quarta-feira, setembro 13, 2006

O repórter com que o editor sonha

CRONICA PUBLICADA A DOIS ANOS PELO JORNAL DE ANGOLA, MAS SEMPRE ACTUAL Prólogo: Erva daninha atrofia as flores e compromete a qualidade do mel! A primeira vez que entrou para uma redacção, saiu de lá decepcionado. Eram 16 horas e a porta principal abria e fechava-se constantemente. Um jornalista chegou com o rosto e a roupa cobertos de poeira. Parecia louco! Entrou em passo de corrida, procurou uma máquina, sentou-se, desfolhou um bloco de notas e começou a escrever. Mal havia começado, foi logo interrompido pelo colega do lado. Pela roupa e autoridade de um e pela sujeira e humildade do outro não teve dúvidas: um era chefe e o outro, subordinado. A decepção surgiu, contudo, quando constatou existir discrepância entre o que lia nas páginas do Jornal e o que ouvira durante a sua curta permanência naquele lugar “caótico”. Pensou então: “Não é possível. Afinal, jornalista pensa como nós!!!” Só mais tarde entendeu: 1º - Um era editor e o outro, repórter. 2º- Repórter não escreve o que pensa, mas narra factos ocorridos. Assim nasceu a sua paixão pelo jornalismo. Foi amor à primeira vista! Se hoje lhe perguntassem o que era o jornalismo, responderia: “é um pântano; quanto mais nos mexemos, mais nos entranhamos nele. Felizmente, a gente nunca está só!” A produção da notícia implica um trabalho de equipa, onde se envolvem todos, desde o pauteiro, motoristas, repórteres, fotógrafos, câmaras, paginadores, a arte e revisores, etc. A cumplicidade entre editores e repórteres permite um planeamento afinado da estratégia de ataque! Um carreto mal engrenado é um problema para o funcionamento da cadeia. Nessa cadeia salientam-se três etapas cruciais: a pauta, a apuração e a edição. “Tudo o que vem antes não é notícia; tudo o que vem depois não é jornalismo em sentido estrito, pois é gráfica e distribuição”(BASILE, 2002, pág. 95). Sendo assim, a qualidade da notícia a divulgar começa na capacidade imaginativa e criativa de quem vai elaborar a pauta ou o roteiro que contém uma série de hipóteses (boatos, denúncias, versão de uma notícia, telefonemas de leitores, ouvintes ou telespectadores, etc.), a confirmar ou não pelo repórter. Este deve orientar-se pela preocupação de levantar enfoques diferenciados sobre os temas, buscar ângulos novos de abordagem e mostrar agilidade na identificação de novas tendências. Através de leituras e pesquisas, o órgão de informação pode mesmo antecipar a abordagem de um acontecimento. A etapa seguinte é a de apuração: é aqui que entra em campo o “garimpeiro da informação”, o repórter. O repórter é o rosto visível dos jornais, rádios e televisões, pois é com ele que o público e as fontes têm contacto. O sonho de todo o jornalista é ser repórter, pois é esta a ocupação mais “prestigiante” nos meios de comunicação. (Dizem que quem chega a editor está perto da idade de reforma). Os repórteres, contrariamente aos editores, fazem sucesso junto da audiência e têm uma cadeia de fãs e um bloquinho com contactos telefónicos de fontes, desde a kínguila a ministros, generais eminentes, empresários, artistas famosos! Fazem inveja a qualquer um! Como soldado de um exército em derradeira ofensiva, eles envolvem-se na batalha pela notícia. Deles depende, em grande parte, o sucesso ou insucesso de uma edição. Por isso, é compreensível que todo o editor queira reunir em seu torno os melhores repórteres que a redacção possui. Mas isso é um sonho, difícil de concretizar, sobretudo em África, onde a imprensa ainda não é normalmente um negócio rentável. Raríssimos são os empresários que investem no ramo da comunicação. Como consequência, as dificuldades acumulam-se nas redacções do continente: os salários não são atractivos, há falta de estímulos, de transporte, de computadores e de escolas conceituadas de jornalismo, para além do preço elevado do papel, da impressão e das ligações telefónicas, acesso difícil ao crédito bancário e às fontes. Tudo isto afugenta os melhores profissionais, que buscam áreas circunvizinhas do jornalismo, como a assessoria de imprensa, ou então optam pela diáspora. A tendência do jornalismo, herdada do séc. XX, é a especialização, sobretudo, com a crescente segmentação da informação. Aliás, quem está habituado a ler jornais em Angola da primeira à última página, entraria em pânico quando comprasse o Washington Post ou O Globo, cada um deles com mais de 70 páginas, com matérias atractivas e devidamente estruturadas. Os consumidores de informação lêem, ouvem e vêem aquilo que lhes interessa. Quem gosta de desporto vai primeiro canalizar a sua atenção para esse espaço e só depois procura dar uma espreitadela em outras áreas. Por isso, é imperioso o aprofundamento no tratamento das notícias a divulgar em cada editoria que compõe a redacção, para atender a essa crescente segmentação. A vinculação do repórter a uma editoria é caminho aberto para a especialização. A especialização é definida como o resultado da divisão de trabalho. “Trata-se do conhecimento específico de determinado indivíduo sobre determinada área. No Jornalismo, para que se consiga precisão e aprofundamento, a especialização é requisito importante. Contudo, é preciso estar atento, pois, em princípio, o texto jornalístico não deve distanciar-se do leitor, mas, ao contrário, deve ser claro o suficiente para ser entendido pelo leigo, e profundo o bastante para ser útil ao especialista” (Manual escolar de redacção, 1994, 69). É claro que todo o jornalista tem a obrigação de saber redigir um texto, anunciando o vencedor de uma partida de voleibol, mesmo sem saber as regras do jogo. Mas não se escreve sobre buracos na estrada do mesmo jeito que se redige uma informação sobre macroeconomia, por exemplo. O repórter de que os editores gostam é inteligente, curioso, comunicativo e corajoso. Na posse da pauta, ele procura munir-se do máximo de informação sobre o assunto a abordar. Caso tenha ainda algum tempo, fala com o editor e com colegas de outras áreas, testa o equipamento(gravador etc). A Internet é um instrumento importante para pesquisa. Só depois vai atrás da confirmação das hipóteses levantadas. Mas não se detém apenas na pauta. Busca por iniciativa própria outras abordagens interessantes que tenham surgido ao longo da apuração. Tem faro para a notícia e descobre o gancho noticioso em factos ou discursos aparentemente banais. É obcecado pela verdade e por isso, duvida de tudo e de todos e sabe questionar! Quando sai à rua, o editor está descansado, pois “vem sempre coisa boa”. Mesmo numa conferência de imprensa, ele consegue ter um ângulo diferente e com valor mais noticioso. Tem porte físico e saúde para as correrias e embates. É incansável! Não fica todo o tempo a choramingar: “Não consegui, porque o ministro não quis falar...” Entretanto, o bom profissional diz: “ O ministro X não falou, mas falei com Y e a notícia está aqui”. É gente que faz. Aquele tem lágrimas, este tem alternativas. Não tem medo de perguntar. Está sempre atento e raramente é desmentido. Está no lugar certo, na hora certa. Lê jornais, livros e revistas, ouve emissões das rádios e vê a programação de estações de televisão. Está informado e o seu bom nível de cultura geral não o deixa cair. Álcool em horário de trabalho, nem pensar! Age com serenidade e tem tacto no relacionamento com a fonte. Sabe escrever bem e não mistura texto informativo com opinião, um erro frequente na imprensa angolana. Escreve com simplicidade e clareza. Não escreve “O gigante adormecido anda paralisado...”! Não “afina”, o que entende aliás como ofensa, sobretudo num país com mais de 70% da população analfabeta. Redige tudo sobre o que viu e ouviu, sem medo de não agradar o editor. Sabe pegar o ângulo mais importante do facto e apresenta mesmo ao editor sugestão de pauta para novas abordagens. O repórter com espírito de equipa cria, durante a reportagem, bom ambiente de trabalho. Incentiva fotógrafos e câmaras a procurar boas imagens e melhores ângulos. Investe em equipamento e na sua formação (línguas, informática, etc). Não vê isso como desperdício, mas como investimento. Que editor não adoraria ter um repórter assim? Os tempos estão maus, mas como diz Luiz António Mello, autor do Livro Sobrevivência na Selva do Jornalismo, “Sonhar é um direito assegurado pela Constituição”(MELLO, 1998, 48). Por isso, se ainda não tem, sonhe em comprar um telemóvel, um computador pessoal, ainda que usado, e compre um carro, um Toyota Starlet já dá jeito! Uma máquina fotográfica, digital seria ideal. Mande elaborar cartões de visita, pois são de grande utilidade. Se não tem carta de condução, matricule-se já. Com todos estes meios, o repórter estará mais tranquilo, pois é facilmente localizado e pode pontualmente estar em qualquer lugar, quando chamado de urgência. É na cumplicidade entre editores e repórteres que repousa, em parte, a longevidade e o prestígio de muitos órgãos de comunicação! Não esqueça de actualizar o passaporte e boa viagem! Estou a vir, ainda! * Augusto Alfredo, Licenciado em Comunicação Social, é Editor de Economia do “Jornal de Angola”, E-mail: augustoalfredo@hotmail.com Bibliografia: 1- BASILE, Sidnei. Elementos de Jornalismo Económico. RJ. Campus, 2002. 2-MELLO, Luiz António. Manual de Sobrevivência na Selva de Jornalismo. 2ª Edição. Niterói, RJ: Casa Jorge Editorial, 1996. 3- Manual escolar de redacção da Folha de S.Paulo. S.Paulo: Ática,1994.

AS LAGRIMAS DE TETA

Teta Lagrimas, um dos músicos angolanos com um carreira incólume e solida, veio á terreiro, nos últimos dias, denunciar o que praticamente já não passava na cabeça do grande publico: CENSURA. Teta, reclamava como que com lagrimas a escorrem pelo seu rosto, a existência de censura musical no país, ainda que encapotada. Censura, dizia ele na radio pública e na generalidade do seu gigantesco grupo. Em causa, segundo o musico, está apenas uma faixa do seu ultimo disco. A obra tem o interessante titulo GENUINAMENTE, marcando o seu regresso a ribalta. A canção da alegada censura é genuína, actual e mais uma daquelas criticas sociais em falta no pais, para a reflexão profunda sobre o que queremos da Angola do futuro com a exclusão social, o enriquecimento ilícito, a voracidade de alguns e o sofrimento da grande maioria das pessoas que hoje vegetam nos arredores das grandes cidades. Sem oportunidades. Com a miséria a servir de companheira fiel nos dias negros por que passam. Alguém diria isto é Angola.... Mas, Teta, diz mais. É profundamente incisivo neste trecho censurado. Na musica “Quero ser político” ele é lapidar. Começa com a historia de mais um deserdado, um “ demolido”. Não só a sua habitação é lançada para o chão pelo martelo demolidor, mas também as esperanças de ser alguém caem por terra. O homem tenta de tudo por voltar a ser alguém. As oportunidades lhe são fechadas. Ele se questiona “ trabalho, por que te quero!” Vira marginal, mas a policia corta-lhe os passos. Sobrevive de coisas arrojadas, mas o caminho é “ movediço” demais para ele. E por fim, fica a triste constatação de que “ esta não é a independência que sonhou”. No fundo mais uma constatação de um antigo combatente de uma geração que acreditou na utopia de igualdade social, sem exclusão e sem o roubo descarado do que é publico, depois da conquista da liberdade facilitada pela fuga dos colonialistas Lusos. Vendo as portas da vida fechadas, o homem da musica, genialmente retractado no semba de Teta, tem apenas um sonho, legitimo. A solução, encontrada no calor da desilusão, é ser político. Afinal, diz ele, ser político é que está a bater. “ Os políticos têm de tudo um pouco. até exibem o que conseguiram”, diz o musico, para completar que muitas vezes recorrendo as mais capciosas praticas. Estas são algumas das lagrimas de Teta. Lagrimas censuradas, mas, no reverso da moeda, publicitadas, porque agora, qual fruto proibido, mais gente procura ouvir o semba da geração da utopia e claro dos políticos.

O CAN DO OPTIMISMO

Minutos depois de Angola ser indicada para acolher do CAN 2010, um muito optimista amigo meu, mandava mais uma vez s.m.s., reflectindo, assim, a sua incontida alegria. Este amigo meu, por sinal jornalista, volta e meia, manda mensagens pelo telemóvel, sempre que há vitorias nossas no desporto. Ele é de um optimismo contangiante. E naquela segunda feira, 4 de Setembro, mais uma vez não fugiu a regra. Dizia ele que “ Angola só ganha. O que teremos feito para essas bênçãos. Será a paz. Viva Angola”, rematava. Acredito que como eu, umas milhares de pessoas ficaram felizes com a escolha do nosso pais. Mas, infelizmente, a pratica quotidiana, ensinou-me a ter uma felicidade moderada. Falam-se de obras monumentais a serem erguidas, mas ainda não foi anunciada a possibilidade de concursos públicos para sua realização. Quem vai erguer os hotéis, melhorar as estradas, facilitar as comunicações, tratar do credenciamento dos jornalistas e delegações, a higiene dos estadias, a segurança alternativa á policia nacional , a manutenção física destas infra estruturas depois do seu acabamento, o transporte de delegações para Angola e pelas cidades que vão acolher, a criação de de bilhetes, o cartering, a energia eléctrica alternativa, a criação de mascote, a venda de brindes nos estádios e fora deles, etc., etc.???? Temo, pela pratica quotidiana, que muitos já estão a constituir empresas para gerir alguns desses serviços. Temo também que a pratica do trafico de influências não será desprezada, pois está aberto o filão e ainda estamos a quatro anos do CAN. Será que já se pensa na realização de concursos públicos para a prestação dos serviços aqui referidos??? Enquanto a pratica não muda, prefiro ter um optimismo moderado, contrariando ligeiramente as palavras calorosas e contagiantes do meu velho amigo jornalista, colocado no interior do pais. Que a onda de triunfalismo não nos faca esquecer o básico, que resumo em organização com transparência para que de facto, “ viva Angola”, com diz o Teodoro.

Luanda revisitada. Baía cloaca

Em 1997 fiquei um mês e tal alojado no Hotel Meridien Presidente, em Luanda. É o edifício mais alto de Luanda, mesmo em frente ao porto, com vistas sobre a baía, o mar e a cidade que seriam deslumbrantes se aquilo fosse bonito de se ver. Só que não é… para além dos musseques, do pó no ar, a baía de Luanda está tão poluída e maltratada que olhar para aquilo mete nojo. Nesse ano, lembro-me de uma tarde em que estava no bar do hotel e escutei uma conversa entre dois tipos que negociavam um “esquema” de ambos ganharem dinheiro. Um era angolano e o outro estrangeiro, branco, com sotaque de inglês. O branco tinha navios velhos para vender ao preço de quase novos, o preto ia encarregar-se de falcatruar as papeladas e encontrar quem comprasse os navios. Acabei por não perceber de que tipo de navios falavam eles, se seriam barcos de pesca ou cargueiros, graneleiros ou porta-contentores, mas para o caso pouco importa. Agora, nestas férias que fiz em Luanda, dei uma volta de barco pela baía… e, lá estavam eles, os navios acabados vendidos ao bom preço de quase novos. Uns afundados, outros semi-submersos, outros tombados de bordo, outros comidos pela ferrugem, todos sem préstimo nem valor. São dezenas de navios que alguém pagou e pouco usou. Imagino que tenha sido o estado angolano… porque não acredito que algum privado tivesse embarcado naquilo. Mas aposto que todos aqueles navios pertencem a empresas estatais, empresas governadas por corruptos amealhadores de comissões e pouco interessados no bem comum. Luanda liquefaz-se na baía. As escorrências da cidade descem, lenta mas livremente, e desaguam ali. Os líquidos pútridos misturam-se com os óleos e a ferrugem dos naufrágios... branco e imaculado, só o yacht presidencial amarrado na base naval. Ah!, mas cuidado! Não podes fotografar!, avisaram-me. A água da baía de Luanda é escura e viscosa. Doentia. Por Carlos Narciso ( www.blogda-se.blogspot.com )

quinta-feira, setembro 07, 2006

O DIA DO BLOG

Você sabia que existe o “dia do blog”? Já existe um dia do ano para comemorar os “blogs”. A data será comemorada no próximo 31 de agosto e foi escolhida pois 3108 lembra a palavra blog. Durante o “BlogDay” blogueiros de todo o mundo farão um post para recomendar a visita a novos blogs, de preferência, blogs de cultura, pontos de vista ou atitude diferentes do seu próprio blog. Nesse dia, os leitores de blogs poderão navegar e descobrir blogs desconhecidos, celebrando a descoberta de novas pessoas e novos bloggers.

sábado, setembro 02, 2006

O GENERAL QUE RECUOU

O mês de Maio de 2002, no Lubango, anunciava um rigoroso cacimbo. Com paz nova, esperanças renovadas. Isto apesar de algumas dessas esperanças serem profundamente idosas, tal como cantou um dos mais célebres músicos angolanos. Era moda os campos de aquartelamento, comissões mistas, viagens aos locais onde estava o pessoal daquele lado e tentativas de integração total dos milhares de homens que andavam errantes pelo país, qual guardiões de uma causa que apenas poucos conheciam a génese, a essência. Como acontecia com frequência, tanto depois da paz, assinada, ou mesmo nos últimos 4 anos de conflito entre irmãos desavindos, o comando local das FAA elegia repórteres para a cobertura de eventos estratégicos. Parecia que a norma era, quanto mais longe ia a mensagem melhor era para o generalato da frente militar sul. Homens, estes, enclausurados nas redomas das suas constelações ostensivamente ombreadas para soldados e para os soldados da caneta. A meio do quinto mês , no ano que devolveu a paz para a maioria o território nacional, mais uma vez fomos convocados. Trabalhava como correspondente para a Radio Ecclesia e Voz da América, colaborador no pequeno jornal local SANAPRESS e efectivo na Radio Comercial 2000. Solicitado para ir, melhor para mim. Antes já tinha andado com os mesmos militares em varias frentes avançadas de guerra. ( Exemplo Chipindo 2001, de que escrevo em próximas memórias..... ) No Lubango, as comissões das FAA e das FALA reuniram por cinco horas. O encontro foi nos descrito como cordial. A meio da tarde as delegações decidem partir, sem jornalistas, para um campo de aquartelamento localizado no Chipindo. Mesmo com os protestos de alguns jornalistas presentes, o helicóptero levou apenas militares de alta patente e dois repórteres de imagem, um cameraman e um fotografo. Horas depois, eis o regresso e a conferencia de imprensa com a revelação mais bombástica daquele tempo. O poderoso general da região revelava aos microfones de vários jornalistas que morrem 5 homens do galo negro por dia e na data já 45 tinham perecido. Pela gravidade do assunto, ao cair da tarde revelo a Ecclesia e Radio 2000 os acontecimentos. O eco parece grande na tal sexta feira. Sou solicitado para mais dados sábado. A informação volta a carga a Voz da América, segunda feira. Porem, terça feira, a direcção provincial de investigação criminal manda um oficio para que, por crimes contra a segurança do estado e difamação ,responda. Dai é um passo. Investigador intimidatorio, AKM na sala de interrogatório, revolver no colder, perguntas que indiciavam manipulação dos dados por parte do escriba e a inépcia do homem que vergava um garboso fato azul, mas, contudo, incoerente até com o mais comum dos verbos legados por um Camões distante na historia desta magica língua. O “ tac tac” da velha maquina de escrever do escritório policial era a única coisa que quebrava ritmo acelerado do meu coração. Mas contudo, nada de solidariedade por parte dos outros homens de imprensa, até mesmo para a comercial onde dava o litro. O interrogatório foi moroso. Cansativo mesmo. Foram horas. Hora de volta para frente e outras de vai, mais para trás. Fui mandado em “ paz” , depois de assinar as minhas declarações. Antes fui advertido que, a qualquer momento, poderia ser chamado para novos dados. Gelei ao ver que o homem, apesar de ser de má catadura, nada inventara. Assinei, preparado para falar aos amigos desta aventura que se transformou rapidamente em noticia no país. Volto ao local de trabalho efectivo ( Radio 2000 ) e avanço, em privado, os meandros da investigação. Nada de solidariedade.... Foi depois do almoço que me ocorre recorrer ao ultimo recurso quando o cerco de um escriba, honesto consigo próprio, se aperta. Recorri a arma da denuncia, qual naufrago a busca de uma ultima tábua, bóia de salvação. Ligo para Luanda para a redacção central da católica. Anuncio o processo, número e tudo. Concordo em fazer uma entrevista. Para alem do processo, concordo em repassar o registo magnético com as declarações da polémica. Felizmente estavam guardadas copias em locais seguros. O diabo poderia tece- las. O impacto foi inesperado. Surgiram telefonemas com a solidariedade de poder contar com advogados. Organizações de defesa dos jornalistas ficam preocupadas com o assunto( ver relatório “reporteres sem fronteiras 2002”) Como era lógico, a católica fez alarde informativo com a entrevista e as palavras do “todo poderoso” eram lapidares, directas e profundamente lógicas para a peça jornalística produzida. A investigação criminal convoca-me novamente, mas antes solicita, por escrito, a cedência da gravação com as declarações da polemica. Com a autorização da direcção da comercial, entrego o registo em K7. Assim que chego ao temeroso gabinete dos crimes selectivos e contra a segurança do estado, o investigador era de todo sorrisos, dizendo, palavra mesmos palavra, que " com jornalistas parece não se brincar" . Incrédulo, perguntava aos meus botões o que e que se passava. Antes mesmo de poder reorganizar os pensamentos, o homem diz sem rodeios: " Pode ir em paz, bom trabalho. Temos ouvido os teus noticiários" . Olhei para o funcionário do estado, sem entender. E ele em segundos foi lapidar: " O general retirou a queixa... "

LUBANGO: " SAUDADES DE QUEM TE AMA...."

Lembrei dum trecho de um poema de Vinícius de Morais para “taxar” (?) , com palavras, mais uma leve presença no meu Lubango natal. Saudades, porque ao chegar há a expectativa e ao sair daquela urbe começa a saudade com a expectativa de ao voltar, sei lá quando, encontrar a zona mudada, sempre para melhor, espero. Desta vez, longe da minha iniciativa, fiz mais uma vez gosto ao microfone na comercial local, apresentando o magazine central local. Mesmo mudada, a Radio 2000 continua a mesma... Apesar dos rótulos que os pouco resolutos lançam a quem ousa ter ideias diferentes, tal como as minhas. Sei que acontece o mesmo quando se tenta brilhar num meio onde há ideias tacanhas. Houve quem aproveitasse para dizer que este pobre escriba tinha ideias estranhas no seu regresso a cidade jardim de Angola.... Coisas para esquecer!!!! Estive com a familia do peito.Senti um aperto no coração ao ver moldadas as "fisionomias" das rendondezas... Convivi com jornalistas, num curso, digo de passagem, que fez com que o passado voltasse a minha memória. Eram tempos de debate e conversa. Desta vez não voltei ao Cristo rei no cimo da SERRA DA CHELA, mas a objectiva da minha Kodak digital trouxe o redentor aos meus olhos. A Tundavala ficou longe do meu roteiro, mas a imagem foi avivada com o serpentear das montanhas observadas na mais cintilante cordilheira de que tenho memória, guardada bem fundo. Passei pouco pelos arredores do Lubango, mas deu para andar por trilhos pedregosos no Sofrio, um dos bairros mais próximos da Chela. Não cobri as corridas de automóveis , como era meu desejo, mas observei a abertura da Feira do Gado e da Expo Comercial e industrial. ( Soube depois que as corridas- como chamamos - foram fatalmente más, por mais pessoas terem sido mortas no domingo do meu regresso a selva urbana) Vi gente ida de Luanda pavonear se no alto do seu poder económico. Na sua maioria eram titulares de cargos públicos ou seus parentes. Notei, também, a humildade que faz o povo da Huíla trabalhador. Observei mumuilas indiferentes as festas de Senhora do Monte, lembrando apenas que precisam do seu ganha pão de todos os dias, vendendo e trocando produtos agro pecuários. Viajei, de avião, com turistas de ocasião. Câmaras digitais no peito, procurando os recantos que a guerra, felizmente, não ousou apagar no Lubango e arredores. Gente de Portugal, Argentina, África do Sul e de mais longe ainda. Quando ao avião voltei a subir em direcção a Luanda, senti que as saudades já tinham começado. Foi ai que senti o impacto das palavras eternizadas no poema do celebre Vinícius. Ele diz” Pátria minha/ saudades de quem te ama” . E eu com a devida vénia digo. “ Lubango meu, saudades de quem te ama......”

sexta-feira, setembro 01, 2006

A verdade de todos os dias

Todas as noites as estrelas me ensinam que a seguir a amanhã e depois de amanhã elas continuarão no seu lugar" Luís XIV, O Nascer do Sol, I vol. (2005, Ed. Bertrand) por Jean Pierre Dufreigne (pg. 51)

Um invulgar exemplo de invulgar coragem e coerência

Orlando Castro, jornalista angolano ao serviço do Jornal de Notícias desde 1991 e colaborador de luxo, digo eu, do Notícias Lusófonas desde a primeira hora, vai lançar, dia 23 de Setembro, na Casa de Angola, em Lisboa, o seu quinto livro, com o título “Alto Hama – Crónicas (diz) traídas”. Editada pela Papiro e com o prestimoso e incondicional concurso da Casa de Angola de Lisboa, “Alto Hama – Crónicas (diz) traídas” é a reunião dos comentários de Orlando Castro que temos tido o grato e honroso prazer de publicar (e, permitam-me a imodéstia, disso sou testemunha) ao longo da existência do Notícias Lusófonas. «Algemas da Minha Traição» (1975), «Açores – Realidades Vulcânicas» 1995), «Ontem, Hoje... e Amanhã?» (1997), «Memórias da Memória» (2001, com prefácio de Arlindo Cunha, são outros títulos da autoria de Orlando Castro, cuja relação com o jornalismo começou muito antes da independência do País no jornal “A Voz dos Mais Novos”, órgão de informação do Liceu Nacional General Norton de Matos de Nova Lisboa. Orlando Castro, quer cá (Portugal) como lá (Angola), é dos poucos que merece o título de Mestre desta profissão e que elegeu o Jornalismo por acreditar religiosamente que com a caneta pode-se lutar por dias de Sol mais quentes, dias melhores e melhores dias, por mais pão, amor, liberdade e democracia. Pena é que os néscios que (des) mandam em Angola, quais aprendizes de políticos e pessoas que a todo custo querem ser gente, julguem (quem lhes conferiu esse direito?) o Orlando pelo simples facto de assumir (trata-se, pois, de um acto de invulgar coragem e coerência) que o seu presidente foi (é) aquele que no mês de Setembro de 1992 prometeu “Calças Novas” sem sequer falar do feitio. Será isso, nos tempos que correm, crime em Angola? É segura e garantidamente, digo eu por minha conta e risco, para todos aqueles que ainda confundem a obra-prima do Mestre com a prima do mestre-de-obras ou a beira da estrada com a estrada da Beira. Fonte: O arauto, Jorge Eurico

China em baixa, em Angola

9 mil milhões de dólares depois, começa a surgir nos jornais de fim-de-semana um verdadeiro bombardeamento aos chineses e à forma como estão a decorrer as obras por eles encetadas no último biénio. É um grande conjunto de acusações fortes que deixam antever uma clara inversão de tendência não daqui a muito tempo. Desde já parece que se negoceia um novo financiamento de 2 mil milhões de dólares com os Emirados Árabes Unidos. Alguém terá ficado surpreendido com isto? ( com a devida venia, Miguel)

terça-feira, agosto 29, 2006

SENHORA DO MONTe: entre a festa e o luto

Dois mortos e trinta e cinco feridos, alguns deles com alguma gravidade, é o balanço oficial do acidente de viação que neste domingo paralisou os tradicionais duzentos quilómetros da Huíla, no Lubango. O acidente aconteceu no complexo da Nossa Senhora do Monte, quando uma viatura de marca Porsche que participava na prova automobilística rompeu as barreiras de protecção do traçado e foi contra a multidão que se deslocara ao local para assistir aquela que marcava o encerramento das tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte. Foram momentos de agitação e pânico que se seguiram. Duas pessoas morreram imediatamente. Outras fontes indicam para a morte de quatro pessoas entre os quais dois jovens, uma criança e um agente da Polícia, enquanto os feridos eram transportados para o hospital central do Lubango. Num ápice, o hospital Dr. António Agostinho Neto encheu-se de gente entre familiares e curiosos ávidos em saber da sorte dos sinistrados, só impedidos pela presença policial que tentava travar a ânsia dos primeiros provocando um motim que resultou no ferimento de um agente da Polícia. Perante a avalanche de pacientes o hospital revelou-se incapaz e se viu apenas aliviado do problema com o concurso de instituições públicas e privadas que responderam aos apelos de ajuda em meios materiais e humanos. O director provincial da saúde, Óscar Isalino, único a pronunciar-se sobre o estado das vítimas deu conta da situação,«Também deram entrada entre os 35 duas crianças que chegaram ao hospital mortas, neste momento os feridos estão a merecer toda a atenção da equipa médica para que se possa tranquilizar as famílias tudo está a ser feito para podermos resolver a situação clínica desses doentes». Coincidência ou não o infausto acontecimento deu-se no complexo da Nossa Senhora do Monte, o mesmo local que há um ano testemunhava o brutal acidente de um camião que fizera 21 mortos e mais de 70 feridos depois de ter perdido os travões e irromper contra a multidão que desfilava para o carnaval. Os feridos continuam a receber assistência médica e medicamentosa e nas próximas horas poderão ser dadas novas informações relativamente a evolução sanitária dos mesmos. (Teodoro Albano)

quinta-feira, agosto 17, 2006

O leilão

Mais uma vez a saúde financeira dos nossos governantes levou - me à admiração, por e simples. A primeira impressão é de que o vil metal acompanha os nossos titulares de cargos públicos, deixando rastos de dinheiro em qualquer ponto onde ponham os pés, sugerindo que a nossa casta governativa não olha à meios quando se trata de gastar, até o que é publico, remetendo ao seu kafokolo o que vão amealhando de salários e comissões que ganham, ornamentando assim os seus desde já recheados bolsos. Dia 15 de Agosto, na nossa senhora do monte, no âmbito da famosa feira do gado, mais um leilão foi realizado. Os vips fizeram-se presentes mais uma vez e em força. Dirigentes locais e do chamado governo central. A ocasião é propicia para mais uma manifestação de dinheiro. Um dos mais conhecidos ganadeiros do país, o homem que dirige o leilão, habilmente, aproveita para incentivar os quatro membros do governo central presentes a participarem, dando início ao primeiro lance. Alegres com a ocasião, a luta é tenaz entre os gestores de cargos públicos, ministros, para levar para casa ou para as fazendas, uma enorme vaca holandesa nos seus quase 500 kilos. Depois de minutos a luta pelo espécime bovino termina. A vitória a recai ao mais velho dos ministros presentes, não só porque entende do ramo, mas porque desembolsa 6000 mil dólares norte americanos. Fica por se saber se a vaca holandesa vai à fazenda ou ao prato. Uma lição... tem dinheiro.

POR AQUI TUDO SE FALA .....

Numa dessas noites, no Lubango, procurava no selector de frequências do meu rádio digital e dou de ouvidos com um espaço aberto para questionamentos e criticas de ouvintes dirigidos a quem quer que seja. O programa é da Rádio Huila, apresentado, soube depois, por uma antiga companheira minha quando trilhávamos os primeiros passos do Rádio jornalismo. Voz amena, cordial e algumas palavras sabias, bem colocadas. Classifiquei assim a jovem locutora. Fiquei surpreendido, pois num passado recente iniciativas do género no interior do país eram por e simplesmente retiradas do ar depois de pressões das autoridades. No Lubango, tal também aconteceu. Depois de 16 meses longe da terra, o programa chamou-me atenção. As autoridades não foram poupadas. Perguntava-se de tudo. A crónica falha no sistema eléctrico que lança escuridão quase total a cidade, a reabilitação de estradas, a falta de água, o crime, entre outras coisas. O sistema do espaço, onde mais jovens ligam, era de perguntas simples, mas a maioria como se pode notar ficavam sem respostas, atiradas talvez para as “ calendas gregas” da Huila. E o programa decorria, qual fórum Ecclesia na versão huilana, com alguns ouvintes talvez mais esclarecidos e destemidos que outros a serem profundamente ríspidos para os que mandam. Esta é uma oportunidade, acredito, de se medir a popularidade dos que governam a província. Até que ponto conseguem satisfazer a expectativa do cidadão, numa localidade onde num passado recente as criticas eram feitas a boca pequena para se evitar severas punições. E para isso, apenas alguns destemidos jornalistas, contados pelos dedos de uma só mão, passavam criticam nas suas emissões. Verdade. Encontrar este programa na rádio pública pareceu-me vislumbrar um oásis depois de se atravessar um rigoroso deserto. Mas é uma pena que o mesmo esteja atirado para depois das 21 horas de uma sexta – feira. Com este horário são retiradas as possibilidade de adultos, estudantes universitários e mesmo a gesta intelectual local participe. É pena. Mas mesmo assim, espero que o programa continue, já é bom no formato actual. Espero voltar a ouvir quando regressar ao meu querido Lubango. Mas não nos esqueçamos que quem fala o que quer, habilita se a ouvir o que não quer...

EXPO HUILA

Arrancou a mais esperada feira comercial e industrial da região. Ocasião para provar que não só Luanda detêm o exclusivo na realização de acções do género, tal como a Gigante FILDA. Mais a edição 20 da EXPO HUILA abriu com reclamações: Com o crescimento da economia local, o espaço tornou se pequeno demais para agrupar as empresas que pretendem mostrar os seus produtos. Algumas de grande porte ficaram mesmo de fora. Outra reclamação tem a ver com a falta de apoio na importação de produtos. Uma velha questão que mais uma vez a associação comercial local trás a liça, com discussões frequentes sobre o assunto. Discursos contundentes, mas ao que parece com ouvidos moucos de quem manda. Os cinco dias da feira, habilmente preparados, dão a impressão de estarmos realmente numa feira cosmopolita. Os homens que detêm o capital no Lubango aí estão concentrados, observando, expondo e fazendo contactos de negócios. Com a já notada falta de espaços, alguém teve a ideia de transferir esta bolsa de negócios para longe da senhora do Monte, para lá do Lubango. A sugestão era Humpata, no cimo da serra da Chela. Mas alguém, parece que esqueceu-se que esta feira dá brilho das festas de nossa senhora do monte, que são do Lubango e são realizadas, a mais de vinte anos, num dos maiores complexos turísticos e desportivos de Angola.

sexta-feira, agosto 11, 2006

A GREVE E O JORNALISTA PRESSIONADO

A noticia soava preocupante. Os homens da seringa, enfermeiros, querem partir para uma greve. Os apelos dos pacientes para eram lacinantes, afinal uma greve tem sempre consequencias para o zé povinho. Os enfermeiros assim pensam porque estao sem salarios a 3 meses. O jornalista, reporter de radio olha para isso como uma oportunidade informativa. Noticia colhida, facto divulgado. Todos os elementos da noticia sao difundidos. Mas o facto dura pouco. O gestor da pasta de saude pressiona o director do meio e este, claro, ordena o concelamento puro e simples da noticia, pois pode provocar perigosos danos a provincia. O homem, preocupado, pede conselhos, mas a sua preocupacao continua. Pode ser expulso por divulgar um facto verdadeiro. Uma greve iminente, por uma causa justa. Com o rabo entre as pernas, o nosso colega nem sequer tem a coragem de recorrer a arma da denuncia de algo que é absolutamente verdadeiro, aqui a censura deixou de ser encapotada. Anda a luz do dia, acompanhado os incansaveis reportes que todos os dia fazem algo para manter o povo do Lubango, relativamente informado.

OS BURACOS E ALGUNS JORNALISTAS DO LUBANGO

16 meses depois da ultima estada, procurei voltar ao Lubango, beber das aguas da Chela. Voltar para continuar em paz com a consciencia, reconhecer os amigos e conversar, conversar muito. Esperava ver mais. Tinha a expectativa de ver menos buracos nas estradas, ver investimento. Mas as ideias iniciais, fugiam da mente quando do taxi que me tirou do aeroporto da Munkanka para a casa, olha a cidade do cristo rei. Apesar de engalanada para o turismo, sol e ferias de todos os Agostos, a muito se fazer. Dá um aperto no peito, saber que os meses passam e a cidade fica sem energia. Os buracos, que limpava da minha consciencia, afinal existem. Alguns podem virar crateras dentro em breve se os que mandam na municipalidade nada fizerem. Pelo andar da carruagem suspeito que dentro de meses quando regressar vou reconhecer as crateras nos mesmos lugares, aqueles que para eles olhei com magoa. Como ambientalista fui espreitar a senhora do monte e descobri os efeitos do desmantamento. Também, é obovio, ninguem fala. Reconheci os amigos, conhecei outros caramarads jornalistas. Senti que o sentido critico está a crescer, mas lentamente. As amarras da auto censura em alguns meios ainda faz morada. Falamos da falta de ousadia em mostrar a quem manda, o mais que poderia ser feito. Debalde. Alguns pensam que ser taxado, rotulado, é muito grave num meio com este. Entendi que, afinal , por cá há quem prefira ter a imprensa manietada para daí retirar as conhecidas vantagens....

segunda-feira, agosto 07, 2006

JULGAMENTO DO MESTRE

LUBANGO 1996. O dicionário que uso, define mestre como um especialista numa ciência ou arte ou ainda, no sentido geral, vulgar, aquele que ensina. Tive dois grandes mestres: para a arte do bem falar locução, um jovem no longínquo ano de 1995 de nome Joaquim Armando. Com cultura geral acima da média, ele sempre me pareceu intrépido. Tinha outro mestre, na área de redacção. Chama se Rebelo Veiga, um jornalista de missão, mas bancário hoje, acredito, por opção. O bicho da rádio vai voltar a incomodar, tenho fé. Mas o Armando, o tal jovem intrépido, marcou-me profundamente pois aos 16 anos, eu nunca podia imaginar que um julgamento pudesse ser tão mediático naqueles dias. Tempos duros, guerra em acção e a imprensa a fazer fé nos discursos da época. Numa dessas manhas frias de cacimbo rigoroso da Serra da Chela, com o carro móvel denominado azulão, o Armando cruzou mais uma vez a cidade de lés a lés testemunhando mais um nascer do dia, as obras, a agenda dos que mandam, os acontecimentos, os preços e claro a vida nocturna em clara referencia ao dia anterior. Era segunda feira, na noite de domingo num dos pubs mais populares da altura, um sonorizador da Rádio Huíla tinha sido detido. A acusação era simples: Estando na mesma diversão que o general governador, terá barrado a passagem do todo poderoso. A guarda, qual pretoriana, intercepta o camarada; O técnico de som é detido. Assim mesmo, sem apelo nem agravo… A arbitrariedade é denunciada para todos os cantos pelo meu primeiro mestre. Ele estava na festa, mas impotente, perante as armas da arrogância da guarda pretoriana, usa apenas os microfones como a arma da denuncia. Dai, foi um passo para ser intimado pelo crime de difamação contra o dito cujo. Atentado contra a figura e por ai… . A tragicomédia estava lançada. O jornalista é chamado á depor e vai a julgamento. Como jovem estagiário nunca poderia perder aquele momento. Se não estou em duvida foi um dos primeiros julgamentos de um “escriba” em Angola em tempos de democracia. Na sessão fiquei com a impressão que o juiz queria trucidar o jornalista. Perguntas matreiras, mas respostas precisas. Um espectáculo que durou duas eternas horas. No fim absolvição, por falta de provas. Mas o réu foi condenado a uma ligeira multa. Entendi, depois, que era uma forma do poder judicial não abafar o poder do general governador. Mas o meu mestre, mantinha um ar quase inabalado depois do espectáculo. Levou um colete azul do labor diário, trocou-o por um paletó cor de vinho a entrada do tribunal, trazido pela namorada. Depois da vitoria, a comemoração. Mas senti que o aviso estava lançado aos demais escribas contra supostas ousadias. O poder também sentia que qualquer “ queixa” não significa prisão para o réu. Os tempos mudaram. a Velha senhora ficou com a morte do poder popular. Nunca tive a oportunidade, vontade mesmo, de lhe perguntar o que sentiu na hora dos apertos do juiz. Espero faze-lo e recordar os meus velhos tempos de caloiro nas lides radiofónicas na Rádio Huíla - RNA onde a ousadia era punida severamente.....

ECOLOGIA E SUAS VERTENTES

O título soa desencontrado, grande demais. Mas este foi um dos mais importantes projectos informativos ambientais da cidade do Lubango. Duração três horas, doseado com o que de bom se faz na arte de compor sons, agradáveis ao ouvido, em suma a musica soul. Visivelmente inspirados em programas ambientais que existiam, amiúde, em algumas estações de rádio, propusemos nos aventurar á três horas de rádio por semana para falar da ecologia, entenda-se, num sentido restrito o ambiente, e as suas variadas vertentes. Proposta entregue, volta e meia, projecto aceite. Corria o ano de 1999, Janeiro. Com o companheiro Alfredo Vilar, na técnica, também ele um ambientalista de gema, começámos a empreitada ambientalista. Propusemos ao gestor da Rádio 2000, o veterano Horácio Reis, começar dali a duas semanas. Neste interim, publicidade com anúncios do programa eram lançados ao éter. E lá reunimos as ideias lançando o programa. Um ano depois, os resultados eram altamente visíveis. Palestramos em escolas, associamo-nos a Juventude Ecológica de Angola, alguns escolhidos foram á Universidade de Rhodes na Africa do sul frequentar estudos em cobertura jornalística ambiental, entre outros ganhos. Realizamos inúmeras expedições ambientais ao interior da Huíla, corremos o Namibe e Tombwa, mas falhamos o desejo de ir ao Cunene . Este período de graça do ECOLOGIA E SUAS VERTENTES durou ate 2002 quando abraçámos a vida profissional, efectivamente em Luanda. Mas o projecto vincou e resistiu meses. Mas hoje aquele programa ficou em saudades. O programa das segundas-feiras a noite foi substituído por outro de um seita religiosa. E que o dinheiro da seita parece ter mais valor que os ditames do ambiente, mais valor que a ECOLOGIA E AS SUAS VERTENTES. ....

sexta-feira, agosto 04, 2006

AMIGOS e ABRAÇOS

L. Kanhanga, jornalista LAC - Luanda Olá M.Vieira, regozijo-me pelo facto. Já lá estive. Força e não te esqueças de ir ao http://olhoatento.blogspot.com JORGE HEITOR, jornalista do PUBLICO, LIsboa Portugal Parabéns pela Serra da Chela, de que comecei a ouvir falar aos 17 anos, sabendo então da existência de Sá da Bandeira (Lubango) e das festas da Senhora do Monte, bem como da escola agrícola do Tchivinguiro. Muito mais tarde, vim a conhecer o Grande Hotel da Huíla, o monumento do Cristo Redentor e o caminho da Leba, rumo ao Namibe, que visitei em finais de 1985. O Liceu Diogo Cão, o Rádio Clube da Huíla e o Instituto Comercial da cidade que em tempos se chamou Sá da Bandeira eram algumas das minhas referências em 1965, quando de Angola ainda só conhecia directamente a cidade de Luanda e a ilha do Mussulo, bem como a pista de karts que havia em Belas. Só em 1982 é que sobrevoei o Cuanza, de helicóptero, e fui até Cambambe. Abraços JH

SENHORA DO MONTE

( Com a devida vénia o texto do meu amigo e confrade Teodoro Albano, VOZ DA AMERICA LUBANGO)
Arrancou no Lubango a 20ª edição das tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte que se assinala todos os anos durante o mês de Agosto, na província da Huíla.Para celebrar este período festivo, várias actividades de âmbito económico, cultural, religioso e desportivo estão agendadas com destaque para a Expo-Huíla 2006, uma iniciativa do empresariado local que visa mostrar a capacidade produtiva da região, a tradicional prova de velocidade automóvel vulgo «200 Kms», e a procissão à padroeira de Nossa de Senhora do Monte um dos pontos altos das festas. O encontro de escritores de renome da praça nacional que se vai tornando já prática incontornável também é aguardado com expectativa para além de diferentes palestras que abordarão temas de interesse público ao longo das festividades. Para esta edição os problemas repetem-se faltam recursos para proporcionar uma festa condigna e faz-se o que estiver ao alcance da organização. O administrador municipal do Lubango, Virgílio Tyova, é de opinião que pela dimensão que as tradicionais festas da Nossa Senhora do Monte vêm tomando é altura do governo angolano institucionalizar a actividade, o que passaria por um orçamento próprio. «As dificuldades são sempre as mesmas e resumem-se sempre na falta de recursos para o comité e resume-se sobretudo na falta de reconhecimento pelo estado angolano pelo governo angolano da natureza de utilidade pública destas festas, porque, são festas que têm 102 anos estão a fazer agora 103 portanto me parece que já era altura de institucionalizarmos estas festas e serem e serem entendidas como um evento de utilidade pública». Apesar de ir na sua 20ª edição, as tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte começaram a ser celebradas já no tempo colonial, mas só a partir do ano de 1986 começou a verdadeira contagem. Por causa das festas e apesar do frito que se faz sentir nesta altura do ano, Lubango é neste momento local de paragem obrigatória para turistas, porque as festas trazem consigo várias oportunidades não apenas de negócios, mas também de diversão.
( Teodoro Albano )
Vejo sempre com incontida emoção as imagens, que volta e meia, são passadas pela TV. Apesar do sentimento, de pura expectativa que de mim se apossa, a fustração, faz o resto, depois. E a explicação afigura-se simples. Na anseia de ver obra feita, os olhos são de tal maneira arregalados, desbotados mesmo. E nada. Nada porque a terra que me viu nascer, ainda continua com o mesmo ar rural de sempre. Apesar de ter sido erguida muito antes do Lubango , por exemplo, muito mais cedo zonas há que se mostram mais densevolvidas, a velha Caconda dos famosos Távoras, continua uma sombra de si mesma. E as desoladas imagens de areas que lembram ao diabo da guerra, são as mais mostradas. Injusto seria dizer que nada se faz. Mas convém também garantir - porque conhecemos com que linhas se cosem as nossas ideias de governação - que muito se poderia fazer. Zonas como o Cruzeiro, Mario Moutinho, Clube e outras que fizeram as delicias na nossa infância, continuam no caos que a guerra lançou, mas tambem nos dias de hoje, na incoerência de quem manda. Se não fosse o banco privado que ai se instalou, o estratégico municipio que se acha a meio caminho entre o Lubango e o Huambo, estaria ainda hoje no mapa do quase esquecimento que se apossou das remotas zonas no interior de um dos mais ricos países de Africa.

SUBIDA AO MONTE

Como dizia em tempos um velho amigo, que conhecia o Lubango só de TV e revistas, “ a nossa senhora do monte é um ex libris que se resume no natural. Sem grandes artifícios da vida moderna”. Claro que o meu velho amigo tinha razão. A conversa já tem anos. A Senhora do Monte evoluiu, cresceu e modernizou-se. Serve isto para dizer que , chegamos ( quatro dias contam-se) ao mês que os huilanos mais gostam, desculpem o exagero, devido a festa de nossa senhora do monte. Da pouca informacao que chega a Luanda, fica a referência de que a “comissão de festas” lança-se desenfreadamente na luta por festas que se querem felizes, tal como nos bons velhos tempos. Programas elaborados, com algum dinheiro e quejandos. O próprio para momentos de lazer e negócios. Feira, musica e o programa religioso estão na molde cima. Mas o que mais me chama a atenção é a EXPO HUILA devido a realizacão em Luanda da FILDA na ultima semana. O evento tem lugar no final do mês. O pessoal do marketing já o apoda de a maior bolsa de negócios do sul de Angola. Nada mais justo. Falei demoradamente com uma dessas “ especialistas em propaganda”, na FILDA, que me explicou as nuances da feira. Mas para falar a verdade deve-se aqui procurar piscar o olhos os grandes magnatas estacionados em Luanda. São eles que têm o dinheiro. São eles que podem investir. Se se esperar apenas pelos empresarios da zona, a “subida ao monte” pode ter alegria desta vez, mas vai falta o dinheiro que leva investimentos. O vil metal necessário ao desenvolvimento que tanto esperamos para as terras da Chela.

PREDADORES

“ O problema de Kaposso e que havia tubaroes mais gordos ou mais fortes”. Esta é uma das passagens do ultimo romance do celebre Pepetela que me fez refletir. Das muitas modas que vemos, a mais incomoda é a clara delapidação (material e moral) que os angolanos sofrem. O roubo é descarado, aberto. As “ comichões” inexplicadas, a gatunagem aberta e a vontade de enriquecer sem justificação é e hoje um passo snob de afirmação social na minha Angola. A referência, de Pepe aos “ Kapossos” dos nossos dias não devia ser melhor abordada na historia romanceada que um dos nossos “camões” faz na sua obra. São cerca de 390 paginas da recambolesca historia de um novo rico. O homem não olha a meios para cumprir com o seu objectivo, ou seja, engordar as custas de um povo minguante. A historia do homem que até muda de nome para parecer mais partidário; muda ainda de local de nasciemnto para ser proximo da terra do primeiro chefe. Mas Kaposso faz mais. Rouba, corrompe, mata, burla, afasta do seu caminho aqueles que pensa serem um incómodo. Come tudo e nada deixa para os demias. O glutão do Kaposso esquece-se, porém, de estudar, de aprender. Só sabe mandar. Pepetela é pois sublime nesta narracão. O predador moderno que sabe que pode virar presa. O predador que conhece outros, mas contudo mais gordos e mais fortes. Grave. O romance que acabei de ler, pela segunda vez, faz- me olhar para sociedade contemporânea angolana. Uma obra recomendavel. Um humano com sentido animalesco vira um voraz predador. Cuidado com os “ nossos” ...

A ULTIMA TABÚA DE SALVAÇÃO?

Primeiro dialogo, secreto. Depois dialogo semi aberto, só com gente previamente seleccionada. Nada de observacao internacional, da igreja, do povo. Afinal é cantilena quase oficial “ os angolanos já provaram serem maduros”. Mais um passo e novas conversas, mas desta vez com o toque de que cavalheiros se entedem melhor. Sorrisos distribuidos a rodos, palmadinhas nas costas e compromisso selado. Agora sim, a pompa e a circusntancia que o momento exigia. Poucos voos domesticos, pois todo mundo devia seguir as terras deserticas. Toda a gente: Igreja, politicos- os da situação e os opositores - os críticos do regime e os de ocasião. Todos. Corpo diplomatico chamado a preceito. Todos arregimentados para ir ao Namibe, mas sem pensar na welvitchia. A abertura que os “ cavalheiros” não garantiram, agora é real. Bonito. Havia a necessidade de se lançar um ar de credibilidade que um acordo deste tamanho deve ter, para dar ao país e ao mundo a garantia de que daqui para frente as coisas já não serão como dantes. A tabúa de salvação para o fim dos tiros está lançada, mas é a historia que vai provar que os “cavalheiros” afinal têm muita razão. A história vai dizer se realmente os que perderam o comboio do diálogo são apenas aqueles que ficaram na estacão ferroviária a espera que tudo acontecesse. Ai sim saberemos que a razão nunca pode estar penturada na ponta de um fuzil....

quinta-feira, agosto 03, 2006

DICA

Se sentíssemos o que dizemos, falaríamos menos e sentíamos mais." Um pedinte de Nova York

JORNALISMO PROFISSAO OU ARTE

BREVES NOTAS Uma profissão define-se profissão como um exercício habitual de uma actividade económica com o fim ultimo de a ter como meio de vida, portanto remunerada. É também definida como um oficio, uma ocupação. Já uma arte é descrita, pelo dicionário da língua portuguesa, como a aplicação do saber á obtenção de resultados práticos, sobretudo quando aliado ao engenho, ou habilidade. 1 Tendo em conta as duas definições, uma actividade como o jornalismo nos seus vastos limites pode ser aliada a profissão à arte. Se a arte e a profissão caminharem de mãos dadas, o sucesso é indiscutivelmente alcançado pelo executor das tarefas inerentes ao jornalismo, seja ele formado na área, portanto profissional, ou um amante do jornalismo, autodidacta a quem poderemos chamar de “ artista do jornalismo”. Nesta ultima categoria podemos colocar aqueles profissionais que mesmo sem terem passado por uma escola de formação em jornalismo, tiveram as suas possibilidades de se irem superando, claros mestres em “esculpir” a palavra, descrevendo jornalisticamente dados acontecimentos na sua zona de actuação social. A primeira opção tem bons resultados e por tem sido aplicada nas sociedades desenvolvidas onde os seus membros têm um alto nível de formação académica. Onde a comunidade intelectual é a maioria. E a segunda opção é aplicada nas sociedades pouco alfabetizadas, onde os valores morais encontram-se desmoronados em vias disso, ( dada as funções de alerta e éticas que têm os meios de comunicação social – neste caso a rádio) cfr Mauro Wolf; Teoria da Comunicação, 2000. 2 O jornalismo como qualquer actividade do ramo das artes liberais exige aprumo, profissionalismo e mestria para o bem da sociedade. Com uma classe mal formada, tosca ou carente de preceitos ético - deontológicos, fica a perder profundamente a sociedade. Já com uma classe profissional, formada, conhecedora das suas obrigações a sociedade fica a ganhar. Os ganhos sociais podem ser aferidos por uma populações conhecedora de factos, argumentados ou não, mas contudo bem delineados. Desta forma a sociedade analisa os fenómenos sociais de uma melhor maneira. Ernest Hemingway, celebre escritor americano, que ganhou um prémio nobel comentava a influencia do manual de redacção nas seguintes palavras: “ essas regras foram as melhores que aprendi sobre a arte de escrever. Jamais s esqueci. Nenhum homem de talento, que sente e escreve honestamente sobre o facto que está querendo descrever, pode deixar de escrever bem, se as observar”. 3 No entanto, o estilo é nos jornais uma palavra de dupla significação. Refere-se as regras gramaticais e, também, pode aludir á maneira individual de escrever. 3 A favor daqueles que criticam o “ livro de estilo” funciona um argumento: as exigências das normas de redacção controlam a coragem dos redactores, interessados em desenvolver um estilo jornalístico mais agradável. Diz-se, muitas vezes, aos candidatos a jornalistas que o importante não é saber escrever, em definitivo. Um mestre de jornalismo costuma mesmo afirmar que há jornalistas que não escrevem e há pessoas que escrevem e que não são jornalistas. Por outro lado, a reflexão sobre os procedimentos de trabalho, a arte de separar o trigo do joio, o noticiavel e não noticiavel, é tanto mais importante quanto esta é também uma profissão de grande exposição pública e pressão constante. O jornalista pode passar 20 anos a construir uma reputação e perdê-la em 20 segundos ao noticiar uma mentira ou cometer um erro grave. Cuidado, rigor, e o cumprimento estrito dos procedimentos deontológicos são a única forma de prevenir tais riscos. Um jornalista também deve ter sempre presente, e não deixar que isso abale a sua capacidade de decidir como e em que circunstâncias informar, que quando se noticiam situações em que há interesses em conflito agradar a gregos e troianos é impossível - e mesmo, agradar, as mais das vezes, não é sequer desejável. Se tal suceder, constitui pelo menos razão para rever os procedimentos e opções tomadas, ainda que para concluir que foram adequados. POR MANUEL VIEIRA

sábado, julho 29, 2006

TUNDAVALA, A OBRA DA CHELA

Angola, Tundavala É como voar sem tirar os pés do chão. É uma vertigem e uma emoção. É esmagador, mete medo. É o fim do Mundo. Para se chegar ao abismo da Tundavala, é preciso fazer cerca de 15 quilómetros por estradas de terra batida desde a cidade do Lubango. Acho que não há quem não os faça. Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa. Só lá estive uma vez, em 1986. Fui ao Lubango com o Paulo Dentinho. Lá fizemos parte de três episódios da série “Os Que Não Voltaram”, que a RTP exibiu no ano seguinte, se a memória não me falha. Naquele tempo, viajar em Angola era uma aventura. A guerra retalhou o país e viajava-se como se Angola fosse um arquipélago. Cada cidade, uma ilha. Para ir de ilha em ilha, só de avião ou integrado em colunas militares. Essa viagem foi feita, como já antes expliquei aqui, sob escuta e escolta de diligentes funcionários públicos angolanos. De modo que, quando fomos levados à Tundavala por um dos portugueses que viviam no Lubango (um dos tais que não voltaram), ele chamou-nos a atenção, disfarçadamente, para o chão. Era um terreno arenoso, de areia clara. Enterrou a biqueira do sapato e, lentamente, trouxe à superfície uma cápsula de bala de kalashnikov. Durante o resto do tempo que passámos ali, eu e o Paulo dedicámo-nos a desenterrar mais cápsulas, disfarçadamente. Eram muitas. Eram a evidência dos fuzilamentos que se fizeram ali, à beira daquele precipício. Já nos tinham dito que, lá em baixo, no fundo da ravina com mais de mil metros, estavam muitos corpos de vítimas da violência política. Tínhamos duvidado mas, a partir daquele dia, passámos a acreditar. POR CARLOS NARCISO

terça-feira, julho 25, 2006

CADA UM DE NÓS

Bom isto as vezes acontece. Devido ao bulicio social, o stress de todos os dias e quejandos, esqueci-me de de "dizer" que o texto a abaixo é de autoria da minha amiga e confrade KOMBA. Ai está a ressalta. o " CADA UM DE NÓS" é da JOsefina Komba. até já....

CADA UM DE NÓS

Cada um de nós tem a sua responsabilidade na solução dos problemas que enfrentamos nos dias de hoje. Hoje vou poder compartilhar consigo a realidade da cidade virtual A minha cidade virtual é habitada maioritariamente por crianças e jovens que exercem agricultura apicultura e a pesca artesanal. A cidade virtual é uma zona com construções coloniais embora com presença tímida ainda são visíveis por aquelas paragens no meio de tanta beldade e muitas dificuldades mesmo assim no rosto de cada um dos habitantes a simpatia e a humildade são bem patentes .. Na mesma vila havia uma familia muito humilde e pobre que não tinha condições para poder sustentar a única filha que tinham(A pequena esperança)mesmo com as inúmeras dificuldades que os papás da Esperança enfrentavam, Ela mesmo assim frequentava a escola e estava a fazer a segunda classe, ela ia as aulas toda empuerada suja e sempre com o mesmo vestido, o professor de Esperança apercebeu-se que a menina era diferente das outras crianças da zona porque ela ia sempre com a mesma roupa as aulas...No belo dia professor de Esperança juntou o seu pacato salário e pegou em alguns Kwanzas comprou um vestido cor de Rosa novo para a menina e ofereceu-a com muito amor e carinho,lá esperança saiu aos pulos toda alegre da escola e foi a casa toda animada e disse aos Pais “Papá e mamá” o meu professor ofereceu-me este lindo vestido até que fim hoje vou me sentir fofinha ,ela sorria brincava como se fosse o único dia mais alegre da sua vida. A pequena Esperança já não era a mesma criança desde daquela data, ia mais preparadazinha limpinha e alegre as aulas...No desses dias o Pai da pequena disse a sua esposa, veja só a nossa menina está mais Linda e bem arrumada embora nós não tenhamos muito apartir de hoje vamos mudar o visual da nossa casinha, sejamos mais higiénicos vamos plantar mais arvores e vamos manter sempre o nosso quintal bem mais limpo vamos nós organizar mais, mesmo só com bocadinho que temos...o tempo foi s passando e parecia que a vila estava a renascer mesmo com os diversos problemas que a população da cidade virtual enfrentava...os vizinhos também começaram a emitir a atitude dos pais da Esperança a zona ficou toda toda verde com lindas paisagens toda bem limpinha e bem organizada.. algumas residências eram feitas de chapa, outras de capim e existem outras ainda que tinham argila como a sua principal matéria de construção... o papá da Esperança desde daquela altura passou a ser o responsável da zona, as iniciativas eram bués... lá a comunidade marcou um encontro com as autoridades locais, com objectivo de colaborarem e apresentar algumas propostas para o desenvolvimento da comunidade, conversa daqui da aculá,,, vários projectos foram implementados a cidade virtual foi crescendo crescendo a cada dia.. Escolas, centro de saúde, infra-estruturas e muito mais coisas foram construidas...Até hoje a cidade virtual é limpa organizada e bem sucedida. Um pequeno gesto as vazes vale muito. Se cada um de nós olhar para o nosso irmão do nosso lado o mundo fica melhror? Será?? Pelo menos eu sinto-me feliz por cada uma das oportunidades que tenho de conversar, de debater e aprender a cada dia.. Afinal de contas que papel cada um de nós desempenha na solução dos problemas que enfrentamos? Será que primeiro precisamos identificar estes Problemas. Quais são eles, Então? Definidos alguns deles, eu penso que precisamos saber como colectivamente podemos participar da solução deles.. E porque o dialogo ajuda a trocar ideias, abre a mente e anula preconceitos.. Conversei com alguns cambas de quase tudo desde as dificuldades que nós os jovens enfrentamos e os problemas nacionais, por incrível que pareça encontrem respostas comuns. De forma mais comum, encontrei a violência, questão da qualidade dos serviços públicos, a miséria, o desemprego e outros problemas da mesma linha. Entre todos estes problemas que vinham como resposta a minha conversa – a minha indagação – houve uma que quero compartilhar consigo porque, apesar de ser única, identifica um problema que pode estar na raiz de todos os demais. Fiquei a pensar no quanto ela tinha razão. Comprovadamente, temos problemas com a educação, com a saúde, com a segurança pública, com a falta de esperança dos jovens, com a falta de atenção para com os idosos, com o aumento dos impostos, com o desperdício de dinheiro público, com a corrupção, com o pouco acesso aos benefícios da justiça. Agora · A quem cabe votar os orçamentos que destinam recursos para a educação, saúde, justiça etc...? · A quem cabe criar as leis? · A quem cabe designar os funcionários que vão atender a população ou que vão garantir o exercício pleno da cidadania?

sábado, julho 22, 2006

A banda? Mas onde fica a banda???

Conheci um budjurra, lá na tuga, esteve em Angola e conheceu as 18 províncias, mas voltou decepcionado porque não chegou a conhecer a "Banda". - Vocês falam tanto da banda, mas em que parte de Angola fica ela então? Interrogou ele. . Talvez, nem nós, os puros mangolés, saibamos explicar a definição ou localização da banda, porque, para nós a banda não se define nem se vê, ela sente-se quando o Boing 747 da Taag abre a sua porta e aquela quentura empoeirada toca-nos a pele. . Não importa se vens da Tuga, USA, da South ou do Brasil... A banda sente-se ali naquele tapete rolante do Aeroporto 4 de Fevereiro, quando vamos pegar as malas e encontramos a mistura de passageiros e bagagens entre Lisboa/Luanda e Kinshasa/Luanda, ou de Johannesburg/Luanda e Ponta Negra/Luanda, tremenda confusão e de repente uma gostosa falha de energia na sala de desembarque. Sente-se na neblina de poeira naquela comprida avenida que sai do aeroporto até ao Largo da Maianga, onde nos cruzamos com um Hiace azul e branco e um Hammer H2 amarelo ao mesmo tempo. Sente-se nos ambulantes que te batem no vidro com a dica «cota temos todas as novidades, é só escolher» ou «tio olha o cheirinho pro boter, esse é mesmo do puro», no engarrafamento provocado pela nova onda da construção das pontes ou túneis, como alguns dizem. . Quando chegamos a casa, sentimos a banda assim que ligamos a TV e nos deparamos com a emissão da Globo ao invés da TPA que estávamos a espera. Daquele cheiro do bagre fumado ou do funge quentinho que vem lá da cozinha, do som que vem da rádio com as novidades musicais que estão a bater em determinada altura, da 1ª conversa com os cambas em que nos contam as novidades tintim por tintim; os novos calões que estão a bater, a nova forma de dançar kuduro ou tarraxinha, a praia e disco que tão na moda e muitas outras dicas, insignificantes para alguns mas importantes para todos nós que queremos ver ou sentir a Banda. Muitos, podem entender "banda" como uma dica que os angolanos inventaram para dizerem que foram ou vão para Angola, mas se assim pensam é porque não apanharam a dica! . Pra Angola, qualquer madiê pode bazar... Um tuga, brazuca, santolas ou chinoca que agora vêm pra cá aos montes; mas pra Banda, humhum, só mesmo nós sabemos o caminho para aquele "paraíso" empoeirado. Eu, até já pensei em abrir uma agência de turismo, única e exclusivamente para levar turistas e não só, a conhecerem a banda. Mas como? A par das questões do kumbu, há uma mais complicada que me estraga a ideia de negócio. Onde fica a Banda!? Por vezes, penso que sou "bandense", porque angolanos de BI. e passaporte existem muitos, basta querer sê-lo acompanhado de alguns dólares e já está; agora "bandense", não é para quem quer nem para quem pode, é só para quem é! Ali, onde se sente a dificuldade em que alguns vivem, mas que todos se riem independentemente do nível de vida que têm. Ali sim está a Banda. A nossa, tua, a minha banda!!! Por: Ngoi Salucumbo (Salucumbo Jr.) PUBLICADO NO BLOG DESABAFOS ANGOLANOS

NAMORADO

"Quem năo tem namorado é alguém que tirou férias de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhaçăo, de pele, de saliva, de lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiriu, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixăo é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado năo precisa ser o mais bonito, mas aquele a que se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteçăo. A proteçăo năo precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira; basta um olhar de compreensăo ou mesmo afliçăo. Quem năo tem namorado năo é quem năo tem amor: é quem năo sabe o gosto de namorar. Se vocę tem tręs pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim năo pode ter namorado. Năo tem namorado quem năo sabe o gosto da chuva, cinema, sessăo das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Năo tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou largatixa e quem ama sem alegria. Năo tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Năo tem namorado quem năo sabe o valor de măos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Năo tem namorado quem năo gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Năo tem namorado quem năo redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Năo tem namorado quem năo tem música secreta com ele, quem năo dedica livros, quem năo recorta artigos, quem năo chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Năo tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Năo tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Năo tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigaçőes; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Năo tem namorado quem confunde solidăo com ficar sozinho e em paz. Năo tem namorado quem năo fala sozinho, năo ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se vocę năo tem namorado porque năo descobriu que o amor é alegre e vocę vive pesando duzentos quilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de măos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricçőes de esperança. De alma escovada e coraçăo estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intençőes de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chăo estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se vocę năo tem namorado porque ainda năo enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido." por: Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, julho 21, 2006

Gente que Sofre

A vida as vezes é tão complexa e muita estranha nunca sabemos o que nós vai acontecer daqui para frente. BILL GATES alguém que eu muito admiro, o dono da Microsoft “A vida existe”Basta acreditar. Pós bem ela existe com espinhos e rosas, doces e amargos momentos ...uns a sorrir outros a chorar e outros ainda nem ai ai ,, com se tem dito vivem vindas tem tudo a sua volta desde dos grandes carros até a vida boa, risos...nem se quer sabem o que é sofrimento..... Hoje vou compartilhar consigo uma pequena realidade que eu pode conhecer e viver . O meu amigo é um pequeno jovem de 18 anos de idade natural de Luanda, jovem triste batalhador e sofredor...o meu amigo começou a sofrer desde os seus quatro anos, porque foi forçado abandonar a sua querida mãe, família não digo porque ele diz não saber o que é o alicerce nessa vida “Família”. Aos quatro anos foi raptado por alguém desconhecido deixou a cidade capital e foi parar até a cidade da serra da Chela “Huila” onde infelizmente começou desde sedo a fazer trabalhos esforçados contra a sua vontade, a cor do dinheiro ele até já conhecia naquela altura porque tinha que fazer alguns negócios para poder beneficiar os adultos que lhe tinha sob tutela .Lá o tempo foi passando passando como melhor remédio para os dias que estavam por vir. Apesar das dificuldades e dos atropelos que enfrentamos nessa longa caminha da vida deus está sempre presente entre nós. Felizmente com o andar de muitos anos ele consegui reencontrar a sua amada e linda mãe,( éee muito gira porque o meu amigo apresentou-me pela fotografia) lá ele juntou-se aos seus manos depois de muitos anos fora da escola diz o meu amigo naquela época parecia que a sua paz e alegria estavam de volta na sua vida.... ummmm com certeza que vç está a se questionar e o Pai do jovem???? Pós o meu amigo conheceu o seu Pai muito tarde aliás os Pais dele já eram separados naquela altura conta o meu amigo que desde sempre nunca contou com o carinho e amor paternal porque o senhor Pai do meu amigo sempre foi uma pessoa distanciada dos filhos.... Como sempre as nossas Mães(diga-se de passagem o nosso maior presente e as nossas protectoras)a mamusca do meu amigo sempre consegui dar o que comer aos seus filhos não era muito mas dava para sustentar os seu ricos filhos(risos.. porque o meu amigo é uma rica pessoa diga-se abono da verdade) quer dizer a pobre senhora era Mãe e Pai ao mesmo tempo....Mesmo com muitos problemas que enfrentavam a senhora estava sempre ai para tudo que podia acontecr dando Educação amor afecto carinho aos seus tesouros...... E as coisas foram andando andado com Deus quis. E como a vida é uma partida de futebol, cada competição é uma nova experiência como se não basta-se o meu amigo infelizmente perde a Mãe.... Aiiiii que situação triste e delicada coitado do meu amigo ,tinha que passar mais uma fase dura da sua vida... Apesar das amarguras e dessabores que a vida nós oferece em algumas circunstâncias, o Pai celestial dono do céu e da terra está sempre por perto para nós ajudar e continuar acreditar, lá o meu amigo graças a Deus consegui controlar a situação e apontar novos rumos para a sua vida...As dificuldades não ficaram de fora ao longo da caminhada, dai que o pequeno jovem teve que se juntar a uma das suas tia, segundo ele nunca existiu uma relação sadia como aquela parente, mas como não havia outra alternativa o meu amigo começou a viver com a titia Irma da Mãe, a relação como nunca foi boa as dificuldades eram bués(como se diz na gíria) mesmo assim ele continuo a viver com a tal titia porque já não havia outra alternativa as coisas foram acontecendo por incrível que pareça ele teve que interromper novamente os estudos ficou sem estudar e sem fazer nada na vida. O meu amigo escreve nos seus tempos livres musicas do estilo Kuduro e ele rima bem até ver-me sentir um pouquinho daquilo que ele sabe fazer, amigo de quase todos os jovens do seu bairro, mas como existem algumas pessoas contra a paz social (convivência Humana)um dos seus vizinhos no dia desses achou que devia criar confusão com o meu amigo ,criou uma situação feia de luta e de agregação sem meias medidas o tal vizinho ao longo da briga achou que tinha que pegar numa bruta pedra e dar nos rins do meu amigo, como ele não gostava de confusão lá ele ignorou e deixou passar as coisas....mas como a pancada foi muito forte, com andar dos dias as dores feias começaram a tomar conta da saúde do pequeno jovem ele já não era a mesma pessoa não conseguia andar em condições nem poder fazer outras coisas.. a titia com quem ele vivia nada faziam e nem estava nem ai,o meu amigo tentou falar com ela por e simplesmente ele disse o seguinte isso é passageiro não precisamos de fazer tanta confusão isto fica entre nós,,, O meu amigo coitado já não sai só ficava na cama porque estava impossibilitado com as fortes dores que ele sentia.....E como se não basta-se o vizinho culpado de tudo isso gozava com a cara do meu amigo achava-se valente e grande homem por lhe por assim incapaz....Outros jovens da sua faixa estaria lá da zona tbem faziam pouco... divertiam-se com o estado nele e era descriminado por outros. E como não somos todos iguais ,felizmente um dos seus melhores amigo não o abandonou quando ele mais precisava de uma santa alma.. muitas coisas feias foram acontecendo na vida do meu amigo ele teve que abandonar a casa da titia porque nada mudava ,e a situação agravava-se a cada dia....o pai do amigo do meu amigo santo senhor acolheu o pequeno jovem e dentro das suas possibilidades tenta tudo fazer para ver alegria no meu amigo de volta ele tornou-se uma pessoa triste sozinha abandonado e desacreditada ele diz tanta coisa que toca a sensibilidade de qualquer um .... mas ele diz não ter rancor do vizinho que lhe pôs assim, o que o meu amigo mais quer é uma ajuda, embora ele diga precisar mais de apoio moral do que monetário diz ele sentir a falta de amor de carinho e de afecto das pessoas, já que a única tia que ele conhece não lhe proporciona esses momentos. Voltar a ser o mesmo, ter simpatia nós lábios, estar reunido com os cambas, e jogar futebol com os vizinhos são alguns desejos do meu amigo,,,, e tantas coisas mais.... O que será do meu amigo daqui para frente???? JOSEFINA KOMBA

terça-feira, julho 18, 2006

operação Kissonde: Lundas e os direitos humanos

Rodelho André Cambala tinha 31 anos e era natural de Cafunfo. No dia 7 de Janeiro encontrava-se numa das margens do rio Cuango com outros garimpeiros de diamantes. Uma patrulha da empresa de segurança Alfa5 surpreendeu-os e disparou. Rodelho foi atingido na cabeça e morreu. O seu corpo só foi recuperado dois dias depois por pescadores. Tinha sido amarrado a uma pedra e atirado para o fundo do rio. Este é um dos muitos casos que o jornalista angolano Rafael Marques investigou no distrito do Cuango, na província da Lunda-Norte, e que consta do relatório Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria, que hoje será apresentado, ao final da tarde, no Instituto para a Democracia e Liberdade - Instituto Amaro da Costa, em Lisboa. São quase 90 páginas repletas de exemplos que atestam a violação sistemática dos direitos humanos no Cuango, onde a lei e a ordem são impostas pelas sociedades de extracção de diamantes - nas quais o Estado angolano tem uma participação directa através da Endiama - e pelas empresas de segurança que lhes estão associadas. A maioria das quais pertencem a ex-generais das Forças Armadas Angolanas (FAA), como França N'Dalu ou João de Matos, dois antigos chefes do Estado- -Maior-General das FAA. Sem que Luanda interfira. "O Governo", lê-se nas conclusões do relatório, "é responsável pela transferência da acção de combate ao garimpo para as empresas de segurança sem que, para o efeito, tenha estabelecido os procedimentos de fiscalização e a delimitação legal dos seus actos. Na prática, o Governo privatizou a violência a favor das empresas privadas de segurança." Em causa está, essencialmente, o comportamento que tem sido evidenciado por três sociedades de extracção de diamantes e três empresas privadas de segurança, que dividem a região do Cuango entre si. No sector do Cufunfo está a Sociedade Mineira do Cuango, associada à Teleservice. Uma empresa de segurança que, segundo Rafael Marques, detém o monopólio dos serviços de segurança das petrolíferas que actuam em Angola, contando entre os seus clientes com a Sonangol, Total, Chevron-Texaco e Halliburton, às quais se juntam a De Beers e a Sociedade Mineira do Lucapa (Lunda-Sul) no domínio dos diamantes. Já no Luremo encontram-se a Sociedade Mineira Luminas e a K&P Mineira, enquanto a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro (SDM) e a Alfa5 actuam no sector adjacente à capital administrativa do Cuango. Ainda que Rafael Marques tenha constatado agora uma evolução na actuação da Polícia Nacional face a 2004 (período contemplado no relatório Lundas - As Pedras da Morte, que o jornalista e activista dos direitos humanos elaborou com o jurista Rui Falcão de Campos), o facto é que o Cuango continua entregue às empresas privadas de segurança. Originando situações dramáticas, em que as populações são impedidas de se dedicar às suas actividades tradicionais (agricultura, pesca ou comércio), criando-se uma realidade que as impede de sobreviver sem que recorram à ilegalidade. Exemplo disso foi o que sucedeu a Francisco Pinto e a Óscar Neves no dia 20 de Abril. Guardas da K&P impediram o primeiro de pescar no rio Lumonhe com o argumento de que o rio e os peixes também faziam parte da concessão da SMC, tendo sido agredido até perder os sentidos. Já o segundo foi agredido à coronhada por seguranças da Teleservice que o apanharam a tomar banho no rio, como sempre fizera. "O rio também tinha sido concessionado." Publicado no jornal Português Diario de Noticias Link: Rafael Marques

No coração do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os orgãos do país ( o que é raro) , enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião publica, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uige, até então fustigado por um virus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação ( mesmo medonha) ao aparecimento de um virus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o margurg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorragica matava rapido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de radio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uige está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimonias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão.Luvas, gorros e batas se haver necessidade.Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos reportes de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O virus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passavamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemovel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A ecclesia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local.È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda.Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior é um problema para os escribas. Novo tarbalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos aos hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares.Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e o competente regresso ao Uige. São cerc de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tonica central há medo, mas há vida no Uige. Conferencia de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitavel quando uma equipa vai ao terreno buscar cadaveres. Noticia aterradora, eram membros da mesma familia. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de obito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadaveres são enterrados em valas comuns, por tecnicos de saude. As vezes o virus mata todos os membros da mesma familia, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo á bicilheta. decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitavel. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de tarablaho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estomâgo e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a rumagem rapída ao aeroporto.Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uige está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uige, voltar a falar ( muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o virus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rapida. Mvieira

Operação Kissonde : investigação

Rodelho André Cambala tinha 31 anos e era natural de Cafunfo. No dia 7 de Janeiro encontrava-se numa das margens do rio Cuango com outros garimpeiros de diamantes. Uma patrulha da empresa de segurança Alfa5 surpreendeu-os e disparou. Rodelho foi atingido na cabeça e morreu. O seu corpo só foi recuperado dois dias depois por pescadores. Tinha sido amarrado a uma pedra e atirado para o fundo do rio. Este é um dos muitos casos que o jornalista angolano Rafael Marques investigou no distrito do Cuango, na província da Lunda-Norte, e que consta do relatório Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria, que hoje será apresentado, ao final da tarde, no Instituto para a Democracia e Liberdade - Instituto Amaro da Costa, em Lisboa. São quase 90 páginas repletas de exemplos que atestam a violação sistemática dos direitos humanos no Cuango, onde a lei e a ordem são impostas pelas sociedades de extracção de diamantes - nas quais o Estado angolano tem uma participação directa através da Endiama - e pelas empresas de segurança que lhes estão associadas. A maioria das quais pertencem a ex-generais das Forças Armadas Angolanas (FAA), como França N'Dalu ou João de Matos, dois antigos chefes do Estado- -Maior-General das FAA. Sem que Luanda interfira. "O Governo", lê-se nas conclusões do relatório, "é responsável pela transferência da acção de combate ao garimpo para as empresas de segurança sem que, para o efeito, tenha estabelecido os procedimentos de fiscalização e a delimitação legal dos seus actos. Na prática, o Governo privatizou a violência a favor das empresas privadas de segurança." Em causa está, essencialmente, o comportamento que tem sido evidenciado por três sociedades de extracção de diamantes e três empresas privadas de segurança, que dividem a região do Cuango entre si. No sector do Cufunfo está a Sociedade Mineira do Cuango, associada à Teleservice. Uma empresa de segurança que, segundo Rafael Marques, detém o monopólio dos serviços de segurança das petrolíferas que actuam em Angola, contando entre os seus clientes com a Sonangol, Total, Chevron-Texaco e Halliburton, às quais se juntam a De Beers e a Sociedade Mineira do Lucapa (Lunda-Sul) no domínio dos diamantes. Já no Luremo encontram-se a Sociedade Mineira Luminas e a K&P Mineira, enquanto a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro (SDM) e a Alfa5 actuam no sector adjacente à capital administrativa do Cuango. Ainda que Rafael Marques tenha constatado agora uma evolução na actuação da Polícia Nacional face a 2004 (período contemplado no relatório Lundas - As Pedras da Morte, que o jornalista e activista dos direitos humanos elaborou com o jurista Rui Falcão de Campos), o facto é que o Cuango continua entregue às empresas privadas de segurança. Originando situações dramáticas, em que as populações são impedidas de se dedicar às suas actividades tradicionais (agricultura, pesca ou comércio), criando-se uma realidade que as impede de sobreviver sem que recorram à ilegalidade. Exemplo disso foi o que sucedeu a Francisco Pinto e a Óscar Neves no dia 20 de Abril. Guardas da K&P impediram o primeiro de pescar no rio Lumonhe com o argumento de que o rio e os peixes também faziam parte da concessão da SMC, tendo sido agredido até perder os sentidos. Já o segundo foi agredido à coronhada por seguranças da Teleservice que o apanharam a tomar banho no rio, como sempre fizera. "O rio também tinha sido concessionado." Publicado no jornal Português Diario de Noticias

UIGE: no coração do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os orgãos do país ( o que é raro) , enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião publica, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uige, até então fustigado por um virus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação ( mesmo medonha) ao aparecimento de um virus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o margurg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorragica matava rapido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de radio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uige está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimonias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão.Luvas, gorros e batas se haver necessidade.Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos reportes de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O virus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passavamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemovel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A ecclesia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local.È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda.Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior é um problema para os escribas. Novo tarbalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos aos hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares.Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e o competente regresso ao Uige. São cerc de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tonica central há medo, mas há vida no Uige. Conferencia de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitavel quando uma equipa vai ao terreno buscar cadaveres. Noticia aterradora, eram membros da mesma familia. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de obito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadaveres são enterrados em valas comuns, por tecnicos de saude. As vezes o virus mata todos os membros da mesma familia, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo á bicilheta. decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitavel. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de tarablaho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estomâgo e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a rumagem rapída ao aeroporto.Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uige está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uige, voltar a falar ( muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o virus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rapida. Mvieira

1RATO NO SOTÃO - memorias UIGE: no coração do Marburg

2005

segunda-feira, julho 17, 2006

AGORA..... a partilha!

Recebi da minha confrade e amiga JOSEFINA mais um email.... Só que este serve para partilhar com os leitores deste nosso espaço. Eis as letras da jovem. ( rsss) Oi Pessoal::: sem querer ser longa,vou contar csigo para um momento de reflexação,com as minhas inocentes e timidas, gotas de ânimo para descobrir as coisas simples da vida. Viver não basta é preciso viver feliz Nunca culpe ninguém,nem se queixe de nada nem dos outros porque somente voçê faz a sua vida Qualquer momento é bom para começar,e nenhum é tão terrivel para desistir Maturidade o que é afinal? Maturidade:é humildade é ter a coragem de reconhecer quando se está enganado ou, se a razão estiver do nosso lado,não exprimentar a satisfação de dizer "Eu Avisei"... Sei querer já ia me esquecendo,,risos..... prometi não ser longa..então até a proxima JKomba

Enfim, turismo, sol e ferias

Vêm aí as festas de Nossa Senhora do Monte. Muitos huilanos recordam-se, antes do descaso a que foram voltadas as maiores festas popularesda região sul do país, o que significavam as palavras " LUbango - turismo, sol e ferias". Tudo começava, com o cacimbo a anunciar-se, nos finais de Maio. A sociedade civil era mobilizada. Os professores e seus alunos, os padres e os seus fieis, em fim,os governantes e os governados. As festas com duas vertentes fundamentais arrancavam de facto em Agosto. Mas antes do " pontapé de saida", uma equipa- como soe dizer-se - " multisectorial" tomava posse para um mês de arduo trabalho e sacrificio que só terminavam no ultimo dia do mês mais festivo da historia da cidade mumuíla. Mas para a nossa desgraça, de 2001 em diante o descaso, o abandono tomaram conta das festas realizadas num dos pontos turisticos mais difundidos de toda a Angola, conhecido por complexo turistico e desportivo " 10 de Dezembro". Muitos perguntarão , quais as causas reais ou imaginarias que estarão por detrás do insucesso ou desinteresse nas festas? Podemos responder, pois como jornalistas pôdemos na altura testemunhar: as autoridades mudaram de atitude. Deixaram de subvensionar o evento. Deixaram tudo para uma emergente sociedade civil. Em alguns pontos deficiente. Mas, estejam tranquilos! Algo foi feito. Más com o bum da paz, o empresariado huilano cresceu. O parque industrial reergue-se. A esperança estampada permanentemente no olhar da mumuíla da Chibia voltou. Já há alento. Bom no proximo dia 1 volta o turismo, sol e ferias. Voltam os cantares para procissão do dia 15. O roncar dos motores para os "tradicionalissemos" 200 Kms da Huila em automilismo. Volta a feira agro pecuaria. Para mim tudo isso, agora em 2006 está de volta, mas com uma lagrima no canto do olho. Vou visitar a cidade da serra da chela, cobrir o evento mais importante na historia anual de muita gente naquelas terras altas, frias e amenas, mas sem o sabor do directo porque os tempos da comercial ficaram para trás a quatro anos! Só me resta dizer que dessa vez será mesmo " Enfim, turismo, sol e FERIAS".

1 rato no sotão - memórias

1998, fronteira Angola-Congo. O Mercedes Benz A primeira vez que entrei no Congo, foi por aquela ponte. Do lado de lá é Angola. Atravessei a ponte dentro de um Mercedes Benz sem chapa de matrícula, conduzido por um soldado do exército angolano que, à falta de chave de ignição, usava uma ligação directa para por o motor em funcionamento. A caixa de velocidades tinha as habituais 5 mudanças, mas o soldado só usava as duas primeiras. Hábitos estranhos. No lado congolês, em Matadi, havia uma barreira da polícia para fiscalizar veículos e identidades, mas o soldado angolano fez questão de acelerar e furar a barreira, enquanto gritava pela janela. A excursão tinha um único objectivo: mostrar-nos quem mandava ali. O exército angolano tinha uma base militar em Matadi, no Congo. Dali controlavam boa parte da fronteira e impediam, assim, que a UNITA continuasse a utilizar o Congo como santuário protector. Foi uma táctica inteligente dos generais angolanos que, deste modo, levaram a frente de batalha para fora do território angolano. Em 1998, a UNITA, apesar de ainda controlar a maior parte do território angolano, já não conseguia sair do mato e começava a ter problemas logísticos significativos. Em todo o território angolano, naquela época, a UNITA já só mantinha os bastiões históricos da Jamba, nas Terras do Fim do Mundo e, no Planalto, as localidades do Andulo e Bailundo e pouco mais. O condutor do Mercedes Benz chamava-se a si mesmo “o soldado inteligente”. Via-se que gostava do poder que aquele volante significava. Reconheci naquele homem, a mesma ganância que já tinha visto (e voltei a ver, até hoje) em directores e adjuntos que, noutras latitudes, fazem coisas aparentadas, apenas porque também gostam do volante do Mercedes Benz que o patrão lhes põe nas mãos. Texto publicado no blog do jornalista Carlos Narciso em Portugal blogda-se.blogspot.com

segunda-feira, julho 10, 2006

POR DENTRO

Capital: Lubango Área: 79.022 km2 População: 1.078.215 hab. Municípios: 14 - Quilengues, Lubango, Humpata, Chibia, Chiange, Quipungo, Caluquembe, Caconda, Chicomba, Matala, Jamba, Chipindo, Kuvango Clima: Tropical, Semi-árido Agricultura: Agricultura e criação de gado são as principais riquezas. Outros Produtos: Produtos industrializados

A HISTORIA DAS CINCO MIL CASAS OU UM EMBUSTE QUE SE CHAMA " HUILA"

Li com redobrada atenção a noticias do oficioso, redigida pelo meu " companheiro de rota" o confrade Arão Martins e depois retomada pelo portal Angonoticias, que a dada altura referia que " o governo de Ramos da Cruz, anuncia que serão construidas cinco mil casas em um ano". Bom, nada mais digno. Confesso que a alegria que senti de inicio, ia minguando quando dezenas de questões assaltavam a minha já stressada mente. Bom para começar, uma semelhança com Luanda, pois os homens lá da serra da chela apanhar a expressão " cidade satelite", o já gasto nome - cantilena para designar o vilarejo de Viana. O local escolhido, para erger essas milhares de casas, a meio caminho entre o Lubango e a Chibia, no sentido sul, pareceu-me agradavel, mas, como dizia o outro " há sempre um mais". A noticia nunca referiu ter sido feito um estudo de viabilidade, ou pelo menos não foi divulgado. Houve concurso publico? Não será que empresas proximas de quem manda vão mais uma vez abocanhar este negocio que tem tudo para ser rentavel? O plano é de modernização da cidade, mas porque é que se esquece o resto do Lubango e se opta por " esticar" a cidade no sentido sul? Conversei com os meus botões e pensei cá comigo: Mas uma vez se optou pelo modelo que está a ser levado a cabo aqui em Luanda. Alargar a cidade, desafogando o centro e fazendo desses condominios locais proprios para servirem apenas como "dormitorios"... Será que os que mandam no Lubango, conhecem os problemas que Luanda vive por se construirem casas lá para Viana, Luanda- Sul, Talatona, KIkuxi sem levar infra estruturas de apoio á população. A norma em Luanda é construir e nada de levar serviços administrativos basicos. Consequência: às manhas é um "Deus nos acuda". Todo o mundo vai para a estrada, engarrafa as vias, aumenta o stress, limita a capacidade de trabalho diário e matam-nos lentamente. Será que é tão dificil para os " muatas" do Lubango,conhecerem esta realidade. Muitos deles até têm casa em Luanda, deviam conhecer esta realidade. Se me fosse pedido um conselho, seria este que dava: Antes de construir estudem as viabilidades. Caso contrario, melhorem a Mitcha, densevolcvam a senhora do monte, melhorem o tal famigerado plano director. Caso contario, manos, este será mais um embuste.... dos tantos que conhecemos.

HUILA: Porque?

normamelmente é incondicional oa nosso amor a terra que nos viu nascer. talvez por isso, e as vezes remando contra a maré da vida, procuramos saber de tudo e de todos que se referem, bem ou mal, ao tal local de nascença. Pode pacere tardio, mais é com essa, rapida, justificação que declaro que neste blog a Huila, terra linda, terá sempre um lugar. Vamos, neste espaço, cogitar, reflectir, questionar, procurar obter mais informação ou noticias sobre esta provincia do sul do país, que dá pelo nome de Huila. A Huila, com os seus 14 municipios um sem numero de comunas e centenas de povoações remotas e escondidas. A Huila, com os seus encantos - que bem aproveitamos para conhecer e apreciar- as suas desgraças, os seus mitos, as tradições e a governação. Um espaço de intervenção, quiça debate sobre os " Huilanos de gema". Um espaço de homenagem à aqueles que com o seu vigor, as suas ideias, longe do compadrio erguem a Huila e lutam todos os dias para que seja um bom lugar para se viver. Intervenha, pois a Huila, o lubango e não só, precisa de nós.