gordos e mais fortes. Grave. O romance que acabei de ler, pela segunda vez, faz - me olhar para sociedade contemporânea angolana. Uma obra recomendável. Um humano com sentido animalesco vira um voraz predador. Cuidado com os “ nossos” ...

No "coração" do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os órgãos do país (o que é raro), enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião pública, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uíge, até então fustigado por um vírus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação (mesmo medonha) ao aparecimento de um vírus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o marburg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorrágica matava rápido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de rádio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uíge está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimónias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão. Luvas, gorros e batas se haver necessidade. Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos repórteres de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 Minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O vírus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passávamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemóvel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A Ecclésia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local. È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda. Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior são um problema para os escribas. Novo trabalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos ao hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares. Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e a competente regressa ao Uíge. São cerca de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tónica central há medo, mas há vida no Uíge. Conferência de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitável quando uma equipa vai ao terreno buscar cadáveres. Notícia aterradora, eram membros da mesma família. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de óbito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadáveres são enterrados em valas comuns, por técnicos de saúde. As vezes o vírus mata todos os membros da mesma família, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo à bicicleta. Decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitável. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de trabalho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estômago e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a romagem rápida ao aeroporto. Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uíge está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uíge, voltar a falar (muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o vírus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rápida. Mvieira

Tundavala, novo ângulo

A beleza do Lubango!

Jardim da Nossa Senhora do Monte. Ao fundo o famoso Casino do Lubango

1 Pedaço de História (II). Caconda ( CACONDA - A- VELHA) - 1769

Situada a 150 Kms mais para o interior e onde já se encontravam colonos brancos, Sousa Coutinho vai dar-lhe o nome de contins levando tropas de Hanha e erguendo o fortim. Vai fazer a ligação entre Benguela ( litoral) e o interior sul. Quem terão sido os fundadores? Keilling, no seu livro “ 40 anos de África” escreve a esse respeito: “ Segundo reza tradição, após a derrota de vários Sobas coligados, contra o presidio de Hanha, o Soba de Galangue declarou-se vassalo de Portugal. Uma filha deste soba, chamada Tchilombo, teria sido educada em Benguela, onde viveu com um comrciamente rico. Por sua vez, tiveram um filha a quem deram o nome de Maria Caconda. Anos volvidos, Tchilombo deixou Benguela e voltou para o sertão com a filha. Com eles foram vários brancos, mestiços e negros mais ou menos evoluídos que se instalaram num local que fora escolhido pelo Capitão- Mor e a que mais tarde Sousa Coutinho mandou dar o nome de continhs”. Os restantes recém-chegados deram origem a outras povoações ainda hoje existentes: Vissapa, Chimuando, Bandeira, etc. ( Extracto do livro “ A MISSÃO ESPIRITANA NO SUDESTE DE ANGOLA” do padre Serafim Lourenço. Prefácio de Dom Zacarias Kamwenho) pág. 22

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Imprensa regional ganha um reforço

KESONGO JORNAL EDITADO EM BENGUELA. DISTRIBUIDO EM TODO O PAÍS.

Estradas ( quase ) cortadas no Lubango

"Mais uma vez a culpa é da chuva!" dizem alguns. O CHELA PRESS, numa materia (meio opinião- meio noticia) assinada por um dos meus confrades no terreno, atesta a olho num os caminhos da governação quando a chuva " aperta" mais do que deve! O Lubango ficou "tremido" com o numero de locais em que o trânsito esteve quase cortado. Na descrição deste quinzenário o " ponteco de acesso ao estádio do Ferroviario estava quase a desabar, o mesmo acontecendo com o acesso ao cemitério da Kanguinda" recentemnte recuperadas por empresas locais. A força das chuvas provocou a destruição parcial das suas composições em função das fortes cargas de água que se abateram sobre a cidade nos ultimos meses. O jornal chama de "gatafunhos" os trabalhos efectuados em pontes e pontecos. Até o ponteco junto do BPC dos Laureanos, á caminho do Santo António estava na eminência de desabar. Se tal acontecesse, imagine-se que alternativas te~ria o cidadão para chegar ao mercado do Tchioco, ao aeroporto ao bairro do Santo António, a linha para Chibia, Gambos, Cunene e Namibia. Amigos no Lubango disseram-me que o adminsitrador visitou os locais e apresentou o dossier ao governador para a procura de uma solução.... Parece que as operações de "tapa buracos" não caminham bem. Quase tuido é cosmético, corroendo cada vez mais a pouca paciência do cidadão que apenas deseja uma vida, mais ou menos, folgada.

Sobas dos Gambos querem expulsar empresas de exploração de pedras preciosas. A fome também aperta.

O governador da Huila foi descrito nesta semana, por fontes por nós contactadas no Lubango, como estando a travar “ in extremis” um latente conflito entre empresas de exploração de pedras preciosas e as comunidades nativas do disputado município dos Gambos. Ramos da Cruz terá sido confrontando, segundo as mesmas fontes, com o desejo das autoridades tradicionais em mandar para fora do município algumas das empresas envolvidas na exploração destes recursos. Na base do conflito está um contrato, assinado por tais companhias e pelo governo, em que os primeiros comprometem-se em fazer algumas “ benfeitorias” no terreno de exploração, consubstanciadas na construção de escolas para os vários níveis de ensino, a abertura de furos de aguas para o uso das populações e abeberamento do gado entre outras. Volta e meia essas empresas voltam a ludibriar os sobas e as comunidades. No terreno nada é feito a não ser actos do governo. As empresas ANGOSTONE, ENGRAMA e ROREMINA são as mais citadas. Apenas a OMPUNDA KAJAC ( próxima de dignitários locais) estará a cumprir, segundo as fontes, com o seu papel. O governador terá conseguido travar o conflito mas não termina-lo. No entanto, fala-se de fome nos Gambos. As localidades de VILHAMBWNDO, CHIANGE ( sede municipal) e CHIMBEMBA são as mais visadas. A seca que se faz sentir há muito tempo na localidade dos Gambos está a provocar fome e sede as populações e ao gado. Ainda não há noticias de mortos. Este “ filho pobre” da Huíla está a cerca de 180 kms a sul do Lubango.

1 pedaço de história ( I )

Caconda. Este município é dos mais antigos entre as circunscrições do sul de Angola. Depois de Moçamedes é seguramente a mais velha que há, mesmo comparada a Sá da Bandeira, agora Lubango. Existe “Caconda Nova” que é a sede do actual município, pai dos municípios de Kaluquembe, Chicoca ( Huila) e Ganda ( Benguela). Esta localidade que se tem vários pontos históricos tais como Kanduku, Visapa, Tchinjenje, Thiweka, Cassaco( Nordeste); ou ainda localidades históricas e bastante referenciadas entre o pessoal do centro e sul de Angola, tais como Jamba Yamina, Bisi, Mundinda, Kaluvombolo, Bambi ( Sudeste); ou mais adiante Lusseke, Huila, Ngungi e Kanangã. Eis a nossa CACONDA NATAL no mapa topográfico da província da Huíla. TEXTO DE PEDRO VIEIRA

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Entre o jornalismo e o sacerdócio

Tive muitas oportunidades para privar com um jornalista - padre . Hoje, tenho contactos mais directos, mais regulares.O primeiro homem que conheci nestas funções chama-se Álvaro de Magalhães Teixeira, português de nacionalidade, mas angolano por afinidade. Hoje responde pelas comunicações sociais da arquidiocese do Lubango. Corria o ano de 1998 e havia a necessidade de saber mais sobre a igreja, o tratamento de matérias a ela relacionada e a inevitável língua de trabalho. Ensinou jornalismo e português. Criou uma especie de "Clube de Jornalistas Catolicos" e nunca admitia uma " calinada" na rádio, pois estava logo á porta da redacção para corrigir o " infeliz". Fomos nos aplicando. Mas o ponto mais alto, dos contactos com este homem de grande cultura e sentido de missão ( editava sozinho, durante varios anos, o boletim "Vozes do Lubango", a unica revista propriedade da igreja que circula por todo o país) foi a conferência sobre " Os Mídia e a Democracia" realizado no ICRA do Lubango em 2002. Participei na preparação e fui um dos oradores principais.

sábado, janeiro 27, 2007

Chuvas da desgraça em Luanda

Enxurradas! Chuvas torrenciais sobre Luanda são algo que certamente marcará os factos noticiosos de 2007. A desgraça que acarreta esta precipitação é tão visível quanto a nova morada da senhora Esperança, dona de uma boa casa( construção definitiva) hoje hospedeira de uma das tendas no bairro . A sua família trocou involuntariamente o conforto das paredes com a bravura da corrente de ar da residência ao ar livre. Esperança, desta virtude só lhe sobra o nome porque não tem optimismo que a situação esteja ultrapassada…” Se uma chuva forte cair, pode ser que a tenda nos destrua a nós ao invés das nossas coisas, como aconteceu nas nossas casas, pensou Esperança… Enquanto não Chove, Esperança debulha o terço para que desta vez chova só “Cochito” rogando que o penúltimo abrigo (tenda) seja guardado da fúria de S. Pedro. No bairro de Esperança ficaram as Senhoras Maria e Kassenda , vizinhas de Esperança, aquelas experimentam o desespero de lutar contra a teimosia da água, esta entra nas suas casas a partir do chão e integra o agregado familiar. As senhoras Maria e Cassenda preferem a Instabilidade da Inundação, porque sobram paredes, as camas permanecem intactas por cima de muitos blocos, a noite a tábuas e blocos no chão dos quintais enfileiraram-se e dão passagem às residências onde descansam os corpos. Se chove! Juntam-se as crianças e dirigem-se aos antepassados para que intercedam por eles. Que Deus não os castigue mais. A criança mais nova interrompe a oração e questiona..” Assim vamos aonde?” Não vamos a lugar nenhum responde dona Cassenda, somos muitos e as casas estão caras continua a senhora Cassenda, Nas tendas também não vou. Há cinco anos também houve cheias deram tendas e por este critério distribuíram terrenos, só que o administrador recebeu o nosso terreno.“.. Vamo ficar memo aqui”… Tanto na Tenda onde está a dona Esperança, como no bairro alagado onde estão as senhoras Maria e Cassenda a expectativa é a mesma, que acabem as enxurradas e volte a vida normal. É Verdade que a força da natureza é incontrolável, também é verdade que as catástrofes naturais acontecem, mas no caso destas famílias, das senhoras, Esperança, Maria e Cassenda os estragos do fenómeno el ninho seriam minimizados se fossem concebidos esgotos no seu bairro para o escoamento das águas. Tudo que aconteceu foi que a agua não encontrou lugar para escoar e integrou o agregado familiar. As residências das senhoras permanecem na antiga lagoa. Hoje quase com o estatuto de rio pela dimensão que abrange. Um melhor saneamento para os bairros precisa-se. Porque minimizar os danos das chuvas com mortes contadas quando se pode prevenir os acidentes em áreas de risco? Porque não apostamos na auto - construção dirigida. Onde estão os planos urbanísticos para permitirem uma melhor orientação de construção na periferia de Luanda. Ainda penso que, se as entidades de Direito tivessem impedido a Construção de residências naquele local teriam permitido a procura de lugares mais seguros e as três famílias não teriam custos por causa das chuvas da desgraça. Por Márcia Nigiolela ( jornalista da RE)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Chuvas fortes no Lubango podem cortar estradas.

As chuvas que se abatem nos últimos dias, na província da Huíla, estão a provocar fissuras em alguns troços importantes da cidade do Lubango, que se não merecerem atenção urgente, poderão tornar intransitáveis algumas zonas. (ENTRADA DO LUBANGO PARA QUEM SAI DO AEROPORTO INT. DA MUKANKA) As zonas que ligam os bairros periféricos e o resto da cidade são os locais mais atingidos, com pontes prestes a desabar, estradas esburacadas, clamando por intervenções urgentes. Preocupado com esta situação, o administrador municipal do Lubango, Vigílio Adriano Tyova, depois de uma visita de campo aos vários pontos críticos da cidade, reconheceu a necessidade de se evitar o pior com intervenções, afirmando contar com o governo da província para superar a crise financeira. As chuvas que caem um pouco por todo o país também é preocupação das autoridades da província da Huíla que receiam situações menos boas para o interior da região, já que no Lubango a possibilidade de calamidades como inundações é pouco provável.

A paixão da rádio

<Ainda hoje, tantos dias passados, não sei de quem foi a culpa do "pecado original", desconfio apenas, mas bem haja a quem soube devolver-nos, por uma noite, o prazer de ouvir um jogo cantado na rádio como nos "velhos tempos". A estrada para Lisboa cada vez mais curta, eu a fugir dos 120 - só um bocadinho - na ânsia de chegar a tempo para ver o fim da contenda - como se diz em futebolês - na TV, e eles ali aos gritos, a espicaçarem-me ainda mais a adrenalina. Lembrei-me então das tragédias que se dão nas pressas que vão galopando a toque de emoção e abrandei com gosto, mas a adrenalina não baixou. E lá continuavam eles numa sonora insistência que me transformou o carro, por momentos, no quarto da minha infância. O tal onde tantas vezes, sozinho, quase me sentia nos estádios onde não podia ir. A zanga dos meus pais com o futebol radicava no risco de mandar o filho para "aquela barafunda" e eu, resignado, "via" na rádio o que não me entrava pelos olhos ao vivo. Amava a rádio e casei-me com ela. Até hoje. Entrei na rádio a brincar, no tempo da pirataria, e quando dei conta estava parado na redacção da TSF. Eu miúdo - 21 anos que pareciam 16 -, inexperiente, meio acanhado a um canto e eles já se passeavam com o peso das estrelas que me pairavam na imaginação desde sempre. Reconhecia cada voz e dava-lhe um nome, acertava sempre. Estranhava os rostos e as figuras, mas tentava habituar-me à estranha sensação de dar corpo e imagem real a quem conhecemos de viva voz mas nunca encarámos pessoalmente. Não me deslumbrava, admirava-me, com simplicidade e humildade, perante todo aquele cenário que sempre fez parte dos meus sonhos. Duas horas encostado a uma parede e ninguém parou nem reparou em mim no primeiro dia. Era a TSF no auge da "rádio em directo". Muitas notícias para pouco tempo. Mais uma piscadela de olhos e já estava num estádio. Microfone em punho e a voz deles nos meus ouvidos, a dizerem o meu nome e a pedirem "bitaites". António Esteves para aqui, António Esteves para ali. Suprema vingança. Os meus pais passavam o fim-de-semana com o rádio aos gritos lá em casa, e eu no campo, finalmente no campo, a dizer as coisas que ouvia quando me fechavam no quarto para não fugir para a bola. A rádio libertou-me da clausura e eu paguei-lhe com um amor incondicional. Até hoje. Cada um é como cada qual e não se compara o que não tem comparação. Foi por isso que naquela terça-feira, mesmo moído pela folia de uma noite de máscaras que não dispenso já lá vão uns anos, ouvi com igual prazer, e longe da sonolência, os "quatro mosqueteiros" da rádio que é a minha. A rádio do rigor mas também da emoção, da isenção mas também do espectáculo, do humor e da fina ironia. Os dias da rádio vieram no seu melhor, em dois duetos. Um quarteto de luxo em esplendor no éter. Na Antena 1, David Borges e Carlos Daniel. Na TSF, Fernando Correia e Jorge Perestrelo - hoje apenas uma das melhores recordações de quem a ama a rádio. Quatro dos melhores de sempre. O David, com a sua voz gutural e o seu pragmatismo rigoroso de quem sabe muito bem do que fala, o Carlos com um ritmo emocionante e compassado e a memória de elefante que nos deixa de boca aberta, dois artistas numa deliciosa harmonia com um saboroso ritmo desigual numa melodia em futebol maior. Do outro lado a fina flor dos 89.5, o prazer do futebol em FM. A voz respeitável e bem disposta do Fernando que nos conta a "estória" dos jogos, de cor e sem cábula, como se já fosse a crónica de um jogo passado, o Jorge num estilo irreverente e inigualável de emoção e espontaneidade, um português com o sangue africano a ferver-lhe na guelra. Tinhas o coração junto à boca Jorge! Eles ali a cantarem nas colunas o jogo da Luz e eu a saltar de posto em posto para não perder um segundo de cada dupla. Perdi-me em recordações e histórias comuns. Eles numa inesquecível sinfonia, e eu, adrenalina ao rubro, a beber cada um dos lances daquele Benfica-Porto pelas colunas do meu carro, que parecia o meu quarto de menino onde comecei a amar a rádio. Até hoje. Comecei com o Jorge Perestrelo, na TSF e na SIC - nas coisas do futebol onde agora só participo às vezes - mas trabalhei com todos eles com igual prazer. Eu menino, a querer ser como os grandes na profissão, e eles, já homens e estrelas da rádio, a darem-me tudo sem eu pedir. Saber e amizade, simpatia e admiração, apoio e nas orelhas. Seguimos muito tempo pela mesma estrada, hoje seguimos por direcções opostas. Só o Jorge, num repente inesperado disse adeus cedo demais. Parece que foi ontem. Encontrámo-nos de forma inesquecível, naquela terça-feira, no meu rádio, que me deu tanto prazer mascarado de telefonia do meu quarto, a cantar-me o jogo pelas colunas do meu carro. Voltei a ser menino outra vez e a desejar estar lá, no estádio, de microfone em punho, a ajudá-los na cantoria de um jogo emocionante. Não sei de quem é a culpa do "pecado original" - desconfio apenas - mas bem haja a quem teve arte para nos devolver assim, sem custo acrescido, os dias da rádio que eu amo, onde vivi mais de metade da minha vida de jornalista. São sem dúvida quatro dos melhores - o Jorge nunca vai morrer para a História da Rádio - e tal como outros que não cabem nesta estória serviram de mestres a uma nova geração cheia de valor, que também já nos canta os jogos na rádio com muita arte: Hélder Conduto - o meu preferido -, João Ricardo Pateiro, Alexandre Afonso, Paulo Garcia. Que amem tanto a rádio como eles sempre a amaram e respeitaram. Eu amo desde que me conheço, até hoje... ANTÓNIO ESTEVES, JORNALISTA DA SICps: Este artigo reflete ( também) a nossa paixão pela rádio!!!!

O trascedental nas nossas vidas

Quando as barbas do vizinho ardem....

Governo da Huíla pronto para apoiar eventuais vitimas de enxurradas no Lubango. Chefe do executivo garante que se tal acontecer no Lubango o apoio será "rapído e completo". Se tal acontecer no interior " dificuldades poderão ser sentidas". Que o diabo seja surdo, mas vale dizer que " quando as barbas do vizinho ardem, convém colocar as tuas de molho"!