segunda-feira, agosto 07, 2006

JULGAMENTO DO MESTRE

LUBANGO 1996. O dicionário que uso, define mestre como um especialista numa ciência ou arte ou ainda, no sentido geral, vulgar, aquele que ensina. Tive dois grandes mestres: para a arte do bem falar locução, um jovem no longínquo ano de 1995 de nome Joaquim Armando. Com cultura geral acima da média, ele sempre me pareceu intrépido. Tinha outro mestre, na área de redacção. Chama se Rebelo Veiga, um jornalista de missão, mas bancário hoje, acredito, por opção. O bicho da rádio vai voltar a incomodar, tenho fé. Mas o Armando, o tal jovem intrépido, marcou-me profundamente pois aos 16 anos, eu nunca podia imaginar que um julgamento pudesse ser tão mediático naqueles dias. Tempos duros, guerra em acção e a imprensa a fazer fé nos discursos da época. Numa dessas manhas frias de cacimbo rigoroso da Serra da Chela, com o carro móvel denominado azulão, o Armando cruzou mais uma vez a cidade de lés a lés testemunhando mais um nascer do dia, as obras, a agenda dos que mandam, os acontecimentos, os preços e claro a vida nocturna em clara referencia ao dia anterior. Era segunda feira, na noite de domingo num dos pubs mais populares da altura, um sonorizador da Rádio Huíla tinha sido detido. A acusação era simples: Estando na mesma diversão que o general governador, terá barrado a passagem do todo poderoso. A guarda, qual pretoriana, intercepta o camarada; O técnico de som é detido. Assim mesmo, sem apelo nem agravo… A arbitrariedade é denunciada para todos os cantos pelo meu primeiro mestre. Ele estava na festa, mas impotente, perante as armas da arrogância da guarda pretoriana, usa apenas os microfones como a arma da denuncia. Dai, foi um passo para ser intimado pelo crime de difamação contra o dito cujo. Atentado contra a figura e por ai… . A tragicomédia estava lançada. O jornalista é chamado á depor e vai a julgamento. Como jovem estagiário nunca poderia perder aquele momento. Se não estou em duvida foi um dos primeiros julgamentos de um “escriba” em Angola em tempos de democracia. Na sessão fiquei com a impressão que o juiz queria trucidar o jornalista. Perguntas matreiras, mas respostas precisas. Um espectáculo que durou duas eternas horas. No fim absolvição, por falta de provas. Mas o réu foi condenado a uma ligeira multa. Entendi, depois, que era uma forma do poder judicial não abafar o poder do general governador. Mas o meu mestre, mantinha um ar quase inabalado depois do espectáculo. Levou um colete azul do labor diário, trocou-o por um paletó cor de vinho a entrada do tribunal, trazido pela namorada. Depois da vitoria, a comemoração. Mas senti que o aviso estava lançado aos demais escribas contra supostas ousadias. O poder também sentia que qualquer “ queixa” não significa prisão para o réu. Os tempos mudaram. a Velha senhora ficou com a morte do poder popular. Nunca tive a oportunidade, vontade mesmo, de lhe perguntar o que sentiu na hora dos apertos do juiz. Espero faze-lo e recordar os meus velhos tempos de caloiro nas lides radiofónicas na Rádio Huíla - RNA onde a ousadia era punida severamente.....

ECOLOGIA E SUAS VERTENTES

O título soa desencontrado, grande demais. Mas este foi um dos mais importantes projectos informativos ambientais da cidade do Lubango. Duração três horas, doseado com o que de bom se faz na arte de compor sons, agradáveis ao ouvido, em suma a musica soul. Visivelmente inspirados em programas ambientais que existiam, amiúde, em algumas estações de rádio, propusemos nos aventurar á três horas de rádio por semana para falar da ecologia, entenda-se, num sentido restrito o ambiente, e as suas variadas vertentes. Proposta entregue, volta e meia, projecto aceite. Corria o ano de 1999, Janeiro. Com o companheiro Alfredo Vilar, na técnica, também ele um ambientalista de gema, começámos a empreitada ambientalista. Propusemos ao gestor da Rádio 2000, o veterano Horácio Reis, começar dali a duas semanas. Neste interim, publicidade com anúncios do programa eram lançados ao éter. E lá reunimos as ideias lançando o programa. Um ano depois, os resultados eram altamente visíveis. Palestramos em escolas, associamo-nos a Juventude Ecológica de Angola, alguns escolhidos foram á Universidade de Rhodes na Africa do sul frequentar estudos em cobertura jornalística ambiental, entre outros ganhos. Realizamos inúmeras expedições ambientais ao interior da Huíla, corremos o Namibe e Tombwa, mas falhamos o desejo de ir ao Cunene . Este período de graça do ECOLOGIA E SUAS VERTENTES durou ate 2002 quando abraçámos a vida profissional, efectivamente em Luanda. Mas o projecto vincou e resistiu meses. Mas hoje aquele programa ficou em saudades. O programa das segundas-feiras a noite foi substituído por outro de um seita religiosa. E que o dinheiro da seita parece ter mais valor que os ditames do ambiente, mais valor que a ECOLOGIA E AS SUAS VERTENTES. ....

sexta-feira, agosto 04, 2006

AMIGOS e ABRAÇOS

L. Kanhanga, jornalista LAC - Luanda Olá M.Vieira, regozijo-me pelo facto. Já lá estive. Força e não te esqueças de ir ao http://olhoatento.blogspot.com JORGE HEITOR, jornalista do PUBLICO, LIsboa Portugal Parabéns pela Serra da Chela, de que comecei a ouvir falar aos 17 anos, sabendo então da existência de Sá da Bandeira (Lubango) e das festas da Senhora do Monte, bem como da escola agrícola do Tchivinguiro. Muito mais tarde, vim a conhecer o Grande Hotel da Huíla, o monumento do Cristo Redentor e o caminho da Leba, rumo ao Namibe, que visitei em finais de 1985. O Liceu Diogo Cão, o Rádio Clube da Huíla e o Instituto Comercial da cidade que em tempos se chamou Sá da Bandeira eram algumas das minhas referências em 1965, quando de Angola ainda só conhecia directamente a cidade de Luanda e a ilha do Mussulo, bem como a pista de karts que havia em Belas. Só em 1982 é que sobrevoei o Cuanza, de helicóptero, e fui até Cambambe. Abraços JH

SENHORA DO MONTE

( Com a devida vénia o texto do meu amigo e confrade Teodoro Albano, VOZ DA AMERICA LUBANGO)
Arrancou no Lubango a 20ª edição das tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte que se assinala todos os anos durante o mês de Agosto, na província da Huíla.Para celebrar este período festivo, várias actividades de âmbito económico, cultural, religioso e desportivo estão agendadas com destaque para a Expo-Huíla 2006, uma iniciativa do empresariado local que visa mostrar a capacidade produtiva da região, a tradicional prova de velocidade automóvel vulgo «200 Kms», e a procissão à padroeira de Nossa de Senhora do Monte um dos pontos altos das festas. O encontro de escritores de renome da praça nacional que se vai tornando já prática incontornável também é aguardado com expectativa para além de diferentes palestras que abordarão temas de interesse público ao longo das festividades. Para esta edição os problemas repetem-se faltam recursos para proporcionar uma festa condigna e faz-se o que estiver ao alcance da organização. O administrador municipal do Lubango, Virgílio Tyova, é de opinião que pela dimensão que as tradicionais festas da Nossa Senhora do Monte vêm tomando é altura do governo angolano institucionalizar a actividade, o que passaria por um orçamento próprio. «As dificuldades são sempre as mesmas e resumem-se sempre na falta de recursos para o comité e resume-se sobretudo na falta de reconhecimento pelo estado angolano pelo governo angolano da natureza de utilidade pública destas festas, porque, são festas que têm 102 anos estão a fazer agora 103 portanto me parece que já era altura de institucionalizarmos estas festas e serem e serem entendidas como um evento de utilidade pública». Apesar de ir na sua 20ª edição, as tradicionais festas de Nossa Senhora do Monte começaram a ser celebradas já no tempo colonial, mas só a partir do ano de 1986 começou a verdadeira contagem. Por causa das festas e apesar do frito que se faz sentir nesta altura do ano, Lubango é neste momento local de paragem obrigatória para turistas, porque as festas trazem consigo várias oportunidades não apenas de negócios, mas também de diversão.
( Teodoro Albano )
Vejo sempre com incontida emoção as imagens, que volta e meia, são passadas pela TV. Apesar do sentimento, de pura expectativa que de mim se apossa, a fustração, faz o resto, depois. E a explicação afigura-se simples. Na anseia de ver obra feita, os olhos são de tal maneira arregalados, desbotados mesmo. E nada. Nada porque a terra que me viu nascer, ainda continua com o mesmo ar rural de sempre. Apesar de ter sido erguida muito antes do Lubango , por exemplo, muito mais cedo zonas há que se mostram mais densevolvidas, a velha Caconda dos famosos Távoras, continua uma sombra de si mesma. E as desoladas imagens de areas que lembram ao diabo da guerra, são as mais mostradas. Injusto seria dizer que nada se faz. Mas convém também garantir - porque conhecemos com que linhas se cosem as nossas ideias de governação - que muito se poderia fazer. Zonas como o Cruzeiro, Mario Moutinho, Clube e outras que fizeram as delicias na nossa infância, continuam no caos que a guerra lançou, mas tambem nos dias de hoje, na incoerência de quem manda. Se não fosse o banco privado que ai se instalou, o estratégico municipio que se acha a meio caminho entre o Lubango e o Huambo, estaria ainda hoje no mapa do quase esquecimento que se apossou das remotas zonas no interior de um dos mais ricos países de Africa.

SUBIDA AO MONTE

Como dizia em tempos um velho amigo, que conhecia o Lubango só de TV e revistas, “ a nossa senhora do monte é um ex libris que se resume no natural. Sem grandes artifícios da vida moderna”. Claro que o meu velho amigo tinha razão. A conversa já tem anos. A Senhora do Monte evoluiu, cresceu e modernizou-se. Serve isto para dizer que , chegamos ( quatro dias contam-se) ao mês que os huilanos mais gostam, desculpem o exagero, devido a festa de nossa senhora do monte. Da pouca informacao que chega a Luanda, fica a referência de que a “comissão de festas” lança-se desenfreadamente na luta por festas que se querem felizes, tal como nos bons velhos tempos. Programas elaborados, com algum dinheiro e quejandos. O próprio para momentos de lazer e negócios. Feira, musica e o programa religioso estão na molde cima. Mas o que mais me chama a atenção é a EXPO HUILA devido a realizacão em Luanda da FILDA na ultima semana. O evento tem lugar no final do mês. O pessoal do marketing já o apoda de a maior bolsa de negócios do sul de Angola. Nada mais justo. Falei demoradamente com uma dessas “ especialistas em propaganda”, na FILDA, que me explicou as nuances da feira. Mas para falar a verdade deve-se aqui procurar piscar o olhos os grandes magnatas estacionados em Luanda. São eles que têm o dinheiro. São eles que podem investir. Se se esperar apenas pelos empresarios da zona, a “subida ao monte” pode ter alegria desta vez, mas vai falta o dinheiro que leva investimentos. O vil metal necessário ao desenvolvimento que tanto esperamos para as terras da Chela.

PREDADORES

“ O problema de Kaposso e que havia tubaroes mais gordos ou mais fortes”. Esta é uma das passagens do ultimo romance do celebre Pepetela que me fez refletir. Das muitas modas que vemos, a mais incomoda é a clara delapidação (material e moral) que os angolanos sofrem. O roubo é descarado, aberto. As “ comichões” inexplicadas, a gatunagem aberta e a vontade de enriquecer sem justificação é e hoje um passo snob de afirmação social na minha Angola. A referência, de Pepe aos “ Kapossos” dos nossos dias não devia ser melhor abordada na historia romanceada que um dos nossos “camões” faz na sua obra. São cerca de 390 paginas da recambolesca historia de um novo rico. O homem não olha a meios para cumprir com o seu objectivo, ou seja, engordar as custas de um povo minguante. A historia do homem que até muda de nome para parecer mais partidário; muda ainda de local de nasciemnto para ser proximo da terra do primeiro chefe. Mas Kaposso faz mais. Rouba, corrompe, mata, burla, afasta do seu caminho aqueles que pensa serem um incómodo. Come tudo e nada deixa para os demias. O glutão do Kaposso esquece-se, porém, de estudar, de aprender. Só sabe mandar. Pepetela é pois sublime nesta narracão. O predador moderno que sabe que pode virar presa. O predador que conhece outros, mas contudo mais gordos e mais fortes. Grave. O romance que acabei de ler, pela segunda vez, faz- me olhar para sociedade contemporânea angolana. Uma obra recomendavel. Um humano com sentido animalesco vira um voraz predador. Cuidado com os “ nossos” ...

A ULTIMA TABÚA DE SALVAÇÃO?

Primeiro dialogo, secreto. Depois dialogo semi aberto, só com gente previamente seleccionada. Nada de observacao internacional, da igreja, do povo. Afinal é cantilena quase oficial “ os angolanos já provaram serem maduros”. Mais um passo e novas conversas, mas desta vez com o toque de que cavalheiros se entedem melhor. Sorrisos distribuidos a rodos, palmadinhas nas costas e compromisso selado. Agora sim, a pompa e a circusntancia que o momento exigia. Poucos voos domesticos, pois todo mundo devia seguir as terras deserticas. Toda a gente: Igreja, politicos- os da situação e os opositores - os críticos do regime e os de ocasião. Todos. Corpo diplomatico chamado a preceito. Todos arregimentados para ir ao Namibe, mas sem pensar na welvitchia. A abertura que os “ cavalheiros” não garantiram, agora é real. Bonito. Havia a necessidade de se lançar um ar de credibilidade que um acordo deste tamanho deve ter, para dar ao país e ao mundo a garantia de que daqui para frente as coisas já não serão como dantes. A tabúa de salvação para o fim dos tiros está lançada, mas é a historia que vai provar que os “cavalheiros” afinal têm muita razão. A história vai dizer se realmente os que perderam o comboio do diálogo são apenas aqueles que ficaram na estacão ferroviária a espera que tudo acontecesse. Ai sim saberemos que a razão nunca pode estar penturada na ponta de um fuzil....

quinta-feira, agosto 03, 2006

DICA

Se sentíssemos o que dizemos, falaríamos menos e sentíamos mais." Um pedinte de Nova York

JORNALISMO PROFISSAO OU ARTE

BREVES NOTAS Uma profissão define-se profissão como um exercício habitual de uma actividade económica com o fim ultimo de a ter como meio de vida, portanto remunerada. É também definida como um oficio, uma ocupação. Já uma arte é descrita, pelo dicionário da língua portuguesa, como a aplicação do saber á obtenção de resultados práticos, sobretudo quando aliado ao engenho, ou habilidade. 1 Tendo em conta as duas definições, uma actividade como o jornalismo nos seus vastos limites pode ser aliada a profissão à arte. Se a arte e a profissão caminharem de mãos dadas, o sucesso é indiscutivelmente alcançado pelo executor das tarefas inerentes ao jornalismo, seja ele formado na área, portanto profissional, ou um amante do jornalismo, autodidacta a quem poderemos chamar de “ artista do jornalismo”. Nesta ultima categoria podemos colocar aqueles profissionais que mesmo sem terem passado por uma escola de formação em jornalismo, tiveram as suas possibilidades de se irem superando, claros mestres em “esculpir” a palavra, descrevendo jornalisticamente dados acontecimentos na sua zona de actuação social. A primeira opção tem bons resultados e por tem sido aplicada nas sociedades desenvolvidas onde os seus membros têm um alto nível de formação académica. Onde a comunidade intelectual é a maioria. E a segunda opção é aplicada nas sociedades pouco alfabetizadas, onde os valores morais encontram-se desmoronados em vias disso, ( dada as funções de alerta e éticas que têm os meios de comunicação social – neste caso a rádio) cfr Mauro Wolf; Teoria da Comunicação, 2000. 2 O jornalismo como qualquer actividade do ramo das artes liberais exige aprumo, profissionalismo e mestria para o bem da sociedade. Com uma classe mal formada, tosca ou carente de preceitos ético - deontológicos, fica a perder profundamente a sociedade. Já com uma classe profissional, formada, conhecedora das suas obrigações a sociedade fica a ganhar. Os ganhos sociais podem ser aferidos por uma populações conhecedora de factos, argumentados ou não, mas contudo bem delineados. Desta forma a sociedade analisa os fenómenos sociais de uma melhor maneira. Ernest Hemingway, celebre escritor americano, que ganhou um prémio nobel comentava a influencia do manual de redacção nas seguintes palavras: “ essas regras foram as melhores que aprendi sobre a arte de escrever. Jamais s esqueci. Nenhum homem de talento, que sente e escreve honestamente sobre o facto que está querendo descrever, pode deixar de escrever bem, se as observar”. 3 No entanto, o estilo é nos jornais uma palavra de dupla significação. Refere-se as regras gramaticais e, também, pode aludir á maneira individual de escrever. 3 A favor daqueles que criticam o “ livro de estilo” funciona um argumento: as exigências das normas de redacção controlam a coragem dos redactores, interessados em desenvolver um estilo jornalístico mais agradável. Diz-se, muitas vezes, aos candidatos a jornalistas que o importante não é saber escrever, em definitivo. Um mestre de jornalismo costuma mesmo afirmar que há jornalistas que não escrevem e há pessoas que escrevem e que não são jornalistas. Por outro lado, a reflexão sobre os procedimentos de trabalho, a arte de separar o trigo do joio, o noticiavel e não noticiavel, é tanto mais importante quanto esta é também uma profissão de grande exposição pública e pressão constante. O jornalista pode passar 20 anos a construir uma reputação e perdê-la em 20 segundos ao noticiar uma mentira ou cometer um erro grave. Cuidado, rigor, e o cumprimento estrito dos procedimentos deontológicos são a única forma de prevenir tais riscos. Um jornalista também deve ter sempre presente, e não deixar que isso abale a sua capacidade de decidir como e em que circunstâncias informar, que quando se noticiam situações em que há interesses em conflito agradar a gregos e troianos é impossível - e mesmo, agradar, as mais das vezes, não é sequer desejável. Se tal suceder, constitui pelo menos razão para rever os procedimentos e opções tomadas, ainda que para concluir que foram adequados. POR MANUEL VIEIRA

sábado, julho 29, 2006

TUNDAVALA, A OBRA DA CHELA

Angola, Tundavala É como voar sem tirar os pés do chão. É uma vertigem e uma emoção. É esmagador, mete medo. É o fim do Mundo. Para se chegar ao abismo da Tundavala, é preciso fazer cerca de 15 quilómetros por estradas de terra batida desde a cidade do Lubango. Acho que não há quem não os faça. Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa. Só lá estive uma vez, em 1986. Fui ao Lubango com o Paulo Dentinho. Lá fizemos parte de três episódios da série “Os Que Não Voltaram”, que a RTP exibiu no ano seguinte, se a memória não me falha. Naquele tempo, viajar em Angola era uma aventura. A guerra retalhou o país e viajava-se como se Angola fosse um arquipélago. Cada cidade, uma ilha. Para ir de ilha em ilha, só de avião ou integrado em colunas militares. Essa viagem foi feita, como já antes expliquei aqui, sob escuta e escolta de diligentes funcionários públicos angolanos. De modo que, quando fomos levados à Tundavala por um dos portugueses que viviam no Lubango (um dos tais que não voltaram), ele chamou-nos a atenção, disfarçadamente, para o chão. Era um terreno arenoso, de areia clara. Enterrou a biqueira do sapato e, lentamente, trouxe à superfície uma cápsula de bala de kalashnikov. Durante o resto do tempo que passámos ali, eu e o Paulo dedicámo-nos a desenterrar mais cápsulas, disfarçadamente. Eram muitas. Eram a evidência dos fuzilamentos que se fizeram ali, à beira daquele precipício. Já nos tinham dito que, lá em baixo, no fundo da ravina com mais de mil metros, estavam muitos corpos de vítimas da violência política. Tínhamos duvidado mas, a partir daquele dia, passámos a acreditar. POR CARLOS NARCISO

terça-feira, julho 25, 2006

CADA UM DE NÓS

Bom isto as vezes acontece. Devido ao bulicio social, o stress de todos os dias e quejandos, esqueci-me de de "dizer" que o texto a abaixo é de autoria da minha amiga e confrade KOMBA. Ai está a ressalta. o " CADA UM DE NÓS" é da JOsefina Komba. até já....

CADA UM DE NÓS

Cada um de nós tem a sua responsabilidade na solução dos problemas que enfrentamos nos dias de hoje. Hoje vou poder compartilhar consigo a realidade da cidade virtual A minha cidade virtual é habitada maioritariamente por crianças e jovens que exercem agricultura apicultura e a pesca artesanal. A cidade virtual é uma zona com construções coloniais embora com presença tímida ainda são visíveis por aquelas paragens no meio de tanta beldade e muitas dificuldades mesmo assim no rosto de cada um dos habitantes a simpatia e a humildade são bem patentes .. Na mesma vila havia uma familia muito humilde e pobre que não tinha condições para poder sustentar a única filha que tinham(A pequena esperança)mesmo com as inúmeras dificuldades que os papás da Esperança enfrentavam, Ela mesmo assim frequentava a escola e estava a fazer a segunda classe, ela ia as aulas toda empuerada suja e sempre com o mesmo vestido, o professor de Esperança apercebeu-se que a menina era diferente das outras crianças da zona porque ela ia sempre com a mesma roupa as aulas...No belo dia professor de Esperança juntou o seu pacato salário e pegou em alguns Kwanzas comprou um vestido cor de Rosa novo para a menina e ofereceu-a com muito amor e carinho,lá esperança saiu aos pulos toda alegre da escola e foi a casa toda animada e disse aos Pais “Papá e mamá” o meu professor ofereceu-me este lindo vestido até que fim hoje vou me sentir fofinha ,ela sorria brincava como se fosse o único dia mais alegre da sua vida. A pequena Esperança já não era a mesma criança desde daquela data, ia mais preparadazinha limpinha e alegre as aulas...No desses dias o Pai da pequena disse a sua esposa, veja só a nossa menina está mais Linda e bem arrumada embora nós não tenhamos muito apartir de hoje vamos mudar o visual da nossa casinha, sejamos mais higiénicos vamos plantar mais arvores e vamos manter sempre o nosso quintal bem mais limpo vamos nós organizar mais, mesmo só com bocadinho que temos...o tempo foi s passando e parecia que a vila estava a renascer mesmo com os diversos problemas que a população da cidade virtual enfrentava...os vizinhos também começaram a emitir a atitude dos pais da Esperança a zona ficou toda toda verde com lindas paisagens toda bem limpinha e bem organizada.. algumas residências eram feitas de chapa, outras de capim e existem outras ainda que tinham argila como a sua principal matéria de construção... o papá da Esperança desde daquela altura passou a ser o responsável da zona, as iniciativas eram bués... lá a comunidade marcou um encontro com as autoridades locais, com objectivo de colaborarem e apresentar algumas propostas para o desenvolvimento da comunidade, conversa daqui da aculá,,, vários projectos foram implementados a cidade virtual foi crescendo crescendo a cada dia.. Escolas, centro de saúde, infra-estruturas e muito mais coisas foram construidas...Até hoje a cidade virtual é limpa organizada e bem sucedida. Um pequeno gesto as vazes vale muito. Se cada um de nós olhar para o nosso irmão do nosso lado o mundo fica melhror? Será?? Pelo menos eu sinto-me feliz por cada uma das oportunidades que tenho de conversar, de debater e aprender a cada dia.. Afinal de contas que papel cada um de nós desempenha na solução dos problemas que enfrentamos? Será que primeiro precisamos identificar estes Problemas. Quais são eles, Então? Definidos alguns deles, eu penso que precisamos saber como colectivamente podemos participar da solução deles.. E porque o dialogo ajuda a trocar ideias, abre a mente e anula preconceitos.. Conversei com alguns cambas de quase tudo desde as dificuldades que nós os jovens enfrentamos e os problemas nacionais, por incrível que pareça encontrem respostas comuns. De forma mais comum, encontrei a violência, questão da qualidade dos serviços públicos, a miséria, o desemprego e outros problemas da mesma linha. Entre todos estes problemas que vinham como resposta a minha conversa – a minha indagação – houve uma que quero compartilhar consigo porque, apesar de ser única, identifica um problema que pode estar na raiz de todos os demais. Fiquei a pensar no quanto ela tinha razão. Comprovadamente, temos problemas com a educação, com a saúde, com a segurança pública, com a falta de esperança dos jovens, com a falta de atenção para com os idosos, com o aumento dos impostos, com o desperdício de dinheiro público, com a corrupção, com o pouco acesso aos benefícios da justiça. Agora · A quem cabe votar os orçamentos que destinam recursos para a educação, saúde, justiça etc...? · A quem cabe criar as leis? · A quem cabe designar os funcionários que vão atender a população ou que vão garantir o exercício pleno da cidadania?

sábado, julho 22, 2006

A banda? Mas onde fica a banda???

Conheci um budjurra, lá na tuga, esteve em Angola e conheceu as 18 províncias, mas voltou decepcionado porque não chegou a conhecer a "Banda". - Vocês falam tanto da banda, mas em que parte de Angola fica ela então? Interrogou ele. . Talvez, nem nós, os puros mangolés, saibamos explicar a definição ou localização da banda, porque, para nós a banda não se define nem se vê, ela sente-se quando o Boing 747 da Taag abre a sua porta e aquela quentura empoeirada toca-nos a pele. . Não importa se vens da Tuga, USA, da South ou do Brasil... A banda sente-se ali naquele tapete rolante do Aeroporto 4 de Fevereiro, quando vamos pegar as malas e encontramos a mistura de passageiros e bagagens entre Lisboa/Luanda e Kinshasa/Luanda, ou de Johannesburg/Luanda e Ponta Negra/Luanda, tremenda confusão e de repente uma gostosa falha de energia na sala de desembarque. Sente-se na neblina de poeira naquela comprida avenida que sai do aeroporto até ao Largo da Maianga, onde nos cruzamos com um Hiace azul e branco e um Hammer H2 amarelo ao mesmo tempo. Sente-se nos ambulantes que te batem no vidro com a dica «cota temos todas as novidades, é só escolher» ou «tio olha o cheirinho pro boter, esse é mesmo do puro», no engarrafamento provocado pela nova onda da construção das pontes ou túneis, como alguns dizem. . Quando chegamos a casa, sentimos a banda assim que ligamos a TV e nos deparamos com a emissão da Globo ao invés da TPA que estávamos a espera. Daquele cheiro do bagre fumado ou do funge quentinho que vem lá da cozinha, do som que vem da rádio com as novidades musicais que estão a bater em determinada altura, da 1ª conversa com os cambas em que nos contam as novidades tintim por tintim; os novos calões que estão a bater, a nova forma de dançar kuduro ou tarraxinha, a praia e disco que tão na moda e muitas outras dicas, insignificantes para alguns mas importantes para todos nós que queremos ver ou sentir a Banda. Muitos, podem entender "banda" como uma dica que os angolanos inventaram para dizerem que foram ou vão para Angola, mas se assim pensam é porque não apanharam a dica! . Pra Angola, qualquer madiê pode bazar... Um tuga, brazuca, santolas ou chinoca que agora vêm pra cá aos montes; mas pra Banda, humhum, só mesmo nós sabemos o caminho para aquele "paraíso" empoeirado. Eu, até já pensei em abrir uma agência de turismo, única e exclusivamente para levar turistas e não só, a conhecerem a banda. Mas como? A par das questões do kumbu, há uma mais complicada que me estraga a ideia de negócio. Onde fica a Banda!? Por vezes, penso que sou "bandense", porque angolanos de BI. e passaporte existem muitos, basta querer sê-lo acompanhado de alguns dólares e já está; agora "bandense", não é para quem quer nem para quem pode, é só para quem é! Ali, onde se sente a dificuldade em que alguns vivem, mas que todos se riem independentemente do nível de vida que têm. Ali sim está a Banda. A nossa, tua, a minha banda!!! Por: Ngoi Salucumbo (Salucumbo Jr.) PUBLICADO NO BLOG DESABAFOS ANGOLANOS

NAMORADO

"Quem năo tem namorado é alguém que tirou férias de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhaçăo, de pele, de saliva, de lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiriu, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixăo é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado năo precisa ser o mais bonito, mas aquele a que se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteçăo. A proteçăo năo precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira; basta um olhar de compreensăo ou mesmo afliçăo. Quem năo tem namorado năo é quem năo tem amor: é quem năo sabe o gosto de namorar. Se vocę tem tręs pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim năo pode ter namorado. Năo tem namorado quem năo sabe o gosto da chuva, cinema, sessăo das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Năo tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou largatixa e quem ama sem alegria. Năo tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Năo tem namorado quem năo sabe o valor de măos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Năo tem namorado quem năo gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Năo tem namorado quem năo redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Năo tem namorado quem năo tem música secreta com ele, quem năo dedica livros, quem năo recorta artigos, quem năo chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Năo tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Năo tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Năo tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigaçőes; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Năo tem namorado quem confunde solidăo com ficar sozinho e em paz. Năo tem namorado quem năo fala sozinho, năo ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se vocę năo tem namorado porque năo descobriu que o amor é alegre e vocę vive pesando duzentos quilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de măos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricçőes de esperança. De alma escovada e coraçăo estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intençőes de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chăo estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se vocę năo tem namorado porque ainda năo enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido." por: Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, julho 21, 2006

Gente que Sofre

A vida as vezes é tão complexa e muita estranha nunca sabemos o que nós vai acontecer daqui para frente. BILL GATES alguém que eu muito admiro, o dono da Microsoft “A vida existe”Basta acreditar. Pós bem ela existe com espinhos e rosas, doces e amargos momentos ...uns a sorrir outros a chorar e outros ainda nem ai ai ,, com se tem dito vivem vindas tem tudo a sua volta desde dos grandes carros até a vida boa, risos...nem se quer sabem o que é sofrimento..... Hoje vou compartilhar consigo uma pequena realidade que eu pode conhecer e viver . O meu amigo é um pequeno jovem de 18 anos de idade natural de Luanda, jovem triste batalhador e sofredor...o meu amigo começou a sofrer desde os seus quatro anos, porque foi forçado abandonar a sua querida mãe, família não digo porque ele diz não saber o que é o alicerce nessa vida “Família”. Aos quatro anos foi raptado por alguém desconhecido deixou a cidade capital e foi parar até a cidade da serra da Chela “Huila” onde infelizmente começou desde sedo a fazer trabalhos esforçados contra a sua vontade, a cor do dinheiro ele até já conhecia naquela altura porque tinha que fazer alguns negócios para poder beneficiar os adultos que lhe tinha sob tutela .Lá o tempo foi passando passando como melhor remédio para os dias que estavam por vir. Apesar das dificuldades e dos atropelos que enfrentamos nessa longa caminha da vida deus está sempre presente entre nós. Felizmente com o andar de muitos anos ele consegui reencontrar a sua amada e linda mãe,( éee muito gira porque o meu amigo apresentou-me pela fotografia) lá ele juntou-se aos seus manos depois de muitos anos fora da escola diz o meu amigo naquela época parecia que a sua paz e alegria estavam de volta na sua vida.... ummmm com certeza que vç está a se questionar e o Pai do jovem???? Pós o meu amigo conheceu o seu Pai muito tarde aliás os Pais dele já eram separados naquela altura conta o meu amigo que desde sempre nunca contou com o carinho e amor paternal porque o senhor Pai do meu amigo sempre foi uma pessoa distanciada dos filhos.... Como sempre as nossas Mães(diga-se de passagem o nosso maior presente e as nossas protectoras)a mamusca do meu amigo sempre consegui dar o que comer aos seus filhos não era muito mas dava para sustentar os seu ricos filhos(risos.. porque o meu amigo é uma rica pessoa diga-se abono da verdade) quer dizer a pobre senhora era Mãe e Pai ao mesmo tempo....Mesmo com muitos problemas que enfrentavam a senhora estava sempre ai para tudo que podia acontecr dando Educação amor afecto carinho aos seus tesouros...... E as coisas foram andando andado com Deus quis. E como a vida é uma partida de futebol, cada competição é uma nova experiência como se não basta-se o meu amigo infelizmente perde a Mãe.... Aiiiii que situação triste e delicada coitado do meu amigo ,tinha que passar mais uma fase dura da sua vida... Apesar das amarguras e dessabores que a vida nós oferece em algumas circunstâncias, o Pai celestial dono do céu e da terra está sempre por perto para nós ajudar e continuar acreditar, lá o meu amigo graças a Deus consegui controlar a situação e apontar novos rumos para a sua vida...As dificuldades não ficaram de fora ao longo da caminhada, dai que o pequeno jovem teve que se juntar a uma das suas tia, segundo ele nunca existiu uma relação sadia como aquela parente, mas como não havia outra alternativa o meu amigo começou a viver com a titia Irma da Mãe, a relação como nunca foi boa as dificuldades eram bués(como se diz na gíria) mesmo assim ele continuo a viver com a tal titia porque já não havia outra alternativa as coisas foram acontecendo por incrível que pareça ele teve que interromper novamente os estudos ficou sem estudar e sem fazer nada na vida. O meu amigo escreve nos seus tempos livres musicas do estilo Kuduro e ele rima bem até ver-me sentir um pouquinho daquilo que ele sabe fazer, amigo de quase todos os jovens do seu bairro, mas como existem algumas pessoas contra a paz social (convivência Humana)um dos seus vizinhos no dia desses achou que devia criar confusão com o meu amigo ,criou uma situação feia de luta e de agregação sem meias medidas o tal vizinho ao longo da briga achou que tinha que pegar numa bruta pedra e dar nos rins do meu amigo, como ele não gostava de confusão lá ele ignorou e deixou passar as coisas....mas como a pancada foi muito forte, com andar dos dias as dores feias começaram a tomar conta da saúde do pequeno jovem ele já não era a mesma pessoa não conseguia andar em condições nem poder fazer outras coisas.. a titia com quem ele vivia nada faziam e nem estava nem ai,o meu amigo tentou falar com ela por e simplesmente ele disse o seguinte isso é passageiro não precisamos de fazer tanta confusão isto fica entre nós,,, O meu amigo coitado já não sai só ficava na cama porque estava impossibilitado com as fortes dores que ele sentia.....E como se não basta-se o vizinho culpado de tudo isso gozava com a cara do meu amigo achava-se valente e grande homem por lhe por assim incapaz....Outros jovens da sua faixa estaria lá da zona tbem faziam pouco... divertiam-se com o estado nele e era descriminado por outros. E como não somos todos iguais ,felizmente um dos seus melhores amigo não o abandonou quando ele mais precisava de uma santa alma.. muitas coisas feias foram acontecendo na vida do meu amigo ele teve que abandonar a casa da titia porque nada mudava ,e a situação agravava-se a cada dia....o pai do amigo do meu amigo santo senhor acolheu o pequeno jovem e dentro das suas possibilidades tenta tudo fazer para ver alegria no meu amigo de volta ele tornou-se uma pessoa triste sozinha abandonado e desacreditada ele diz tanta coisa que toca a sensibilidade de qualquer um .... mas ele diz não ter rancor do vizinho que lhe pôs assim, o que o meu amigo mais quer é uma ajuda, embora ele diga precisar mais de apoio moral do que monetário diz ele sentir a falta de amor de carinho e de afecto das pessoas, já que a única tia que ele conhece não lhe proporciona esses momentos. Voltar a ser o mesmo, ter simpatia nós lábios, estar reunido com os cambas, e jogar futebol com os vizinhos são alguns desejos do meu amigo,,,, e tantas coisas mais.... O que será do meu amigo daqui para frente???? JOSEFINA KOMBA

terça-feira, julho 18, 2006

operação Kissonde: Lundas e os direitos humanos

Rodelho André Cambala tinha 31 anos e era natural de Cafunfo. No dia 7 de Janeiro encontrava-se numa das margens do rio Cuango com outros garimpeiros de diamantes. Uma patrulha da empresa de segurança Alfa5 surpreendeu-os e disparou. Rodelho foi atingido na cabeça e morreu. O seu corpo só foi recuperado dois dias depois por pescadores. Tinha sido amarrado a uma pedra e atirado para o fundo do rio. Este é um dos muitos casos que o jornalista angolano Rafael Marques investigou no distrito do Cuango, na província da Lunda-Norte, e que consta do relatório Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria, que hoje será apresentado, ao final da tarde, no Instituto para a Democracia e Liberdade - Instituto Amaro da Costa, em Lisboa. São quase 90 páginas repletas de exemplos que atestam a violação sistemática dos direitos humanos no Cuango, onde a lei e a ordem são impostas pelas sociedades de extracção de diamantes - nas quais o Estado angolano tem uma participação directa através da Endiama - e pelas empresas de segurança que lhes estão associadas. A maioria das quais pertencem a ex-generais das Forças Armadas Angolanas (FAA), como França N'Dalu ou João de Matos, dois antigos chefes do Estado- -Maior-General das FAA. Sem que Luanda interfira. "O Governo", lê-se nas conclusões do relatório, "é responsável pela transferência da acção de combate ao garimpo para as empresas de segurança sem que, para o efeito, tenha estabelecido os procedimentos de fiscalização e a delimitação legal dos seus actos. Na prática, o Governo privatizou a violência a favor das empresas privadas de segurança." Em causa está, essencialmente, o comportamento que tem sido evidenciado por três sociedades de extracção de diamantes e três empresas privadas de segurança, que dividem a região do Cuango entre si. No sector do Cufunfo está a Sociedade Mineira do Cuango, associada à Teleservice. Uma empresa de segurança que, segundo Rafael Marques, detém o monopólio dos serviços de segurança das petrolíferas que actuam em Angola, contando entre os seus clientes com a Sonangol, Total, Chevron-Texaco e Halliburton, às quais se juntam a De Beers e a Sociedade Mineira do Lucapa (Lunda-Sul) no domínio dos diamantes. Já no Luremo encontram-se a Sociedade Mineira Luminas e a K&P Mineira, enquanto a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro (SDM) e a Alfa5 actuam no sector adjacente à capital administrativa do Cuango. Ainda que Rafael Marques tenha constatado agora uma evolução na actuação da Polícia Nacional face a 2004 (período contemplado no relatório Lundas - As Pedras da Morte, que o jornalista e activista dos direitos humanos elaborou com o jurista Rui Falcão de Campos), o facto é que o Cuango continua entregue às empresas privadas de segurança. Originando situações dramáticas, em que as populações são impedidas de se dedicar às suas actividades tradicionais (agricultura, pesca ou comércio), criando-se uma realidade que as impede de sobreviver sem que recorram à ilegalidade. Exemplo disso foi o que sucedeu a Francisco Pinto e a Óscar Neves no dia 20 de Abril. Guardas da K&P impediram o primeiro de pescar no rio Lumonhe com o argumento de que o rio e os peixes também faziam parte da concessão da SMC, tendo sido agredido até perder os sentidos. Já o segundo foi agredido à coronhada por seguranças da Teleservice que o apanharam a tomar banho no rio, como sempre fizera. "O rio também tinha sido concessionado." Publicado no jornal Português Diario de Noticias Link: Rafael Marques

No coração do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os orgãos do país ( o que é raro) , enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião publica, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uige, até então fustigado por um virus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação ( mesmo medonha) ao aparecimento de um virus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o margurg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorragica matava rapido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de radio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uige está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimonias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão.Luvas, gorros e batas se haver necessidade.Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos reportes de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O virus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passavamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemovel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A ecclesia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local.È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda.Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior é um problema para os escribas. Novo tarbalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos aos hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares.Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e o competente regresso ao Uige. São cerc de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tonica central há medo, mas há vida no Uige. Conferencia de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitavel quando uma equipa vai ao terreno buscar cadaveres. Noticia aterradora, eram membros da mesma familia. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de obito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadaveres são enterrados em valas comuns, por tecnicos de saude. As vezes o virus mata todos os membros da mesma familia, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo á bicilheta. decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitavel. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de tarablaho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estomâgo e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a rumagem rapída ao aeroporto.Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uige está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uige, voltar a falar ( muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o virus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rapida. Mvieira

Operação Kissonde : investigação

Rodelho André Cambala tinha 31 anos e era natural de Cafunfo. No dia 7 de Janeiro encontrava-se numa das margens do rio Cuango com outros garimpeiros de diamantes. Uma patrulha da empresa de segurança Alfa5 surpreendeu-os e disparou. Rodelho foi atingido na cabeça e morreu. O seu corpo só foi recuperado dois dias depois por pescadores. Tinha sido amarrado a uma pedra e atirado para o fundo do rio. Este é um dos muitos casos que o jornalista angolano Rafael Marques investigou no distrito do Cuango, na província da Lunda-Norte, e que consta do relatório Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria, que hoje será apresentado, ao final da tarde, no Instituto para a Democracia e Liberdade - Instituto Amaro da Costa, em Lisboa. São quase 90 páginas repletas de exemplos que atestam a violação sistemática dos direitos humanos no Cuango, onde a lei e a ordem são impostas pelas sociedades de extracção de diamantes - nas quais o Estado angolano tem uma participação directa através da Endiama - e pelas empresas de segurança que lhes estão associadas. A maioria das quais pertencem a ex-generais das Forças Armadas Angolanas (FAA), como França N'Dalu ou João de Matos, dois antigos chefes do Estado- -Maior-General das FAA. Sem que Luanda interfira. "O Governo", lê-se nas conclusões do relatório, "é responsável pela transferência da acção de combate ao garimpo para as empresas de segurança sem que, para o efeito, tenha estabelecido os procedimentos de fiscalização e a delimitação legal dos seus actos. Na prática, o Governo privatizou a violência a favor das empresas privadas de segurança." Em causa está, essencialmente, o comportamento que tem sido evidenciado por três sociedades de extracção de diamantes e três empresas privadas de segurança, que dividem a região do Cuango entre si. No sector do Cufunfo está a Sociedade Mineira do Cuango, associada à Teleservice. Uma empresa de segurança que, segundo Rafael Marques, detém o monopólio dos serviços de segurança das petrolíferas que actuam em Angola, contando entre os seus clientes com a Sonangol, Total, Chevron-Texaco e Halliburton, às quais se juntam a De Beers e a Sociedade Mineira do Lucapa (Lunda-Sul) no domínio dos diamantes. Já no Luremo encontram-se a Sociedade Mineira Luminas e a K&P Mineira, enquanto a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro (SDM) e a Alfa5 actuam no sector adjacente à capital administrativa do Cuango. Ainda que Rafael Marques tenha constatado agora uma evolução na actuação da Polícia Nacional face a 2004 (período contemplado no relatório Lundas - As Pedras da Morte, que o jornalista e activista dos direitos humanos elaborou com o jurista Rui Falcão de Campos), o facto é que o Cuango continua entregue às empresas privadas de segurança. Originando situações dramáticas, em que as populações são impedidas de se dedicar às suas actividades tradicionais (agricultura, pesca ou comércio), criando-se uma realidade que as impede de sobreviver sem que recorram à ilegalidade. Exemplo disso foi o que sucedeu a Francisco Pinto e a Óscar Neves no dia 20 de Abril. Guardas da K&P impediram o primeiro de pescar no rio Lumonhe com o argumento de que o rio e os peixes também faziam parte da concessão da SMC, tendo sido agredido até perder os sentidos. Já o segundo foi agredido à coronhada por seguranças da Teleservice que o apanharam a tomar banho no rio, como sempre fizera. "O rio também tinha sido concessionado." Publicado no jornal Português Diario de Noticias

UIGE: no coração do Marburg

2005, Abril 16. Disseram-nos laconicamente que o avião está pronto. Agora o que até antes aparecia distante era, já sim, uma realidade palpável. A comitiva é numerosa. Jornalistas de quase todos os orgãos do país ( o que é raro) , enviados de Portugal, EUA e Reino Unido e da distante China. Pressionados pela opinião publica, o ministério da saúde e o governo no geral, foram obrigados a dar-nos a ver o outro Uige, até então fustigado por um virus mortal, altamente contagioso a que se deu o nome de Marburg. Marburg porque era uma recordação ( mesmo medonha) ao aparecimento de um virus semelhante na cidade Alemanha de Marburg!!! Na altura profundamente mortal, ceifando mais de 60 cientistas. O boato, sobre o margurg angolano, corria solto em Luanda e no resto do país. Contas feitas a letal febre hemorragica matava rapido demais. Pior que o ébola do Congo. Na versão oficial tudo começou em Março, mas no terreno é que tudo se deu no ano anterior, 2004. O macaco verde foi acusado de ser vector da doença. Havia quem negava. As audiências de radio e TV aumentavam. O país acompanhava com o coração condoído e respiração suspensa a marcha da morte. Até ao momento cerca de duzentas pessoas sucumbiram! A pergunta era: Agora que estamos em paz, porque tanto? A mobilização começava. O Uige está fechado por ar e terra! A antiga cidade Carmona ficava isolada. O interesse internacional aumentava. No aeroporto de Luanda, sem cerimonias, vimos material de bio protecção a ser passado de mão em mão.Luvas, gorros e batas se haver necessidade.Pensei cá comigo, não vá o diabo tece-las. O friozinho na barriga, tão habitual nos reportes de guerra quando vão à frente de combate. Acomodação no gigante dos ares e num ápice Luanda fica... longe. 35 minutos depois aterrava-mos no Uige. O Antonov Russo faz-se a pista.11 e 20 da manhã. È o primeiro avião a aterrar em duas semanas. Há saudações, mas não contactos, porque assim manda a prudência. O virus, dizia-se nas campanhas poderia ser passado por um abraço, um toque ao cumprimentar uma pessoa infectada. Uma comitiva foi montada as pressas e de autocarros passavamos pelas estreitas ruas de uma das maiores cidades do norte de Angola. O destino é Songo, um municipio também duramente afectado. Eu aproveito, de telemovel, descrever para Luanda tudo o que vejo. A ecclesia é a primeira a transmitir do Uige a realidade, narrada do local.È, com isso responder às questões do povo e os boatos... Agora são 40 Kms para encontrar um dos " centros" do Marburg. Cai uma chuva miúda. A marcha é lenta porque a estrada não ajuda.Começa-se a ficar sem rede. Problemas de comunicação no interior é um problema para os escribas. Novo tarbalho para Luanda, jornal central. Chegados ao local, directos aos hospital. Descemos do autocarro. Aproveito para fala com populares.Dados novos, exclusivos. Esboço sorriso. Depois as autoridades e a ladainha constante da falta de condições. Missão cumprida e o competente regresso ao Uige. São cerc de 3 da tarde. Outro trabalho para Luanda. Tonica central há medo, mas há vida no Uige. Conferencia de imprensa, visita ao Hospital. Aqui acontece o inevitavel quando uma equipa vai ao terreno buscar cadaveres. Noticia aterradora, eram membros da mesma familia. As escolas funcionam. Nos mercados vendia-se de tudo um pouco, menos carne de macaco. Ora essa! Uma maratona musical abafa ao fundo o grito de obito, à moda africana, dos parentes enlutados. Os cadaveres são enterrados em valas comuns, por tecnicos de saude. As vezes o virus mata todos os membros da mesma familia, contara-me no coração do Marburg. A fome e a sede apertavam. Vi dois conhecidos escribas angolanos, companheiros de viagem a seguirem ao mercado, o tal onde tudo se vende. Vendia-se do ovo á bicilheta. decidi segui-los. Entabulamos conversa com uma senhora de idade respeitavel. Com o seu peso avantajado quase fazia sofrer um pequeno banco. Em resposta ao meu companheiro de tarablaho, o mais extrovertido ela foi directa. " Em Luanda estão a falar muito, mas resolvem pouco". De repente deixamos o Marburg para viveres para " aldrabar" o estomâgo e os competentes acompanhantes etílicos. No fim da jornada um banquete e a rumagem rapída ao aeroporto.Já era noite. A pressão era maior porque aquele aeroporto não está habilitado a voos nocturnos. No avião, concluí - porque a vendedora de ovos cozidos, mesmo parca em palavras, me passou nas entrelinhas esta ideia. O Uige está isolado, mas (ainda) não desesperado por ajuda apesar dos corações extremamente condoídos com a força avassaladora do Marburg. Espero voltar ao Uige, voltar a falar ( muito mais) com a vendedora e claro saborear outros, agora sem o virus mortal... PS: esta é uma pequena homenagem as vitimas do marburg e a quem lutou para travar a sua propagação rapida. Mvieira