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sexta-feira, maio 16, 2008

Dois poemas de José Luís Mendonça*

Rosas brancas de porcelana
Para esta construção bastam os mares de olvido concentrados no coração azul dos peixes.
Nas tuas mãos começam os alicerces de um cantar antigo remoinho de prazeres.
É só sentires um formigueiro pela coluna acima e os sete sóis de Júpiter te iluminam.
Logo em teu cordão umbilical enrolarei a fina platina de um nome subscrito a cal de rosas brancas de porcelana.
Mas é no teu olhar que se definem os contornos de quem não somos como se o vinho dos lagares fermentado no teu sangue não me levasse até ao fim do poema.
Um vestígio de luar
Quantas vezes o céu azul com as suas mãos cheias de nuvens brancas deita de lado uma mulher sobre o rio kwanza na púrpura florescência da carne.
Todo o céu assim deixa terreno à impaciência dos dedos à investigação das mandíbulas ao cheiro ocre das rosas de porcelana que degeneram nas margens húmidas.
Palavra puxa palavra de mesa em mesa se escuta um vestígio de luar deixar a porta aberta ao couro sanguíneo das pontes.
* Do livro “Um Voo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo”, poemas cedidos pelo autor

De mim "Coruja" para ti, com muito amor *

Quis ver o sol chegar e o comboio partir
sentir o calor da noite e o frio da brisa
olhar a onda bater e as estrelas no céu
ser o primeiro a chegar para nunca partir
Quis ver a lua brilhar e a terra molhar
a flor renascer a arvore a crescer
o rio correr a pedra a rolar
a água brotar para nunca faltar
Quis ter essa seiva do caule frondoso
ser vida ser morte
ser canto ser sorte
ser essa certeza de vento batendo
quis ser a saudade
do adeus não dizendo
Quis ser primavera no rosto sofrido
ser pena ser escrita na voz do cantor
ser mão de artista tocando piano
ser só partitura na nova escritura
Ter um segredinho com deus menininho
ser pura
ser santa no olhar do pecado
ser lágrima corrida no rosto cansado
ou um desabafo no rosto molhado
No tempo me envolve
na noite me calo
do sonho me afasto
da vida me aparto
Quis ser um rastreio de homem mendigo
sou forte, sou nada
por isso nem brigo
* Autoria identificada

quarta-feira, junho 27, 2007

Kianda do meu ( actual) viver

Luanda da saudade
kianda do meu ( actual) viver
Tinha razão o poeta, que falava do sucesso da “peróla do indico” para despoletar a terna imagem da razão do nosso existir
Duas razões, um ser
Três vontades
Um desejo

Algures para Luanda, o beijo calído que preciso nesta altura
MV Maputo – Mozambique

terça-feira, junho 12, 2007

O local do amor, qual desamor putrificado
andança dos sublimes momentos
a raiva contida, desejos descarnados
a logica muito sem nexo
o valor do momento
O local do amor
o monte sinai
o ecologicamente perfeito
na soul music que o coração te obrigou a lançar
qual floresta devastada nos encantos inventados
recantos do belo
as curvas olhadas sem temor
O local do amor
a epopeia certa
o centro do mundo que é eterno
o sinai
Já lá vão seis anos. Sabes o que sinto...

quinta-feira, junho 07, 2007

Adeus à hora da largada*

...somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos ....
* AGOSTINHO NETO
NOTA: Eis a minha homenagem aos homens que enfrentam a vida acreditando nos seus ideais. São homens de fibra, não se vergando pelos acenos dos que reluzem de gordura, corrupção de mentes e corpos, quais famintos abutres transvestidos em humanos, ocasionalmente....